quinta-feira

Maratona de Saragoça - história de uma azia épica (parte 1)

 

O post anterior foi escrito durante a tarde de sábado, véspera da Maratona, resguardado no bem bom do meu quarto de hotel. Tinha chegado ao fim da manhã ao hotel, tinha comprado almoço para comer no quarto, para depois passar a tarde a descansar. Quando entrei no quarto, o dia estava um pouco ventoso, mas o céu estava azul e a temperatura boa … resumindo, o dia estava bonito.

Depois da escrita, depois da sesta, depois de umas horas valentes de malandrice lá me decidi a sair para esticar as pernas e procurar sítio para jantar. Quando coloquei o pé fora do hotel nem queria acreditar no que se estava a passar … um frio e um vento que nem era bom … as esplanadas todas recolhidas e os desgraçados que estavam a montar a estrutura da maratona a dar o melhor para proteger o que tinha que ser protegido … “foda-se …“

começou a choradeira ...

Tinha escrito que desta vez “não havia desculpas”, que tudo tinha corrido muito bem, que estava tudo sobre controle … faltou acrescentar, que “não havia desculpas, no que eu consigo controlar”. Felizmente o tempo não consigo e ainda bem!!!

bla, bla, bla ... desculpas

Levei a coisa na desportiva, afinal sempre esteve previsto frio e chuva para a hora da Maratona. O vento é que não estava na ementa e era o que me poderia preocupar. Mas como sou um gajo optimista achei sempre “que durante a noite a coisa acalmaria” … jantei tranquilo e voltei ao hotel para preparar tudo para o dia seguinte.

estava boa ... e bebi Cola Zero ... 

é isso ... não corras não

Ia levantar-me às 5h30, às 6h pequeno-almoço (torradas com mel, café, bolachas), depois descansar um pouco, aquecimento de uns 15min por volta das 7h45, voltar ao hotel para trocar equipamento, gel e isotónico pró bucho e siga para a partida!!! Como podem ver, tive tempo para planear o mais pequeno pormenor.

Para a prova tinha um plano bem definido tb:

8km entre 4,20 e 4,25/km

24km entre 4,12 e 4,15/km

10km abaixo de 4,10/km

Tinha este plano num papel, mas como é evidente estava mais que memorizado.

Já com a cabeça no travesseiro voltei a pensar no tempo que fazia lá fora … e se amanhã estiver este vento? Adapto o plano? O mínimo é sair daqui com um recorde pessoal, menos que isso é uma derrota, das grandes … traço um plano b? … mas eu vim para aqui com um objectivo claro … pelo menos tenho que tentar, não é? É … seja como for vou tentar!!!

Já na cama leio as últimas mensagens de gente que me quer bem. São tantos … durante o dia recebi tantos telefonemas, mensagens … o fb está inundado de mensagens de força, até de muita gente que não me conhece de lado nenhum. Que sorte…

A última coisa que fiz antes de dormir foi pegar num bilhetinho que a Pikinita me tinha escrito … nunca se esquece destes pormenores … guardei-o religiosamente para ler neste momento … que sorte tenho eu em ter esta Pikinita … eu ter chegado aqui na forma em que estou deve-se em grande parte a ela também … é ela que segura as pontas para eu poder treinar, para poder estar aqui descansado … mais, foi ela que me incentivou muitas vezes a ir treinar quando não me apetecia mesmo nada … gostava muito que a próxima maratona fosse com ela … vamos ver …

nunca falha ...

A noite foi curta, mas boa … estava ansioso mas não me afectou o sono … acordei e cumpri o que tinha planeado quase ao pormenor. Correu tudo bem, até aquele “cocózinho” antes das provas 😉 … o que querem??? Quem corre sabe a importância que tem, e também sabemos que muitas vezes queremos e a coisa não sai …. e quem leva com os pormenores fofinhos, tb tem que levar com estes pormenores … pelo menos neste cantinho 😊 … não resisti a ir à rua antes do pequeno-almoço … foda-se, está ainda pior que ontem à noite … chove a sério … pqp … nada a fazer … é como é …


Um pouco antes das 8h vesti o impermeável e fui para a rua aquecer … frio, chuva e vento é um cocktail explosivo … decidi ir fazer um troço junto ao rio Ebro, mais exposto … para lá (contra o vento) e para cá (a favor) para testar o “feeling” da coisa … as pernas estavam soltinhas, contra o vento era um problema, a favor do vento era fácil rolar a ritmos altos … não vai ser fácil, mas vamos a isso …

e chora, chora, chora .... enfim

… que sorte tive em ter o hotel mesmo em frente à partida … ao contrário da maioria dos desgraçados que se tinham que acumular debaixo das arcadas dos prédios, embrulhados em sacos de plástico a tentar manter-se quentes o mais possível… eu tive a sorte de ir até ao quarto e ficar literalmente no quentinho até 5 minutos antes da partida. Um luxo …

os outras à chuva e ao frio e eu aqui .... que luxo...

Enquanto esperava pela hora lembrei-me de uma cena um bocado pró trágico engraçada ... quando em finais do ano passado andava à procura de uma Maratona para este meu objectivo, uma das opções em cima da mesa era a Maratona de Aveiro ... era em Abril, perto de casa, só vantagens ... sabem porque ficou de fora? Porque a probabilidade de estar vento é muito grande ... tem piada não tem??? lol ....

Enfiei-me na box de sub 3h … mesmo ao meu lado os moços com as bandeiras das 3h … não vou com eles na primeira metade … se tudo correr bem, vou apanhá-los um pouco antes dos 40km … ou não 😉

… a adrenalina está no máximo, de tal forma que o único frio que sinto é na “espinha” … acho que me chegou a cair uma lagrimita ou outra … como chovia acho que ninguém notou … acabou a choradeira, está na hora!!! Vens ou ficas???

(parte 2 em breve)

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