segunda-feira

Trail de Vila Maior - modo competitivo on

 

Para quem acompanha este cantinho já não é novidade nenhuma que eu adoro é correr, seja em estrada ou em trilhos. Tb não é novidade nenhuma que em estrada sou muito competitivo e tento (quase) sempre dar o máximo, tento fazer o melhor resultado possivel. Já nos trilhos tenho por habito curtir, o ambiente, o percurso, a malta, tiro milhentas fotos, aproveito os abastecimentos e coiso e tal. Normalmente o meu lugar é no último terҫo do pelotão quando ando nos trilhos e está muito bem assim.

A “culpa” de encarar os trails desta forma tem a ver com o meu “Mantorras”, o meu joelho direito que há quase 20 anos (faz este ano) se partiu todo (rotuliano, ligamentos, menisco) e foi tudo com o c@r&%&& num acidente a jogar à bola – quem me operou na altura disse-me para eu esquecer o futebol e qualquer desporto de impacto – que me dedicasse à nataҫão 😉. A verdade é que depois de 3 anos de recuperaҫão voltei a jogar futsal e um pouco mais tarde comecei a correr ... tudo desportos sem impacto absolutamente nenhum 😉.

A verdade é que o direito não tem estabilidade e por causa disso o meu cérebro (sim, tenho uma coisa dessas, pequeno mas tenho) desenvolveu medo em certas situaҫões fazendo com que nunca a perna direita vá à frente ... saltar um simples muro por exemplo, passar uma árvore caída, saltitar de pedra em pedra ... a tendencia é parar, se possivel segurar com mãos e depois avanҫar com o esquerdo. Isto faz com que seja o gajo mais lento nas descidas do trail nacional, um autentico trambolho. E quanto mais técnicas e inclinadas pior ... os meus compinchas Pernetas fartam-se de gozar comigo mas eu até gosto ... aliás ... foi o meu joelho direito que me deu a “alcunha” de Perneta .

Por isso, podemos categoricamente afirmar que foi o meu joelho direito que fundou os Pernetas!!! Ah pois é bebé!!!

E o que tem isso a ver com o 2º trail de Vila Maior? Nada ... ou tudo ... apenas há 2 semanas é que eu me lembrei que estava inscrito neste trail dos nossos vizinhos. Tinha-me inscrito em 2020 e como a coisa tinha sido cancelada por causa do Covid nunca mais me lembrei. O mesmo aconteceu com a grande maioria das pessoas que eu conheҫo e participaram ... é que a organizão a nivel de comunicaҫão não funcionou muito bem. A título de exemplo fui para a prova sem saber quase nada sobre o percurso ... sabia que eram 25km, mais nada ... se tinha abastecimento, qual a altimetria, nada ... mas como era ali na zona vizinha a Canedo e eu já por lá tinha feito uns treinos não me preocupei muito. Sabia que não poderia ser muito técnico nem que teria muitas subidas e descidas prolongadas ... no entanto sabia que muito provavelmente ia ser um mói pernas porque o percurso iria a convidar a correr, ou seja, favorecia-me 😉 ... e sendo assim porque não mudar o chip e fazer este trail em modo competitivo? Vamos a isso ...

Vinha do treino para a Maratona e embora nas últimas semanas tenha andado a malandrar bués alguma dessa preparaҫão ainda deveria estar neste corpinho. Depois tinha a dúvida como é que eu iria reagir a correr em trilhos, algo que não fazia há mais de meio ano, especialmente saber como as pernas se iam comportar a subir visto que desnivel nestes últimos meses foi muito pouco. Na semana passada fui 2 vezes aos trilhos ... fiz o percurso da Capela de Santo André (ca.20km com 650D+ e algumas belas rampas) todo a correr sem parar, mesmos algumas rampas mesmo muito acentuadas, e tudo a uma média abaixo dos 6min/km de forma tranquila... senti-me muito bem. Depois na 5ª feira fui experimentar o percurso que desenhamos para os trilhos do próximo domingo, o treino aberto chamado Trilhos dos Inha em Canedo ... 12,5km com 600mD+ bem durinhos. Tb correu bem. O único problema eram os meus adutores que continuam a não estar a 100%. De resto estava pronto 😊

Como não choveu a semana toda decidi levar as sapatilhas de estrada ... sinto-me bem com elas em trilhos secos e pouco técnicos. De trail tenho umas velhinhas Ultra Raptor (ideais para distancias longas, mas pesadas) e umas Saucony de que gosto muito mas quando mete paralelos ou até alcatrão húmido parece que estou numa pista de gelo. E pelo que conheҫo da zona iriamos passar por várias zonas residenciais ... não me enganei.

Pétaculo ...

