terça-feira

Meia Maratona de Ovar 2026 - ou "como vai a preparação para a Maratona do Porto"

 

Uma merda … é assim que vai a preparação para a Maratona do Porto!!!

A intenção era fazer a melhor preparação possível para atacar o meu recorde pessoal … se corresse mesmo muito bem (como para Saragoza) poderia até pensar num voo ainda mais alto!! Mas entre o plano de intenções e a realidade vai um oceano de distância.

A verdade verdadinha é que nunca consegui estar a 100% nestes últimos 2 meses … regressei das férias com problemas no Aquiles e mesmo com paragem e depois redução de treino, nunca consegui ter uma boa sequência. Quando uma ou outra vez a coisa parecia estar a engrenar, houve sempre algo que me voltava a puxar para trás … pequenas mazelas, mas que obrigavam a abrandar novamente.

Mas nunca perdi a esperança … mesmo quando no sábado, dia 19 de setembro, ali pela marginal de Espinho, pelas 7h da manhã, parti motivado para um longo de 20km (11km a 4.30, 7km a 4.10 e depois 2km a rolar até ao carro) … seria o culminar de uma excelente semana de treino. Até aos 7km foi tranquilo, depois do nada um cansaço enorme, uma batalha até à viragem aos 10km, um km mais lento com um gel e acalmar um pouco antes de arrancar para os 7km a 4.10 … nem arranquei, estava mesmo de rastos, sem energia. Paciência … viola no saco e siga rolar até ao carro … aos 18,5km uma fisgada no posterior da coxa esquerda … fonix.. mais nada hoje??? Parei e fui a caminhar até ao carro… como não me doeu mais, nunca mais me lembrei da coisa. Apenas no dia seguinte, já em Bologna, quando fui ver se a minha “pista” de treino ainda estava no mesmo sítio, é que por volta dos 3km (calminhos), me voltou a dar um esticão no mesmo sitio … e desde aí, já lá vão mais de 2 semanas que os treinos foram nenhuns, ou muito escassos, lentos e curtos.

E assim cheguei à Meia Maratona de Ovar … na semana antes, já em Portugal ainda fiz 3 treininhos curtos e calmos … só rolar … um de 10km praticamente sem sentir nada, e decidi que iria este domingo à Meia … sem forçar nada, apenas rolar devagar de inicio até ao fim. E se voltasse a sentir alguma coisa ia parar … o plano inicial era outro … se isto tivesse corrido bem, a ideia era dar o máximo para ver o que dava … paciência.

No domingo lá fui cumprir a tradição … cedinho até ao café de sempre ter com a malta do CAL para cafezinho e amena cavaqueira. Este ano muito descontraído porque tinha mais que tempo … aquecimento? Não é preciso … ir cedo para a zona de partida para evitar as confusões? Náhhh … hoje é tranquilo!!! Tenho a dizer que não estava muito confiante que chegasse ao fim, disse-o aos colegas … o mais provável é não fazer o percurso todo.

falta aqui o Gil e o Nuno que estavam com pressa e o Bruno que foi speaker da prova

E um pouco antes da partida lá fui com o Fontes, a Barbara, o Americo e o Sr.Dias para a cauda do pelotão na zona de partida. Fotos e galhofa e lá se ouviu o tiro de partida … na nossa zona ainda demorou uns bons 2 minutos para haver movimentações e só passamos o pórtico de partida já o relógio passava muito dos 3minutos. Tranquilo …. Se fosse no ano passado já estaria a stressar 😊

Fui com o Fontes no meio daquele mar de gente … o primo Fontes anda malandro, a treinar nada há anos e só ia fazer os 10km da Corrida do Azulejo. Fomos literalmente todo o tempo na conversa … por volta dos 3 ou 4km passamos de duo a trio … juntou-se a nós o Zé Pedro no Núcleo de Montanha de Espinho que conheço de outras aventuras e que anda a treinar pouco ou nada.

aqui ainda como dupla...

