quarta-feira

Last Man Standing - ainda demorei um bocadinho a cair



Gosto de provas diferentes que envolvam corrida. Há uns anitos adorei a Wings for Life em que eramos perseguidos por um carro meta. Adorei as várias participações que tive nas míticas e para já extintas 24 horas de Portugal ou nos 100km de Lousada, em que tínhamos que andar às voltas de 2km num parque. Gosto de provas de resistência pois envolvem estratégia, gestão de esforço e a experiência tem algum peso. Gosto de provas em que possas competir e confraternizar com os outros participantes durante toda a prova, sejam aqueles que normalmente só vês na partida e que lutam pelos lugares cimeiros seja aqueles menos rápidos.

Por isto tudo quando há uns poucos meses vi anunciar o Last Man Standing fiquei logo em pulgas para participar. Mas havia um problema … estava a recuperar da lesão e não me sentia confortável nem confiante ainda para arriscar uma participação. As vagas eram limitadas a 100 participantes, inscrever-me e depois não ir ou ir sem estar em condições físicas mínimas seria estúpido. Paciência!!! Fica para uma próxima.

Acontece que desde há 2 semanas me comecei a sentir melhor, continuava nas minhas corridas curtas, a fazer reforço e alongamentos, mas o durante e especialmente o pós-treino deixava aquele desconforto na perna esquerda cada vez mais longe … um dia fui espreitar a página deles, vi que ainda havia inscrições e foi por impulso!! Estava inscrito com a Pikinita J

Sabia que era um circuito em trail de ca.4km, sabia que seria disputado numa espécie de séries … davam-nos um determinado tempo e a cada volta tiravam um minuto a esse tempo. Começava em 35min para a primeira volta … o último homem (ou mulher) a ficar em pé ganhava este desafio J



Fui acompanhando as postagens na página e vi que cada volta tinha ca.140m D+. Nas últimas semanas era só gente conhecida a ir experimentar o percurso. Não me preocupei muito com isso – para mim ia ser um treino longo, o primeiro “oficial” rumo à Pt281. A 3 dias do evento ainda desencaminhei o meu companheiro de aventuras, o gajo que diz que distâncias longas não são para ele, o Nuno Lima que aceitou o desafio – temos que começar a habituar-nos um ao outro durante horas e horas – não vai ser fácil para mim – já para ele vai ser uma alegria (ou não) J

E no sábado à noite, sentado na sanita (estes pormenores são importantes J), saquei o telemóvel e estive a calcular os ritmos mínimos que precisava fazer para cumprir cada volta … parei aos 80km … é preciso estar preparado J … assim de repente achei que 44km poderiam ser possíveis para mim, mesmo sabendo que não estava minimamente preparado para algo deste género – mas conheço-me, pode não parecer, mas até tenho um bocadito de garra e alguma experiência adquirida nestes anitos em que ando por aí a corrinhar pelos montes e estradas.



Domingo levantei-me cedo para preparar os meus próprios abastecimentos, quer dizer, os meus e os do Lima … ou se treina para a Pt281 ou não se treina J

sou mais que um pai para ele … 

close up

a pensar em perder esta barriga ...

devidamente acondicionado ...


Pouco depois, por volta das 8h lá estava eu no Parque de Lazer de Lourosa (sim, fui a Lourosa e fui bem recebido – espero que a malta de Fiães e Lamas não leia isto) com o velhadas do Lima a bater o dente de frio (estavam 4 ºC) … a Pikinita tinha ficado na cama por precaução … tem um problemazito que não é grave mas que aconselhava a não entrar nestas brincadeiras mais durinhas neste fim de semana. Levantamos dorsal e começou o habitual neste tipo de provas … muita gente conhecida, brincadeira, provocações, etc, etc… eu avisei logo a malta da lap2go que iria ficar ali até pelo menos às 23h, que tinha trazido frontal e tudo, que avisassem em casa que não iam jantar J




ufaaa … foi por pouco


Não tardou e lá estavam quase uma centena de atletas a arrancar para a primeira volta com 35 minutos para o fazer – é muito tempo para 4 km não é? Dá para fazer a quase 9min/km … uma caminhada vigorosa, certo? 