No dia lá cheguei com a Pikinita a Vila Maior faltavam 45min para o inicio ... tudo muito tranquilo, estacionamos a 100m do local de partida. Já sabiamos que iria estar pouca gente, a data coincidia com uma catrefada de outras provas (trail e estrada), uma delas o mitico Paleozoico apenas a 30min de distancia de Vila Maior. Levantamento de dorsais tranquilo, muita gente conhecida, conversas de circunstancia e um breve briefing onde fiquei a saber que o percurso tinha uma volta de 15km, depois passaríamos novamente na zona de partida para fazer mais um percurso de 10km completamente diferente do inicial. Haveria um abastecimento aos 7,5 e outro aos 15 junto à partida. Levava comigo o suficiente para me safar sem abastecimento ... 2 geis e 1 ltr de isotónico. Objectivo era tentar uma média abaixo dos 6min/km e tentar a melhor classificaҫão possivel. Foi a primeira vez que corri no escalão M50, apesar de ter apenas 49 ... nesta prova conta o ano civil ... sabia que havia 18 inscritos M50 e conhecia alguns – se tinha hipotese para um pódio? – era dar o máximo e no fim logo se veria.

o McGiver do trail ...


Nem eramos muitos, nem poucos ... bem pelo contrário

Mal deu o tiro de partida tivemos umas boas centenas de metros em alcatrão, maioritariamente a subir antes de entrarmos nos trilhos. Parti sensivelmente a meio e logo a bom ritmo ... ao meu lado aparece o Domingos que me tinha dito que andava a treinar pouco 😉 ... e eu lá fui com ele os primeiros 2 ou 3 km ... de trás para a frente, sempre a passar gente. Fazer quase 3km bem abaixo dos 5min/km fez-me pensar o que andava ali a fazer, que se continuar assim vou levar um estouro daqueles e decidi abrandar e controlar um pouco mais o andamento. Só para terem uma ideia o Domingos ainda iria fazer 3º na geral.

Tinha decidido que iria tentar corrinhar as subidas todas ou quase todas enquanto houvesse forҫa nas pernas ... era a forma que eu tinha para compensar o tempo que perdia nas descidas. Cada um tem que lutar com as armas que tem, não é? Modo competitivo on.

A partir de um certo momento já ficas ali num lugar em que já não vai muita gente ... são uns 4 ou 5 que vais passando ou te vão passando a ti enquanto os km tb passam. No meu caso, sou ultrapassado nas descidas e voltava a apanhar a malta nas subidas que teimava em fazer maioritariamente a correr ... ali por volta dos 4km passa o Agostinho por mim e eu penso “ó diabo ... eu vou aqui com o maquinão do Agostinho? Estás a exagerar ó Perneta”  ... a verdade é que nunca mais o vi a não ser na meta 😉

Numa rampa passo por um colega do Feirense, o Ricardo que me diz “não é permitido passar a subir” ... eu só lhe disse ...”deixa lá, já me apanhas na descida” ... e assim foi ... não demorou muito a ouvi-lo dizer “pareces bruxo” ao ultrapassar-me em mais uma descida .... sei que acabamos por fazer alguns km juntos e apesar de irmos em amena cavaqueira o ritmo não baixou muito e chegamos à conclusão que um misto entre mim e ele até poderia dar um atleta razoável ... eu a subir e ele a descer 😉 ... foi assim até sensivelmente aos 10km ... 

... reconheci o local de um treino de Carnaval que tinha feito há 3 semanas atrás ... tinha havido ali um abastecimento onde devo ter bebido 1 litro de cerveja na altura (pensando bem, nesse treino demorei quase o mesmo tempo para fazer 10km que iria gastar hoje para 23). Outra coisa que sabia é que a seguir vinha uma subida bem jeitosa ... e foi nessa subida que fiquei sozinho ... mais à frente, novamente a subir viria a passar o último atleta que me lembro ... deveria ir com uns 11 ou 12km ... não iria ganhar nem perder mais nenhum lugar até ao fim ... e ainda estavamos a meio. Mas como é evidente, na altura não sabia.

Pouco depois entrava no relvado sintético do estádio do Vilamaiorense para passar no pórtico e seguir para a próxima volta. Alguém grita ... “Siga, só mais 10km” ... olho para o relógio que marca 13km (1h12 ... bem bom) ... afinal vai dar menos km ... à minha frente ninguém e atrás de mim tb não. Nem vi se havia abastecimento ... ainda tinha 500ml de isotónico e um gel, sigaaaa. O tempo estava fresco e 1h deve chegar ...


oupas ...mais 10km

Reconheҫo o sentido em que a percurso nos está a levar ... vamos para o gasoduto que tem umas rampas que metem respeito. Mas para subir temos primeiro uma longa descida acentuada, metade em alcatrão e metade em terra. Uns 200m à minha frente um atleta ... que me dá uma motivaҫão extra de o tentar ir buscar. Sinto-me com forҫa. Mas mesmo andando muito perto dos 4m/km não me consigo aproximar. Vamos ver como será nas subidas ...

