quinta-feira

Á conquista do Pilatus - a minha maior aventura de sempre

Fiz um amigo novo...chama-se Pilatus e é suíço, é enooooorme,....das zonas mais baixas até mais ou menos a meio é verde, aliás tem vários tons de verde, é mágico, simpático, convidativo e belo...do meio para cima nesta altura é cinzento, duro, bruto, agressivo e mete respeito (leia-se medo), mas ao mesmo tempo toda essa rudeza é de uma beleza impar que eu não consigo transmitir por palavras. Aliás toda a aventura que eu vivi para "conquistar" o Pilatus foi tão fantástica que me parece um sonho bom. 

É nestas alturas que eu gostaria de ter o dom da escrita de alguns colegas bloggers de corrida que sigo, para encontrar as palavras certas e poder fazer uma descrição merecedora do que vivi. A minha "sorte" é que tenho montes de fotos espectaculares que vou deixar "falar" por mim...

Apresento-vos o meu amigo "Pilatus"...venham comigo numa viagem pelos seus espectaculares trilhos...



Vou dividir a aventura em 4 etapas, todas lindas, todas diferentes...



O Pilatus é a principal montanha de Luzern, rodeada por diversos lagos situa-se bem no coração da suiça central. O ponto mais alto está 2132m acima do nível do mar. Num acesso de loucura decidi-me a conquistar o "bicho...a minha ideia era subi-lo por um lado, saindo de uma localidade chamada Kriens (1 + 2), e depois descendo pelo outro lado até uma aldeola chamada Alpnachstad (4)...existem vários caminhos pré-definidos e eu decidi-me pelos acima marcados totalmente à sorte...havia uma classificação e 4 níveis para cada um deles, para definir a dificuldade...(1 e 3 eram de nível 3 - difícil e o 2 tinha a classificação 4, máxima dificuldade). Não havia indicações de distância, apenas uma estimativa em horas para fazer cada um deles. Não tenho a mínima experiência nestas coisas, no papel é fácil desenhar ali umas linhas no papel, mas como iria ser no terreno? Não fazia a mínima ideia, mas o facto de ir à descoberta de um mundo novo para mim era um bónus de adrenalina. E iria ter a companhia do Marco...ele não iria fazer o percurso todo a pé...iria em grande parte de teleférico, mas era bom saber que iria lá estar alguém que sabia que eu iria andar por ali...preparei um mochila com o que achava ser essencial e tava pronto para a aventura....

ETAPA 1 - de Kriens até Fräkmuntegg ou "o Passeio"


7,21km com 934m D+ e 43m D- ...demorei 1h38min o que dá 4,4km/h.

Tenho que referir que estavam 32ºC cá em baixo, quase sem vento..um bafo. Esta etapa fi-la sozinho (o Marco foi de teleférico)..saindo de Kriens, começa logo a subir, primeiro por entre as últimas casas, depois penetrando na floresta por caminhos florestais, um ou outro single-track, raízes, escadarias e estradas em  cascalho...um ou outro caminheiro a subir, bem mais em sentido contrário a descer (inclusivamente alguns trail runners)...muito tempo completamente sozinho, por companhia apenas o chilrear feliz dos pássaros....a única grande dificuldade, além do calor, foi a inclinação constante...correr? Só ao inicio, mas rapidamente comecei a caminhar a ritmo forte, caso contrário iria desgastar-me em demasia. Posso considerar esta etapa como "o passeio"....














Chegado a Fräkmuntegg encontrei-me com o Marco - meia subida feita. Sentia-me impecável. Muita gente por aqui, muito turista, muitas famílias em passeio. Esta zona é mais ou menos no limite entre o verde e o cinza do Pilatus. Aqui temos 2 restaurantes, um parque Aventura com escalada, e uma pista de trenó de verão, uma cadeira de plástico com rodas e com um travão que se manda numa meia cana metálica pela montanha abaixo durante 1350m - por 8 CHF (ca.6 €) fizemos uma viagem que valeu a pena pela experiência...depois estava na hora do primeiro abastecimento, e nada melhor que uma salsicha grelhada com uma salada de batata para recuperar forças :)...estive por ali 1 hora certinha.







ETAPA 2 - de Fräkmuntegg ao cume do Pilatus - "Um Sonho"

4,33km com 792m D+ e 151m D- ...demorei 2h11min o que dá 2km/h (já vão ver porquê!!!).

Havia dois caminhos oficiais para "atacar" esta etapa. Perguntamos a 3 empregados diferentes da empresa que "gere" o Pilatus. Surpreendentemente nenhum nos quis dizer qual o melhor caminho...achamos estranho eles nos dizerem que "não sabiam"...hmmm? Após muita insistência, um fulano lá nos disse, que os caminhos ainda não estavam abertos oficialmente, que ainda não estavam concluídos os trabalhos de manutenção dos trilhos, e que se seguíssemos viagem seria por nossa conta e risco. O quê??? Não tinha vindo até ali para desistir...o Marco decidiu fazer esta etapa comigo...siga, decidimos por um dos caminhos (todos estão marcados de forma impecável...perder-se é quase impossível). O inicio é por uma floresta a descer, depois atravessamos uns campos e começa o que foi uma aventura que nem nos meus melhores sonhos...inclinações impossíveis, quase tudo em single-tracks muito técnicos, muita pedra, muita escalada, precipícios, neve, zonas muito perigosas...vertigens, frio na espinha, concentração, medo, atenção máxima mas também coragem para seguir em frente...emoções ao rubro com a beleza das paisagens que nos eram dadas..."Um Sonho"...


