Errado … mesmo na brincadeira e ficando completamente para trás a caminhar (o pelotão arrancou todo a correr, talvez por “vergonha” de caminhar logo de inicio) estive muito atento ao percurso … onde sobe, onde desce, aos tipos de piso, onde consigo correr, onde posso ganhar algum tempo, onde afunila, etc, etc … tudo informações importantes para gerir a prova mais lá para a frente.


Na 2ª metade da primeira volta vi logo que para eu fazer uma Maratona (ca.11 voltas J) iria ser muito complicado. Os 150m D+ por volta estavam praticamente em duas subidas, ambas na segunda metade que incluía também uma descida acentuada que sabia iria massacrar os posteriores das coxas – a malta normalmente só vê as subidas. Previ umas 4 ou 5 voltas tranquilas e depois é que iam ser elas – não me enganei.

Os dois velhinhos terminaram a primeira volta em 32,36min, tranquilos … ainda deu para beber um copito de água e já estava na hora de voltar a arrancar. Para quem não esteve presente … a volta seguinte começava imediatamente quando acabava o tempo limite da volta anterior, com menos 1 minuto. Ou seja, entre a chegada e a partida havia a zona de descanso e abastecimento, onde a malta usava o tempo que sobrava da volta anterior para fazer o que bem quisesse … quando nos chamavam para a próxima volta tínhamos que partir de imediato, todos juntos novamente.



Tal como previ as primeiras voltas foram tranquilas, caminhamos nas subidas, corremos a trote nos planos e nas descidas, brincamos, provocamos … aproveitamos enquanto deu para andar assim, sem grandes stresses. Fomos sempre os últimos ou dos últimos a chegar, o que dava pouco tempo para descanso ou abastecer – não queríamos estar ali muito tempo parados, estava muito frio.



 

2ª volta – 32,20min

3ª volta – 30,19min

A partir da 4ª volta (32min de limite) já largamos os impermeáveis que nos tinham mantido quentes e começamos a correr um pouco mais para ter um bocadinho de mais tempo para abastecer – os km começavam a acumular e era preciso não descurar o beber e comer.




4ª volta – 28,43min

5ª volta – 28,23min

A brincar a brincar já estávamos perto das 2 dezenas de km – já começava a sentir as pernas a pesar um bocadinho o que é perfeitamente normal – não há milagres quando não se treina. Mas estava super satisfeito por não sentir nada de nada da lesão. Também já se notava o pelotão a reduzir – já havia pessoas a ficar pelo caminho, a não conseguir cumprir as voltas no tempo limite e a partir daqui de volta para volta era vê-los a cair – a prova estava a começar mais a sério. Na minha cabeça tinha reestabelecido o objectivo … agora eram 36km (9 voltas) e já seria muito bom.


Na 6ª volta, a meio deixei o Nuno Lima para trás … estava na hora de comer algo mais consistente, apetecia uma das minhas sandochas e beber uma cervejita … tinha entregue a lancheira ao Flávio que tinha aparecido por ali para apoiar a malta e pedido que tirasse uma sandes e uma mini para cada um para a próxima paragem … cada 10 segundos que se pudesse ganhar eram valiosos … e fui à frente para ajudar a preparar a coisa. O Nuno chegou pouco mais de um minuto depois de mim e já tinha a sandes e a preta prontinhas para ser devoradas … tínhamos menos de 3 min e não conseguimos … ainda a sandes ia a meio e já nos estavam a chamar para a volta nr.7. A verdade é que a meia sandes e a mini me deixaram de estômago bem mais aconchegado J

6ª volta – 26,52min


“Não sei como conseguem beber cerveja nas corridas?” … “muito treino meu amigo, muito treino” J A verdade é que fiquei melhor … foi a dose certa, um cafezinho e tinha sido perfeito.

