A manhã de domingo apresenta-se fresca. Uma neblina densa
não deixa ver a Vila da Lousã no sopé da Serra, e ao meso tempo dá um toque
místico à Aldeia do Casal Novo onde estamos instalados. Apenas com mais duas ou
três outras casas ocupadas. Olhando para cima, apenas se vislumbra o último
terço das serras ali à volta. Um quadro muito bonito, sem dúvida.
As pernas até estão em bom estado olhando ao que percorri
no dia anterior – apenas a parte posterior das coxas estão um pouco “perras”. Pelos
vistos a Ana também está bem – impressionante como com pouca experiência e
meses de corrida, consegue acompanhar-nos desta forma, e com um grande à
vontade – é uma máquina J. No cardápio de
hoje está um percurso que nos leva a visitar as Aldeias de Xisto das redondezas.
Não deverão ser muitos km, mas prevê-se um sobe e desce constante.
Pequeno-almoço e uma ida até à Vila lá baixo para matar o
vício do cafezinho. Tenho que dar uso a uma Sweat grossa que tinha colocado à
última hora na mala por causa do “frio”. Está óptimo para umas
corridas/caminhadas. Quando voltamos a Casal Novo decidimos primeiro fazer uma
visita à “nossa” aldeia antes de avançar para as outras – afinal ainda não o
tínhamos feito. A ideia era voltar depois a casa, pegar nas mochilas e
arrancar … era …
Casa Maluca ... não, não foi aqui que fiquei, mas adequava-se ;)
Depois de visitar Casal Novo, vimos uma placa que
indicava a próxima … “Castelo” sensivelmente a 2km. Decidimos que íamos lá primeiro e
depois é que voltávamos para vir buscar as mochilas. E fomos, praticamente
sempre a descer a pique. Bonito, o percurso, as paisagens, o Castelo e a zona
circundante com praia fluvial, santuário da Sra.da Piedade e Restaurantes …
bastante turística esta zona, até um pouco demais para o meu gosto. Durante a descida para chegar ao Castelo tínhamos visto uma
placa a indicar um trilho para o Talasnal e decidimos que já não voltávamos a
Casal Novo, mas que iriamos directos para lá.
olhó o lema dos Pernetas ...
eu tenho este efeito na malta ... a minha conversa dá-lhes sono ;)
Para lá chegar tivemos que percorrer uns bons 2 a 3km,
praticamente sempre a subir, por trilhos com alguma tecnicidade, que circundavam uma
das serras, pois o Talasnal ficava do outro lado da serra onde nos encontrávamos.
Seriam mais ou menos 11h da manhã, a neblina foi-se e o sol apareceu em força. Aqui o
Perneta tinha amarrado a Sweat de Inverno à cintura e a Ana levava uma mochila de pelo ás costas … quem nos visse com aquela
indumentária naquela altura devia achar que eramos malucos J … praticamente não corremos, mas imprimimos sempre um
ritmo forte a caminhar pela serra acima. Curiosamente as dores nas coxas tinham
desaparecido.
O Talasnal foi a Aldeia de Xisto de que mais gostei.
Praticamente toda reconstruída, tem pelo meio dois ou 3 pequenos restaurantes
que se enquadram bem. Entramos numa lojinha para comprar água e uns doces de
castanha que se estavam a rir para nós. Muito simpático o dono daquilo.
nhamm, nhamm...
Do Talasnal decidimos seguir para a aldeia do Vaqueirinho
(que não estava prevista na ementa). São 2,5km praticamente sempre em single-track ao
sobe de desce … completamente diferente do que tínhamos feito até agora. Ao
contrário do Talasnal, o Vaqueirinho foi a aldeia que menos gostei, por ser a que
está mais ao abandono e também por termos tido um encontro, vá, “menos
simpático” com um casal, supostamente dono de uma das casas. Mas nem vale a
pena estar aqui a contar tamanha a estupidez do episódio. No Vaqueirinho
fizemos uma pausa para refrescar numa fonte, beber e comer o nosso bolinho de
castanha, receita caseirinha … hmmm…. uma delicia que soube a pouco. Ainda deu para fazer amizade
com uma gata siamesa que andava por ali e queria mimos (e talvez um bocado de
bolinho de castanha, teve azar J).
Literalmente no Fim do Mundo
Confirmou-se .. uma delicia os bolinhos de castanha...
minha nova amiga ... perspectiva 1 ..
perspectiva 2 da mesma situação ...
A nossa ideia inicial era tentar chegar a Chiqueiro
directamente dali, que seria a última Aldeia de Xisto antes de voltar a “casa”
em Casal Novo. Mas como não encontramos placas e não quisemos arriscar,
voltamos ao Talasnal, do Talasnal ao Casal Novo (onde fomos num instantinho a
casa beber uma aguinha fresca e trincar uma maça) e siga para o Chiqueiro que distava apenas a
pouco mais de 1km dali, percurso sempre feito a subir. O Chiqueiro é outra Aldeia que se encontra em
estado mais atrasado na recuperação, mas parece que quase todas as casas estão
em obras actualmente.
Chegamos a "casa" com 13km feitos, com um desnível positivo
de quase 950m D+. Foram 4.15h, muito feito a caminhar, embora também tenhamos
corrido em alguns troços, naturalmente com muitas paragens para visitas.
Posto isto e resumindo o fim de semana, foram 2 dias com 53km e 5300m de desnível acumulado,
ca.13 horas pelas serras da Lousã, muito trilho técnico que não encontro no
nosso quintal, com altitudes que embora não tenham nada a ver com o que vou
encontrar nos Alpes, sempre são o dobro do que tenho em Canedo e arredores. E
fiquei a conhecer um bocadinho da Lousã, algumas Aldeias de Xisto … posso dizer
que adorei, que superou em muito as minhas expectativas e que quero voltar,
quem sabe com um grupo de Pernetas no Centro de Estágio de Trail em Vila Nova,
para um fim de semana de corrida e diversão. E a UTAX ficou na minha mira –
para quando não sei, mas hei-de fazê-la.
Por último uma palavrinha para a Ana – tás uma máquina
daquelas, e praticamente pronta para enfrentar aquele desafio que queres fazer. Normalmente
desaconselharia qualquer um que tenha começado há pouco tempo a fazer algo desse
género, mas existem excepções à regra e tu és uma dessas excepções.
Uma guerreira!!! Impressionante moça … obrigado pela companhia e força nas canetas J

















