Aqui convergiam os dois caminhos possíveis para chegar ao cume...pelo nosso foram muito poucos os que se aventuraram...a maioria veio pelo outro, supostamente mais simples..."o mais difícil é para os mais capazes" :D















CHEGAMOS AO CUME...2132m...nunca estive num sitio tão alto com os pés  assentes no chão :)



Grande Marco...com pouca preparação, não fazia a mínima ideia no que se estava a meter (nem eu), aguentou-se, sofreu a bem sofrer mas chegou lá acima...tb não tinha outro remédio...acho que voltar para trás teria seria bem pior :)...o prémio foram estas paisagens espectaculares...





ETAPA 3 - Pilatus - "Conquista dos 3 cumes"


Lá em cima existe um Hotel e dois restaurantes. Não é possível chegar ali de carro, apenas a pé, ou então usando os teleféricos ou ainda o comboio (onde a linha chega a ter inclinações de 48%). Muito turista (Asiáticos a dar com pau, muitas famílias a aproveitar o bom tempo)...já não tinha água, pelo que tive de comprar água ao preço de uma boa garrafa de vinho (fonix...1ltr quase 8 €) e concedi-me o supremo luxo...um gelado de gelo que me soube pela vida....fisicamente estava muito bem, algum cansaço mas nada de exagerado. O Pilatus tem 3 cumes...o Esel, Oberhaupt e Tomlishorn..estando ali, tinha que subir a todos...era obrigatório e valeu muito a pena...senti-me pequeno perante a imponência de tanta beleza, com um não raro frio na espinha e uma lágrima no olho...e os Alpes ali de frente....

  

















ETAPA 4 - Descer para Alpnachstad - "O empeno"

8,91km com 36m D+ e 1614m D- ...demorei 1h52min o que dá 7km/h 

Estava na hora de descer, agora pelo outro lado da montanha...o Marco decidiu descer de comboio e eu lá segui sozinho...quase sempre em single-tracks, muito variados, pedra, cascalho, terra, raízes...nem sempre deu para correr, mas quase sempre...lento, porque a inclinação era muita...e aqui "empenei"...o cansaço começou a aparecer, e os músculos das coxas começaram a latir de tanto travar...tive que racionar a água, e cheguei finalmente cá abaixo com muita sede...valeu-me nova garrafa de água e mais um gelado de gelo...desta vez um calipo :)












Elevator Man de volta :)




Tá quase....





Ai os meus ricos pezinhos...tá na hora de substituir as minhas companheiras de tanta lutas



o prémio "Finisher"


...e foi assim a minha a conquista deste meu novo amigo. O Pilatus é um espectáculo e espero voltar a ter a oportunidade de o visitar, pq ainda existem outros caminhos para descobrir. Valeu muito a pena...fui em ritmo de passeio, correndo talvez em 40% do percurso, de resto imprimi uma passada forte a caminhar....pelo meio descansei bastante...em conjunto com as temperaturas altas que se fizeram sentir (chegaram aos 36 ºC) foi um excelente treino para a UTDP...acabei cansado, mas não esgotado, o que me deu uma injecção de confiança para o dia 13 de Julho...deixo-vos aqui os dados desta aventura....






sábado

UTDP - duas semanas de peparação já foram


Amanhã vou de viagem para a Suiça, pelo que com o treino de hoje dei por concluída a 2ª semana de preparação para o UTDP. Pois é, já passaram duas semanas, e embora ande a treinar bem, não tenho feito o que gostaria – falta-me os treinos longos, neste caso treinos de entre 3 a 5h em trilhos ao fim de semana. Por estas bandas voltaram as noites muito mal dormidas, o que invalidam qualquer tentativa de iniciar treinos madrugadores. Os meus treinos à semana têm sido por norma ao fim da noite, muitas vezes a sair à 22.30h quando as meninas já estão a dormir, ou então a aproveitar como sempre quando vou com a Maria às explicações, Yoga, Catequese, etc. São treinos limitados no tempo. Mas é o que há, e tenho que aproveitar o melhor que posso.

Nas duas primeiras semanas foi assim:

2ª feira – Piscina

3ª feira – 5,05km em tapete

4ª feira – 16km estrada com o meu amigo Badolas (220m D+)

5ª feira – 8,1km – as tais rampas do meu post da semana passada (dos Abutres J ) 6 rampas – total 449m D+

6ª feira – descanso

Sábado -  8,21km trilhos com 308m D+

Domingo – 27,5km com 846mD+ nos 2º Trail da Pampilhosa


2ª feira – Descanso

3ª feira – 7,1km em estrada com 102m D+

4ª feira – 15km estrada com o meu amigo Badolas (179m D+)

5ª feira – 8,1km – mesmo treino de rampas da semana anterior - 6 rampas – total 446m D+

6ª feira – 11km em estrada, dos quais 3km com os campeões Artur Rodrigues e Paulo Pereira (uma honra atrapalhar-vos J) – 154m D+

