quinta-feira

UTDP 2019 como roadie




Eu sei que já chateia de tanto UTDP, mas é a última, juro J … falta registar no meu tasco o que eu senti por ficar de fora da prova, o que senti a acompanhar a prova e claro a minha opinião sobre a mesma.
Não é difícil de imaginar que o facto de não poder correr no domingo passado foi tudo menos fácil de digerir. Numa situação normal tenho a certeza que não teria sido grande problema, provas há muitas, mas com a Pikinita enfiada na aventura a coisa foi diferente.
Na 3ª tinha ido experimentar correr e ao contrário do que pensava a coisa não correu bem – aí tive quase a certeza que não ia conseguir recuperar a tempo e andei com os azeites 3ª e 4ª- não esteve fácil de me aturar. Fiz mais dois tratamentos e voltei a testar no sábado mas já sem grandes esperanças. Confirmou-se – estava fora do UTDP.
Quando vi a Pikinita a partir no domingo fiquei de coração apertado – fui tomar um café e depois aqueles 300m até ao carro não foram nada agradáveis. Era um misto de preocupação e revolta com o azar que me tinha batido à porta. 
controle para a prova

A caminho de Marcelim vi um nascer do sol lindo, parei para ir ver as vistas e registar o momento com uma foto. Foi fácil e rápido lá chegar. Cumpri um ritual que iria repetir em todos os pontos de abastecimento – ver onde estava instalado o PA, dar uma volta a pé para conhecer a zona e instalar-me num sítio onde pudesse ver a malta a chegar. 

Em Mercelim foi sentado nuns pedregulhos enormes, arredondados com umas vistas esplendorosas. Estive bastante tempo à espera … vi os pastores a sair com as cabritas para o monte, um velhote com duas vacas e entretanto passa o Ricardo Silva, já com um avanço enorme em relação ao segundo. Iria vencer com mais de uma hora de vantagem.




A partir daqui lá começavam a passar os atletas, cada um ao seu nível … a todos disse “bom dia”, “força” ou “boa prova”, para os que conhecia havia sempre um incentivo à Pernetas tipo “o que andas aí a fazer meu menino” ou “tá lento” ou ainda “cá gajo feio” J … e à medida que o tempo passava a ansiedade em ver a Pikinita aumentava … e mais quando passaram os que eu achava que seriam mais ou menos do nível dela e nem sinal dela. Finalmente lá a vejo ao fundo … está bastante atrasada para o que eu esperava … vi logo que a coisa não estava fácil de gerir, e não era fisicamente. Como sou meio palhaço, lá fiz das tripas coração para a animar … dei-lhe uma mistura de sais na água e siga … não há tempo a perder. E ela seguiu caminho.
Eu voltei para o carro … procurar no GPS o próximo PA … S.Pedro … o do carro não encontra, o Google Maps também não … sei em que sentido vão os atletas, sei que não pode ser longe porque só vão fazer 5km e como quem tem boca vai a Roma paro no primeiro café que encontro na estrada … uma velhota dá-me as indicações que preciso e facilmente lá chego. E começa tudo de novo, procurar um sitio onde esperar, blá, blá, blá
S.Pedro

Foi assim o dia todo, depois de S.Pedro foi Bustelo, depois Tendais de onde segui para as Portas de Montemuro, seguiu-se Covelas antes de voltar a Cinfães onde cheguei seria já depois das 20 horas. Faltou-me Pias, 3 km antes da meta – mas como sabem a Pikinita não chegou lá.


Bustelo

em Bustelo vi a Rainha de Inglaterra … um dos pontos altos do dia 

Tendais

O grande Silvério nos seus famosos mergulhos refrescantes

Portas de Montemuro

Foram muitas horas pelas serras de forma diferente do habitual, mas igualmente interessante. Deu-me a possibilidade de sentir a prova de uma forma como nunca o tinha feito – de fora. O objectivo era acompanhar de perto a prova da minha Pikinita, mas acompanhei também as lutas de muitos outros atletas, especialmente da segunda metade do pelotão. Os primeiros vi-os apenas no primeiro PA, depois nunca mais. O resto da malta teve que levar comigo durante todo o dia.

Foi sem dúvida uma experiência enriquecedora … 16 horas na serra, muitas horas de espera? Devem pensar que foi uma seca mas acreditem que não foi. Tive momentos de ansiedade no primeiro PA ou no das Portas porque a Pikinita nunca mais aparecia. Senti as dores de muitos e tentava com uma palavrinha ou uma piada aliviar um pouco as frustrações do momento. Conheci outros como eu, poucos, duas mulheres que acompanhavam os respectivos maridos e um grupo de 3 pessoas mais idosas que não arredavam pé a dar força a um filho/sobrinho – conheci também muitos dos voluntários, jovens daquelas terras, bombeiros e policias. 

