quarta-feira

Em Pausa

 

É domingo, estou a acabar o treino de 20k previsto para hoje ... estou a 200m de casa e preparo-me para as 8 rectas de 100m que estão na prescrição de hoje. Foi uma corrida muito tranquila com a companhia da Pikinita, num percurso circular saimos de casa, subimos ao Lusoparque, exploramos umas estradas florestais que nos levaram por Espargo até à Zona Industrial do Roligo, fomos por Fornos, subimos ao Castelo da Feira e viemos até casa ... de repente vindo do nada uma dor abaixo do gémeo da perna direita ... parei imediatamente ... fui a caminhar até casa, gelo.

Á tarde tinha já alguma dificuldade em caminhar. Na 2ª feira estava pior ... é lógico que parei com os treinos. Na 3ª estava ligeiramente melhor e tinha a vistoria marcada com o Rui, que é quem me trata da saúde (ou falta dela). Apalpa aqui, apalpa ali ... "tens o Solear inflamado" ... resultado ... parar de correr, reavaliação na 6a feira.

Desde domingo que ando com azia por causa disto ... eu sei que não deve ser nada de muito especial, que podia ser pior, mas foda-se ... agora que tinha passado aquela fase em que me sentia uma "arrastadeira", que estava a motivar, em que os treinos começavam a fluir melhor e que ia entrar numa semana com mais treinos especificos que me dão aquela pica extra ... mas é como é. Vamos ver se a coisa vai numa semana ... se não for lá terei que reagendar o objectivo da Maratona sub 3h10 (para mim) e sub 3h05 (para o gajo que me quer matar) ... é que inicio de Novembro está aí ao virar da esquina.

Para já estou em Pause!!!

sexta-feira

Correr de madrugada

“Txiiii … vou correr 1h? … faço 7 ou 8 km e já é bem bom” … é este o pensamento que me assola ao mesmo tempo que dou os primeiros passos de corrida no treino de hoje.

Passam poucos minutos das 6 da manhã … levantei-me há pouco, o despertador tocou eram 5h50 … entre o “levanto-me” e o “csafoda o treino, fico a dormir” é uma luta que dura 1 ou 2 minutos apenas. Vence o primeiro porque ontem cheguei muito tarde e cansado a casa e não treinei e sei que hoje não vou ter outro tempo livre para correr.

Já tenho o equipamento na sala … levanto-me devagar, pezinhos de lã, fecho a porta que dá acesso à zona dos quartos e tento fazer o mínimo de barulho possível para não acordar ninguém. Xixizinho da manhã, bebo um copo de água e equipo-me ainda meio a dormir. “Isto vai custar …”

Desço de elevador … o tempo está fresquinho, não chove, mas está ainda noite cerrada. Pensava que  às 6h já haveria os primeiros raios de luz … enganei-me. Ligo o GPS do relógio … uns poucos segundos depois o som que me diz que encontrou sinal … está pronto … hoje é o dia em que podia demorar 1 minutinho ou mais que não me importava nada … mas isso só acontece quando tenho pressa. A vontade não era muita, tinha sono … vamos lá, tem que ser.

Ainda antes de arrancar passa um moço a correr com uma mochila enorme às costas … estranho … treino longo? Peso às costas? Será que vai para o trabalho a correr? … vá Perneta … chega de ronha … oupas …

Aquelas primeiras centenas de metros custam bué … ainda ando com dores de costas, especialmente quando acordo e até me começar a mexer … uns 500m depois já me habituei aos movimentos e aos impactos.

O percurso decidido enquanto descia de elevador contempla uma ida ao Castelo da Feira, num percurso que tem uns 8km … decido fazer em sentido contrário ao habitual. Nos primeiros km a coisa não anda … a média anda nos 5,40m/km. Tenho as ruas quase só para mim … apenas um carro de longe a longe.

