Com a preparação para o CCC a chegar ao fim, decidi-me a
ir fazer um “estágio” para a Serra da Lousã. A última e única vez que tinha
andado por lá tinha sido nos Abutres em Janeiro de 2014 – quem já fez os
Abutres sabe perfeitamente que a prova dificilmente dá para apreciar os
trilhos, as paisagens, as aldeias de xisto – além do frio, da lama, dos tempos
de barragem que temos de cumprir existe o traçado da prova, que nos obriga a
máxima concentração e a usar mãos e pernas numa grande parte do percurso.
Andava de olho no Centro de estágio de Trail e BTT de
Vila Nova, mas acabamos por nos decidir por alugar uma casinha pequena de xisto
em Casal Novo, uma das muitas Aldeias de Xisto que existem na região. 6ª feira ao fim do dia, apanhei a Aninhas
(minha companheira nesta aventura) e lá nos pusemos a caminho … duas horitas
depois aterrávamos em Casal Novo.
No sábado de manhã bem cedinho, fomos até ao Centro de
Estágio de Vila Nova com a intenção de percorrer os Trilhos dos Abutres, versão
25km. Acontece que aqui o morcão do Perneta tinha carregado o track original a
sair de Mirando do Corvo em vez do trilho marcado pela malta do Centro de
Estágio que tem quase 30km e por consequência algumas diferenças. Ainda por
cima o Centro estava fechado … valeu-nos a D.Marta, senhora da limpeza muito
simpática que além de nos facultar um mapa com os percursos, ainda nos fez uma
visita guiada ao Centro – só vos digo uma coisa, aquilo tem umas condições 5
estrelas – uma Pernetada ali é que era (uma ideia para por em prática um dia
destes) … e aproveito para agradecer a disponibilidade e simpatia da D.Marta
que provavelmente deve ler o PK todos os dias J.
Pronto … agora é só seguir as placas com o percurso 1 e
tá feito … simples, não é? Não, não é … porque existem trilhos marcados que não
estão limpos. Tem troços pequenos completamente fechados de vegetação, muitos
com Silvas (rasteiras e altas) como nunca vi – uns espinhos com ganchos que
rasgam a pele – e zonas de urtigas tão bravas que após “picada” a zona fica dormente
(tipo anestesia) montes de tempo … o
problema não era só esse, depois com a vegetação tão densa e alta, falhamos
placas e andamos perdidos. Os primeiros 3km estavam assim em boa parte e
levaram-nos de volta a Vila Nova, sem vislumbrarmos qualquer placa por muito
que andássemos para trás e para a frente. Decidimos orientarmo-nos pelo mapa
que a D.Marta nos tinha facultado e como sempre na dúvida é subir … e assim
encontramos primeiro placas do percurso 3, para depois nos perdermos outra vez (até
rimou) até que encontramos o percurso 4 e de repente darmos de frente com a
Capela da Sra.da Piedade que reconheci dos Abutres de há 3 anos … era ali que
faziam a primeira barragem de tempo, se a memória não me atraiçoa por volta dos
25km de prova. Nós levávamos uns 10km feitos. O bom é que voltamos a encontrar
o percurso 1, que era o que queríamos fazer inicialmente – a diferença é que
íamos fazer mais km o que até era bom porque o que tínhamos mais era tempo.
A partir daqui deixamos de ter qualquer dificuldade em
seguir o percurso assinalado, com excepção de uma zona onde mais uma vez a
vegetação alta fazia com que não desse para ver qualquer trilho … foi uma luta
atravessar esta “floresta” de fetos, muitos bem mais altos do que eu (e eu
tenho 1,85cm). Voltamos a perder o trilho e tivemos que “inventar” … na dúvida
sobe, e lá no alto víamos as eólicas … lembro-me de ter passado eólicas em
2014. Um pouco mais acima reconheci uma capela antiga e lá estavam novamente as
placas. Siga até às eólicas … mas o percurso 1 não ia lá acima, apenas o
percurso 2 (da Ultra de 55km) … fomos na mesma, confesso que foi
por vontade da Ana… “já que estamos
aqui” … consultado o mapa da D.Marta ir às eólicas correspondia a um desvio de
3 ou 4km antes de voltar a entrar no percurso conjunto 1 + 2 … bora …. e lá
subimos aos mais de 950m de altitude e valeu mesmo a pena.
Agora siga até Gondramaz, Aldeia de Xisto que já se via
numa das encostas … só que o trilho que nos deveria lá levar directamente
estava intransponível, a não ser que levássemos ferramentas próprias para andar
a abrir caminho … ali não dava mesmo. Solução: seguir pelas estradas florestais
e alcatrão. Ainda tivemos um encontro imediato com um veado que nos assustou ao
fugir de nós – ficamos sem saber quem apanhou o maior susto, se ele, se nós J. Chegados a Gondramaz estava na hora de beber uma mine …
uiiii, tão boa que estava … com aquele calor não havia nada melhor (só mesmo se
fosse Super Bock) e se houvesse Sandes (uma Dª Alice ali é que era J)…
Agora é a descer até Mirando do Corvo … voltamos ao rio,
trilhos espectaculares, cascatas … tudo
muito bem assinalado … espectacular. A Aninhas ia com o diabo no corpo, sempre
a correr … estava a dar-lhe um gozo enorme e eu vi-me e desejei-me para não
ficar muito para trás … raio da moça, deve pensar que eu tenho a idade dela J
Estava eu a gabar a malta responsável por estes trilhos,
quando nos últimos km antes de chegar a Espinho, junto de uma levada, voltam os trilhos cheios de silvas … e quem
disse que no verão não existe lama pelos Trilhos dos Abutres??? Existe e dá
para enterrar até ao tornozelo J
recorde de distância da Ana... passagem dos 30km ... iria chegar aos 40km ... ganda maquina ;)
… finalmente chegamos a Espinho, pouco depois entramos em
Miranda do Corvo sempre a rolar a bom ritmo e perdemos o rasto ás placas definitivamente. Temos
de regressar a Vila Nova - como eu me lembrava que os Abutres passam no Parque
Biológico ainda fomos até lá ver se encontrávamos as placas mas nada feito … decidimos
voltar pelo alcatrão para não arriscar, afinal já andávamos naquilo há muitas
horas. Chegamos a Vila Nova com quase 9 horas, 40km percorridos e um
desnível positivo acima dos 1700m.
Muito bom, percurso muito bonito, duro … esteve calor,
mas grande parte do percurso é protegido por florestas que criam sombras que o
tornam mais fresco, e de vez em quando corria uma brisa refrescante que era uma
delícia. E claro, os riachos e as cascatas tb foram aproveitados para
refrescar.
Único ponto negativo para as partes com a vegetação tão
alta e agressiva… tratando-se de percursos oficiais, promovidos pelo Centro de Estágio de Trail e
BTT de Vila Nova, e estando na época alta, sou da opinião que deveriam estar
minimamente limpos – não sei quem é responsável por estes trilhos, mas penso
ser a Camara de Miranda do Corvo. Atenção que não pretendo uma limpeza tipo
“auto-estrada”, mas o mínimo para que não tenhamos que levar tantos lanhos nas
pernas e braços para casa e se possa avançar um pouco melhor.
1º dia concluído …. amanhã será outro dia….
















