... em treinos já fiz as subidas e descidas do gasoduto a correr ... desta vez não. Só vou até metade a corrinhar e já é bom ... consigo chegar mais perto do atleta da frente. Volta algum alcatrão em plano e volto a não conseguir aproximar ao gajo que rola ligeiramente mais rápido que eu ... estamos em Sanguedo, fazia esta zona perto dos passadiҫos algumas vezes em treino ...

... quando voltam as subidas ele caminha e eu esforco-me para corrinhar, ele tb corrinha um pouco intercalando com caminhada. Eu aguento e apanho-o ... consigo passar a subir mas um pouco mais à frente comeҫo a caminhar para beber ... ele volta a apanhar-me e passa por mim .. é nesta danҫa que meto conversa ... faltam sensivelmente 4km para a meta.

Chama-se Ernesto, é da Juventude Cortegacense e já participou várias vezes nos Pernetas. A cara não me era estranha. Além disso é M50 e ficou claro que a disputa pelo lugar mais alto do pódio no nosso escalão seria entre os dois... mas a competiҫão tinha acabado ali, aproveitamos a companhia um do outro para não baixar o ritmo e lá fomos a conversar até ao fim. Á entrada do estádio ele diz “vou arrancar “ e eu só disse “ sigaaaaaa “ ... ele esteve à minha frente praticamente toda a prova, mesmo nestes últimos km foi quase sempre ele a puxar pelo que era mais que merecido ele ficar à minha frente. Além disso, mesmo que fosse decidido ao sprint eu perdia ... é que além de ser o maior trambolho a descer do trail nacional sou tb o gajo mais lento em sprint, mas de longe 😊



Obrigado Ernesto ...

2h10 para 23 km com quase 800mD+ ... uma média de 5,39m/km que para mim em trail é algo quase impensável. Fiquei muito satisfeito com a prestaҫão, aguentei e geri muito bem esforҫo de tal forma que se me dissessem que era para dar mais uma volta eu dava na boa, um bocadinho mais devagar mas ia. O resultado vale o que vale, 7º lugar na geral e 2º no escalão (em 13 velhotes que acabaram) ... beneficiei de sermos poucos e do regulamento considerar o ano civil pois era dos mais novos ... se fosse nos M40 não teria tido qualquer hipotese ... só sei que os velhotes correm muito ... só para terem uma ideia, o primeiro senior aparece na 14ª posiҫão 😉 ... mas prontos, foi assim e há que aproveitar as poucas oportunidades que surgem, neste caso o primeiro pódio num trail.

ao que isto chegou ...


lindoooo

Gostei de competir, gostei daquela sensaҫão de lutar por um lugar, de experimentar diferentes tácticas para tentar chegar mais à frente. Por outro lado faltou algo que gosto, que é desfrutar dos trilhos ... não houve tempo para tirar fotos, nem me lembro muito bem do percurso ... a atenҫão ia para ver onde colocava os pés e para não falhar nenhuma das fitas. Por falar nisso, o percurso estava muito bem marcado ... uma palavrinha para a organizão, que sendo muito inexperiente e me tendo deixado de pé atrás pela falta de informaҫão sobre a prova, até que conseguiu colocar em pé uma prova onde o essencial não falhou. Além da comunicaҫão pré prova, acho que podem melhorar um pouco nos abastecimentos ... de resto estiveram bem. Eu gostei, parabéns malta!!!

De salientar que a Pikinita tb trouxe um caneco para casa, mais um. Fez 3ª no escalão F40 tb nos 23km ... para quem anda sem treinar há 2 semanas e já não faz um treino de trilhos talvez há mais de meio ano não esteve mal 😉 ... ouvi dizer que as dificuldades comeҫaram logo de inicio e que aos 18km deu um estouro monumental ... haviam de a ver ao inicio da tarde, já em casa ... o estouro continuava 😊😊😊 ... faz parte 😉



No próximo domingo é dia de Trilhos do Inha, organizado por nós ... um treininho aberto incluído no Circuito de Trail de Santa Maria da Feira e onde vamos percorrer o percurso dos trail curto dos Trilhos dos Pernetas em 85% ... escondemos umas novidades ... serão 12,5km com 600 D+ 😉

sexta-feira

Meia Maratona de Viana 2022 - festa de familia

 


Depois da Maratona de Sevilha descansei uns dias. Como seria de esperar fiquei com um andar novo, e daqueles estranhos que só de olhar para um degrau já me doía tudo😉. Só na 5ª feira seguinte é que voltei a corrinhar uns 20min na companhia da Pikinita ... era para ser meia hora, mas como a passada era tudo menos natural acabamos com o treino mais cedo porque caso contrário ainda me lesionava 😊.