Sábado -  16,5km por trilhos do Perneta com 516m D+

Domingo – Descanso


Falta aqui qualquer coisa…não, não são mais km ou desníveis….isso mesmo, falta o reforço muscular!!! Não tenho vontade, pronto J …mas eu sei que é importante e prometo que esta semana vou tentar com mais força J

E pronto, é isto….nem 115km em duas semanas, com um total de 3.604m de D+. Só queria lembra que a UTDP terá 4000m de D+, ou seja, somando as duas semanas não fiz em D+ o que terei que fazer em 18h ….sem stress…eu chego lá J

Ahhh….e aguardem com expectativa o meu próximo poste….se eu conseguir concretizar o que tenho em mente, vai valer a pena J

quinta-feira

Meia Maratona EDP Lisboa 2010 - a minha primeira


Tal como prometido, venho aqui registar para memória futura e partilhar com vocês, aquilo que foi a minha primeira prova oficial, depois de decidir que correr é que era.

Como informação base, nada como dar uma espreitadela a este texto, que escrevi como nota introdutória, quando iniciei o Papa Kilometros.
Pronto...olhando para trás acho que pode parecer um bocadinho arriscado (até irresponsável) da minha parte, escolher uma Meia Maratona como primeira corrida oficial, mas eu sempre fui ambicioso e sempre gostei de objectivos difíceis, mas realistas. Além disso, mesmo com (muito) peso a mais, nunca deixei completamente o desporto (a não ser nos 3 anos de recuperação da lesão no joelho direito), jogava umas futeboladas, ia ao ginásio e até dava uma corrida esporádica de longe a longe, além de que uma vida inteira de desportista com certeza que tinha deixado algum rasto positivo no meu corpo.
Quando comecei a correr, eu precisava de um desafio para me motivar e foi nos 21km que o encontrei. Claro que contei logo a toda a gente para não haver volta atrás, e todos sem excepção achavam que eu estava maluco – não tinha ninguém no meu círculo de amigos e familiares próximos que corresse. Também não procurei ajuda – existem clubes aqui perto, teria sido fácil ir até lá e juntar-me a eles, mas não…deu-me gozo pesquisar, comprar revistas, ver planos de treinos, ler livros…curiosamente nunca me lembrei dos blogues de corrida e ainda iria demorar algum tempo a descobri-los.  

Os primeiros tempos foram complicados…a minha voltinha habitual tinha ca.6-7km e envolvia umas belas subidas…era um martírio...hoje sei que me ajudaram muito. Também andava no ginásio e corria na passadeira duas vezes por semana. Já não me lembro de quantas vezes treinava semanalmente (mas eram várias vezes, talvez 3 ou 4) – perdi os registos do nikeplus – sei que os km/treino deveriam ser reduzidos, pq me lembro perfeitamente de andar a adiar semana após semana uma corrida de minha casa até casa dos meus pais, percurso que tem uma distância de aproximadamente 12km…uiiii, quando finalmente o concretizei senti-me um herói…lembro-me de estar todo partidinho, deitado na banheira em casa dos meus pais, feliz da vida…era  o maior da cantareira, o galo do galinheiro, o maior lá do sitio J… hoje dá para rir…em 2013 fiz 3000km em 216 treinos o que dá quase 14km/treino, ou seja, poucas vezes saio de casa para fazer menos que os tais 12km que tanto respeito me mereceram J

Mas avante…sendo a primeira Meia Maratona não deveria haver objectivo de tempo….pois…mas não aqui com o Carlitos…tinha metido na cabeça que tinha que fazer aquilo abaixo das 2h. Lembro-me que ao domingo fazia umas corridas mais longas (acima de 10km) e que uma vez consegui fazer uma média de ca.5,45min/km num destes “longos”. Sinceramente não fazia a mínima ideia como é que eu havia de aguentar estes ritmos loucos durante 21km J…precisava de 5,42min/km para o objectivo.

Planear a ida a Lisboa tb foi giro…estava completamente sozinho nesta aventura…decidi ir no sábado e marquei o Hotel Vila Galé Ópera, ali por baixo da ponte 25 de Abril. Decidi ir de comboio, porque não sabia se iria estar em condições de conduzir depois da corrida J

E lá chegou o dito sábado….Espinho até Lisboa, Sta.Apolónia…apanho um táxi e chego ao Hotel por volta da hora de almoço. Check-Inn, almoço e toca ir levantar o dorsal…a pé…ainda é longe, no mapa parecia mais perto…mas a zona é bonita. Levantado o dorsal sem dificuldade, fiquei por ali algum tempo e voltei ao Hotel. Claro que me dediquei a vasculhar tudo que vinha no saco…o dorsal, o chip de colocar na sapatilha…tudo era novidade para mim. Ao fim da tarde, antes do jantar, decido preparar tudo para o grande dia…calções, camisola, meias, sapatilhas, dorsal…mas?????....como é que se fixa o dorsal na camisola??? ….alfinetes!!! …e agora???....pânico…naquele momento a minha presença na Meia Maratona dependia de uns simples alfinetes…na recepção do Hotel não tinham…saí para o lado de Belém, nada de lojas, nada de nada….um pouco à frente do Palácio de Belém, do lado esquerdo uma loja dos chineses…SALVO!...comprei logo uma embalagem deles…sei lá, umas centenas de alfinetes por € 0,80….ainda hoje os uso J