A descer a zona velha da Feira a coisa já vai mais solta e começo a apreciar a corrida … olha que isto de correr de madrugada afinal é capaz de ser bom, já me tinha esquecido como era … vem a subida ao Castelo, uns 500m em paralelo bem inclinados feitas com facilidade a um ritmo bem moderado.


A zona do Castelo está às escuras … os horários das luzes públicas ainda devem estar adaptados aos meses de Junho, Julho e Agosto em que a esta hora já seria de dia. Sigo para Souto … sei que aquele piso tem muitos buracos e não vejo onde coloco os pés (nota: próxima vez trazer frontal) … cuidados redobrados. São apenas algumas poucas centenas de metros antes de colocar os pezinhos num tapete de alcatrão novo em folha … sigaaa ….


A partir daqui é a descer, o tempo está excelente a vontade em correr também … o ritmo aumenta naturalmente, mas sem exageros que isto hoje é para rolar. Maravilha …

… e é assim, todo feliz da vida a desfrutar da corrida que faço o regresso a casa, não de forma directa para os tais 7 ou 8km no máximo como estabeleci na minha cabeça quando isto começou, mas metendo mais umas voltas pelo caminho de forma a cumprir o estabelecido para hoje … 1h + 8x100.



Muito bom!!!

Há uns anos era habitual eu treinar muitas vezes assim cedo. Não tinha alternativa. Não é fácil para mim porque começo a trabalhar às 8h (vá … 8h05 ou 8h10 😊) … o gajo que me orienta (leia-se, me quer matar) já me tem dito que preferia que treinasse de manhã em vez do fim da tarde ou mesmo durante a noite. Eu deito-me tarde e depois custa levantar. Aqueles treinos mais específicos ou demorados como series ou longos não são viáveis … entre início e fim de treino necessito de 2h no mínimo, mas estes treinos de 1h ou pouco mais porque não?

Só custa mesmo levantar e começar … é tentar não ligar ao que o teu cérebro te diz e ir em frente … quando tiveres os primeiros 300m feitos acredita que já vais todo contente por teres tido a força em sair para treinar.

Feito ... maravilha

E as vantagens são muitas … chegas a casa desperto e bem-disposto. Haviam de ver a Pikinita cheia de sono a aturar um gajo bem-disposto 😊 … um banhinho, pequeno-almoço e lá vou eu cheio de energia a cantarolar até ao trabalho. Já não me “preocupo” com o treino de hoje … está feito … venham os imprevistos do dia 😉

A experiência correu bem … com os horários das miúdas, actividades extra, etc, etc, o tempo para correr será ainda mais apertado. Os treinos madrugadores deverão entrar novamente na minha vida, pelo menos os de rolar como o de hoje.

Veremos … vem aí a chuva e o frio, factores que tornam os treinos madrugadores mais difíceis. Mas eu tb gosto … só custa começar 😊


segunda-feira

Correr por Prazer - fiz a meia

 


“Ó Gil, isto não está fácil…”

A barriga inchada, a boca seca e a respiração descontrolada ainda durante o pequeno aquecimento que fizemos não deixava antever nada de bom. Paciência, a culpa é toda minha e de não me saber controlar quando entre excelente companhia há boa comida e bebida na mesa, mesmo que seja véspera de “prova”.

O jantar ideal para a véspera de uma prova ...





foi uma razia ...

elas não me largam .. é normal :)

No sábado passado voltei a sentir aquele “nervosinho” de prova de estrada, que diverge muito do que sinto quando faço uma prova de trail. Na estrada sou competitivo, normalmente levo comigo um objectivo de tempo para o qual terei que lutar bastante. Era o caso … ia participar na primeira prova virtual de forma mais “séria”, os 21km do Correr por Prazer Virtual do Vitor Dias. Tinha desafiado a Pernetada que iria na sua grande maioria fazer a prova no domingo (ontem) … eu só podia no sábado e a mim juntou-se o Gil.