Nesta volta voltei a fugir ao Nuno Lima … estava com vontade de mudar as águas às azeitonas e queria ganhar algum tempo para o fazer mais perto da chegada e não correr riscos – como podem ver nesta altura já se geria tudo. O xixizinho aconteceu a uns 600m da meta … demasiado escuro este xixi … má hidratação … despachei-me até à meta para pegar em 2 garrafas de água 0,33 e 2 saquinhos de Doralyte … consegui fazer a minha mistura, já não o consegui fazer para o Lima … entreguei-lhe assim, garrafa e pózinho … ele que misture por caminho J … tb levei a minha garrafita na mão para ir bebendo e nunca mais a larguei.


7ª volta – 26,52min

Notei o Nuno mais cansado … ele tem uma resistência do caraças mas não consegue imprimir ritmos mais altos quando é preciso … e a partir daqui já precisavas de impor algum ritmo para conseguir cumprir os tempos. Fui à minha vida, cada um tinha que gerir o melhor possível … e eu fiz a minha 2ª volta mais rápida de toda a prova o que me permitiu o luxo supremo de quase 3 minutos de paragem para a próxima volta …

8ª volta – 25,17min

Já estava bastante cansado das pernas, sentia que a qualquer momento poderia levar a marretada … afinal já estava com mais de 30km nas pernas … a Sandra do SCE que estava a gerir um tasquinho perguntou-me se queria alguma coisa … “um café, prepara-me um cafezinho para quando eu chegar na próxima volta” … olhava para a zona da chegada e não havia forma de deslumbrar o Lima no horizonte … quando nos chamaram para a próxima volta tive a certeza … para ele acabou ali … bem bom.


Parti para mais uma volta, convicto que conseguiria completar no tempo limite e assim chegar aos 36km – tinha 27 minutos para o fazer. O pelotão já estava reduzido a menos de 1/3 do que começou … normal … nesta volta juntei-me com o André Oliveira, um gajo que conheci juntamente com os outros 500 irmãos dele no Trail Rosa do Adro … um gajo que vai buscar as suas forças à religião e o exprime em forma de cantorias (“Paiiiii Nosssooooo…” … foda-se, aquela merda fica-nos a tilintar no cérebro durante dias J) … mas foi uma bela ajuda nesta volta porque na cavaqueira a distância foi-se fazendo … tentei falar muito com ele e assim evitar que cantasse … consegui J … mais para o fim tive que acelerar o passo para não ficar de fora … cheguei com pouco mais de 1 min de folga que só deu mesmo para voltar a encher a garrafita de água e meter um bocado de banana no bucho antes de ser chamado para nova volta …

9ª volta – 25,37min

Era giro fazer 40km … para as voltas contar era preciso chegar a tempo. Voltas acabadas fora do tempo limite não contavam para a classificação. Tinha as pernas mesmo muito massacradas, a marreta estava a baloiçar sobre a cabeça … era uma questão de tempo mas ia dar tudo o que tinha, eu sabia que era a última volta que poderia completar … tinha 26 minutos. 

E consegui … foi uma volta feita em modo sozinho … grande parte do pelotão fugiu … um, ou dois, ou três ficaram para trás. Corri a subir, em plano e a descer tentava acelerar o passo … primeira metade é mais fácil … mas o “segredo” estava na 2ª parte … tentei e consegui correr um bocadinho na primeira das duas grandes subidas … nem sei se foi bom porque fiquei sem força nas pernas … quando ficou mais plano comecei a correr … nem imaginam o esforço mas a coisa foi … a descida mais acentuada foi um massacre porque como sempre, eu travo a descer … mais uns planos e umas descidas onde deixo o corpo ir … o meu cuidado era onde pisar, porque com o cansaço o discernimento vai à vida e uma queda ou entorse era a última coisa que eu queria agora … última subida, esta feita a caminhar com o vigor possível, a meio sei que faltam 1000m … tenho pouco mais de 6min 