Estava inscrito na Meia de Viana que tinha sido adiada por causa da pandemia de Janeiro para 6 de Marҫo. A ideia inicial era ir lá apenas curtir com a malta do clube mas uma conversa com o Mister mudou o chip para o de competiҫão.

Na semana anterior já corri alguns dias, corridas curtas e descontraídas para rolar. Apenas na 4ª feira foi dia de teste ... umas series curtas para ver como estavam as pernas ... e correu muito bem, quase perfeito se no dia seguinte os meus adutores não se tivessem queixado um pouco – nada por aí além. Na Meia é para dar o máximo, aproveitar a preparaҫão da maratona. E não era apenas para atacar o recorde pessoal, era mesmo para lhe dar uma machadada grande. Pelo menos tentar, se não conseguir que se lixe ... nada tenho a provar e não 😉

series abaixo de 3,30 ... bem bom para Perneta

E domingo lá estava eu com mais 16 compinchas do CAL na zona de partida. O dia estava excelente, seco e fresco. A intenҫão de fazer um bom aquecimento e ir cedo para a linha de partida não passou disso mesmo ... uma intenҫão ... que fazer quando ao fim de tanto tempo se volta a ir a uma prova com a familia (quase) toda junta 😊.

taaantooss para correr ...

a claque mais gira de todo o mundo ...

e é isto ...


primos :)

mais meninas giras ;)

Parti de trás do pelotão e pronto ... stress logo no primeiro km que foi feito quase a 4,30. Eram já 30s para recuperar até aos 10km onde pretendia chegar abaixo dos 40min. A táctica suicida era essa ... 40min até à viragem dos 10km que inclui a subida mais longa do percurso de ida e volta. Na 2ª parte era aguentar o que conseguisse, aproveitar agora a descida mais longa no regresso para manter o ritmo e os últimos 4km logo se veria como poderiam ser feitos. Fácil 😉

Recuperei 22s logo no 2º km que foi feito a 3,38m/km ... sentia-me bem, bastante solto e a respiraҫão controlada. Continuou assim nos próximos km o que me permitiu baixar a média para 3,56m/km aos 4km. Tudo estava bem se não fossem os adutores que se estavam a queixar mais do que eu queria. Na longa subida até aos 7/8 km fizeram-se notar ainda mais e deixaram-me preocupado ... foi aqui em Viana, com algo parecido, que eu há 5 anos tive o meu momento de fama 😉... o ritmo reduziu um pouco por ser a subir mas tb pq a subir os adutores esticavam mais e doíam. Comecei a descer para os 10km com a média a 4,03m/km e fiz um forcing para tentar ganhar ainda alguns segundos. A minha ideia era conseguir ficar dentro da 1h25 e estava no objectivo. Dou a volta ao bidão dos 10km com poucos segundos acima dos 40min, um pouco desgastado mas ainda bastante bem para atacar a 2ª parte ... mas ia preocupado.

toca a dar a volta mas é ....

Depois da virada temos umas centenas de metros em plano e depois vem uma subida com uns 500m bastante acentuada ... normalmente ataco essa subida com forҫa porque sei que a seguir consegue-se recuperar na descida. Era essa a intenҫão mas gorou-se logo nos primeiros metros ... é que mal comecei a subir os adutores (ambos os dois) prendiam já bastante o movimento e tive medo.

Não precisei de muito mais para decidir abrandar bastante o ritmo ... que se lixe o recorde ... Perneta ajuizado!!! A verdade é que a decisão não nem me custou assim tanto, ia bem, provavelmente faria o meu melhor tempo de sempre à meia mas entre o não arriscar uma paragem longa ou fazer um RP escolho a primeira ... no passado já foi bem diferente a minha forma de pensar ... chamem-lhe juizo 😉

Os ritmos baixaram entre 20 a 30s por km. O coraҫão agradeceu ... baixaram as bpm ... as pernas também deixaram de “arder” ... estaria tudo tranquilo não fossem os adutores.

Comecei a ser ultrapassado por muitos atletas ... ali por volta dos 13km, quando comeҫa a parte do percurso melhor de se fazer (descida ligeira bastante prolongada), senti a dor nos adutores mais controlada ... olhei para o relógio e a média estava nos 4,07m/km e voltei a pensar num recorde pessoal. “Ainda é possivel” ... e acelerei ... durou apenas um km esta vontade porque voltaram os movimentos presos e as dores mais fortes. Ganha Juizo Perneta. ã

A partir daqui decidi apenas deixar-me ir ... nas “calmas” para chegar o melhor possivel ao fim. Passei as meninas Pernetas que fizeram a festa dentro da festa ali pelos 17km 😊 Aos 18km chego à periferia de Viana novamente ... lembro-me de a média estar a chegar aos 4,11m/km e eu pensar que ia fazer praticamente o mesmo tempo que à meia da Maratona de Sevilha há duas semanas atrás (foram 4,12 de média na altura).