Até ao primeiro retorno ali já a chegar aos 6km nem “sinal” da minha coxa … no regresso ao centro de Ovar e como é a descer um gajo estica mais um bocadinho e tive ali uma primeira impressãozita… hmmm … mas continuei firme e hirto … se der mais forte desisto …

Os ritmos foram sempre muito constantes, sendo o km mais rápido feito em 5m28s e o km mais lento a 5m52s … isto durante toda a prova (prontos … já sabem que cheguei ao fim).

aqui já como trio com o Zé...

Um pouco antes da separação dos percursos aos 9km ainda tentei convencer o Fontes a vir connosco … mas ele tinha razão …”vou bem, não vale a pena estar a matar-me …” … “tenho que voltar a treinar e depois já dá para fazer todas as brincadeiras e mais algumas”

E segui com o Zé Pedro, agora a descer de Ovar para o Furadouro … foi ali na descida que comecei a sentir a coxa a contrair, mas logo depois a normalizar outra vez … vamos indo vamos vendo … faz-se bem esta parte … é a descer e dá para ir vendo a malta já no regresso …. primeiro os maquinões nas lutas pelos primeiros lugares, depois aquela malta bué de rápida na luta pelos escalões, e depois aquele grande pelotão de gente esforçada (onde me incluo) a lutar pelo melhor resultado possível, quem sabe um novo rp ou a melhor marca do ano ou naquela prova … além da conversa com o meu companheiro de viagem, vou me distraindo com a malta que conheço do outro lado da rua, e incentivo onde posso 😉

Na marginal do Furadouro está muita gente como sempre … meto um gel mesmo sem sentir nenhuma quebra … a coxa está estável, sinto uma pequena pressão mas não passa disso. Temos ca. 14/15km … agora acabo, nem que seja a caminhar … vou satisfeito com o decorrer da prova … tranquilo e a coxa a portar-se bem.

Num abastecimento à saída do Furadouro vou ter um banho de realidade … ao apanhar uma garrafa de água fico ligeiramente para trás e ao voltar a tentar colar ao Zé Pedro é que noto que não dá para acelerar … o músculo estica e incomoda … ó diabo!!! Afinal estás cá …

Entre 5,40 e 6m/km não tem problema … mais rápido já passa a ser. Calmex … fiz um acordo com a minha coxa … “aguentas firme até ao fim e depois dou-te descanso durante a próxima semana… vale?”

E assim foi … recta do Furadouro, ida ao último retorno e regresso e agora só faltava aquela subidinha de quase 2km até à rotunda dos bombeiros … é o segredo desta prova … chegar aqui com energia e pernas para quebrar o mínimo possível … no ano passado perdi aqui o meu recorde pessoal … este ano é tranquilíssimo …

Um pouco antes da rotunda ligo para a Dora para saber se sempre chegou a vir até Ovar … confirma que está na recta da meta com a Sara … bela oportunidade cortar a meta com ela … com isto de telefonar o Zé fugiu um pouco … evito tentar acelerar … tenho um acordo com a minha coxa e é para cumprir …

já é a segunda vez que me apanham a correr ao telefone numa prova...


um pouco antes da meta ainda apareceu o Rolando ... "anda..." mas não dava para acelerar

Uns 100m antes da meta vejo a Dora com a Sara ao colo … “queres correr com o papá?” … um abanar de cabeça em sinal de aprovação, beijoca na mulher e sigaaaa … a miúda correu o que faltava até à meta … é páh … que alegria para mim … ouvi de alguém no meio da multidão “a miúda corre mais que o pai” … ainda fui a tempo de um “tb não é difícil” 😊 … espectacular … 

ó pra ela concentrada no que estava a fazer ...