Sinto que tenho autoridade para avaliar esta prova, também sei que sou suspeito, afinal a minha mulher andou lá. Deixei passar uns dias, troquei impressões com pessoas que participaram, esperei que a organização se explicasse na página oficial, vi os comentários dos que participaram e tive a certeza que o que vi vi bem.
Como puderam ver do meu primeiro artigo sobre a UTDP e depois pelo relato de dentro da prova da Dora as coisas não correram nada bem. 
Pelo que li e ouvi, todas as distâncias menores (não estou a ser depreciativo) correram muito bem. As pessoas adoraram os percursos, os abastecimentos, as marcações impecáveis, o pessoal voluntário … excelente. Parece ter havido alguns que não tiveram direito a camisolas mas a organização diz que as irá enviar por correio. Os elogios são mais que muitos e sendo assim estão de parabéns por isso.

O mesmo não se pode dizer da prova grande, a prova rainha, em que os erros cometidos foram demasiados e alguns bem graves. Até Bustelo aos 25km a coisa correu lindamente, e mesmo até ao corte de Tendais, embora a distância já estivesse a dar a mais, a organização reagiu de pronto e aumentou o tempo de barragem numa hora. Perfeito até aqui. Os atletas chegavam já bem cansados da coça que estavam a levar mas ao mesmo tempo maravilhados com o percurso e cheios de vontade em continuar. O PA tinha massa com carne o que era excelente para reporem energias para enfrentar a etapa mais longa e provavelmente mais dura do percurso – 17km e mais de 1000D+, com uma descida muito difícil pelo meio – isto nas primeiras horas da tarde. Quando a Pikinita partiu eu sabia que só a iria ver daqui a 4 horas, se tudo corresse bem.
Passei várias horas no PA das Portas de Montemuro … quando lá cheguei tirei um tempo para mim, estava na hora de almoçar. Tinha comprado pão, queijo, presunto e batatas fritas. O tempo tinha mudado, estava encoberto e com o vento até ficava frio para quem estivesse parado. Estava num alto a uns bons 200m do PA … vi alguns atletas a chegar a barafustar e a deitarem-se no chão, isto ao longe. Decidi fazer meia dúzia de sandes de presunto com queijo para os meus amigos em prova, caso quisessem e fui para mais perto do PA ver a malta a chegar – mal sabia eu que iria distribuir as sandes todas, iria voltar ao carro, fazer outra sacada de sandes para distribuir – e mais houvesse. 
a mala do meu carro foi a cozinha improvisada

Percebi o desagrado mal olhei para a mesa … um abastecimento normal mas não para uma prova destas, especialmente depois de uma etapa como esta. Tostas, batatas-fritas, tomate, sal, melancia e pouco mais – nada de verdadeiramente consistente, muito menos algo quente tipo sopa, caldo. A maior parte dos atletas tinham 10 horas e 3500mD+ nas pernas caraças.
Os atletas chegavam a conta-gotas, muito cansados, a maioria desidratados. Todos estavam chateados pelo engano nas distâncias e pelo facto de o PA estar quase 4km mais à frente do que anunciado. A etapa era dura, não tinha pontos de água pelo caminho,  estiveram a gerir água … muitos tinham bebido a água que tinham até aos 51km onde segundo o mapa impresso no dorsal estaria o PA … tiveram que fazer mais 4km, a subir, para voltar a ter água. E tiveram sorte – se o tempo não tivesse encoberto e o sol aparecesse com força como por volta do meio-dia ia haver problemas graves – não tenho dúvidas disso.
Agora chegavam ali e deparavam-se com um abastecimento daqueles, pobre – se já estavam chateados facilmente imaginam que não ficaram mais bem dispostos. Para cúmulo estavam com dúvidas sobre os km que faltavam que ninguém ali conseguia responder … quantos km são até ao fim? Estes km a mais são agora compensados? Os tempos limite mantêm-se? 
Coitadas das duas miúdas que estavam naquele abastecimento, ao abandono no alto da serra, a levar com os queixumes todos. Houve pelo menos dois atletas que desistiram ali por estarem fartos da bagunça … não por falta de pernas … estavam bem dentro do tempo para acabar a prova mas estavam chateados. Um deles virou-se para mim “parabéns pelo percurso, é lindíssimo, mas em relação à organização vocês são uma vergonha” … fui confundido como alguém da organização, não iria ser o único a fazer essa confusão e tive que ouvir alguns impropérios. Compreendo porque me viam em todos os PA e tinha o casaco do CAL vestido, que é preto, tal como as camisolas do STAFF da prova. 

