terça-feira

A focar no trail - nos Trilhos da Carvalha


Estou a correr vai para a 3ª semana seguida e a sentir-me bem. Depois de mês e meio encostado às boxes o foco mudou. Passou da estrada para o trail.

Há Trilhos dos Pernetas para organizar o que "obriga" a ir para os montes. E há aquela grande aventura para final de Junho, e como sabemos, o tempo passa a voar.

Tenho corrido 5 a 6 vezes por semana ainda a ritmos muito comedidos - estou novamente mais pesado mas a coisa vai andando. Aposto mais nos desníveis para ganhar força nas pernocas. Durante a semana as corridas são em alcatrão mas sempre que existe oportunidade faz-se uma incursão off-road. Ao fim de semana tenta-se ir para o monte e aumentar um bocadinho as distâncias.

Foi o que aconteceu este domingo, nos Trilhos da Carvalha em Argoncilhe, com os quais se abriu o Circuito de Trail de Santa Maria da Feira de 2019 - relembro que é um circuito com várias etapas pelo nosso concelho, corridas gratuitas por trilhos sem competição e solidários - cada etapa apoia uma associação da zona com bens alimentares trazidos pelos participantes. Orgulho-me de fazer parte da criação deste projecto com os Pernetas - estamos nisto desde a primeira hora sem nunca ter falhado um ano. A nossa etapa em Canedo será dia 17 de Março.

Fui com a Pikinita que ao fim de muitas semanas sem correr ia ver como estava. Foram igualmente alguns Pernetas e a maior parte das meninas das Montemorrows ou lá como se chamam. Já em Argoncilhe encontramos muita gente conhecida como é normal … S.Pedro foi amigo e deu-nos um tempo ideal para correr, contrariando as previsões de chuva que veio mais ao fim da tarde quando já estava no quentinho da casa.

E foi num ambiente super descontraído que se passou uma bela manhã … 

aproveitamos para promover os Trilhos dos Pernetas e tivemos a bela ajuda da nossa fã nr.1 - a Sandra chegou a ameaçar quem não se inscrever … valente!!! Os outros dois cromos (lado esquerdo, em baixo) foram só chatear, correr tá quieto …

cá estão eles a meter-se nas fotos das miúdas dos Montemorrows ou lá como se chamam - depois admiram-se que elas fujam .. 

os dois cromos bazaram … yeaaahhhhhh 

não me largam … é o que faz ser charmoso, lindo de morrer e parvo …

as gémeas e um emplastro … 

não me largam parte 2... 

elas não me largam - parte 3 (com ciumentos que não podem ver nada) 

a fazer de jornaleiro/fotógrafo

este degraçado até fazia "fumegava" de tanto nos aturar

e pediu para tirar uma selfie connosco … 
ainda não sabemo quem é o gajo … devia ser da caminhada, pelo aspecto

mas viemos aqui para correr, certo?

fui ao 20km e a Pikinita aos 10km 

juntei-me à Raquel e fizemos o treino em amena cavaqueira, nas calminhas … 

pelo meio íamos encontrando gente conhecida …

uma parte gira/diferente que já conhecia dos treinos da malta do Sanguedo 

a percorrer um trilho que fazia muitas vezes quando comecei a correr…  

a chegar ao fim … obrigado Raquel pela boa companhia e boa sorte para Sicó 

Posso dizer que os Trilhos da Carvalha me surpreenderam pela positiva. Estando Argoncilhe inserido entre localidades, sem serras por perto, estava à espera de um percurso a percorrer as margens das localidades, traseiras de quintais e afins. Em parte foi, mas em grande parte percorremos trilhos bem bonitos junto a um rio, vimos cascatas, alguns single-tracks e no fim ainda deu 650m D+ com uma altitude máxima de 200m. Ou seja um percurso corrivel, mas enganador … quem fizer aquilo a gás dá um belo de um empeno. Eu não … fiz tranquilo e mesmo assim deu uma média de 7,30min/km … bem bom. 

E muitos parabéns aos Outlaw Runners, equipa recém formada pela excelente organização deste evento. Bons trilhos, bem marcados, conseguiram criar bom ambiente, abastecimentos fartos … tudo funcionou. Não esquecer que estes eventos são de borla e dão muito trabalho e responsabilidade (sei muito bem o que isso é). Por isso tudo estão muito de parabéns. Obrigado!!!