Para jantar fui às docas…ao Pasta Caffé comer uma massaroca…cedinho para fugir à confusão (e não me tentar a ficar por ali a noite toda J). Já não me lembro se dormi bem ou mal, sei que me levantei muito cedo, e que no pequeno-almoço estava tudo cheio de corredores, muitos deles estrangeiros. Ia começar a odisseia para chegar ao outro lado da ponte…tinha pedido informações no Hotel sobre os autocarros que deveria apanhar, em que estação é que poderia apanhar o comboio da Fertagus…tudo devidamente apontado num papel….parecia fácil, mas quando saí do hotel era só dúvidas…”esquece o papel”, toca mas é ir atrás dos outros….e assim apanhei um autocarro e fui parar a uma estação (não me perguntem qual que não faço a mínima ideia). Tanta gente na estação, tipo sardinha em lata no comboio, e depois a romaria a pé até à zona de partida na ponte 25 de Abril....nunca me tinha visto em tal confusão.
Ali estava eu, rapazinho da aldeia, sozinho no meio de 35.000 pessoas para correr a primeira Meia Maratona da minha vida, nervoso e com vontade de dar uma “mija” J ….não se esqueçam que era tudo novo para mim e existem pormenores que não se lêem nos livros, nas revistas, nos blogues…quer dizer, não se liam porque desde que existe o Papa Kilómetros que também se fala neste tipo de situações J...muitos de vocês brincam comigo quando refiro estes assuntos, mas percebem agora porque é que  é tão importante? J

As filas para as casas de banho eram enormes, pelo que decidi subir o morro na lateral da estrada….tinha lá umas árvores e uns arbustos bem jeitosos…mas cada arbusto que encontrava estava ocupado, e lá escalei quase até lá cima (era já a minha veia de trail a vir ao de cima, eu é que ainda não sabia) para encontrar o que eu pensava ser um arbusto só para mim…quando já estava a mudar a água às azeitonas, sai de trás do dito cujo uma atleta a rir, que diz qualquer coisa tipo “tá tudo? Eu já me desenrasquei…” J ..confesso, que foi um pouco constrangedor na altura mas ninguém me conhecia ali J…achava eu…de regresso lá baixo acontece algo impensável…

…imaginem aquela confusão toda, milhares de pessoas e eu dou de frente com o meu amigo Isidro, com quem tinha estado na 6ª feira antes a jogar uma futebolada…fonix, quase impossivel….ele estava ali para correr a mini com uns clientes dele, uma espécie de tradição anual…
Não tardou muito deu-se o tiro de partida, estava um dia bonito de calor e sol, lembro-me de stressar logo de inicio, pois demorei o que me pareceu uma eternidade para passar o pórtico…ca. 2 minutos (hoje acho que foi excelente, para uma prova com tanta gente)….depois não conseguia correr ao ritmo que queria e precisava…não se esqueçam que era a minha primeira prova…lembro-me que levava o mp3 e ainda me lembro da música que me acompanhou em grande parte durante a travessia da ponte (Mattafix – “Living Darfur”) – engraçado como existem pormenores deste tipo que ficam na memória. A euforia era enorme, e eu sentia-me muito bem…não me lembro de muitos pormenores do percurso, nem da forma como me senti….apenas que depois da ponte, a descer dei-lhe um gás desgraçado para tentar recuperar o tempo perdido….erro de principiante…lembro-me vagamente do percurso, de ter mantido um ritmo acima do que eu conseguia aguentar…também me lembro de um erro que até hoje nunca mais cometi de tão mal me sentir….penso que por volta dos 10km havia um abastecimento e eu tinha um gel para tomar…ia com a boca seca, fruto de uma hidratação deficiente…pego numa garrafa de água e bebo tudo...e regresso à corrida, pouco depois, com a boca novamente seca tomo o gel, que está quente…aquilo foi horrível, não queria ir para baixo….foi um sofrimento extra e nem imaginam a minha alegria quando cheguei ao abastecimento seguinte J ….lembro-me de dar o estouro por volta do km 15, de um sofrimento danado para me aguentar a correr…de passar o CCB, de me tentar distrair com os atletas que vinham a acabar, de finalmente chegar ao último retorno, completamente morto….já não me lembro se era ali o último abastecimento, sei que tomei mais um gel…só a 1-2km da meta é que melhorei um pouco e lembro-me claro de cortar a meta….morto mas feliz….tb daquele sentimento clássico do “nunca mais” J …o tempo…1:50:28 de chip..fantástico, não ?

Confusão enorme, fila para sair, a morrer de sede….sabem o que me soube bem e me salvou? Um P"erna de Pau" oferecido pela Olá…acho que não haveria nada melhor naquela altura…só queria sair daquela confusão, ligar à Inês a dar a boa nova e regressar ao Hotel…por falar em regressar ao Hotel…aiii…custou tanto fazer aquilo a pé….que empeno meu Deus!!!
....olha-me este cromo, mais morto que vivo...linda selfie, sim senhor..hehehe

Banhinho tomado, almoço no Hotel (Sopa, Club Sandwich, Coca-Cola e café – os pormenores que a gente se lembra) e regresso a casa, não de comboio como inicialmente previsto (e bilhete comprado), mas de boleia do meu amigo Isidro.

