quarta-feira

Volta a Santa Maria da Feira 2021 - venham connosco...

 

Luis Lobo, João Sousa e Carlos Cardoso ... que medo

Era sábado de manhã, o tempo estava seco, a temperatura bem fresquinha ainda  quando o relógio apontou as 7h08 e estes 3 estarolas arrancaram para a Volta ao Concelho da Feira onde o principal objectivo era colocar os pezinhos em todas as localidades do Concelho – 31 no total.

Carregado nos nossos relógios um track que nos iria servir de guia, as nossas linhas mestras para que não houvesse falhas. Pai desta “criança” e mentor deste projecto o Domingos Gomes que infelizmente não pode participar. Como já tinha referido no texto anterior, esta ideia já tem uns 2 ou 3 anos, nasceu do Domingos que a partilhou comigo … precisamos deste tempo todo e uma pandemia para que a aventura andasse para a frente. 

A primeira versão era mesmo uma volta (mais por fora) que se não me engano dava uns 115km … depois a ideia passou para ir a todas as freguesias e atingiu 135km, depois era fixe ir ver alguns pontos altos em cada localidade e passou para 150km, mais uns acrescentos e já eram 155 para finalmente acabar nos 160km com os quais arrancámos. Escusado dizer que não me atrevi mais a questionar o Domingos porque como podem ver, cada vez que o fazia a distância aumentava 😊

A noite anterior tinha sido curta … o comboio do Luis atrasou um pouco e já jantamos perto das 23h. Deitei-me quase à uma da manhã para levantar às 6h … eram 5h e pouco e já estava bem desperto … embora poucas horas tenho a dizer que foram bem dormidas e ao contrário de muitas outras vezes estava bastante tranquilo – não sei se foi por já ter alguma experiência nesta coisa de longas distâncias, por ter feito uma boa preparação, por ir correr em “casa” ou por ser uma aventura com amigos – talvez um pouco de tudo.

o Luis com o seu pequeno-almoço habitual ... sande de queijo e uma cerveja

Um velho Perneta (eu), um Jovem Traquina (João) e um Alentejano de gema nascido no Algarve (Luis) … falando português é caso para se dizer … fodeu-se 😊

O cenário para a partida e chegada só podia ser o majestoso Castelo da Feira, ex-libris do nosso Concelho … o início do percurso levou-nos pelo parte velha da cidade para passar pela Camara e seguimos em direcção a Arrifana, passando por Sanfins e Fornos … esta parte é maioritariamente a subir. Logo nos primeiros km deu para perceber que o track não era 100% fidedigno visto os pontos GPS estarem um pouco afastados … nada que já não estivéssemos à espera e fácil de resolver para quem tem alguma experiência e ainda por cima conhece a zona razoavelmente bem. Nestes primeiros km tivemos a companhia ainda do Tiago que apareceu de surpresa no Castelo.




O percurso quase todo foi um misto entre estrada e trilhos … a primeira metade viria a ter mais trilhos e a segunda mais estrada.

Chegamos a Arrifana com ca. de 8km, um ou outro pequeno engano e a um ritmo bem razoável para quem começou logo de início a caminhar nas subidas que apareciam. Só corremos em plano e a descer de forma a poupar energia. Os meus dois compinchas são autênticos cavalos de corrida, muito mais rápidos que eu, mas dos 3 o que tinha experiência nesta coisa de longas distâncias era eu … e como sou o mais velho eles só tinham que respeitar a táctica, certo? Certo 😊 … além disso isto era um “passeio” e não uma competição.


A única preocupação era o Luis Lobo ter que apanhar o comboio no domingo, às 15h em Espinho. Temos tempo …

Chegados a Arrifana o percurso começou a descer por Escapães em direcção a Milheirós e à famosa Praia Fluvial da Mamoa (onde o Tiago nos deixou), de onde continuamos para Romariz pelo caminho mais longo mas também mais bonito .. pelos montes 😊 … aqui o ritmo baixou um pouco devido ao tipo de piso bastante empedrado. A equipinha continuava muito bem-disposta, a contar histórias e na puta da galhofa como deve ser. Andamos muito por Romariz, por montes e vales, por umas estradas antigas em pedra tipo vias romanas, por campos, fomos à Igreja e só falhamos o Castro (por pouco) porque nos enganamos no percurso.