Depois da Pikinita partir das Portas de Montemuro segui para Covelas onde haveria de acontecer a barragem por tempo de muita gente. PA supostamente aos 64km e que estava efectivamente quase aos 70km. Conseguem imaginar como vinha a malta, sentiam-se injustiçados e o cansaço tb não ajuda nestas situações … os 3 jovens que estavam no abastecimento ouviram de tudo – depois de deitarem cá para fora o que lhes ia na alma, quase todos acalmavam e pediam de desculpa, afinal a rapaziada não tinha culpa. Faltam 11km para a meta – era a única informação que sabiam dar – tempos de corte? Não sabiam. Como é o terreno? Não sabiam, só sabiam que havia rio.
Uma montanha de bombeiros assistia a estas cenas um pouco afastados, meios escondidos atrás das ambulâncias e jipes ali estacionados. Chega alguém que parece ser da organização numa Pick-Up para vir buscar dois que tinham desistido … pergunta aos atletas se sabem quantos ainda vem atrás. Eu pergunto se não há vassouras – “haver há, mas não conseguimos contactar, não há rede na serra”. Nem queria acreditar no que estava a ouvir – se algo acontecer como fazem? Com a pressa que chegou também arrancou.
Havia gente a desistir ali – ainda avisei os voluntários para tirarem os chips e os nrs.do dorsal a esse pessoal, para avisar a lap2go que estava a fazer a cronometragem destas desistências. Se não o fizessem no fim iam ter que andar à procura destes atletas – já nos aconteceu nos Pernetas, felizmente conosco estavam já em casa, refastelados.
Eram 19.20h quando um voluntário cheio de receio vem informar os atletas que ali estão que estão barrados, que não podem seguir. Houve meia dúzia que disse que nem que fosse até à meia-noite, iam acabar aquilo. Fica-me na retina uma rapariga algarvia, estava fora de si a dizer que não tinha vindo do Algarve para isto, muito menos depois de tantas falhas que não eram culpa dela. A maior parte continuou.
Decidi ir ao encontro da Pikinita e vim com ela até ao PA. Depois levei-a de carro de volta a Cinfães – enquanto bebemos uma cerveja numa esplanada vimos a chegar todos os “teimosos” que tinham saído de Covelas fora de tempo e decidiram acabar a prova … e que bem feliz fiquei com isso, afinal acompanhei a luta deles durante 16 horas por aqueles serras maravilhosas e era um prémio mais que justo pelo que passaram.
Se tudo funcionou bem nas outras distâncias, nesta mais longa a avaliação para a organização é negativa. As opiniões dos participantes é unânime – o percurso é fantástico e o UTDP tem tudo para ter uma das melhores ultras em Portugal. Mas é preciso dar o apoio, a segurança que este tipo de provas exige.
Corrijam em 2020:
- informações claras e reais (distâncias, localização dos PA’s, tempos de barragem)
- presença durante o percurso Tendais a Portas - os atletas estiveram por sua conta
- presença de membros responsáveis pela organização com capacidade de decisão nos PA’s mais críticos (onde existem tempos de barragem)
- PA’s mais equilibrados (ponto de água entre Tendais e Portas, algo de mais sustento em Portas, sandes e sopa por exemplo)
- formação e informação ao pessoal dos abastecimentos para dar respostas concretas às dúvidas dos atletas
Ouvi gente a queixar-se dos tempos de barragem apertados, que é uma prova para prós. Efectivamente são tempos apertados – em condições normais não é fácil acabar esta prova – razões para isso existem com certeza, mas tenho para mim que não é para dificultar a vida a quem participa mas sim para acabar mais ou menos a tempo decentes – é domingo, é preciso regressar a casa ao fim do dia, muitos terão viagens ainda para fazer para chegar a casa. É por isso que a grande maioria deste tipo de provas é ao sábado. Mas isso está expresso no regulamento, quem se inscreve aceita as regras deste jogo e não se pode queixar. O mesmo se aplica a quem acha esta prova cara, esta ou outra qualquer … estão no livre direito de ir ou não, ninguém obriga. E volto a dizer, eu se conseguir vender algo a 10 não o vou vender a 5, ou vocês vendiam?
NOTA: estas criticas são para ser olhadas de forma constructiva, quem me conhece sabe que não sou do bota-abaixo, sei bem o que custa organizar uma prova e nem sequer nos posso comparar com algo tão grande como a UTPD. A organização está de parabéns pelas 1400 pessoas que conseguiram fazer felizes durante umas horas pelos percursos mais curtos. Faltou tratar igualmente bem as 100 que estiveram na prova mais longa, confesso que não esperava isto vindo de pessoas tão experientes e ainda por cima atletas que sabem o que é importante – o pedido de desculpa oficial feito esta semana só fica bem – reconhecer que falharam é o primeiro passo para corrigir os erros e fazer em 2020 uma edição perfeita para todos. Só não falha quem nada faz. 

terça-feira

A minha loooonga aventura pelo UTDP - by Pikinita


AVISO!!! O texto é integralmente da Pikinita - o aumento para qualidade literária extra neste tasco é apenas provisório - depois deste artigo voltamos ao nível rasca habitual. Temos pena. Aproveitem agora ...não pagam mais por isso.
Assinado: A Gerência
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São 3h20 da madrugada, toca o despertador… parece mentira… Já?! Dois minutos de ronha, e volta a tocar… Oupas! Sigaaaaa!
Vestir, colocar o que falta nas mochilas, comer qualquer coisa e arrancar em direção a Cinfães do Douro. Caminho chatinho até porque é de noite e era curva e contracurva, com pouca margem de tempo para qualquer falha. Finalmente estacionamos, eram 5h30 da manhã. Comer o reforço do pequeno-almoço, porque a “je” não se aguenta a ar e vento… pegar em tudo e ir direitinhos ao Museu Serpa Pinto levantar os dorsais. 
Apesar da hora não motivar grandes simpatias, a verdade é que neste ambiente de provas, é que fui me habituando sempre a muito boa onda entre o staff , atletas e organização, ajudando todos nos pormenores de ultima hora.  Neste caso, não senti simpatia nas equipas de entrega de dorsais, diria até uma certa arrogância quando pedi ajuda com uma braçadeira para segurar o Chip às minhas velhinhas sapatilhas que não são de atacadores, e ajuda para furar o dorsal…  lá arranjei solução junto da malta simpática da Lap to Go!