Melhor de tudo … a minha Pikinita fez os 10km na boa e até fazia mais, cumpriu a promessa de não abusar 

quarta-feira

Voltinha por Bergen op Zoom


Esta é a história de uma amigo meu. Um amigo meu que anda há quase 3 semanas a viajar pela europa em trabalho. Há quem diga que tem sorte, que deve ser muito bom, viajar, conhecer sítios novos, pessoas. O meu amigo não se queixa, é o trabalho dele há duas décadas, mas também diz que só se vê a parte boa … o cansaço que estas viagens provocam, o andar de mala às costas, os milhares de km que se percorrem todas as semanas, o estar longe da família e dos amigos … o meu amigo diz que é preciso colocar tudo na balança. Fora o trabalho, que quando corre bem é uma motivação extra, mas quando as coisas não correm como o meu amigo quer o facto de estar longe multiplicam a azia por 2 ou 3. 

Não é o caso desta semana. Apesar de os dias estarem a ser muito longos o trabalho está a correr bem. Hoje o meu amigo conseguiu pela primeira vez chegar ao Hotel com luz do dia … seriam umas 17.15h. Ele treinou todos os dias, na 2ª foi às 21h, ontem foi pelas 20h … hoje também ia correr embora não apetecesse. O cansaço acumulado destas viagens consecutivas, as 4 reuniões do dia e os quase 500km percorridos de carro deixaram-no um pouco abatido. Mas ele sabe que a corridinha de final do dia o vai colocar bem disposto.

Como sempre, ainda no carro, a 5km do Hotel, começa a olhar em volta para ver possíveis locais para a corridinha. Desta vez está em Bergen op Zoom na Holanda. Uma novidade para ele … aliás, a Holanda é quase toda uma novidade para o meu amigo. A zona que escolheu para pernoitar não ajuda a motivar … o Hotel foi escolhido por ficar próximo do primeiro cliente a visitar amanhã cedinho, e pelo preço também. A zona à volta não é grande pistola … Bairros de imigrantes, periferia da cidade … nem sinal dos famosos canais que o meu amigo anda a ver o dia todo pela Holanda desde que aqui aterrou. Zonas verdes népias … viu uma linha de comboio com uma ciclovia. Decide que vai ser ali que irá despachar os 8 ou 10km de hoje.

Check-in … confirma-se … o Hotel não vale um caracol, mas para uma noite serve. Equipou-se e ao descer as escadas decide ir perguntar à menina da recepção o que aconselha para ir dar uma corridinha. Estão meia dúzia de pessoas para serem atendidas pela menina. O meu amigo não quer esperar, siga em direcção à linha de comboio… venham com ele…

olha … esta torre de água é gira, feita com os típicos tijolos vermelhos que se vêem por toda a holanda

cá está ela … a ciclovia ao lado das linhas de comboio … durou 1km, demasiado monótono para o meu amigo, sempre em linha recta 

Toca a enfiar pelos bairros típicos holandeses … bem mais giros … é aqui que o meu amigo repara que do outro lado da cidade o céu está com umas cores lindas … e uma foto para o blogue do meu amigo? Era uma boa … 


e corta à direita, enfiando-se por umas ruelas tentando chegar a um sitio onde possa ver e registar as tais cores que o chamam… 

não vai ser fácil … a Holanda é completamente "flat" … não existem pontos altos para se olhar o horizonte, é tudo prédios a tapar as vistas ao meu amigo … mas ele é persistente … algo lhe diz para continuar à procura … terá que tentar chegar à periferia do outro lado da cidade … 


olha um pontão por cima da autoestrada… 

300m mais à frente isto … 

acreditem que o meu amigo até arrepiou com o quadro com que se deparou … parecia mentira … estas fotos do meu amigo não tem qualquer filtro … ele pegou no telemóvel e disparou ..


3km apenas … o meu amigo decidiu ir até aquele prédio grande que se vê ali ao fundo desta foto … não sabia se isto era mar, se era lago, se seria rio, artificial ou não .., mas era lindo, fosse o que fosse .. 


não eram só as cores e o local … era o sossego … como era possível … seriam 18.15h, por aí … uma tranquilidade, uma paz… não havia cafés, restaurantes abertos, nada ... apenas algumas pessoas a passear os cães … e isto numa cidade … incrível


a zona era de construção recente … apartamentos, muitos, casas, algumas também … luxo naturalmente não eram para o bolso de pessoas "normais" ...a noite pôs-se rapidamente… 


aqui o meu amigo já estava do outro lado, muito perto do tal prédio … 5km, nada de mais … a ciclovia contornava o prédio e continuava por ali fora. O meu amigo decida continuar mais um pouco… 


acabam-se as habitações… um ou outro pescador nas sombras da noite … patos e gansos são os únicos a quebrar o silêncio deste fim de tarde/inicio de noite neste local … além do bater das sapatilhas do meu amigo no alcatrão… 


agora é apenas natureza e uma espécie de caminho asfaltado que continua a percorrer as margens … o meu amigo não consegue voltar para trás, é impossível não aproveitar o momento … além disso muito lá ao fundo parece que se consegue contornar completamente o lago … o meu amigo decide arriscar, mesmo não sabendo se tem saída e sabendo que terá que enfrentar a escuridão total … desta vez o meu amigo foi esperto … tem o frontal no bolso do casaco …


aqueles 2km pelo meio da água foram mágicos - de um lado o lago, do outro um canal, com alguma vegetação, as cores do por do sol (que nunca viu) a desaparecer, seguido de escuridão e companhia de bandos de gansos por ar e pela água - pareciam mesmo que o estavam a acompanhar .. os sons não assustavam, pelo contrário, confortavam, motivavam … acabou demasiado rápido … podiam ter sido mais 2 e ainda outros 2km … segundo o meu amigo valerem muito a pena, muito mesmo …  