É esta a história da minha primeira corrida oficial, uma odisseia solitária e autodidacta de 3 meses, com muitas dúvidas e muitos erros, mas com um final feliz. Passados 4 anos muito evoluí, mesmo não sendo nada de outro mundo, cheguei a patamares que nunca imaginei atingir, conheci muitos e bons amigos na corrida, com alguns deles vivi grandes aventuras em Portugal e no estrangeiro, pertenço a um clube que ajudei a fundar, sei que fiz com que outros tenham começado a correr também e tenho o Papa Kilometros onde registo e partilho as minhas experiências. Não tenho qualquer dúvida em afirmar que esta foi a prova que me “agarrou” definitivamente à corrida e iniciou tudo isto.

Ahh…tb posso dizer orgulhosamente que corri a Meia Maratona onde o Tadese bateu o recorde do mundo na distância, que ainda hoje perdura. Uns meses mais tarde no Porto, iria ter a honra de o cumprimentar, de tirar umas fotos com ele e de ele me autografar uma camisola, que nunca usei para não estragar o autógrafo J

segunda-feira

2º Trail de Pampilhosa - Corrida e "Cumbibio"


E ontem lá estivemos por terras de Pampilhosa da Serra, para correr e “cumbibere”….e correu muito bem…mas já lá vamos.
No ano passado participamos (eu e mais 5 amigos) na 1ª edição deste Trail, respondendo a um convite da Anabela. Na altura, a organização inseriu o Trail no programa de festas da Vila, em pleno Agosto, altura de férias, apanhamos uma noite super agradável e junto de uma malta que nos recebeu como reis. Tal foi a satisfação geral, que foi tema de conversa durante meses, e não nos passava pela cabeça não voltar este ano.
A edição de 2014 foi antecipada para 1 de Junho, não coincidindo nas festas da vila…a distância aumentou para 27,5km (no ano passado foram 19km) o que era uma boa notícia (pelo menos para mim), teria um percurso completamente diferente, mas já não seria ao fim da tarde de um sábado…tinha início marcado para as 10 da manhã de um domingo. Mais uma vez mobilizamos um grupinho de amigos para responder ao desafio da Anabela…não foi difícil, depois da publicidade do ano anterior, as “inscrições” no nosso grupo sucediam-se a bom ritmo e atingimos o belo número de 10 gajos (8 do CAL e 2 “estrangeiros”), que acabaram por ser 9 porque surgiu um imprevisto ao Hélder que não lhe permitiu embarcar na aventura.
Para chegar a Pampilhosa da Serra necessitamos aproximadamente 2h30…como tínhamos que lá estar às 8.30h para levantar dorsais e apanhar o autocarro para a zona de partida, tivemos que sair muito cedo. Hora combinada, 5.30h na Feira junta à casa do Filipe.
A minha noite tinha sido terrível…deitei-me pouco passava das 11 da noite e até adormeci logo…mas à meia noite e meia, acordo de sobressalto com um ataque de tosse da minha Maria que a deixou muito aflita…aquilo durou uns 2 ou 3 minutos apenas, depois normalizou e voltou tudo para a cama, mas o problema é que despertei e não consegui adormecer…lá liguei a tv e já passava bem das duas da matina quando finalmente adormeci, para acordar às 4.20h com o despertador a tocar…já??? Cabeça de baixo de água fria e tou pronto J …para quem dormiu pouco até que me sentia bastante bem.
Cheguei à Feira e já lá estava o Filipe junto ao “autocarro” da equipa. Alguns poucos minutos depois chegam o Badolas e o Bruno, o Américo e o Nuno Lima. Faltava só o Joel e o Nuno Silva, que chegaram quase um quarto de hora atrasados por culpa do Nuno, que adormeceu…diz ele, “estive ali numa grande luta, estive mesmo para ficar na cama e vos mandar uma sms a dizer que não vinha”….nem imaginava o que iria perder se tivesse ficado a dormir. Por falar em dormir…adivinhem lá, quem deste grupinho veio directamente de uma festa em Braga, sem passar na caminha? Lógico…Mister Badolas, quem mais poderia ser J
Demoramos 2h30 a chegar a Pampilhosa, ainda paramos na estação de serviço da Mealhada para um cafezinho (e o Badolas infestar as casas de banho – consta que a ASAE fechou aquilo para os próximos 2 meses J)…uma viagem divertida, sempre na galhofa…ainda nos enganamos, o Américo queria mandar-nos para Tomar, mas uma rápida e perspicaz intervenção do Nuno voltou a colocar-nos no caminho certo.

E assim chegamos a Pampilhosa, passava pouco das 8 da manhã….tudo deserto, um parque de estacionamento só para nós???? …hein? Queres ver que não é hoje? J …ligo para a Anabela…”ela confirma que é hoje..ufa”… e lá combinamos encontrar-nos em frente à Camara onde seria feito o levantamento dos dorsais, que foi muito rápido.
Mais um café…desta vez comi um bolo cheio de creme…não me haveria de acontecer o mesmo que no ano passado…posso ter um desarranjo, mas de fraqueza não vou sofrer J Entretanto chega tb o Zé Alexandre que tinha vindo de véspera com a família. A equipa estava completa…
Não demora muito chegam a Anabela e o Paulo…beijinhos e abraços, conversa e tal… e toca a levar a caixa de minis e o bolo caseirinho (feito pela minha Inês) que trouxemos, para casa do Paulo, para colocar no fresquinho J