O calor já se começava a fazer sentir e lembro-me bem que por volta dos 20km me estarem a doer as pernas e ir a pensar que ainda era muito cedo para isso acontecer – não entrei em grandes alarmismos pois já me tinha acontecido em outras ocasiões.

De Romariz seguimos pela periferia de Louredo onde uma senhora simpática nos deu água fresquinha de um poço para abastecermos os bidons – gente boa encontra sempre gente boa pronta a ajudar 😊. A temperatura tinha subido bastante e já se suava bem mais e por isso era preciso repor mais como é lógico. Muito se bebeu e muito xixizinho se fez … sempre a controlar a cor para antecipar qualquer sinal de desidratação. Seguimos pelo Vale, passamos na Igreja e seguimos direcção a Gião.




“Ó Daniiii” … grita o João Sousa … nem um minuto depois o Daniel está cá fora, outro minuto depois chegam as minis pretas e a sangria fresca que naquela hora souberam que nem ginjas … obrigado ao Daniel, que durante a tarde nos 10.000m de pista no Campeonato Regional em Vagos viria a bater o seu recorde pessoal ficando no minuto 34 … ganda cavalo 😊

De Gião seguimos para Guizande (mais um Igreja) para de seguida chegar a Pigeiros … depois de bastantes km em alcatrão, junto ao Parque de Lazer de Várzea entramos novamente em trilhos, estes que nos são sobejamente conhecidos, sempre junto ao rio Uíma até às Caldas de S.Jorge … pelo meio atingimos a marca da Maratona com uma média aproximada de 8,45m/km … demasiado lento pensarão vocês, demasiado rápido digo eu 😉 … mas siga …







Nas Caldas aproveitamos as Fonte nas Termas para voltar a abastecer de água fresca. Agora era entrar nos passadiços e seguir em direcção a Fiães … 6km para o primeiro abastecimento organizado … venha o nosso almoço que a barriguinha já pede algo mais consistente do que barras energéticas!!!

Chegamos primeiro que o almoço, eram 14h 😊 … 2 minutos depois chegava a Ana (esposa do João) com uns franguinhos de churrasco, broa e batata frita … para acompanhar umas minis frescas. Maravilha. Chegaram tb os meus pais com uma aletria e com a Pikinita que nos iria fazer companhia nos próximos 36km. Aproveitamos para descansar um pouco … as pernas já acusavam os 50km percorridos e íamos entrar na tarde que além do calor nos iria oferecer a parte mais difícil do percurso que na teoria seriam as serras de Canedo, o Quintal dos Pernetas. Objectivo era chegar ainda com luz do dia ao Carvoeiro (86km) onde nos esperava o nosso jantar … sim, aqui só se pensa em comer e beber 😊






ela é negra car@%$%

Obrigado pelos franguinhos Ana

a Pikinita pronta para o treino de 36km

Luis com enorme apoio da filhota

a minha Pikinita é gira ... e vê mal ;)

os meus velhinhos não falham .. a minha mãe dá-me cabo da cabeça por causa destas loucuras mas é a primeira a dizer presente

vai estar solzinho durante a tarde...

hidratar bem é importante ...


tá na hora de seguir viagem ... obrigado a todos!!!

Faltavam poucos minutos para as 15h quando arrancamos fazendo os passadiços até ao fim, saindo na Tabuaça em direcção a Lobão que atravessamos de lés a lés …novamente um misto entre estrada e trilhos que nos custou para caraças. Não foi pelas subidas, ou pelo pico do calor … pode ter ajudado talvez, mas foi porque é normal que assim seja … nestas coisas das muito longas distâncias a partir do momento em que a coisa deixa de ser quase só física o psicológico faz toda a diferença … e esse oscila entre o fantasticamente bem capaz de vencer todos os obstáculos do mundo e o mais fundo dos poços negros que possamos imaginar, às vezes numa questão de minutos. Mas tb sei pelas experiências que já vivi que por mais fundo que esse poço seja, se tiveres a força para continuar e juntando uma boa dose de paciência, ali ao virar da esquina, vem novamente um momento bom.




não estava fácil nesta altura ...