O caminho desbocou numa zona de armazéns enormes, centenas de camiões … é uma plataforma logística de apoio a um porto … Roterdão??? O meu amigo não sabe, ainda não se dedicou a pesquisar .. mas vai saber … os últimos 3km para regressar ao Hotel são por essa zona industrial, depois novamente pela margem do lago já da parte da cidade e depois por entre um parque que dista apenas a 800m do Hotel. Se o meu amigo tivesse cortado à esquerda em vez de à direita quando saiu do Hotel teria vindo direito ao lago … mas provavelmente não teria dado a volta toda … não sabemos … o que o meu amigo sabe é que foi uma corrida espectacular pelo que pode ver e sentir … e tirou muitas fotos que estão fantásticas, mas as outras com os cheiros, os sons, o silêncio do local estão na cabeça dele … espero que tenham gostado da partilha, uma forma do meu amigo vos dar um bocadinho do que foi esta corrida para ele … agora ele vai dormir … amanhã é mais um dia em cheio … mais 4 reuniões, mais 400km de carro e se for possível mais uma corrida ao fim do dia … noutro local, também novidade para ele … não tem espectativa que seja como aqui .. não faz mal .. este já ninguém lho tira … e 6ª feira regressa a casa, mas antes ainda visita mais dois clientes … não é fácil … mas ele não se queixa ...



Voltar na Floresta Negra


Tenho estado ausente do meu tasquinho. Se por um lado o tempo andar muito escasso nesta altura do ano por outro não tenho corrido – e quando não corro pouco há que contar. Por isso hoje levam com um pequeno testamento para colocar a conversa em dia J
Até 2ª feira desta semana a última vez que tinha corrido tinha sido em Viana, na meia maratona Manuela Machado onde bati um recorde pessoal – foi a meia onde obtive o melhor rácio tempo/euro gasto na inscrição – quer dizer, o pior tempo de todo o sempre na distância, de longe … 2h03m e uns pozinhos … mas foi bom, até aos 19k :)

RP … 


Até sábado antes da prova estava com dúvidas se devia correr – tinha feito dois treinos muito lentos durante a semana, um de 7km que correu bem e outro de 10km que correu menos bem – até aos 8km não senti nada e nos últimos km comecei a sentir a coxa a esticar no sitio onde me tinha lesionado. No dia seguinte estava um pouco dorido. Parei 4 dias, fiz um último tratamento e sábado de tarde decidi alinhar na partida, nem que fosse para fazer um treino. Estava decidido – se voltar a sentir paro imediatamente.
No dia juntei-me ao Zé Moreira, tb lesionado num joelho e tal como eu sem espectativas em acabar. Acontece que acabamos, ambos os dois J. Partimos detrás e seguimos nas calmas a meter-nos com o pessoal que íamos encontrando por caminho… desculpem lá qualquer coisinha J Fui controlando, sempre atento e só aos 16km é que senti pela primeira vez alguns sintomas que a lesão não estaria debelada. Reduzimos o andamento mais um pouco e aos 19km, mesmo à entrada de Viana, a coisa veio mais forte e parei de imediato. O Zé que tb vinha à rasca não me deixou para trás … caminhamos e trotamos nos últimos 2km para terminar a prova. Feita!!
amigos são assim ...

a caminhar antes que "arrebente"... os vedadeiros pernetas

Sabor agridoce … por um lado contente por ter acabado, por outro apreensivo porque afinal ainda estava longe de estar curado. Mas houve outras coisas boas em Viana … o facto de o Luis Lobo ter vindo participar (1h22 a brincar J … se tivesse sido minha lebre como estava previsto ia matar-me J), os melhores jesuítas do mundo, o almoço com os Montemorrows ou lá como se chamam e por fim o destaque da jornada, a estreia de sucesso da Samanta numa Meia Maratona J
em estágio durante a tarde de sábado para Viana

à noite o estágio continuou ...