Ida à casa de banho, ultimar preparativos de mochila e afins e seguir para a partida onde se revê as caras conhecidas destas andanças. Passamos o controlo de equipamentos, e percebi que estava nervosa, muito nervosa mesmo naqueles minutos que antecedem a partida. Ali estava o meu Perneta do lado de fora da grade. Tinha ali os meus colegas de equipa mas sabia que não iria acompanhar o ritmo deles e de repente vem tudo à cabeça… não queria partir sem o meu companheiro de aventuras, e com quem planeei esta aventura. Não me senti preparada nem segura para partir sem ele. 


Sabia que o Carlos estaria em todos os locais que fosse possível acompanhar, sabia que iria acompanhar tudo MAS não estaria daquele lado, nas paisagens, nas fases mais duras e nas alegrias, nas cantorias e nas fotografias… Neste rol de pensamentos fui “empurrada”  para a frente e está a dar-se a contagem e tento olhar para trás mas deu a partida e lá carreguei no botão do relógio que seria a presença Dele ali nesta minha primeira lonnnngaaaa distância.
Começa a subir pelas imediações da localidade e tenho a sensação de ser passada pela maior parte do pelotão… não me preocupo, afinal tenho um longo dia pela frente. Não estava frio nenhum e vou ali meio entretida a ver a luz do dia a chegar e a observar alguns atletas que vão passando.
O Américo, de vez em quando abrandava o seu ritmo para ver se me via, acenava e tal e continuava… nitidamente pretendia que acelerasse um pouco e o acompanhasse, mas ainda estava a digerir aquela sensação da partida e não tinha força para mais e acabei por lhe dizer… “não te preocupes comigo, quero gerir à minha maneira!” ele olhou atento e entendeu perfeitamente que estava a falar a sério e seguiu tranquilo!
O Sol aparece, um lindo nascer do dia, umas cores brutais e agradeci por aquele espetáculo da natureza… pensei sacar do telemóvel para tirar foto… mas foi tão rápido, que pensei “nahhh, aproveita estes instante e guarda no rolo da memória!”


E lá se entra mais a sério nos trilhos e começa por ser um verdadeiro “parte pernas” nestes primeiros quilómetros. Aos 4km, temos um encontro imediato com duas vacas bem chateadas com a vida, mas o dono lá as fez avançar dali a rir-se. Pouco depois, torço o pé direito… foi mais susto e tal mas que doeu  e me chateou também.  Muito sobe e desce nesta fase inicial … bem durinho.Perto dos 8km perco-me e não foi distração… numa bifurcação, penso que inconscientemente o cérebro me conduziu para a esquerda, mas tinha fita, mais 20 m e tinha outra fita e por isso confiei. Já descidos 200m percebo que não há mais fitas, volto para trás, mais aborrecida porque estavam lá duas fitas que me fizeram perder tempo (quando os cortes de prova eram tão apertados) e acima de tudo, me fizeram perder energia, pois tive de subir o que tinha descido e continuar a subir para a 1ª aldeia. Continuei para chegar ao 1º abastecimento em Marcelim que seria aos 11,5kms. Nesta fase remoí tanto que dei comigo muito desmotivada. Já sentia as pernas pesadas e ainda era só o início. Não estava a ser prazeroso… ponto!
Apareceu o rio, uma das partes que seria maioritariamente dentro de água entre pedras e pedrinhas. Estava gelada, ainda era muito cedo e apesar de sentir calor, não me apetecia ainda. Foi sem dúvida bonito, mas para uma medricas de quedas e friorenta, percorri aquela parte quase de gatas ou em modo aranhiço, ou seja, com o apoio de braços para controlar os deslizes nas pedras. Sou pequenita e a água acabaria por me chegar à cintura. Ultrapassada a sensação de dor provocada pelo frio, dei comigo com o queixo a bater do frio. Lá  se passou e siga em direção ao abastecimento. Por essa altura, estava acompanhada por um rapaz que me vinha a contar que tinha começado nas corridas há poucos meses e estava com duas amigas.

Aproxima-se o abastecimento e vejo o meu Perneta em cima de umas pedras à espera de telemóvel na mão, pronto a registar o momento. Percebeu que não vinha no meu melhor. Pouco falei apesar de ficar super feliz de o ver. Mas deu-me a vontade de ficar ali… não seguir.

Contornou as pedras e veio ter comigo ao abastecimento. Eu era das últimas a chegar ali... O Carlitos percebeu o desânimo e a desmotivação mas encorajou-me: “Falta 1h para o 1º corte em Pedro. Tens 1h05m para fazer 4km e cumprir esta etapa… é na boa!”