Não estávamos no poço mais profundo, longe disso, mas estávamos a passar a pior fase até ao momento. Acho que o facto de estar ali a Pikinita nos ajudou bastante porque sempre se foi falando e rindo das misérias pelo que estávamos a passar. Os meus pés já acusavam o esforço e já sabia que não me safava das famosas bolhas .. ainda por cima tivemos uma travessia de rio que não se consegue evitar … molhar os pés com eles no estado em que estava não é aconselhável, por outro lado a água fresca do ribeiro no momento soube pela vida.







Mesmo assim chegamos à D.Alice  (lugar de Parada, Louredo …68km) no tempo previsto … gastamos as 3h que tínhamos para lá chegar … hora de uma última pausa antes de entrarmos definitivamente nas serras. Lá estava o Bruno e o Elisio no apoio – já não deu foi para eles nos acompanharem até ao Carvoeiro como estava previsto. Mais umas minis, água com fartura e as famosas sandes de presunto com ovo que foram colocadas na mochila – ainda não havia fome e os próximos 18km seriam de pura serra sem hipóteses de reabastecer – há que prevenir.

Bruno, Elisio e Sérgio no apoio ...

não sei se já tinha referido, mas é importante não descurar a hidratação

Até ao Marco dos 4 Concelhos foi praticamente sempre a subir por trilhos empedrados e estradões em terra … lá chegados tínhamos o Sérgio (amigo do João) à espera … tinha-nos trazido de mota o que sobrou do garrafão da água que tínhamos comprado na D.Alice … grande Sérgio, obrigado 😊 … aproveitamos a famosa mesa dos presidentes para morfar a sandocha, descansar um pouco e meter uns Guronsan Energy no bucho. Sigaaaa…


sempre a subir...

Os próximos 2km foram na crista da Serra …é o nosso Quintal, conheço cada cantinho daquilo mas por mais que lá volte é sempre um deslumbre. Era fim do dia, já se notava que o sol se iria por daqui a pouco mais de uma hora … a temperatura estava mais amena, as cores primaveris da serra lindas de morrer … um quadro fantástico. Ainda há 1 hora atrás estávamos a “morrer” para chegar à D.Alice e agora estávamos vivinhos da Silva a curtir cada momento …

… alto do Camouco, ponto mais alto de todo o percurso!!! Eu sou suspeito, mas aquilo é lindo … podes vir cansado, mas basta olhares à volta, inspirar duas vezes fundo e absorver todo aquele cenário para recarregar as baterias num instante …









Uma catrefada de fotos e siga que se faz tarde … agora é descer às margens do Inha .. são 4km que não são fáceis pelo tipo de piso e a inclinação que além de te dar cabo dos posteriores são um massacre para uns pés que já vem massacrados – é que a brincar a brincar já levamos 75km. Evitamos a descida habitual dos Trilhos dos Pernetas e optamos por uns estradões menos técnicos … a inclinação é a mesma mas os pés agradecem o piso menos empedrado.



O rio Inha lá corre calmamente em direcção ao Douro … anda muito limpo e por isso transparente nos últimos tempos. Uma maravilha esta zona ribeira … no lugar do Inha encontramos o Domingos que aproveitou um tempinho que tinha para fazer um treino e nos vir dar o seu apoio pessoalmente .. tenho mesmo muita pena que não lhe tenha sido possível participar porque ele merecia, é o pai desta criança.

cá está ele ... o pai da criança, o Domingos ...

Estava a escurecer muito rapidamente pelo que optamos seguir para o Carvoeiro por estrada e não por trilhos como nos dizia o track. Primeiro subindo por Val Cova (Canedo), zona onde atingimos os 80km e consequentemente metade da aventura, e depois descendo até ao Carvoeiro, perto de 4km sempre a correr a bom ritmo.