Vamos Samanta … tá quase...


feita … e bem feita … bués de parabéns!!!! 

nham nham ...

e fui catequisar os Montemorrows ou lá como se chamam ao almoço

Na semana seguinte andei uns dias bastante dorido na zona da lesão – fiz tratamentos e decidimos parar mesmo. Foram duas semanas de paragem de corrida – fui fazendo algumas caminhadas com a Pikinita (que ainda não pode correr pelo menos até final deste mês) para as pernas não ficarem demasiado malandras, mal-habituadas J
Já há mais de uma semana que me sinto bem, mas tinha aguentado não ir correr – mesmo na semana passada em Valência, cheio de vontade em ir explorar a cidade consegui  evitar calçar as sapatilhas.
não corri, mas tratei-me bem … estas pizzas são totil de boas

O mesmo já não se pode dizer desta semana – estou na Alemanha, no sul … na zona da Floresta Negra. A mala de viagem voltou ao normal … mais de metade com roupa de corrida J 
E logo na segunda-feira fui testar … zona industrial na periferia de Freiburg … frio, escuro e feio … lá fui eu … foram 8,5km calmos, sempre atento não senti nada de especial – apenas que me custou imenso, tanto de pernas como de caixa … que forma lastimável. Importante é que a coisa parece estar bem melhor … a confirmar no dia seguinte.

devagarinho … para não estragar

high-five … correu bem

E no dia seguinte voltei a correr. Consegui apanhar um pouco de luz do dia – já se notam os dias mais longos – ainda no final do ano a luz do dia não chegava às 17h por estas bandas – agora a noite só aparece um pouco depois das 18.30h. Saí do Hotel para fazer 10km e acabei por fazar 15,5km .. só me custaram os últimos 3 por falta de pernas … da lesão continua a não haver sinal J

as cores estavam muito bonitas

uma casa de banho na floresta … não obrigado … larguei uma manada de javalis no hotel antes de sair

10 minutos depois começou a "picar" … afinal havia ainda javalis para largar

larguei-os atrás de um arbusto num descampado … nessa largada vi um castelo no cima daquele monte

e tinha que o ir "conquistar"

e conquistei ...


em vez de 10 foram 15,5km … mas valeu

Hoje voltei a correr … o dia acabou um pouco mais cedo o que me deu quase hora e meia de de luz do dia. Fui de carro até à periferia de Tübingen para fazer um percurso marcado (em parte) que vi na internet – havia muitos percursos aqui pela zona – decidi-me por este por ter ca.13km e 380m D+, por ser de dificuldade média e por variar entre floresta, montes, trilhos, estradas florestais, passar num parque natural protegido e por um castelo. Prometia. E foi melhor que esperado – uma aventura daquelas.
na primeira parte é só seguir as cruzes vermelhas

levei duas destas no bolso … sumarento, nutritivo e cheio de cor o meu abastecimento

achei piada a isto … venda de mel no meio do nada e sem ninguem … era pegar no frasquinho e meter 5 euros na caixa … como seria em Portugal?

Castelo conquistado

sigaaaa...

depois vieram os problemas … uma zona sem marcações, neve no chão não é problema, gelo seria, felizmente não tem gelo

encontrei umas pessoas que me indicaram o caminho certo até uma próxima localidade, tinha que ir ao campo de futebol dessa aldeia … lá encontraria as marcações do próximo percurso … batia sol, já não havia neve no chão ...


junto ao campo tb não encontrei as marcações, mas encontrei este memorial aos soldados mortos na 1ª e 2ª guerra mundial que pertenceram a este clube da terra

sabia que tinha que que seguir para um vale pelo que só podia ser a descer … o problema é que deste lado dos montes era um frio de rachar, e a estrada estava congelada … corri apenas onde tinha neve fofa, mais pelas bermas … nas partes completamente geladas todo o cuidado era pouco … e a caminhar rapidamente comecei a arrefecer … e com dúvidas no percurso pois continuava sem encontrar indicações nem ninguém a quem perguntar … tentei ligar o google maps para procurar a aldeia mais próxima … a net não funcionava enfiado numa floresta num vale… estava na hora de usar a navegação GPS do meu relógio … a opção "voltar" … estava a 3,6km em linha recta do meu carro (acabei por fazer quase mais 6km) … pelo menos sabia para que lado ir e corri, primeiro a descer e depois a subir … voltei a aquecer e passado uns 2 ou 3km cheguei à periferia da floresta e encontrei placas a indicar as localidades vizinhas e logo de seguida também as "bolinhas vermelhas" que era o percurso que procurava há alguns km ...safo …






cá estão as bolinhas...

uma última foto antes de descer à aldeia ...
 

No fim, mais 15km com quase 500mD+ … quase sempre corrido, com alguma caminhada para tirar me situar e tirar umas fotos. Da lesão nem sinal (estou a bater na minha cabeça :)) .. já as pernas andam pesadas.

mais 15km para a contagem… assim não custa nada

bom treino de força nas pernocas

Todos os sítios são excelentes para recomeçar a correr, mas digam lá que faze-lo na Floresta Negra não é especial? JJJ