Um olhar atento, um beijinho e parti… entro numa parte de trilho que me agrada, corrível para desanuviar as pernas e sinto-me muito melhor ali, paisagem ampla, sempre a alcançar gente e ir passando, e a sentir que finalmente tinha aquecido a máquina. Acabo por me aproximar de um rapaz e mantenho-me atrás dele no single track. Não observo médias, apenas os kms no relógio e percebo que o Carlitos me dissera 4kms mas seria mais, eu tinha ideia de ser ao km 16 e o mapa do dorsal assim confirma. 
A minha péssima respiração deve ter incomodado o moço da frente que vira-se pra trás e pergunta 
-“Olha, queres passar? 
-Não não, estou bem assim, neste ritmo!” - E ele lá seguiu e eu sempre atrás. Passado um bocado, volta-se de novo para trás por ter reparado na T-Shirt… 
-“És da equipa da Raquel e do Paulo e dos Andrades?
- Sim!!! Sou sim! 
- Ah, bem me parecia. Conheço-os destas andanças…”  - e lá continuamos, tendo chegado ao controlo aos 16km muito mais rápido do que se previa tendo em conta o estado anímico que trazia pouco tempo antes. Nesse abastecimento, trinco umas coisitas, vou a casinha e percebo que ter companhia, por pouco tempo que fosse, poderia ajudar. Estava mais receptiva à prova e iria tentar sair com o meu novo conhecido, que nos apresentamos ali, e se chama Pedro. 
Carlitos super atento, lá estava à espera em S. Pedro. Ficou contente por me ver sorrir e mais motivada. Dá-me força, controla se preciso de alguma coisa, prepara-me uma bebida e incentiva-me a continuar. Avisa-me que são 9km até ao próximo abastecimento. 


Perguntei como estava … sabia bem que não estava a ser fácil para ele e confirmou, o que já sabia. Retoma o incentivo, sugere que mantenha o foco em chegar sempre ao próximo abastecimento e manter a média dentro do que estava. Sorri, demos um beijinho, agradeci e partilhei que queria sair com o Pedro, a companhia  iria ajudar.

E lá saímos. Estes 9kms foram em parte a subir para depois descer até Bustelo, local do próximo abastecimento. O ritmo estava estável. Caminhada nas subidas mais ingremes e corrida onde dava. Como a técnica de descida é péssima ou nula, perco mais tempo nas descidas que nas subidas. 

Continuo na companhia do Pedro que foi sem dúvida importante. Tínhamos os mesmos ritmos e objectivos e por isso foi fácil seguir na sua companhia. Éramos dois desconhecidos a partilhar experiências da corrida para descomprimir um pouco dos kms que íamos trilhando. Conversa fácil e fluida, silêncios não incómodos. Descobrimos as proximidades entre as pessoas que conhecemos que tocam as duas equipas. E ambos estávamos a fazer pela 1ª vez uma distância tao longa. A minha maior distancia tinham sido os 48km da serra Amarela e o Pedro 53 de Sicó, se não me engano.
Chegamos a Bustelo e lá estava o Carlos, desta vez, pareceu-me mais animado. As fotos da praxe ao aproximar do abastecimento e duas de conversa. Soubemos até que tinha estado por ali a réplica da Rainha de Inglaterra… ;) acontece cada uma nos trails… J






“Que vais precisar? Como estás?”  Perguntei pelos meus, e pelo Américo e fiquei contente por saber que estavam todos bem e com muito tempo de avanço. 
O abastecimento era numa garagem. Aqui não havia tempo a perder… já apetecia parar mais tempo, mas há tempos a cumprir e não podemos perder tempo quando iremos precisar dele mais à frente. 
Carlos lembra-me que no próximo abastecimento, dai a 9/10 kms é um dos cortes, onde temos de chegar até às 12h30. Tinha sensivelmente 3h para fazer aquela distância que iria ser de um grande desnível. 
Seguimos, parti novamente com o Pedro e com o rapaz novato nas corridas de quem não me lembro o nome. 
A subida faz-se bem. Gosto de subir… a minha única preocupação relativamente às subidas, é deste género: “ O que sobe, mais cedo ou mais tarde, também desce…E como será a descida? Que tipo de terreno me espera?”
Nesta fase lidero o nosso ritmo. Continuamos a conversar de tudo um pouco, e a encontrar brincadeiras para nos irmos distraindo. Começo a perceber que o ritmo havia descido um pouco, andava por volta dos 10 e pouco de média, mas sabia que estava muito dentro do que se pretendia para atingir os cortes previstos. E na treta, de que somos os maiores na caminhada e que o mundo precisa é de ultracaminheiros, começamos a fazer a mente ao próximo abastecimento que afinal não era aos 34 kms como se via no mapa… 

Continuamos e sempre na expetativa que seria ao virar da próxima curva e nisto passaram-se 3km, sempre na expetativa do abastecimento. O Pedro começou na brincadeira… “… ver o Carlos é bom sinal. Nunca pensei assim, mas nunca desejei tanto ver um homem!” Entre risos e brincadeira lá aparece o abastecimento, mas também as primeiras dúvidas sobre o percurso e a sua organização.