.... gostava mesmo que um dia a Sara fizesse umas provas com os papás … ainda vai demorar uns anitos, mas a gente está aqui para as curvas … ou não 😊

Demorei mais de 2h … não me apeteceu ir ver, mas das quase 40 meias Maratonas que fiz, esta não sendo o pior, deve estar no Top 3 dos piores tempos. Mas não interessa nada … foi o possivel, diverti-me e tive uma chegada fantástica … e é mais uma para a colecção. Está feita … e mais um prato ...


A prova em si esteve mais uma vez em grande nível ... mais de 5000 inscritos entre a MM, os 10km da Corrida do Azulejo e a Caminhada. A organização é impecável e pelo que me apercebi não falhou em nada. Um dia de bastante calor, pareceu-me que reforçaram a água para a malta... de atletas para atletas. Não é por acaso que é talvez a minha meia maratona preferida. Só o speaker é que não é grande coisa 😉 😉 😉... dá gosto ver tanta gente a praticar desporto ... 

Agora vou cumprir a minha parte da promessa … esta semana darei descanso à coxa, vou tratar dela e daqui as uns dias logo se vê. Correr a Maratona do Porto para um tempo especifico ficou fora de questão … quero recuperar bem e quero muito participar e acabar mais uma … mas de forma a que na semana a seguir consiga correr e finalizar a Maratona Nocturna do Grifo... já que estou em primeiro quero ganhar o circuito.

Mas uma coisa de cada vez …

ansioso que a Pikinita possa voltar a correr ...

segunda-feira

24h de P ... corri a Maratona Nocturna

 


Em Maio corri a Maratona Nocturna das 24h de Mem Martins … a primeira das 3 etapas do Circuito Nacional de 24h  … para classificar tenho que completar as 3 Maratonas sendo que a 2ª etapa era nas nossas 24h de P.

Depois de uma muito boa Maratona em Mem Martins estava em 2º lugar, e sabendo que o primeiro não viria à Feira, caso completasse, teria em excelente posição para ficar na liderança. Depois de mais de 20 participantes em Mem Martins, nas 24h de P na distância da Maratona só se inscreveram 8 pessoas, tendo apenas aparecido 6. E dessas apenas eu e o Paulo Nunes tinham completado a de Mem Martins … o Paulo tinha sido 4º e eu tinha uma vantagem de mais de 1 hora para ele … no fim das 3 Maratonas ganha quem tiver menos tempo acumulado.

Eu além de estar muito longe da forma em que estava em Maio passado, estava cansado e sem vontade nenhuma em fazer uma Maratona. O inicio seria às 19h de sábado e tínhamos 8 horas para acabar. A minha intenção era fazer um treino de meia maratona e depois fazer a segunda meia a correr e caminhar com tranquilidade. Mesmo assim achava que fazer abaixo das 4h era possível.

Mal se deu a partida, coloquei-me atrás do Mauricio, que imprimiu um ritmo ligeiramente acima do 5min/km … as primeiras 2 ou 3 voltas foram assim tendo o Mauricio aumentado um pouco o ritmo e eu deixado ir porque efectivamente queria manter o plano inicial.

Baixei para um ritmo mais tranquilo e a distância foi aumentando, chegando a ser de uns bons 200 a 300m. Andei sempre isolado em 2º lugar, pois os restantes participantes ficaram bastante para trás. Aos 10km aumentei um pouco o ritmo, mesmo não me estando a sentir confortável … afinal é para fazer “apenas” meia maratona.

fodaice ... nunca mais acaba...

O Mauricio continuava firme e sem parecer quebrar, e agora a distância para ele ora encurtava ora depois voltava a distanciar. Parecia um iô-iô…

Quando estava prestes a chegar à meia decidi fazer 25km sem parar. E quando já estava a chegar a hora de finalmente parar o Mauricio quebrou. Rapidamente encostei, rapidamente passei e ganhei vantagem que agora ia aumentando de volta para volta. E agora? O que faço?