Decidimos por fazer grande parte do percurso da Meia Maratona de Cortegaça, por ser bastante perto para ambos, pelo percurso com pouca confusão e o ar de maresia misturada com o cheiro dos pinheiros da mata da zona que é uma maravilha. Além disso a mata oferece algumas sombras o que neste fim de semana onde se previa sol e tempo abafado iria dar jeito. O percurso seria feito ao contrário, com partida no Furadouro e ida e volta a Cortegaça/Esmoriz, não pela estrada, mas pelo caminho asfaltado na berma.

Voltando ao aquecimento, estava a suar muito, estava perro … e deu-me aquele pikinho ao fundo das costas que não engana … depois de duas idas à casa de banho ainda em casa, ainda havia algum último javali que teria ficado a dormir e agora desperto se lembrou de andar às cabeçadas às paredes para sair. Antes agora do que durante a corrida. Uma última ida ao carro … bebi um litro de água com isotónico … da maneira como estava com a boca seca tinha que ser, tinha que tentar criar alguma reserva para a prova visto que não tínhamos previsto nenhum abastecimento a meio. Levava apenas 500ml de água com Dyoralite e dois géis para gerir. Vamos a isso … um trotezinho até ao limite da estrada da mata … ir largar o javali que tinha ficado cá dentro (afinal eram dois 😊), dois sprints e estava pronto …

Tenho a dizer que o Gil tinha como objectivo 1h30 o que para mim nesta altura do campeonato é demasiado rápido. Eu já ficava satisfeito se conseguisse 1h34 o que dá uma média a rondar os 4,30m/km, assim muito satisfeito ficaria com uma média de 4,24min/km (que é a média que preciso fazer para 3h05 à Maratona). Tinha dito ao Gil que o iria acompanhar nos primeiros km e depois logo se viria … ficou claro desde o inicio que amigo não empata amigo …


E lá se deu o tiro de partida …. o primeiro km foi feito a 4,13m/km … demasiado rápido mas é apenas o primeiro. Senti-me bem, as pernas estavam mais soltas, a respiração controlada … o segundo km baixou um pouco para as 4,18m/km mas as sensações continuavas estranhamente boas … mas ao 3º km, mantendo os 4,18m/km a respiração começou a descontrolar um pouco e comecei a sentir as pernas a ficar pesadas, sinal claro que estava a andar demasiado rápido para as condições em que estava … decidi que iria forçar até aos 5km e depois deixava o Gil ir à vida dele e geria a minha prova como pudesse. E assim foi … dos 4,4km aos 5km demorou uma eternidade … estava ansioso que chegasse aos 5km para me “libertar” da pressão de acompanhar o Gil que ia na boa, a conversar … finalmente os 5km com uma média de 4,18m/km.  

“Gil, tenho que abrandar se não não chego ao fim … vai à tua vida” … e lá foi ele … até aos 8km curiosamente não baixei o ritmo, ele é que acelerou um pouco e depois estabilizou … ia ali uns 80 a 100m à minha frente. Dos 8 aos 9km é que baixei um pouco, naquele troço entre o corte para a entrada da Base Aérea até à Rotunda do Barco (ca.1km) faltou-me força nas pernocas e foi um esforço grande para chegar lá … esta parte sobe um bocadinho … quem conhece a estrada da mata sabe que o percurso é ondulado, nunca muito inclinado, as subidas e descidas são ligeiras mas praticamente no redline a coisa custa… continuava com a boca seca, só tinha 500ml de água e geria bebendo um golito de vez em quando para enganar a sede. A vontade era beber tudo de uma vez 😊


Na rotunda em vez de cortarmos à esquerda fazendo a recta que leva à praça onde se dá a partida/chegada da MM Cortegaça, fomos em frente até à entrada de Esmoriz e com 10km demos a volta. Do Barco até lá é ca.1km a descer ligeiramente. Aproveitei para recuperar o fôlego e estabilizar a respiração … passa o Gil já a regressar, tem agora uns 150m de vantagem … faço o retorno com 4,19m/km de média … muito muito bom. Estou cansado, estou com muita sede mas estou com vontade de fazer os tais 1h32,30 que seria à partida o “muito bom” para mim … ainda consigo fazer contas de cabeça e sei que se fizer cada km que falta a 4,28 chego lá … começo a encarar a prova 1km de cada vez, sendo o objectivo não passar os 4,28m em cada um deles.