Carlos assume o comando da minha mochila para ver o que preciso, e eu vou atacar o abastecimento… porque como já referi … sou de alimento. Esparguete com carne picada pareceu-me uma excelente ideia… estava apuradinho e soube pela vida. O abastecimento encheu de repente com a malta da distância dos 44kms e ficou muito confuso. Besuntei-me de protetor solar, troquei o lenço pelo boné e manifesto a primeira maleita … uma dor no joelho mas nada de grave.
Carlos deu-me força, muita força. Avisou que não deveríamos sair da média de 11 e tal de ritmo mas que vinha uma parte dura. 
Tens agora 17km sem abastecimentos, o sol abriu forte, e vais acumular pelo menos 1100m de desnível positivo. Estás a ir muito bem! A rede é pouca, mas se te apetecer alguma coisa, nem que seja uma sandes ou assim liga-me que tento levar para o próximo abastecimento. Vemo-nos nos 51 kms
Sorrimos, mais uma foto e mais um beijinho. Os olhares dizem tudo nestas ocasiões…

Saímos e percebi que as pernas acusavam cansaço. Relembrei-me que estávamos com 37 kms que na verdade já é fora da minha zona de conforto. Começamos a subir e a partir daqui fico mesmo atenta aos ritmos, que vou partilhando com o Pedro. A esta altura, ambos tivemos um quebra … acho que ambos percebemos o corpo a reclamar, pois não somos experientes nem habituados a atravessar distancia acima dos 30… mas seguimos. O Pedro emprestou-me um dos bastões… não queria aceitar para não o prejudicar, poderia fazer a diferença para a prova dele. Mas insistiu e lá experimentei a ajuda do bastão no percurso que agora era sempre a subir. 

Estava calor, paisagem mais árida mas bonita. As eólicas como cenário davam vida aquela zona mais árida. O trilho até era corrível, mas não estávamos com vontade de correr e fomos seguindo a partilhar as dúvidas que surgiram pelo facto do abastecimento ter sido 3kms e tal depois do esperado.  Será que vao dar algum bónus no tempo de corte? Caramba, 3 kms são sempre três kilometros… ou então será que em vez de 17kms agora o percurso encurtou e só fazemos 13 a 14 até às portas de Montemuro?  
Por esta altura passa por nós o Silvério com outro companheiro de corrida. Íamos a caminhar e logo os perdemos de vista na imensidão daquela paisagem. Pouco depois aproximou-se outra dupla de nós e foi bom. Estávamos quase em silêncio por volta dos 40 kms e eram conhecidos do Pedro, pai e filho que vinham muito bem. Falou-se das mesmas questões e disseram-lhes a eles que a organização iria dar um bónus de 1h no tempo do corte em Covelas. Mas na verdade não era nada oficial, pois uns diziam 30m, outros 1h e valia o que valia. Eles estavam bem, mas eu e o Pedro estávamos a precisar de energia. Paramos, o Pedro tomou uma mistura de sais que lhe ofereci, eu tomei um gel e retomamos. Apesar da paragem ter sido muito breve, os companheiros avançaram muito e deixamo-los ir… Percebemos que deveríamos acelerar um pouco e decidimos testar a corrida… primeiros parecia que tinha barrotes no lugar das pernas, depois foram soltando e de repente estou super motivada para continuar a correr. O Pedro partilha que os sais tinham feito magia e ficamos contentes com o renascimento por volta dos 41km de prova. Chego a comentar que se o trilho se mantivesse assim, apesar de subir, correria até ao próximo abastecimento, ou seja mais 9 a 10kms.

Estava muito bom, mas aparece uma descida e que descida manhosa… era técnica, muito técnica. Tive de recorrer à técnica do aranhiço e ir descendo muito gradualmente. Cada impato nas rochas trazia de volta a moinha ao joelho esquerdo e voltamos a perder muito ritmo. O pouco que dava para correr dava para sentir as mazelas que a descida iria deixar… mas não é para pensar nisso agora. Nesta fase somos apanhados por mais uma dupla de rapazes. De lá se vislumbra um abrandar da parte mais ingreme da serra, mas continuará a descer mais um pedaço chegando a uma zona muito verde de campos, vacas, retalhos de terrenos e cercas de pedra granítica ou madeiras. Parte bonita, seguíamos os quatro e juntou-se a nós a Cátia Santos, que era uma das amigas do rapaz novato nas corridas. A Cátia é de Lisboa e tem a pronuncia muito lisboeta, foi giro reparar, que eu sendo de Lisboa consegui perceber o que dizem do sotaque lisboeta…  o comboio tinha agora 5 passageiros que olhando para o relógio atingiam os 48 kms… começávamos a observar a subida que se aproximava e ansiosos, pois seria a meio da subida que chegaria o próximo abastecimento.  Enquanto desbravávamos caminho a corrinhar os 5 falávamos daquilo que desejávamos encontrar no próximo abastecimento. Foi unânime: sopa! Todos queríamos uma sopa dalia a pouco mais de 2kms. 
Inicia-se a subida e como sempre … animam-me as subidas e imprimo um ritmo um pouco mais alto para puxar o comboio que acabou por se partir. Pedro segue comigo na carruagem da frente. Tentávamos, nesta altura era importante manter o animo que os suplementos nos tinham dado mas a descida técnica quebrou bastante, deixando-nos com dores musculares normais de cansaço.  Dizemos que estamos bem, pois queríamos muito chegar às famosas portas de Montemuro. Damos algum espaço entre nós e fui à mochila buscar um Boost de energia num bilhetinho especial que lá tinha para quando precisasse!
Passamos os 51 kms e nada de abastecimento… começamos a tentar ver em tudo uma possibilidade de abastecimento… “ali ao fundo vejo uma casa abrigo, deve ser ali… estás a ver Pedro?” - E ele… “Quero muito ver o Carlos. Ele é que simboliza abastecimento!”… Riamos mas já estávamos com 52,5kms e nada de abastecimento… percebemos que seriamos novamente enganados pelo mapa da organização e que seria uma surpresa, provavelmente só aos 54 kms… e assim foi. Perdemos a motivação e só caminhamos. Que cena é esta de ser novamente 4kms depois o abastecimento?! O que vale é que vou comer e isso acalma-me os azedumes. 