Quando chego cá acima, a coisa fica plana e encontro o estradão em terra largo-me em modo supersónico (nesta fase baixar os 5min/km é supersónico) … “2,30min para começar a próxima volta” ecoa dos altifalantes da zona de chegada que já se ouvem … vou conseguir … já me dói tudo, aquela espécie de saibro que temos que percorrer antes de entrar no parque é lixado … o pé foge para trás … entro no parque e completo a 10ª volta a correr já bem dentro do último minuto … vou directo ao bidão da água e encho novamente a minha garrafinha. Não tenho tempo para mais … sei que não tenho qualquer hipótese de acabar a próxima volta mas vou na mesma … sigaaa …

10ª volta – 25,05min (foi a mais rápida de todas)

Ainda corro dentro do Parque … sou o último … conto o pelotão que vai à minha frente .. 17 ou 18 … mal saímos do parque a coisa sobe e eu começo a caminhar … as pernas estão desfeitas, não posso com uma gata pelo rabo … mas vou acabar esta nem que demore uma hora … não conta para a classificação mas conta para mim … vou fazer uma Ultra, vou fazer 11 voltas, vou obrigar o meu corpo a sofrer mais um bocadinho porque em Julho também vou ter que sofrer … vim treinar para a Pt281 ou não caralho? J

Não faço a mínima ideia quanto tempo demorei nesta 11ª volta, talvez uns 40min … sei que ainda corri uns bocadinhos, obriguei-me a isso … falei com a Pikinita que não tinha noticias minhas desde que saí de casa, espreitei as redes sociais e curti o passeio na medida do possível … estava de coração cheio a aproveitar o meu momento. Tinha-me superado, até surpreendido de alguma forma … o melhor de tudo, aquele empeno “bom” nas pernas que nada tem a ver com a merda da lesão que não me deixou correr no último meio ano – dessa nem sinal. Acho que esta foi a prova dos nove … 43km em 5h43, quase 3200 D acumulado devem chegar para atestar isso, pelo menos espero que sim.


Olhem a alimetria da coisa ...

o electrocardiograma dos ritmos

Oficialmente fiz 10 voltas dentro dos limites de tempo impostos e deu para um 22º lugar na geral entre 89 que participaram.

Ainda fiquei a assistir a mais umas voltas e foi emocionante ver a luta daqueles 7 ou 8 campeões que ficaram para o fim. Infelizmente tive que me vir embora porque estava a ficar com muito frio - só não assisti à última volta, mas vi a chegada em vídeo - que maquinas os 4 que conseguiram fazer 15 voltas completas … até o final deste primeiro Last Man Standing foi épico.

Adorei o evento … comprovou-se que este evento é à minha medida. A organização esteve impecável, não falhou em nada o que não me surpreende pois trata-se de gente com muita experiência, não só em organizar eventos desportivos mas essencialmente porque também correm e sabem o que a malta gosta – parabéns Ivan & Co. – a ideia é excelente e o colocar em prática tb foi excelente.

Obrigado aos meus companheiros de luta, isto só tem a piada que tem, muito pelo ambiente que se cria dentro do pelotão. Eu pela malta que ia participar já sabia que ia ser divertido … mesmo sendo competitivo houve muito espirito de entre ajuda. Pétaculo!!!