Mas primeiro tenho que vencer a “subida” de volta, de Esmoriz até ao Barco … saco de um gel … está calor, esta zona é exposta ao sol apesar das árvores. Custou-me mesmo muito este km mas fiz 4,27km … boa 😊

Numa prova normal com outros atletas tu tens várias hipóteses de tentar distrair a tua mente como ver quem vem em sentido contrário ou procurar um companheiro de ocasião para apanhar uma “boleia”. Aqui, sozinho, não tens essas ferramentas. Tens que ser criativo e arranjar outras artimanhas …a mim deu-me para as contas de cabeça, ou para me premiar com um golito de água se conseguisse não baixar o ritmo até àquela árvore ali ao fundo. Tácticas … nem sempre funciona, mas enquanto vais tentando o tempo vai passando.

4,17 … 4,28 …4.21 …4.25 …4.21…4.25 … olhando para os parciais há um padrão, um km mais rápido, um mais lento … acho que tem a ver com o traçado ondulado do percurso …. Mais rápido quando apanhava as descidas e mais lento quando apanhava mais subidas … facto era que estava a ficar mesmo bastante cansado e a ter que lutar cada vez mais para não baixar os tais 4,28m/km … sei que tinha alguma vantagem que me permitia fazer alguns mais lentos mas 4 km ainda é muito km.

E os últimos 4km foram mesmo muito duros … o calor apertava, as pernas pesavam o dobro e a respiração não havia forma de ser controlada. Acho que também o psicológico de já não faltar muito ajuda … na mesma situação se a prova tivesse 25km talvez ainda não entrasse nesta “ansiedade” de estar prestes a acabar. É normal.

Km 18 a 4,28 … umas contas de cabeça rápidas … “ainda consigo entrar no 1h31…” e acelero

Km 19 a 4,23 … paguei o preço por ter andado mais rápido na primeira parte deste km ... na parte final do km19 entrei morto …

Km 20 a 4,30 … 1h31 fora de hipótese, já não tinha força para lutar … é aguentar … ali vem o Gil no retorno para fazer o último km … “então Gil??’…” … nem respondeu, pareceu-me nas últimas tb … retorno aos 20km …

… a primeira metade do último km é a arrastar … tenho a respiração completamente descontrolada e as pernas não andam … olho para o relógio e vejo a velocidade a uns perigosos 4,50 que podem inviabilizar o meu objectivo. Aos 500m dou a volta e acelero o possível … lembro-me de ver 4,13 no ecrã, depois já só me lembro de olhar para a distância total à espera que o 21,1km apareça o mais depressa possível.

Feito caralho … 1h32,20s … 4,22m/km de média. Muito muito bom 😊 … fiz um pequeno filme logo após ter terminado a prova … a forma como estava a respirar é real … dei o que tinha …


Fui procurar o Gil … fez 1h30,04 … foi pena aqueles 5 segundos mas foi excelente tb para ele, que anda a treinar certinho há uns meses o que já se nota. Daqui a menos de 2 meses vai alinhar comigo na aventura de tentar bater o meu (e o dele tb) recorde da Maratona.

Ainda deu para mandar um mergulho nas águas frias do Atlântico … estava destruído das minhas costas que ainda não andam bem. Cheguei a casa a custo, mas um banhinho, uma horita de descanso e um bom almoço fizeram maravilhas. Durante a tarde já me senti bem melhor. 2ª feira voltam os treinos ruma à Maratona.

uma horinha de caminha fez maravilhas ...