Estava frio e vazio o local do abastecimento. Olho para a mesa e não vejo nada de diferente no abastecimento… e fiquei indignada. Não consegui disfarçar o desalento de chegar ali, 4kms depois do esperado e não ter nada quente para tomar… 

Valeu-nos o Super Carlitos que sabe melhor que ninguém o que se sente nestas alturas… e pumbas sacou de uma sandes de presunto e queijo para cada um de nós. Estava um pouco inquieto com a barreira horária, mas eu tinha de saborear aquele manjar dos Deuses preparado por ele. Rapidamente chegaram os outros dois rapazes e um deles arrancou rápido por sentir frio. Chegou ainda a Cátia de Lisboa que também ficou desapontada com o abastecimento e a falta de informação. Não tínhamos ideia para o que lutar e o que teríamos de gerir. O corte é às 19h e segundo o mapa aos 64km. Tínhamos menos de 2h para lá chegar. Apertado? Sim…  mas o pior é que não sabíamos se seria aos 64kms ou ao 67/68 por estarem sempre a alargar  para mais 4 kms desde o meio da prova. 

Carlos tratou de nós. Pedimos desculpa ao rapaz do abastecimento, que no fim de contas, foi saco de encher, mas não tinha qualquer responsabilidade. 
Já íamos partir e faltava a foto. Por segundos lembramo-nos de festejar o feito de ambos, eu e o Pedro tínhamos superado a nossa maior distância em prova e tiramos a foto da celebração. Beijinho ao maridão, e arrancamos. 

Mas saio apreensiva… hummm será que vou conseguir?
O comboio arrancou com 4 desta vez!.
Subimos a caminhar e a conversar entre todos. Estávamos um pouco melhor, mas todos com muitas dúvidas quanto ao tempo de corte… 
Chegamos a uma aldeia catita, casas em pedra, tudo muito rustico e rural, galinhas à solta, palha por todo o lado, forno comunitário, vacas e mais galinhas… as ruas começam a descer e foi automático, começamos todos a correr meio incrédulos do ritmo a que seguíamos quando achávamos que não poderíamos correr mais. Tínhamos 55kms e queríamos tentar chegar ao corte a tempo…  era quase impossível, mas vamos tentar. Foi unanime entre todos que queríamos continuar a correr enquanto desse. Chegamos a um pico, por volta dos 58,50 onde a descida se torna mais chata para mim, descer em pedra… não era muito técnica, mas a destreza já era pouca  o joelho e os pés já estavam muito massacrados. 
Fui controlando o ritmo, estávamos a fazer, ainda assim, uma recuperação incrível mas ainda na casa dos 12 e pouco. Vinha tudo à cabeça. Nesta fase, sei que passamos zonas bonitas, cortes de água, campos de milho e afins, mas pouco tenho registado por estar tão empenhada em chegar aos 64kms antes das 19h.
O tempo passava e os kms pareciam ter desacelerado em relação ao tempo. O relógio acusava pouca bateria e nós todos na luta. A luz estava linda mas não poderia parar agora e afinal até estava orgulhosa do facto de estar na luta naquela altura da prova… 