É lógico que agora iria tentar ganhar, se pudesse … decidi não baixar o ritmo até aos 30km. Cheguei a essa marca com 5,10m/km de média e com uma vantagem de praticamente 1 volta. Estava bastante cansado mas o Mauricio estava “morto” e já caminhava bastante. Decidi levar as últimas 6 voltas com calma, apenas a controlar … as 4h estavam mesmo assim mais do que ao alcance.

depois dos 30km já comecei a parar ...

No entanto não contava era com um ou outro problema que surgiram com a contagem de voltas de dois atletas das 24h e andei a resolver esses assuntos à distância, enquanto corria ou caminhava … e depois deu-me verdadeiramente a “malandrice”, cansado limitei-me mesmo apenas a controlar a coisa … aproveitava a boleia (leia-se "conversa") de um ou outro atleta das 24h como ajuda e passar o tempo.

E assim cheguei à última volta … com as idas à tenda onde estava a cozinha, o tratar do assuntos da leitura das voltas, a distância efectiva que percorri estava a esticar e iria passar bastante das 4 horas … sem problema nenhum …

Fiz questão de correr toda a última volta e nos últimos 500m até de forçar um pouco o andamento, tendo cortado a meta com a Pikinita à minha espera.



Cumprido o objectivo de completar a 2ª etapa do Circuito … a 23ª Maratona do currículo e, depois de um 2º lugar em Mem Martins agora uma vitória em casa.

As 4h12 que precisei são o 3º pior tempo de todas as Maratonas que fiz … pior apenas no Gerês com 2000m de D+ e na Maratona de Berlim feita sem treino e metade a caminhar.


1º escalão ...

1º à geral

entre os meus tijolos e os da Pikinita a churrasqueira está feita ...

Estou agora na liderança do Circuito com uma boa vantagem para o Paulo que é 2º. Dos 22 que começaram em Mem Martins já só restamos nós os dois. Falta acabar a 3ª que será a do GRIFO em Lisboa a 14/11 deste ano, menos de uma semana depois da Maratona do Porto que será corrida para tempos.

Vamos ver … uma coisa de cada vez ….



sexta-feira

24h de P ... foi assim a 4a edição

 

Já passou uma semana da realização das 24h de P deste ano. Foi a 4ª edição …

Este ano a novidade foi a integração no Circuito Nacional de Corridas de 24h juntamente com as 24h de Mem Martins (que se realizaram em Maio) e as 24h Grifo (que se realizam a 14 e 15 de Novembro).

Para integrar o circuito tivemos que adaptar as provas e os horários aos praticados pelos outros. Deixamos cair as 24h em equipas de 2 e acrescentamos as 12h individuais e a Maratona Nocturna.

A nível de inscrições a coisa correu benzinho … passamos a primeira vez os três dígitos o que constitui um recorde. A grande maioria estava nas 24h, individualmente eram meia centena, por equipas eram mais 32 … espectáculo … por outro lado, tanto as 12h, a Maratona e mesmo as 3h tiveram uma aceitação bastante reduzida, confirmando a tendência do ano passado e em contraponto às duas primeiras edições, onde houve boa adesão às provas mais curtas. É como é.

Como sempre, o ponto de partida é na 6ª feira de manhãzinha, no café Trovador. É assim desde a primeira edição e este ano não foi excepção. Dá sorte e pelo sim pelo não mantemos a tradição 😉

Este ano tivemos uma equipa fortíssima para montar o cenário … além do Domingos e das equipas da CMF, da Pernetada estive eu, o Bruno, o Lima e o Fontes desde manhã. Durante a tarde foram chegando mais elementos à medida que se libertavam dos seus trabalhos e ao inicio da noite estava tudo mais ou menos pronto. A coisa fluiu sem grandes sobressaltos.