Estou mesmo muito satisfeito com este teste … fui ver os registos das minhas Meias Maratonas … fiquei a quase 5min do meu recorde, mas em todas estes anos apenas por 4 vezes fiz melhor. Ou seja, no sábado, com apenas 2 semanas de treinos fiz o meu 5º melhor tempo de sempre. Acho que é caso para me sentir satisfeito e um bom indicador para o que verdadeiramente interessa … a Maratona do dia 8 de Novembro.

Parabéns Gil, grande tempo, estás a ficar afinadinho. Obrigado pela companhia 😊

Parabéns a toda a malta do CAL que ontem tb alinhou neste desafio … enquanto que uns se afundaram completamente durante estes últimos meses de pandemia (e especialmente férias) há outros que estão em grande forma como o meu primo Elisio que se estreou na distância logo com uma média abaixo dos 5m/km … parabéns a todos.

que grande inkipa com a Pikinita infiltrada na malta do CAL

e como sempre organização TOP ... abastecimento assegurado pelas nossas meninas e acompanhamento dos atletas de bicla pelo Bruno que está gordo que nem um chino ...

Nota final para estas provas virtuais … andei estes meses todos sem ligar nenhuma, até nem achava piada. Talvez por andar entretido com outro projecto, não sei. Mas gostei … como escrevi ao inicio, mesmo não sendo a mesma coisa de uma prova a sério, tem algumas coisas parecidas … o “nervosinho” pré-prova é um deles … acho que vou repetir mais algumas no futuro. Obrigado à Correr Por Prazer e ao Vitor Dias por este bocadinho.

Estou curioso para ver como recupero do esforço … durante a semana já vou saber.

terça-feira

PR1 - Rota do Maroiço (Fafe) - voltei aos trilhos

Obrigado Ana Barroso pela foto espectacular

Voltei aos trilhos, algo que já não fazia desde a longínqua PT281. A Pikinita, depois de algum tempo afastada das lides das corridas em geral e das serras em particular tinha mostrado vontade em voltar à natureza. Foi domingo que voltamos aos nossos passeios com os critérios habituais. Tem que ser uma zona nova para descobrir, percursos marcados e a distância ser no máximo 1 hora de casa. A escolha recaiu na Rota Maroiço, o PR1 das Serras de Fafe – não me perguntem porquê, a escolha foi da Pikinita e já sabem que eu não mando nada em casa 😊

Eu convidei os Pernetas (que me fizeram um manguito) e a Pikinita extendeu o convite aos Montemorrows ou lá como se chamam – num ápice responderam presente a Ana, a Raquel e o Paulinho.

E domingo por volta das nove lá estávamos junto ao Parque de Campismo da Barragem da Queimadela para iniciar os 21km deste PR1 (que é circular) … 21 não, a Raquel tinha sacado um track do Wikiloc com uma variante deste percurso, que oferecia mais 3 ou 4 km de Bónus. Quando arrancamos estávamos longe de imaginar que iria ser a nossa “salvação”.

fomos pelo Monte


olhem que mesmo que não pareca esta malta já tem um CV bem catita para apresentar

O percurso começa por nos levar a percorrer as margens da albufeira da Barragem. Estava tudo muito tranquilo ainda, mas a chegada de alguns veraneantes carregados de lancheiras fazia antever o cenário que iriamos apanhar no regresso … deu para ver alguns recantos bem interessantes como umas mesinhas isoladas ideais para um fim de tarde a dois na companhia de uma garrafinha de maduro branco gelado, um queijo e um pãozinho bom 😊


já viram esta árvore por dentro???

Não demorou muita a deixarmos aquele cenário e seguir mais para interior para começarmos a subir para “conquistar” o alto da Serra de Maroiço. Tinha espreitado o gráfico de altimetria do percurso … basicamente é metade para subir aos quase 900m de altitude para depois descer pelo outro lado e regressar ao ponto de partida.