Obrigado aos meus amigos que apareceram para nos ver e dar aquele bocadinho de apoio que parece que não, mas faz toda a diferença. Flávio, Teresa, Zé, Ana, Isabel, Bruno, Samanta, Rei Renato entre outros – estão cá dentro J

Obrigado Sandra pelos cafezinhos e desculpa pelos outros cafezinhos tirados e que o Albuquerque teve que beber para não deitar fora. Eu bem queria, mas os gajos da organização não me deixaram parar nas últimas voltas J

Obrigado velhinho Nuno Lima, este foi o tiro de partida oficial para uns meses de preparação que se esperam durinhos mas também divertidos, para que em finais de Julho embarquemos naquela aventura enorme minimamente preparados. A maior aventura de todas para dois marretas como nós J


NOTAS:
Desde a Serra Amarela a 15 de junho de 2019 até domingo passado fiz menos de 800km a correr – os maiores treinos foram:

- 21/8 (18km em trilhos); 26/8 (20km estrada); 1/9 (18km trilhos); 13/10 (18km trilhos); 23/12 (18km trilhos)

Tenho ou não razão em estar orgulhoso da minha prestação J

Ainda demorei um bocadinho a cair … SIGAAAA A CAMIONETA!!!

domingo

Périplo pelas São Silvestres do estrangeiro


„Sabe que o seu passaporte está caducado? Não podemos deixar passar!!!” – o agente fronteiriço Al Mohamed, pele escurecida pelo sol escaldante das planícies do sul, barriga proeminente e bigode que me fez lembrar o Chalana não estava a brincar. Olhar fixo com aquelas pérolas negras brilhantes e profundas, monocelha franzida a raspar a unha do dedo grande do pé esquerdo no asfalto … estava tramado …

Vi a minha vida a andar para trás. Ali estava eu com a Pikinita, na fronteira em Leiria no passado sábado de manhã vindo do norte. O carro carregado para ir passar um fim-de-semana prolongado à Amadora a casa dos sogros.

Uns dias antes tinha andado a fazer o resumo do ano desportivo e chegado à conclusão que em 2019 ainda não tinha feito qualquer prova no estrangeiro – não podia ser!!! Para manter a media teríamos que fazer 3 provas em 4 dias – Lisboa e arredores, vai ter que ser.

“Mas senhor Agente Al Mohamed, só caducou há meia dúzia de anos. E se olhar bem para a foto até que estou quase igual, com menos 20kgs, já não tenho cabelo comprido lambido de gel e puxado para trás, não tenho 3 queixos mas contínuo parvo na mesma … além disso tenho os sogrinhos à minha espera e seria uma chatice eles terem que comer o camarão todo sozinhos na passagem de ano … além disso tenho ali aqueles 5 garrafões de verde tinto de Castelo de Paiva que estou a pensar em deixar aqui, porque o carro vai um bocado pró pesado … então, que me diz?”

“Por quem me toma? Está a tentar subornar-me?”

Pronto … fodi o resto … já me estava a ver enclausurado numa masmorra, a dividir um espaço de 5m2 com mais 20 engraçadinhos e como sou um bocado para o tenrinho e banana, desconfio que nunca mais seria o mesmo … ia sair de lá a falar fininho … o pior era mesmo se ficasse a gostar … olha que se calhar … quando a minha mente perversa já me estava a imaginar como seria, o Al Mohamed arrancou-me do sonho … ufa…

“você não é o presidente dos Pernetas??? O Mor??? … é páh … adoro a vossa página e a vossa malta … quem diria … a sério?? Nem acredito nisto …“

35 selfies e uma dúzia de autógrafos depois lá seguimos viagem … mas não sem antes descarregar os garrafões do verde tinto e dele me ter dado o nr. telefone dele para dar à loira boazona … nem vos conto o que o gajo me disse que lhe fazia se ela deixasse …

Chegados a Lisboa, só tivemos tempo de levantar os dorsais da São Silvestre dos Olivais, depois da São Silvestre de Lisboa e seguir para Amadora City para nos instalarmos em casa dos sogrinhos que já nos esperavam com um belo de almoço. Não tivemos muito tempo … estava na hora de voltar a Lisboa, a primeira das 3 São Silvestres começava já às 19h.