Á noite, como manda a tradição, alguns ficaram a testar a receita das bifanas e a ver se a cerveja estava no ponto 😉 … pode falhar tudo, mas as bifanas e a cerveja são sagrados!!! A grande novidade para nós, é que este ano tivemos um segurança para nos guardar as coisas durante a noite … fez toda a diferença não ter que ficar já a dormir por ali de 6ª para sábado… assim consegui dormir 5 horitas na minha confortável cama em casa e não tive que levar com o bafo do Bruno … que maravilha!!! Se tive saudades de partilhar cama com o Bruno como nos últimos 3 anos? … podia dizer que sim, mas seria mentira 😉

Sábado bem cedo estávamos de volta para tratar dos últimos pormenores e não tardou a começarem a chegar os “convidados”… aquela azáfama boa, de gente a montar as tendas, pessoas que se voltam a encontrar para estas lutas, fazem-se novos amigos de imediato … o receio que sempre trago comigo de “será que o espirito dos últimos anos se vai repetir?” rapidamente desvanece … basta olhar à volta … ainda faltam umas horas, mas já se vive o tal espirito que só quem participa nestas maluquices é que sabe do que falo.




Muitos repetentes nestas andanças, mas também muita gente que vinha pela primeira vez. Gente de todos os cantos do País, até da Madeira … e claro, depois de ter estado cá no ano passado, o Carlos Palanca, directamente vindo de Angola. Tb tivemos algumas nacionalidades representadas … além de muitos portugueses, houve pessoas de Angola, Ucrania, Romenia e de Rio Tinto tb 😉

O Zé não participou mas veio fazer uma visita

As previsões de tempo apontavam para muito calor, além da humidade bastante alta. Condições difíceis, principalmente para as primeiras horas. No entanto não se previa chuva … nas outras 3 edições tivemos de tudo, chuvas intensas, sol, frio, trovoada forte, calor, granizo… é como é 😊

Outra novidade este ano é que a Lap2go não iria estar fisicamente presente. Após a partida às 12h a monitorização iria ser feita em casa. Seriamos a 2ª prova neste sistema … confesso que estava um pouco apreensivo. Mas até correu bem ... um ou outro problema com a contagem das voltas de um ou outro atleta que iam sendo resolvidos à medida que surgiam. Funciona, mas mentiria se dissesse que não prefira que esteja alguém presente em carne e osso.

Como sempre, um pouco antes da prova, o habitual Briefing em ambiente descontraído … e às 12h em ponto demos a partida desta 4ª edição das 24h de P, com mais de 70 malucos às voltas de 2km exactos (medidos e aferidos por um medidor certificado da World Athletics ao mais alto nível – e não estou a brincar).



Bota faladura ...

tudo na sombrinha ... ai não ;)



e PARTIDAAAAA.....

Tal como previsto o calor abrasador em conjunto com uma humidade muito alta foi uma dificuldade extra para os atletas gerir. A maioria eram muito experientes mas também havia gente com pouca experiência – cá estaríamos para dar todo o apoio possível.

Vários nos disseram durante as primeiras voltas … “um chuveiro para nos refrescar é que era” … e nós, não tendo ali assim um chuveiro à mão, arranjamos uma solução melhor … ligamos ao S.Pedro e encomendamos uma chuvada para as 14h30 … tudo pelos atletas!!! … ou seja, voltou a chover numas 24h de P … cumpriu-se a tradição, prova molhada é prova abençoada.



Até ao fim da tarde era vê-los ali às voltas a sofrer já a bom sofrer, mas como é hábito nesta malta dura, não se quebra, quer dizer, vai-se quebrando, mas volta-se sempre à luta … o que tem que ser tem muita força. Valentes!!!

Tudo conta ...







Durante a tarde tivemos o primeiro caso mais sério de saúde nestes 4 anos .. um dos atletas sofreu uma grave desidratação. Felizmente correu tudo bem… uma ida para o hospital de urgência com 4 horas a soro recuperaram o homem.