…pouco depois vejo a Anabela aos saltos à porta da camara a chamar por mim…sou meio cegueta sem os meus óculos, mas consigo vislumbrar as silhuetas de um casal que me parece familiar, e as camisolas amarelas confirmam as minhas suspeitas…é a Isa e o Vitor…já tinha estado 1 minuto com o Vitor nos Abutres e visto a Isa a uma distância de 100 metros, mas estava na altura da partida e não tinha dado para conversas….pois ali estava finalmente a conhecer este casalinho simpático, de quem sigo os blogues à muito tempo…mesmo sem nos conhecermos pessoalmente, o facto de seguir as suas aventuras através dos escritos, fazem-me parecer que os conheço à muito tempo. Pouco depois reconheço o Carlos Teixeira, responsável por eu correr este trail com a camisola da SPEM – em Força….mais conversa e estava na hora de equipar…como a Anabela me confirmou que o percurso era muita estrada florestal e algum alcatrão, decidi trocar as sapatilhas de trail pelas de estrada, o que viria a ser uma opção acertada. Também não levei mochila desta vez, apenas um cinto com uma garrafa de 500ml com isotónico que tb foi suficiente.
Pouco depois estávamos no autocarro em direcção à zona de partida, numa viagem que nos proporcionou umas belas paisagens daquelas serras…espectáculo. Um breve briefing durante a viagem, sobre a prova, distância, desníveis…informações que foram importantes. Salientar o alegre motorista, que em vez de ir atento à estrada, estava sempre na conversa com o pessoal a olhar para trás, e até se levantou a conduzir…. vi a minha vida a andar para trás umas 3 ou 4 vezes J
hehehe....quem será o engraçadinho? Eu não sou, mas tb não digo...

A viagem demorou uns 20minutos e lá chegamos à Portela do Fojo, onde nos aguardava uma surpresa…a organização tinha preparado um belo de um pequeno-almoço…sim, leram bem…pequeno-almoço, que incluía sandes, queijo, enchidos, figos, mel, broa de milho, bolo…para regar havia água, sumos e MINIS fresquinhas J….acham que a malta do CAL consegue resistir a MINIS fresquinhas??? Claro que não…
Mais umas confraternizações, fotos com uns e com outros e boa disposição. Aquecimento zero…não era preciso, afinal estava ali para fazer um bom treino longo. Estava calor (uns 25 ºC) e não corria vento…tinha as pernas pesadas de uma semana forte de treino (ainda no sábado tinha treinado 1h pelos montes do meu quintal)…era minha intenção, tentar fazer a prova sempre num ritmo certinho e chegar ao fim com uma média de 6min/km. Não sei quantos atletas estariam ali, talvez apenas uns 100…poucos mas bons J
Deu-se a partida, e começa logo a subir ca.1,5km (100m D+) e zarpei por ali fora a correr de forma descontraída com a companhia do Badolas...sempre a passar atletas….quando chegamos lá acima, e como o percurso é em forma de serpente dá para ver os atletas que vão à nossa frente…consigo vislumbrar bem lá na frente dois atletas de preto e o nosso Nuno Silva….um pouco mais atrás o Filipe….também deu para ver que não íamos nada mal…eu sentia-me bem, solto e de respiração controlada. O meu amigo Badolas é que não me parecia ir lá muito bem…estava demasiado ofegante e constantemente a tentar estabilizar…aguentou-se até aos 5km, numa subida diz que tem que parar para eu seguir…eu lá vou indo, sempre a olhar para trás para ver se ele se cola. Na descida seguinte abrando um pouco e ele consegue voltar a colar, mas continuava em grande esforço. Isto durou até aproximadamente aos 7km, altura em que apanhamos nova subida e ele diz que tem que ir a passo, para eu seguir à minha vida…custa um pouco tomar a decisão de seguir, mas sentia-me bem e ele é crescidinho, vai desenrascar-se com certeza J
E assim continuei…ora subia, ora descia, ora apanhava uns planos….sempre a correr….acho que só caminhei durante uns breves segundos a subir para beber e tomar meio gel. A prova estava a tornar-se um pouco monótona…era sempre o mesmo tipo de estradão em terra batida, e as paisagens embora belíssimas, tb eram sempre as mesmas. Mas estava a ser um bom treino, dava para rolar a bom ritmo… a única dificuldade eram os desníveis….ca.10km o primeiro abastecimento…bebo um copo de água e encho o meu cantil…havia bananas, bolo, etc, mas decidi não comer nada…aqui entramos numa estrada e haveria de ser 1,5km em alcatrão sempre a descer, onde aproveitei para acelerar...foi aqui que fiz o meu km mais rápido (4min/km). Até ao km 17/18 a minha prova não tem grande história…sinto-me bem, vou certinho, sempre a correr e a minha média chegou aos 5,18min/km. Começava aqui a parte mais difícil da prova…seriam 6km sempre a subir (ca.350m D+).
Continuavam os estradões em terra batida, sempre com as mesmas paisagens…comecei a sentir os músculos das pernas mais presos e o sol e o calor começaram a fazer mossa…ia bebendo e progredindo a correr, mas sentia-me cada vez mais cansado….pudera, um mês de Maio com poucos treinos, e uma última semana muito forte sem descanso…é natural que façam mossa….agora já vou intercalando corrida e caminhada…aproveito todas as sombras que as poucas árvores fornecem…um pouco antes do abastecimento dos 20km tomo outra metade do gel….no abastecimento dos 20km bebo 3 copos de água (estou cheio de sede) e encho o cantil que está vazio….ao arrancar para voltar a correr olho para a mesa dos sólidos e vejo bananas…hmm…não tenho fome, mas é melhor comer qualquer coisa e lá marcha meia banana..
..arranco e nem 50metros mais à frente sou obrigado a parar com dores de barriga…a mistura de água com banana fez mossa instantânea…não costuma acontecer…dou-me bem com bananas. Sou obrigado a ir a passo durante algum tempo….vou ensaiando uns passos de corrida, mas não me sinto melhor…levo um peso na barriga, e vou indisposto….quando entramos numa aldeia o terreno fica plano e a descer…consigo correr e sinto-me melhor….passada essa aldeia, entramos numa estrada principal em alcatrão, aos “esses”, de inclinação bem jeitosa a subir, e com o sol a “botar” calor nos meninos e meninas atletas….os meus pés vão a escaldar, mas consigo correr….faço metade da subida a correr lentamente, mas continuo um pouco indisposto…volto a caminhar…corro mais um pouco…toca a caminhar...