Foi a motivaҫão que precisei para não deixar que o ritmo baixasse muito mais. Queria ser mais rápido que há duas semanas atrás nem que fosse por um segundo. Outro objectivo de que fazia questão era não passar da 1h30. Não me perguntem porquê 😉

foi tranquilo ....

Passo no centro de Viana ... excelente o ambiente ... vejo a meta, mas ainda falta 1km, ainda vamos dar a volta à rotunda do outro lado da cidade antes de regressar. No regresso passo no local onde fiquei deitado na berma há 5 anos atrás, a 300m da meta ... não há como não lembrar ... hoje “fintei” essa possibilidade, tive juizo ... faҫo a última curva e ali está a meta ... passo a meta com 1.29,31 e está muito bem assim.

Água, Medalha, Retirar o chip da sapatilha (já não me lembro de correr com um chip na sapatilha), saco com ofertas, vaso de coentros e siga para a zona de meta onde me juntei às claque calense/perneta para fazer a festa 😊















Seguiu-se o almoҫo de familia em Dem, onde o Alvaro (filho desta região) nos levou a comer sabem o quê? Adivinhem lá? Papas de sarrabulho, rojões ou um assado??? Nahhhhh ... muito frioooo .... levou-nos a comer francesinha, segundo ele as melhores que já comeu. Confesso que são muito boas, se são as melhores não sei mas que soube que nem ginjas lá isso soube. Tb experimentei o Champarimão (não sei se é assim que se escreve), uma especie de receita com várias bebidas e canela (acho eu). Bem bom 😊







Mas melhor que tudo, que a corrida, que o almoҫo, sabem o que foi? Foi termos ao fim de tanto tempo voltado a juntar assim um grupo grande para ir a uma prova, e termos tirado o tempo para confraternizarmos no fim. Para mim foi isso o ponto alto desta ida à Meia de Viana. Aquele bocadinho de normalidade que sabe tão bem ao fim de tanto tempo ... ainda por cima com o regresso do nosso “primo” Filipe Fontes que tanta falta fazia ao grupo.

Fontes está de volta :)

Esperemos que seja o ponto de partida para outros convivios. Já nos estamos a organizar para as próximas aventuras. Pelo meio a organizaҫão dos Trilhos dos Pernetas que são já daqui a mês e meio.

Familia :)

ahhh ... faltou referir que o meu saco de brindes trazia estes óculos amarelos cheios de pinta ... como nos sacos dos outros népias, parto do principio que era só para gajos com pinta ... serao os meus companheiros em futuras aventuras ...

terça-feira

Maratona de Sevilha - pétaculo

Que passou-se Perneta??? Alguém te bateu?

… chego aos 30km … 2.06,42, novo recorde aos 30km tendo feito os últimos 10km em 42,30m ... a média vai em 4,12m/km ... perfeitamente dentro do sonho que é baixar as 3h à Maratona. Até aqui foi tipo relógio suiҫo ... vejam os parciais de 5 em 5km:

Mas há dois problemas, o ácido lacteo está a fazer-se sentir a grande velocidade nas minhas coxas e as placas dos km estão cada vez mais desfasadas com o que o meu relógio me diz. Na placa dos 30km o meu relógio assinalava mais 300m – 300m é mais de um minuto e se for verdade as 3h estão na queima. Mas vamos por partes, vamos andar com o relógio umas horas para trás.

Levantei-me um pouco antes das 7h ... embora não tivesse tido um sono totalmente descansado e profundo sentia-me bem. Estava um pouco ansioso, o que é normal, porque ia tentar algo extraordinário e muito muito dificil para alguém do meu nivel. Baixar as 3h à Maratona nem nos meus melhores sonhos, até que há pouco menos de um ano o Hélio Fumo me ter lanҫado o desafio, dizendo que acreditava que eu era capaz dessa proeza. Era para ter sido no Porto no Outono passado mas uma lesão trocou-me as voltas e a coisa ficou adiado para Sevilha. Agora estava a pouco mais de uma hora de entrar nessa viagem, de tentar o “impossivel”.

Pequeno-almoҫo no quarto com a Pikinita, cafézinho e siga ... o nosso taxista, aguadeiro, apoio técnico, amigo, irmão Luis Lobo estava já com o Nuno Lima à nossa espera para nos levar perto da meta. Eramos 3 na prova ... eu, a Dora e o Nuno. A apoiar por fora além do Luis, tb o Flávio e a Teresa, a Barbara e o Eduardo.