Às 19h deu-se início à Maratona Nocturna onde eu estava inscrito. Devem conseguir imaginar a vontade em participar … sqn … estava cansado, o sol tinha dado algumas tréguas mas continuava bastante quente e a muita humidade fazia o resto, Mas estou a participar no Circuito 24h e para contar tenho que acabar todas as maratonas das 3 provas … éramos poucos … dos que se inscreveram apareceram apenas 6 … eu ia para fazer um treino de meia maratona e depois caminhar na segunda metade. Acabei por fazer mais do que queria … correu bem. Mas sobre isso, farei um post à parte.

fonix... 

Com a noite a temperatura baixou um pouco, a humidade também … e ficou agradável para se andar ali às voltas.

Outra novidade este ano foi a contratação de esquilos para atirar bolotas aos atletas durante parte do percurso … foi um sucesso. Duvido que haja algum atleta que não tenha sido atingido por uma bela bolota. A ideia era não deixar adormecer a malta … foi conseguido.




o Jorge Bernardino até já tem pesadelos de tanto preparar abastecimento

A cozinha de campanha este ano tinha horários rígidos. Oficialmente abria às 18h e fecharia às 24h. Bolonhesa, Massa com verduras para os vegetarianos, Bifanas, Sopa … eram a base da ementa … confesso que era a parte em que mais tinha receio em falharmos … este ano a equipa estava um pouco mais escassa que habitual … mas foram receios infundados … com a Dora e o Fontes no comando, o Castro como ajudante principal e os restantes sempre a dar uma mãozinha onde fosse preciso a coisa fez-se bem … e como é evidente, não fechamos o tasco às 24h. Quem aparecesse depois disso era servido com o que havia …

sempre a dar-lhe ...

a sopa estava muito boa não estava???

Uma entrega de prémios às escuras foi uma novidade 😊 … a da Maratona Nocturna foi assim, quase às escuras … seria perto da uma da manhã … sempre a inovar!!!

A noite correu bem … houve bem mais movimento na pista do que habitualmente pela elevada participação nas 24h individuais e por equipas. A nossa malta ficou reduzida aos mínimos pois muitos tb foram descansar um pouco. Mas todos os serviços ficaram a funcionar … fosse no abastecimento da prova, fosse na cozinha, fosse no acompanhamento da prova no percurso …




Era meia noite em ponto quando demos início à prova das 12h individuais …. Apenas 8 dos 9 atletas partiram. Poucos mas bons …


O João fez 50km nas 12h e abandonou ... treino feito

Ás 6.30 começou a clarear e com a luz do dia chegavam os “está quase” …. tem uma certa piada, ainda faltavam 5 horas mas estava quase … é uma questão de perspectivas … numa prova de 24h, quando faltam apenas 4 ou 5h realmente está quase 😊

aqui o grande vencedor à geral com 196km ... Nuno Oliveira

 "David Faustino" ... ainda nem uma semana depois do UTMB lá esteve novamente em grande nível



Carinhas de sono....

toca a acordar caralhes ...

está um sol do caralhes dentro da tenda ...

um gajo tem que assistir a cada coisa que enfim...

Ás 7h começamos a servir pequeno almoço … café, chã, pão, fiambre, queijo e outra novidade este ano … Tostas Mistas … e foram um sucesso!!! A malta aderiu em grande …



este já se foi ... lol



nham, nham ... confesso que comi 3 destas

Dreamteam ...

Ás 9h demos início à prova das 3h … uma prova que chegou a ter mais de 30 participantes em edições passadas estava reduzida apenas a 6 … é estranho, mas prontos. Conta quem está!!!

Já começam os primeiros atletas a abandonar as suas provas e aproxima-se o fim do evento. Alguns já deram os seus objectivos pessoais como perdidos, outros ainda cerram os dentes para tentar chegar ao que se propuseram … mas seja como for, todos sem excepção são uns grandes lutadores. Incrível a superação de cada um deles. A luta pelos lugares da frente em todas as provas definiu-se antes do fim, não houve decisões ao sprint  … era “só gerir” 😉


Carlos Palanca ... mais uma voltinha

O Vilela, organizador das 24h de Mem Martins

O Ricardo Lento e a sua malta...