Pelo que li este percurso baseava-se nos antigos caminhos usados pelos pastores. Íamos alternando estradões de piso “fácil” com alguns caminhos com bastante pedra mais técnicos e difíceis … passamos algumas zonas rurais, intercalando com zonas florestais, praticamente sempre a subir. Estava a gostar muito porque mesmo em pouca distância os cenários iam variando muito, algo que eu aprecio bastante. O que já não abonava nada a favor deste percurso são as marcações … tirando o inicio, agora era raro a marcação visível no caminho … muito espaçadas e algumas praticamente já “comidas” pelo tempo … mesmo em bifurcações (ou mesmo algumas “trifurcações”) marcações nem vê-las … era às sortes, por tentativa e erro ou então a confiar no percurso que a Raquel tinha carregado no relógio. Muito mau.


Aos 5km chegamos a uma localidade chamada Montes … o percurso leva-nos por algumas, 2 ou 3 “maiorzinhas” e uma ou outra apenas com uma ou outra casa. A Raquel preparou bem este passeio … já sabia onde havia cafés (segundo ela, seriam 2 em todo o percurso – e não se enganou, o outro que iriamos visitar não ficava no percurso). 5km e já estava a primeira rodada de cervejas na mesa e depois no bucho … sacamos tb da primeira sandocha … é que agora vamos para o alto da serra … há que prevenir.





Se algum dos meus companheiros deste passeio vos contar que eu fiquei “alegre” com uma bejeca de 0,33ltr eu nego tudo!!! É mentira … fiquei apenas bem-disposto e refilão … é muito diferente de “alegre” … bebo 10 minis e nada … bebo uma de 0,33 e fico que já nem sei para que lado tenho que ir. Por falar em não saber para onde ir …as marcações ou a falta delas neste percurso são uma vergonha … aproveito para dizer que foi assim até ao fim para não ter que me repetir a cada parágrafo. Safou-nos o track da Raquel …

acho que tinhamos acabado isto em metade do tempo se não fossem estas coisas


Não demorou muito e entramos mais naquele cenário típico de serra, pouca vegetação, muita pedra e as eólicas ali em cima a chamarem por nós. O tempo estava quentinho, mas corria uma brisa que ajudava … e olhando ao que passei há pouco mais de um mesito atrás estava muito bom assim, um casaquinho para não me constipar teria dado jeito 😊




A parte do topo da Serra do Maroiço foi a que mais gostei … foi aqui que fizemos alguns dos km extra do track sacado do Wikiloc, os outros foram devido a alguns enganos … ainda andamos algum tempo ali na crista da serra, de Marco Geodésico em Marco Geodésico, passando de Eólica em Eólica. Destaque para a Laje Branca de onde as vistas são deslumbrantes … spot ideal para uma paragem de 5 minutos sentados numa grande pedra para apreciar as vistas … o dia estava excelente e permitia ver muito longe … albufeira do Ermal, vale do Rio Ave e lá ao fundo as Serras do Gerês. Estamos a praticamente 900m de altitude … 12km feitos com ca.700m D+. Está noa hora de voltar para baixo…







que dupla!!!







O regresso é basicamente sempre a descer pelo outro lado da serra, mas os cenários mudaram um pouco … os caminhos eram um pouco mais técnicos, muitos desses caminhos eram murados e os muros estavam carregados de musgo … faz lembrar um pouco o Gerês … muito bonito. Já apetecia uma bejeca e uma bucha … segundo a Raquel o próximo café seria em Luílhas … e foi mesmo … eu por precaução bebi uma Coca Cola Zero e uma mini para empurrar a sandes nr.2 … tou mesmo a ficar velhinho, mas a cola soube-me que nem ginjas.

dica importante: fica sempre com a chave do carro, eles esperam por ti




já não é o que nunca foi


ah bom ... ainda bem que está tão bem protejida e avisam

Siga a camioneta … de vez em quando lá aparecia uma marcação, mas só nos guiávamos pelo track da Raquel. Em alguns cruzamentos tínhamos que experimentar as várias direcções para saber o caminho certo a tomar e nos últimos 5km tivemos alguns troços sem manutenção a obrigar-nos a abrir caminho entre silvas e urtigas. Mesmo assim continuava a gostar daquilo, continuava a ser muito diversificado, esta parte já tinha alguns single-tracks junto a riachos, e levava-nos por campos em cenários 100% rurais.