Com este apoio tudo se torna mais fácil, a logistica, o guardar a roupa, etc, etc. Embora a organizaҫão fosse de topo nesses aspectos sempre é melhor ter ali alguém e não nos termos que preocupar com mais nada que não seja correr ... correr e ir à casa de banho, duas vezes, só ali na zona de partida 😊 ... nunca vi tantas casas de banho numa prova, mesmo já em cima do bloco de partidas ir à casinha era em poucos minutos, tal o numero de casas de banho disponibilizadas. Avenida larga, boxes de partida bem divididas de fácil acesso, espaҫosas ... esta malta não brinca 😊 ... encontramos o Pedro, foto da praxe, desejos de boa prova, beijoca na Pikinita e siga para o aquecimento que hoje é cada um por si ... vemo-nos no final.



Pouco depois estava a entrar na box ... encostei-me à esquerda o mais próximo possivel dos dois balões das 3h, a minha bitola. A táctica era simples e contrária a tudo o que alguma vez fiz ... vou no balão das 3h até ao fim, se nos últimos km me sentir bem, fujo-lhe. Fácil 😉


Aqueles 10min à espera da partida não foram faceis ... o facto de estar ali “sozinho” trouxe-me as emoҫões à flor da pele, estava nervoso, bastante mesmo, o olhito chegou a suar ... não é muito habitual ficar assim. É “apenas” uma corrida caraҫas... ok, é uma Maratona mas já fiz 14 de estrada, não sou um novato nestas andanҫas nem tenho nada a provar ... mas a verdade é que estava nervoso, ao mesmo tempo concentrado e com vontade de ir à luta ...



Foi um alivio quando se deu o tiro de partida e comeҫou a corrida ... o nervosismo vai-se imediatamente ... era como quando jogava à bola ... quando o árbitro apitava para o inicio do jogo, já só importava o jogo ... agora era fazer pela vida nos próximos 42km ..

E fazer pela vida era primeiro entrar no ritmo e não perder os balões (eram 2) das 3h de vista ... não foi dificil entrar no ritmo. Aquela box era da malta das 3h-3h15, e mesmo sendo muitos comeҫou tudo logo a cavalgar metros ... a avenida era larga e ajudou. Km 1 a 4,14m/km ... boa 😊

O que já não foi tão bom foi ver os meus balões a afastar-se ... então? Pensei que a táctica deles pudesse ser, dar um esticão para depois estabilizar, mas o facto é que passaram 3km e nada de abrandar. Fiz o Km 2 a 4,11 e o 3º a 4,09m/km ... e o balão a continuar a ganhar-me terreno. Além disso já só via um balão, o outro tinha-se soltado e desparecido no céu. O que faҫo? Se seguir o balão  a correr quase 10s/km abaixo do que pretendo vou-me estourar ... se fico para trás vou ter que gerir “sozinho” ... “e se o meu relógio estiver a marcar mal?” ... decidi por um intermédio ... fixei-me nuns ainda confortáveis 4,12m/km ...

Foi por volta do km  6 que ouvi uma voz conhecida um pouco atrás de mim ... era o Luis Trigo 😊 ... eu a pensar que ele ia um pouco mais à frente mas vinha de trás ... “Luiiiiiiiissss..... “ .... dois dedos de conversa e a confirmaҫão que o gajo do balão ia demasiado rápido. O Luis vinha com mais 3 portugueses ... fizemos alguns km juntos, mas achei que eles iam demasiado rápido e decidi ficar na “minha” ... estou por minha conta.

Aos 9km o primeiro gel ... perto de um abastecimento ... foi a Maratona com mais abastecimentos que vi ... usei quase todos ... água e isotónico servido em copos, de ambos os lados da estrada que evitava em parte aquela confusão habitual que bem conhecemos e é muito importante porque uma coisa é apanhar copos e beber enquanto fazemos uma prova a “brincar” sem grandes objectivos de tempo, outra é faze-la no limite .... 1os 10km em 42,05m ... tudo sobre controle ... o km mais rápido tinha sido o 3º a 4,09 e o mais lento o 9º a 4,14m/km ... um relóginho certinho este rapaz 😉

Os 2os 10km viriam a ser muito parecidos ... mais uma vez entre 4,09 e 4,14 com o parcial a ficar nos 42,07m .... nesta fase, ali por volta dos 17km vi uma silhueta que me pareceu familiar parado na berma esquerda a esfregar o gémeo e a esticar a perna ... era mesmo o Paulo Pereira que quando me viu se juntou a mim... “então Paulinho?” .... “depois daquele nosso treino na semana passada dei cabo do gémeo e não sei se vai dar, mas queria muito chegar ao fim” ... “tu vê lá, ainda arranjas aí um problem a sério” .... mas ele lá me acompanhou nos km seguintes e naquele ritmo para ele era como se fosse a “passear” 😉. No km 20 viu um médico e parou .... e eu segui viagem ...