Estamos com 60 kms pessoal!!”… o rapaz que não cheguei a perguntar o nome acelerou mais um pouco e distanciou-se na sua luta. Estava determinado. Nós também… mas não tínhamos tanta forma de pernas. A Cátia sentia-se bem fisicamente, mas estava bastante rezingas  sobre a organização… e o Pedro e eu, seguíamos os passos um do outro… mas sabíamos que não esperaríamos um pelo outro se tivesse de ser… sobe um pouco e eu aguento a subida em pequenas tentativas de ir mantendo o objetivo. Faço contas e acredito que consigo chegar aos 64kms mesmo em cima da hora e por isso, faço das tripas coração e mantenho-me na luta. Deixo-os para trás, sinto a luz do fim de tarde a bater e vou indo…
Controlo de minuto a minuto e chega o km 64 e nada… mesmo nada… continuava ser trilho sem qualquer vestígio de chegar abastecimento. 
Caio no desânimo, pois percebo que o local  da barreira também  deslocou 4kms à frente… “Já fui!” Dou os parabéns a mim mesma… afinal consegui chegar ao que me tinha proposto e que era a informação dada pela organização até hoje. Se mudaram as regras a meio jogo, não fui eu que não consegui… tiro o telefone e ligo ao meu Carlitos. São agora 19h e eu cheguei aos 64kms há 3 minutos e não está aqui ninguém… a minha prova terminou! “ Anda, estou a 4kms à tua espera…” 
Enquanto arrumo telefone e tiro uma barrita, chegam o Pedro e a Cátia e vamos seguindo a caminhar. O pedro está todo roto. A Cátia refere sentir-se bem, mas não está preparada para desistir da prova e vai contestando a organização enquanto caminha. Um amigo do Pedro tinha ligado e informado que a prova não teria 73 kms mas sim 81 kms … 
O trilho é feito a caminhar desde então, vinha a arrumar as ideias e estava de bem comigo enquanto a Cátia falava e confesso que em parte não a ouvi…
Chegar aos 68 kms é terminar a prova, afinal foi nessa distância que inicialmente me inscrevi… e isso ia-me dando paz, pois sabia que não tinha pernas e acima de tudo cabeça para fazer o que faltava com a noite a aproximar-se. Nestas reflexões deixo o Pedro para trás… um colega da prova que passou disse que ele se tinha sentado um bocado a descansar e disse estar bem. Ponderei voltar a trás, mas tínhamos um acordo e continuei descansada. Dali a 2kms aparece o Carlos com um senhor… o meu relógio já tinha apagado, mas o da Cátia marcava 68 .
Fomos partilhando o descontentamento com a organização e lá chegamos a Covelas. Apenas algumas pessoas por ali, que esperavam pelos seus. 

Acabou por chegar o Pedro com o relógio a marcar 70kms. Tive ali a certeza que tinha superado as minhas expectativas e fiquei contente por mim e também pelo Pedro e a distância alcançada.

Percebi nas conversas partilhadas entre mim e o Pedro da importância que é ter uma equipa onde nos sentimos em família. O quanto nos motiva e o quanto igualmente nos desafia. Não estávamos juntos, mas sabia que os tinha a torcer por nós e foi muito bom encontrá-los reunidos em Cinfães a juntar os retalhos da aventura de cada um. Parabéns a cada um deles que se aventurou nesta prova, mas um Parabéns especial à Raquel que também completou a sua distância mais longa em Trail e arrecadou mais um pódio.
Foi uma excelente surpresa saber do apoio da família Calense que torceram por mim o tempo todo e foi uma super surpresa ver ali o Flávio e a Teresa que trocaram o sofá domingueiro por um final de tarde a apoiar a chegada dos seus conhecidos e que ainda ficaram para uma mini de celebração no fim.
Muito grata a todas as pessoas que através do Carlos foram dando força e apoio e demonstraram o carinho que tem por nós.
Importantíssima foi sem dúvida a companhia do Pedro Domingues. Dois desconhecidos que passaram a ser amigos pelas cerca de 12h que passaram nos trilhos. Foi um prazer partilhar o caminho e sem dúvida que nos encontraremos por outros trilhos. Muito muito obrigada pela simpatia, boa disposição que amainou a dureza da prova. Este foi um dos ganhos deste dia!
E não podia ser melhor o apoio do meu Perneta. Foi uma prova de fogo ficar de fora! Não imagino bem o que possas ter vivido ao longo de tanta hora à espera, mas estou super mega híper feliz por te ter ali a cada chegada, por todo o carinho, por todo o incentivo, pelas fotos (já que a prova longa não teve direito a fotografo), pela dedicação e acima de tudo por acreditares ainda mais que eu chegaria até ali! Não há palavras que cheguem para ti!
Quanto à organização… as observações espero que sirvam para alguma coisa… Foi uma desilusão, por se tratar de uma prova com várias edições, a margem para determinadas falhas é sem dúvida menor. 
A prova é muito bonita mas fica completamente comprometida com a falta de presença da organização. Sabiam, como é óbvio, há muito que a prova não tinha 73 mas muitos mais kms e preferiram arriscar que remediar… 
Felizmente o clima foi muito favorável, se não, tenho a certeza que muitos atletas teriam passado muito muito mal com o adiamento de 4kms nos abastecimentos.  
Não há nenhuma explicação plausível que me ocorra para o facto de não servirem algo quente no abastecimento da porta de Montemuro, depois de uma etapa tão longa e dura. 
E a meu ver, o mais grave de tudo, é a falta de informação ao longo da prova, pois não sabíamos o que nos esperava e como gerir… e a falta de representação da organização nos PA.
Fico com contas por ajustar… mas não com a serra e muito menos comigo! Afinal cheguei lá!         

E ganhei um super empeno! ;)