uma das poucas marcas bem visiveis e bem colocadas no percurso


Ainda conhecemos uma Mula muito simpática que nos “adoptou” e se fartou de trocar mimos com todos. “Apetecia mesmo mais uma cervejinha” … Paulinho saca de tlm e diz … “há um tasco a 400m, fora do percurso” … sigaaa… a mini soube bem mas o preço que pagamos foi alto … tivemos que aturar um velho bêbado chato … normalmente gosto de colecionar personagens pelo caminho … mas este não obrigado .. metediço, chato e inconveniente … graças a ele foi beber à pressa e seguir caminho.




Já perto do fim o percurso leva-nos a passar a Aldeia de Pontido, uma aldeia de Portugal que se resume a 3 ou 4 casas pequenas em Pedra, um ou outro Moinho, um Restaurante, um Bar e uma ponte em Pedra para passar o rio Fafe … muito bonito. Ainda olhei com ar guloso para um fino “a estalar” acabadinho de tirar e que estava assim como que meio abandonado numa mesa à espera que o “dono” voltasse de uma ida à casa de banho … mas contive-me …


um caçou o ratito e este finório gamou-lhe o almoço

1 km depois estávamos a chegar ao ponto de partida e o cenário era “dantesco”  .. pronto, “dantesco” é um bocadinho exagerado … mas era gente aos magotes, na praia, nas mesas de pic-nic, nos insufláveis montados na albufeira, no bar de praia, nas escadarias de acesso … umas centenas largas de pessoas a aproveitar o calor de um domingo à tarde. Procuramos um cantinho livre para um mergulho refrescante numas águas turvas que não me deixam saudades … rápido e siga embora que se faz tarde.



Adorei o percurso … a sério … a companhia ajudou, mas o percurso é mesmo bonito e muito diversificado Dificuldade média. Nada de pinhais com eucaliptos e coisas assim. Muito rural, animais, água, serra pura e dura, estradões, vistas deslumbrantes, single-tracks, empedrados … fizemos 27km no total com 800m D+ e outro tanto de D- … é um percurso excelente para se treinar, pois, tem de tudo um pouco. Mas levem um track carregado num relógio ou num GPS de mão. As marcações (ou a falta delas) são uma vergonha … são poucas e muitas das que existem estão colocadas em sítios que não lembra o diabo, nada visíveis … já fiz muitos PR e este é de longe o mais mal marcado que alguma vez fiz. Algumas marcações são tão antigas que ou já desapareceram em grande parte ou então estão tapados por musgo ou outro tipo de vegetação. Não entendo como se promovem PR’s e não se faz alguma manutenção … o mesmo com alguns pequenos troços com vegetação que torna difícil passares sem te arranhares todo … estes eram poucos.

alguns exemplos ... marcação tapada por vegetação, apenas visivel com muita atenção e quando já estás mesmo em cima.. isto numa "trifurcação"... antes

depois de limpa pelo Paulinho

esta praticamente não se vê ... comida pelo tempo

outro "bom" exemplo como estão as poucas marcações deste percurso

Aconselho este trilho a todos, mas levem o track para se safarem. Nós tínhamos a Raquel 😊 … se tivesse ido sozinho tinha ido às Eólicas às sortes e regressado com a função “voltar” do meu relógio.

Srs.Autarcas … não é só definir uns percursos e colocar umas marcas coloridas nas rochas e árvores e assim … com o passar do tempo é preciso cuidar dessas marcas e do percurso. E não é difícil nem dispendioso… e se calhar convinha ser alguém com experiência a dizer onde se devem colocar as marcas … cruzamentos são por demais importantes terem as marcas ou placas bem visíveis.

Aproveito para agradecer aos meus companheiros de aventura por mais um dia bem passado. Venha o próximo 😊