Chego à meia-maratona com 1.29,10 ... bem bom e dentro do previsto não fosse o pórtico da meia maratona oficial estar 200m mais à frente ... mesmo assim passo dentro do tempo “limite”. Gel no bucho e sigaaaa ...

Uma das minhas bitolas mentais eram os 25km ... chegar lá sem estar “morto” ... e porquê os 25? Porque foi mais ou menos aos 25km do Porto que eu senti a marretada mais a sério ... era apenas um termo de comparaҫão. Cheguei lá em bom estado, embora o cansaҫo já tenha dado sinal de vida continuava certinho tipo relógio suiҫo e conseguia manter o ritmo que continuava sem alterar ... 4,12m/km ... entretanto o Paulo Pereira já se tinha voltado a juntar a mim para mais alguns km ... mas tão depressa chegava como de seguida lhe dava uma fisgada no gémeo e ele parava ... várias vezes lhe disse para ele ter cuidado ...

A meta agora eram a mitica distancia dos 30km ... foi a distancia maior que fiz em treino, e apenas duas vezes. Km mais rápido a 4,08 e o mais lento a 4,20. Mais um gel no bucho e continuava a aproveitar todos os abastecimentos que apareciam e que não eram poucos para hidratar. Algo que nesta maratona foi uma constante foi o ser ultrapassado ... a minha Maratona mais rapida de sempre e fui mais vezes ultrapassados do que ultrapassei.

 … chego aos 30km … 2.06,42, novo recorde aos 30km tendo feito os últimos 10km em 42,30m ... a média vai em 4,12m/km ... perfeitamente dentro do sonho que é baixar as 3h à Maratona. Até aqui foi tipo relógio suiҫo ...

Mas há dois problemas, o ácido lacteo está a fazer-se sentir cada vez mais e a grande velocidade nas minhas coxas e as placas dos km estão cada vez mais desfasadas com o que o meu relógio me diz. Na placa dos 30km o meu relógio assinalava mais 300m – 300m é mais de um minuto e se for verdade as 3h estão na queima.

No km 31 faҫo o km mais lento até à altura ... 4,24 ... no seguinte consigo melhorar novamente para 4,14  para no seguinte voltar aos 4,24 ... em 3 km a minha situaҫão piorou muito ... passo o km 33 já em grande luta para tentar manter o objectivo das 3h vivo ... houve um abastecimento aqui que me deu uma valente machadada porque, se já era dificil, beber do copo sem baixar ritmo estando fresco, cansado o discernimento baixa e entalei-me ... mesmo a tossir e a largar água por todo o lado consigo continuar a correr ... mas o ritmo baixou definitivamente ... 4,35 e 4,32 para chegar aos 35km ...

... as pernas já pesavam uma tonelada cada uma ... como é que em 5 km piorei tanto? É isto a Maratona, raramente faz prisioneiros .... nem hesitei em redefenir o objectivo ... ainda estava dentro do objectivo aqui mas achei que se tentasse recuperar o ritmo estava sujeito a deixar fugir até um recorde pessoal. No Porto tinha sido assim ... cheguei a um ponto onde tive que caminhar várias vezes e deitei tudo a perder. Desta vez não iria fazer o mesmo erro ... umas contas de cabeҫa e 3h03 eram possiveis ...

Fiz 500m bastante lentos ... perto dos 5m/km ... nessa altura o Paulo Pereira apercebeu-se que eu não ia conseguir as 3h e foi à vida dele e ainda bem. Não o iria ver mais, iria acabar em 3h02 ... os restantes 500m acelarei para ritmos na casa dos 4,20 ... resultado ... km 36 a 4,44 ... nos próximos 2 vou fazer o mesmo “jogo” ... um tipo de fartlek para me distrair ... 4,42 e 4,40 aproveitando uma boleia de um casal ... de km para km as minhas pernas pesam mais, cada passo agora é de dor ... estou com os músculos completamente massacrados ...

No km 38 vou abaixo mentalmente ... a placa surge apenas quando o meu relógio marca 38,5km ... mais 500m, mais 2min no minimo ... baixar as 3h05 passa a ser o objectivo ... como é que eu fiz tantos metros a mais? Tentei sempre manter-me perto da linha verde, a linha ideal que a organizaҫão tinha pintado no chão. Com o discernimento a baixar saí várias vezes do ideal, mas 500m é demasiado ...ainda tive a esperanҫa que nas últimas placas a coisa compensasse mas não viria a ser assim.