O Paulo ... totalista nas 24h de P individuais ... já fez bem mais de 600km neste percurso. Maquinão

E às 12h de Domingo suou a “corneta” a assinalar o fim da prova … quem tinha passado antes na linha de meta ainda teve oportunidade para completar mais uma volta .. houve quem o fizesse, muitos acompanhados por amigos e família para “celebrar” mais uma aventura concluída e houve quem decidisse que já chegava.

O habitual na meta ... festejando com os vencedores e honrando todos os outros heróis.

Isabel Moleiro ... uma honra o regresso a este tipo de provas ter sido nestas 24h 







Grande Nuno ... 196km ... caralhes!!!

O calor tinha voltado a tempo para a entrega de prémios … é sempre engraçado, pois os pódios estão instalados num palco que tem uma escadaria em metal bastante íngreme … é um fartote de rir ver a malta a subir as escadas, mais ainda a descê-las com os habituais troféus em tijolo que pesam uma tonelada cada um debaixo dos braços … é uma pequena maldade que virou tradição nas 24h de P … 😊







o mundo está perdido .. a corrida bateu no fundo


Falta referir os prémios finisher que todos receberam:

camisola do evento, de excelente qualidade

Camisola térmica Finisher ...

o habitual tijolinho ...

E pronto … foi mais ou menos isto e não foi pouco.

Resumindo, estas 24h de P foram modéstia à parte mais um sucesso. Viveu-se o tal “espirito” entre organizadores, atletas e acompanhantes … foram 24h de grande luta, muito sacrifício e superação, uns mais sofridos que outros, mas vividos com grande desportivismo e entre ajuda. Tenho a certeza de que todos nós fizemos mais uma mão cheia de amigos neste fim de semana.

Uma foto que transmite bem o espirito desta provas:

Resta agradecer a todos que tornam isto possível – patrocinadores, entidades oficiais, aos participantes e a quem os acompanha. Só estes elos todos interligados conosco é que conseguem fazer a coisa funcionar.

Mais uma vez uma palavra muito especial para o Domingos da CMF … já me faltam adjectivos, e mesmo estando sempre a repetir-me, tenho que dizer que temos uma sorte imensa em tê-lo como nosso interlocutor. Uma maquina de trabalho.

Por falar em repetir-me … o que mais dizer da família Perneta que já não tenha dito? Por incrível que pareça, esta malta maluca faz acontecer. Pode até parecer fácil, mas não é de todo. Muito orgulho em fazer parte, muito orgulho em fazer como nós fazemos. Como diz o Primo Fontes …”ninguém nos fode” 😊

Por fim e como Director desta prova deixo aqui uma pequena confidência … já tinha decidido há meses que seria a última edição das 24h de P … pelo menos organizada por mim. A única pessoa a quem o tinha confidenciado tinha sido à Dora. Estou cansado de organizar eventos, da responsabilidade que acarreta, do trabalho que dá, do tempo que rouba e que tanto faz falta para dedicar a outras coisas de que gosto e que vejo passar porque temos a responsabilidade de fazer acontecer. A decisão era definitiva e iria ser transmitida aos colegas numa próxima reunião do clube. Nada me faria voltar atrás. NADA!!! Estava decidido!!!

Mas houve as reacções de quem participou este ano!!! As muitas mensagens recebidas a dar-nos os parabéns, os muitos (direi até demasiados) que no fim vieram ter comigo, e mesmos ainda todos empenados, me deram um abraço emocionado e se despediram com um “até pró ano” … confesso que fiquei com um nó na garganta sem saber o que dizer … e agora? Não podemos defraudar esta malta pois não? Pois, eu sei … sou um banana ☹

Em princípio até para o ano!!! 😉