única foto que tirei durante a prova

…até que passo por um casal que vem em sentido contrário a caminhar que me diz que está quase…mais 300m a subir e depois é sempre a descer até Pampilhosa…olho para trás e vejo um atleta de boné vermelho, que me parece conhecido, a subir a bom ritmo…vem a umas boas centenas de metros, mas a andar muito bem….é o Paulo Reis…sou meio pitosga e só tenho a certeza que é mesmo ele quando já está a menos de cem metros de mim…ele alcança-me no cimo da subida…porreiro…tenho boa companhia até à meta….e lá fomos por ali abaixo os dois na conversa, sempre a bom ritmo….foram quase 4 km sempre a descer e a avistar Pampilhosa….estava recuperado e ia muito bem….já se vê a meta….os últimos 100m são a parte mais técnica de todo percurso…um single track a descer, a “rasgar” um terreno entre ervas altas…

...cortei a meta de mão dada com o Paulo, o que foi motivo de orgulho para mim…não é todos os dias que se tem possibilidade de cortar a meta com um finisher da MDS, não é? …ainda por cima uma pessoa que admiro, pela força de vontade em mudar de vida, pelo objectivo a que se propôs para o qual tanto treinou e conseguio atingir…são pessoas como o Paulo que me fazem acreditar que se quisermos mesmo, podemos concretizar um sonho. À menos de um ano, estávamos os dois de cerveja na mão, ali mesmo na Pampilhosa, e ele a dizer-me que tinha decidido fazer a MDS no ano seguinte…ganda maluco. Ainda por cima é um gajo muita porreiro….pronto Anabela, tu também és 5 estrelas (não quero cá ciumeiras).
2:32:59min de tempo oficial, para 27,5km dá uma média de 5,30min/km…tudo isto com ca.880m D+….nada mau, sentia-me bem e podia continuar por mais alguns km…estava mesmo muito satisfeito. Mais tarde viria a saber que tinha conseguido um 17º lugar na geral e um 5º no escalão (“apenas” a 15 minutos do pódio J)…o tipo de terreno, muito corrivel, pouco técnico beneficiou-me, assim como serem apenas ca.100 atletas, e o nível não ter sido muito alto…mas, em média costumo ficar sempre no último terço e desta vez fiquei bem lá na frente – nunca tinha ficado tão bem classificado…vale o que vale, mas a mim deixa-me orgulhoso J
Não vejo o Nuno nem o Filipe….pergunto…”Quem ganhou?”…não me sabem responder….tenho a secreta esperança que o Nuno e o Filipe tenham feito excelentes resultados. Pouco depois vejo os dois, vou ter com eles e dizem-me que o Nuno ganhou a geral (ex-áqueo com outro atleta) e o Filipe o escalão de Veteranos (40-49anos)….é pá…fiquei tão contente, tão contente que lhes dei um abraço daqueles bem sentidos… esta malta é do melhor, pessoal que corre para caraças e 5 estrelas como pessoas…eles merecem tudo isto e acreditem que fiquei tão contente por eles como se fosse eu (bem….quase….bem….não sei, pq nunca ganhei nada… mas não importa….fiquei mesmo muiiiiito feliz) J
Entretanto vejo um equipamento do CAL a descer para a meta…é o Badolas e com ele vem o Nuno Lima…cortam a meta juntos. 2h44 e qualquer coisa…fantástico, o Badolas não me surpreende mas o Nuno Lima que anda nisto à meia dúzia de dias fez uma grande prova.
Mais uns minutos e chega o Zé Alexandre, que como sempre fez uma prova tranquila a curtir as paisagens e a chagar a cabeça aos que tem o azar de se cruzar com ele durante a prova J
Faltavam ainda o Bruno, o Joel e o Américo. Sabíamos que eles ainda iriam demorar, pois entre regresso de lesões e estreias tinham decidido fazer a coisa muiiito nas calminhas. Praticamente não havia sombras na zona de chegada, estava muito calor pelo que decidimos ir ao banhinho. Mais tarde soubemos que todos acabaram as suas provas – o Bruno (que vinha de uma lesão) junto com o Joel (que se estreou em trail e não está habituado a estas distâncias) e o Américo mais tarde um pouco, carregadinho de caibras, fruto de longas semanas de paragem devido a lesão. São todos os guerreiros e uns campeões J
Depois fomos para os sempre importantes comes&bebes e respectivo “cumbibio”…a organização oferecia um churrasco…aos poucos e poucos começaram a chegar o pessoal conhecido (Run Baby Run, 4aokm, CAL e SPEM-Em Força) e ocupamos umas mesas da ponta. A organização não oferecia cerveja, mas o pessoal estava prevenido…lá chegou o Paulo com 3 grades de Minis bem fresquinhas (o Bruno parecia um puto que vê o Pai Natal com o saco das prendas pela primeira vez na vida J)…nem a sobremesa falhou…. tínhamos o bolo de iogurte que a minha Inês tinha feito (estava muita bom, mas nunca é demais lembrar, que fui EU que untei a forma, e com manteiga (não margarina) que faz toda a diferença J) e ainda um bolo mármore feito pela sogrinha da Anabela que também estava uma delicia. Não faltou nada…tudo cansado mas bem-disposto a confraternizar…isto tb é corrida.