São Silvestre de Lisboa, sábado 28/12, 17.30 horas


Mais de 60??? … fiquei descansado, ainda pensei que se referissem à idade

Fonix … era o que havia de faltar … CAL até morrer

Incrível como entre 12.000 pessoas inscritas consegues encontrar a dúzia de pessoas que conheces de antemão – Fumo, Dina e Maria Jasmin (que ficamos a conhecer), Isa, Vitor, João Lima, Inês e Rui, Rita e Paulo, o Luis Lobo e os seus afilhados alentejanos, a Alice Vilaça entre mais alguns … assim sem combinar, uns de cada vez no meio daquela azáfama toda.

Ambiente extraordinário, local de partida emblemático e o tempo embora fresco a ajudar. Perfeito!!! Único problema que não era bem um problema … não tínhamos dado os nossos tempos aos 10km à organização – atribuíram-nos a box de partida dos Mais 60 … a última leva de 3 partidas. Adivinhava-se uma confusão danada e concretizou-se o que não foi grave pois não havia nenhum objectivo de tempo em especial J

Quando finalmente se deu o tiro de partida para o nosso grupo aconteceu o que já esperava … impossível correr. Lá fomos a trote e demoramos quase 7min para fazer o primeiro km … a atenção ia para não nos perdermos um do outro … até aos 4km a coisa melhorou um pouco mas não muito. Conseguimos aumentar o ritmo a custo de muito esforço, de pára e arranca, de zigue-zagues constantes.

Entre o km 4 e o 7 conseguimos finalmente correr mais a sério e fizemos todos os km na casa dos 4,30-4,40m/km … chegados novamente à zona da Praça do Comércia e ao virar novamente para o Rossio as estradas estreitam, o povo aglomera e os ritmos baixam novamente. Não é mau, é da forma que a gente respira um bocadinho para atacar a subida da Avenida da Liberdade e depois a descida para a meta. Nesta prova fui a acompanhar a Pikinita que na subida acusou um bocadinho o esforço para recuperar algum tempo … a meio da prova decidimos que baixar os 50m ainda seria possível.

E não foi por muito pouco … o último km foi feito em 4,13 e a Pikinita foi às lonas para o conseguir … o tempo de chip deu 51,21, mas a distância percorrida foi de quase 10,2km. 


não foi nada mau ...


Gostei muito da prova, tudo muito bem organizado, desde o levantamento dos dorsais, o bengaleiro, o percurso, o ambiente criado, a medalha lindíssima, a camisola de manga comprida da New Balance de excelente qualidade e do saco com ofertas no fim. Valeu muito a pena e será uma prova a repetir caso volta a estar pelo estrangeiro por esta altura J

Menos bom apenas para certas pessoas que vão fazer caminhadas, levam crianças, carrinhos de bebé, etc e tal para uma corrida. Nada tenho contra, mas por amor de Deus, por vocês e pelos outros … coloquem-se no fim do pelotão e não no meio. Será que não se apercebem do perigo?

Ainda houve tempo de ir comer uma natinha e beber uma ginjinha a convite da Inês e do Rui … obrigado J e jantei com a Pikinita pela baixa enquanto o povo desmobilizava. No dia seguinte iria haver mais…

São Silvestre dos Olivais, domingo 29/12, 18 horas

verdades repostas

Ainda não tinham passado 24 horas e já estávamos novamente equipados, uns poucos km mais a leste do dia anterior, nos Olivais para mais uma clássica São Silvestre. Esta completamente diferente da do dia anterior … organização mais caseirinha, zona menos turística, bastante menos gente, mesmo assim acima do milhar. Foi fácil de estacionar … as pernas pesavam um bocadinho, a falta de treinos a fazer-se sentir. Um pequeno aquecimento confirmou as pernas pesadas … na viagem para os Olivais tínhamos decidido que hoje seria cada um por si … eu queria fazer uma de prego a fundo e a Pikinita não estava com grande vontade … perfeito J