Os próximos km vão ser de um sofrimento atroz, como não me lembro de ter sentido ... sentia que corria de lado, as pernas não obedeciam totalmente, o meu cerébro dizia para eu caminhar e eu, teimoso, lutei bravamente para não ceder à tentaҫão ... era tão fácil baixar a guarda. Já se voltava a andar no centro da cidade, cheia de público e já cheirava à meta ... mas 3 ou 4 km podem demorar uma eternidade. Como já referi muitas vezes, ninguém que me lixe ... os km não tem todos a mesma distancia ... como habitualmente já se vê muitos companheiros nas bermas agarrados às pernas, desesperados com caibras, outros já só caminham e nem com o público entusiasta a gritar por eles conseguem corrinhar ... estão “mortos” ... a sensaҫão que levo é que vou super lento ... km 39 a 4,54, km 40 a 4,48, km 41 a 5,01 e km 42 a 4,58 ... os 4 km mais lentos de toda a maratona ... passo os 42,2km no meu relógio no minuto 3.03 mas os pórticos da meta nem vê-los, e são esses que contam...

.... consigo ir buscar as últimas forҫas para acelerar já com a meta à vista ... ainda são umas centenas largas de metros ... concentro-me no relógio ... 3h06 e os segundos a contar ... “tenho que conseguir chegar no minuto 6” 

... foda-se ... consegui ... sei que desliguei o relógio ao passar a linha de meta ... juro que me esqueci completamente de olhar para o tempo que marquei ... fiquei ali uns valentes segundos a meio metro da linha de chegada agarrado às pernas e a tentar conter as emoҫões ... ca puta de prova fiz ... que sofrimento estes últimos km ... hoje sim, hoje fui bravo, sinto que dei tudo o que tinha e como diz o ditado “quem dá tudo o que tem a mais não é obrigado” ... uma enfermeira vem ter comigo para saber se me sinto bem e como digo que sim pede para eu sair daquela zona ... a avenida para ir buscar a medalha é a mesma onde há pouco mais de 3 horas saimos das boxes de partida ... é longa ... eu demoro uma eternidade ... vejo um espanhol sentado, sozinho, com um sorriso de orelha a orelha ... não sei quem era, não me lembro de o ver durante a prova ... mas vou ter com ele, high five, riso e choro, trocamos palavras que não me lembro ... bravos ... continuo o meu caminho ... tanta gente e estou “sozinho”, perdido nos meus pensamentos ... acordo do transe a “soluҫar” como um menino ... encosto-me às grades a disfarҫar ... não devia sentir vergonha, os homens tb tem direito a chorar ... respiro fundo e sigo ... uma simpática senhora coloca-me a medalha ao pescoҫo e dá-me os parabéns ...

... hoje são merecidos, hoje dei o litro, hoje tirei quase 8 minutos ao meu recorde pessoal na Maratona ...

Toca o telefone ... é o Luis a saber onde estou. Pouco depois lá vem a equipa de apoio toda ... gritaram por mim na zona da meta e eu nem os vi nem ouvi ... só vi a meta ... desculpem lá mas sabem como é 😉 ... pouco depois eles voltam onde estavam e eu volto a entrar para a meta para esperar pela Pikinita e pelo Lima.

Que espectáculo aquela linha de meta ... o ambiente, os speakers, a música escolhida ... os atletas a chegar em catadupa à meta, sorrisos rasgados, gritos de alegria, abraҫos, choro ... tb há desmaios, vómitos ... tirei fotos a quem me pediu, dei os parabéns a muitos, ri e chorei com outros ... uma pessoa consegue sentir o que os outros estão a sentir ... estou atento à linha de chegada ... vejo uma camisola do CAL, é o Lima ... parece um menino grande a cortar a meta ... lesionou-se há duas semanas, ainda no dia anterior só dizia que queria acabar e ali estava ele a acabar em 3h51 ... a foto diz tudo ...

“viste a Dora?” ... “passei por ela aos 27, ia a caminhar, estava toda lixada” ... o Nuno seguiu viagem e eu fiquei ali ... confesso que preocupado ... continuei a abstrair-me com a festa da chegada e pouco tempo depois chegava uma Pikinita de sorriso rasgado aos saltinhos de contente ... 4h07 ... fantástico para quem esteve parada durante meses, apenas retomou a corrida no inicio do ano e que esteve bem doente uma semana antes. Uma guerreira 😊


Agora sim, a Maratona de Sevilha estava completa 😊 ... refiro-me à corrida, porque ainda há alguma coisa por contar ... mas isso fica para outro dia, que isto já vai longo 😉