Pelo meio a entrega dos prémios, com o natural destaque para o Nuno Silva e o Filipe. Com o Nuno ainda deu alguma confusão, pois a organização não estava preparada para dois vencedores ex-áquea…só havia um troféu…os dois lá se entenderam e atiraram a moeda ao ar para ver quem ficava com a taça e calhou ao nosso Nuno – o outro que me desculpe, mas ainda bem J
Ainda ficamos por ali mais um pouco, demos uma voltinha pelo centro da vila, fomos tomar um café…mais um pouco de converseta e estava na hora de colocar os pés ao caminho…na 2ª é dia de trabalho e tínhamos ainda umas horas de caminho até casa.
Uma palavra para a organização. Na parte mais burocrática, inscrições, dorsais, informações, etc, esteve tudo bem…não vi falhas. No terreno estiveram muito bem nos transporte dos atletas (erro do ano passado corrigido), nos abastecimentos – então o pequeno-almoço estava um espectáculo – e no churrasco no fim (bom e em quantidade). A qualidade da camisola diminui, no ano passado era tecido técnico este ano é de algodão, mas acho que seria injusto criticar por causa disso, pois tivemos tudo isto por apenas 10 €/atleta.
O que tenho a apontar e a criticar é o percurso escolhido…a prova é boa, mas como prova de atletismo…muito corrivel, dura quanto baste pelos quase 1000m D+…mas é monótona e não é um trail na minha opinião, podendo até levar a que um puro amante do Trail se sinta enganado. O piso divide-se entre estrada florestal de terra batida e alcatrão…o conceito de Trail Running segundo a APTR é o seguinte:
“Corrida pedestre em Natureza, com o mínimo de percurso pavimentado/alcatroado, que não deverá exceder 10% do percurso total, em vários ambientes (serra, montanha, alta montanha, planície, etc) e terrenos (estradão, caminho florestal, trilho, single track, etc), idealmente – mas não obrigatoriamente – em semi ou auto-suficiência, a realizar de dia ou durante a noite, em percurso devidamente balizado e marcado e em respeito pela ética desportiva, lealdade, solidariedade e pelo meio ambiente”
 …não contabilizei, mas tenho quase a certeza que fizemos bem mais do que 10% em alcatrão. Com uma zona tão deslumbrante, com tanta serra, tanta água (rios e barragem) ninguém que me diga que não existem por ali umas belas encostas para escalar, uns single-tracks junto a um rio, umas levadas para seguir…se não conhecem, não falta que conheça a zona…peçam ajuda. Acho que se decidiram pelo mais fácil…eu por acaso fui muito pelo passeio e pelo convívio com os amigos, mas se fosse “apenas” para fazer um trail iria ficar muito desiludido e provavelmente não voltaria a esta prova. Seria uma pena não corrigir o percurso para um verdadeiro trail, e tenho a certeza que existem condições para o tal.
Queria ainda dizer que foi uma honra muito grande correr contra a esclerose múltipla, vestindo a camisola do projecto Em Força, fazendo equipa com a Anabela e o Carlos Teixeira, entre outros J …obrigado Carlos e gostei muito de te conhecer….espero que a gente se cruze mais vezes por essas estradas e trilhos fora.
Isa e Vitor – também gostei muito de vos conhecer pessoalmente. Pude confirmar o que já desconfiava…vocês são muito porreiraços J …até à próxima, se não for antes, na Maratona do Porto.
Uma última palavrinha para a Anabela e o Paulo…vocês são um espectáculo e correm o sério risco de serem mais conhecidos que o Papa em Santa Maria de Lamas e arredores – isto agora é a Anabela pra aqui, o Paulo pra acolá…fonix…um dia destas aqui a minha malta faz-vos uma estátua J …bem, até que era merecida. Em meu nome, e em nome do pessoal obrigado por tudo. Esperamos ter a oportunidade de retribuir um dia destes aqui pelo norte, quem sabe numa edição dos Trilhos do Perneta. Pampilhosa está no coração do CAL, e podes ter a certeza, com trail ou sem ele vamos voltar aí – não se livram assim de nós sem mais nem menos J
E pronto…já me alonguei outra vez demais…desculpem qualquer coisinha.