Voltamos a ver algumas caras conhecidas, a maior parte do dia anterior. Também vimos a menina que corre e escreve pra caraças, mas que veio apenas assistir … Rute, vê se regressas rápido às corridas e à escrita … o blogosfera corredora sente a tua falta J

E partida … já me tinham avisado que esta era das duras … eu ignorei e meti prego a fundo logo desde inicio … 1km a 8,20min … sim leram bem … devo ter ligado o GPS enquanto ainda estava na box de partida. Isto confundiu-me as contas completamente durante o resto da prova J

Sobe e desce, desce e sobe … as pernas estavam a responder bem, a caixa nem por isso. Senti-a que ia levar com a marreta, só faltava saber quando … passei os 5km ainda com a faca nos dentes e muito perto dos 20min … muito acima das minhas possibilidades actuais … e logo a seguir, numa das duas grandes subidas levei a marretada …

Arrastei-me por ali acima e depois consegui recuperar a seguir, embora já não fosse ao limite pois sabia que aos 7km iriamos ter o Adamastor desta prova … uma subida bem acentuada de mais de 1km … tentei recuperar o melhor possível até lá … tinha o objectivo de ficar no minuto 41 … perdi mais tempo do que pensava … depois de ter vencido a besta ainda levei algum tempo a estabilizar um bocadinho a respiração … ainda havia mais uma rampinha antes da grande descida até à meta e ali foi a acelerar o máximo possível sem me desfazer em 1000 peças … fiz 3,30min no último km e acabei com 42,36min, mas mais uma vez com 10,2km .. fiquei mesmo satisfeito com a minha prestação.




A Pikinita entusiasmou-se também, diz ter passado aos 5km com 23min, que se vinha a sentir bem até que teve uns “apertos” que a fizeram olhar com carinho para uns arbustos pelo caminho e até a obrigaram a parar J … mesmo assim fez 51,30min e 7 lugar no escalão.

Também gostei muito desta, gosto destas organizações mais enxutas e caseirinhas onde tudo é pensado ao pormenor. Se vier para o ano vou ter que me aplicar a fundo para ganhar um bolo rei – é que eles oferecem um bolo rei a quem conseguir fazer melhor tempo que no ano anterior J




Dia de descanso = dar uma volta pela terriola

No dia seguinte tivemos um dia de descanso de correrias – mas não pensem que se descansou. Aproveitamos para ir visitar Lisboa, fizemos 16km no total a subir e a descer aquelas ruas e ruelas. Destaco o almocinho na Alfama, regado com uma garrafinha de maduro branco do Douro (estaria já com saudade de Portugal?) que bateu forte e nos fez descer à baixa meios zonzos mas bem felizes da vida J













São Silvestre da Amadora, 3ª feira dia 31/12, 18 horas



outra vez arroz???



As expectativas estavam em alta – se à partida tivesse que escolher apenas uma das São Silvestres não havia dúvidas – a escolha seria para esta. São imensos os relatos que consideram esta prova como a de maior apoio popular em Portugal, ainda superior à Corrida das Fogueiras que já corri por 2 vezes e é fantástica. A bitola estava bem lá no alto.

Os pais da Pikinita vivem a 1,5km da zona da partida, junto à estação de metro - tinhamos um cafezinho combinado com amigos depois do almoço perto da recta dos Comandos que fica a quase 2km. Decidimos levar o carro para junto da meta e ir a pé ter com os amigos – ida e volta 4,5km de caminhada.

Seriam ca.das 16h30 quando nos deslocamos para a zona de partida e percorremos a pé alguns troços do percurso que iriamos percorrer daqui a pouco. E a festa já se fazia … as pessoas estavam a sair à rua, posicionando-se nas bermas da estrada todos bem dispostos – eram já às centenas em amena cavaqueira e a aproveitar um desfile de motos e carros antigos que faz parte do programa – a coisa prometia.

Nós íamos fazer a prova juntos, curtir o ambiente, embora tivéssemos aquela vontade de a Dora voltar a baixar os 50min. Não iria ser fácil – além de voltarmos a sair do fim do pelotão nos Mais 60min, o percurso é durinho, de sobe e desce.

Estava frio, andamos pela zona de partida e adiamos o tirar a roupa quente o mais que podemos, assistimos à partida da Elite Feminina que se faz 15 minutos antes do restante pelotão (não sei porquê), vimos novamente gente conhecida e fizemos um pequeno aquecimento antes de entrar na nossa zona de partida. Pouco depois estávamos a arrancar.




Foram ca. 2,5km sempre a subir … perto de 2000 pessoas a participar … no entanto as avenidas largas permitiram entrar no ritmo que se pretendia quase logo de início. Não foi difícil atacar aquela subida porque as pessoas a assistir te “carregam” por ali acima. Tinha duas missões – ajudar a Pikinita e filmar a prova com a Gopro J … a Pikinita mesmo a subir consegui baixar ligeiramente os 5min/km .. um pouco antes da primeira viragem passamos em frente à casa dos sogros … e ali estavam eles no meio da multidão que continuava bem divertida … pétaculo.

Viragem onde vi o Zémi e toca a descer 1,5km … aumentamos um pouco o ritmo para ganhar alguns segundos a descer. Notei a Pikinita bastante ofegante … um pouco mais à frente, entre os 4 e 5km no centro da Amadora ela fraquejou um bocadinho e foi preciso adaptar o ritmo. Valeu a ajuda do muito público, a sério … “Bom Ano” era uma constante … palmas … high-fives … e eu aproveitei J … a Pikinita ia na luta … não demorou muito chegamos à temida subida dos Comandos, além da inclinação brutal para prova de estrada, menos iluminada e com menos público … a Pikinita que até sobe bem teve que andar um bocadinho enquanto hidratava … foi uma coisa de alguns segundos apenas …

Vencida esta subida, sabíamos que ainda faltava uma última rampa com uns 200m … voltou o muito público entusiasta. Faz-se a rampa de forma controlada … e faltava menos de 3km que seriam maioritariamente a descer. A Pikinita só não me deu porrada porque teve que se concentrar a “respirar” J … foram km entre 4,30 e 4,40m/km, sempre com muita gente, até que a pouco mais de 1km o público cria um corredor … fantástico … os últimos 500m não foram fáceis, a Pikinita estava nas lonas … a média dava para ficar nos 48min ou até 47 mas a prova teve mais que os 10km … foi na garra que ela foi buscar umas últimas forças para passar a meta com 49,09min de tempo de chip. Fantástica prestação e prova espectacular.

estou de 4 meses .. e depois???

João, Isa, Pikinita, Perneta gordo e Orlando … olhem as caras felizes ..



Com a bitola tão alta não desiludiu nadinha … tudo como imaginava ou ainda melhor. O melhor de tudo sem dúvida o público – o meu muito obrigado a todos que foram para a rua fazer a festa. Só não volto se não puder – pena ser tão longe.

Montei um filme espectacular sobre esta prova - depois de 3 horas de trabalho e ao tentar gravar não sei o que fiz que não só apaguei o filme como a base de dados com todos os filmes que fiz da SS da Amadora - só me apetecia chorar, a sério, ainda hoje quando penso nisso só me apetece bater em alguém. Enfim.



Depois de uma jantarada daquelas que a gente sabe ainda fomos até à baixa de Lisboa ver o Fogo e os Ornatos Violeta, no fundo queimar os últimos cartuchos no estrangeiro J

No dia seguinte voltamos a Portugal e logo que possível vou tratar de renovar o meu passaporte – adorei as 3 provas e se decidir voltar ao estrangeiro para fazer umas provas tenho que estar preparado – é que o verde tinto de Castelo de Paiva está carote J