Chegamos ao Carvoeiro (Aldeia de Portugal pertencente a Canedo junto ao rio douro) pelas 21h15 com 86km como previsto e lá estava o Carlos Oliveira com um abastecimento de luxo à nossa espera. Tb estava lá novamente a Ana, o filhote, a Barbara (filho do Luis) … sabe tão bem ter os nossos por perto nestas coisas – eu tinha a minha Pikinita que embora estivesse cheia de vontade por continuar iria dar o seu treino por terminado.

quem pode pode ...

que luxo ... ganda Carlos Oliveira

Sopa quentinha para aquecer (o tempo estava frio), uma massaroca que a minha mãe tinha feito para nos encher de hidratos, aletria, chocolates, fruta, barras, cerveja, cidra, Coca-Cola e nem sei mais o quê. Grande Carlos Oliveira que tb nos deu uma musiquinha religiosa à chegada – talvez como extrema unção 😊 … também nos transportou uns sacos com uma muda de roupa, os frontais e mais alguma comida para enfrentarmos a noite o mais preparados e confortáveis possível. Aproveitamos para descansar bem … mesmo com todas as dificuldades desde o almoço tínhamos conseguido manter a média com que saímos de Fiães … ligeiramente abaixo dos 10m/km.

Estava com frio … tinha mudado de roupa, colocado umas camisolas secas, optei por manguitos em vez de térmica de manga comprida e um colete corta-vento. Não tinha colocado luvas no saco – da próxima não esqueço – sempre a aprender. Ali junto ao rio Douro faz mais frio ainda. Siga mas é.

Siga que se faz tarde ....

Saímos do Carvoeiro por volta das dez da noite … beijoca à Pikinita, despedir daquela malta boa e siga que se faz tarde … venha a noite, uma experiência nova para os meus dois compinchas de aventura. Com a paragem a média tinha aumentado para 10,40m/km.

Seguimos em direcção a Vila Maior num percurso que ia alternando trilhos e estrada … como sempre as primeiras centenas de metros depois de uma paragam são feitos a caminhar para desenferrujar as pernas e o esqueleto e acomodar os pés cheios de bolhas nas sapatilhas. Foram 9km para chegar ao Campo de Futebol de Vila Maior onde tínhamos o António Martins à nossa espera para fazer um treino nocturno – tinha combinado com o João acompanhar-nos dali. Foi bom ter companhia nova … ao fim de tantas horas um elemento novo trás sempre novas conversas que ajudam a distrair a mente.


Próximo objectivo era o alto do S.Bartolomeu em Sanguedo onde nos esperava a Teresa e o Flávio com um belo termos de café quentinho. O desejo por um café era mais que muito … seria meia-noite e o último café tinha sido na D.Alice há umas boas 8 horas atrás. Mais um percurso misto de estrada e trilhos … mais trilhos com a conquista de Sanguedo a ser feito pelo gasoduto onde o João atingiu pela primeira vez a marca dos 100km a pé … estranho um moço com tantas maluquices feitas ainda não ter feito esta marca. Fartamo-nos de rir com aquela ideia de os primeiros três dígitos dele terem sido feito em Sanguedo … todos nós planeamos uma prova mítica, numa bela serra ou montanha para os fazer … qual Mont-Blanc. Gerês ou Estrela … o João Sousa fez os seus primeiros 100km em Sanguedo 😊

Aquele café no S.Bartolomeu (e uma fatia de pão de ló) soube pela vida … a sério … obrigado Teresa e Flávio … é daqueles momentos em que já podes morrer que vais feliz … mas não podíamos morrer ainda porque ainda havia uns 55km para fazer … sigaaa … mas antes ainda nos fartamos de rir porque a boa disposição reinava e o Tiago decidiu voltar a aparecer vestido de pijama e robe e com uma camisola dos Pernetas por baixo … estava na cama, e lembrou-se de vir ver como a coisa estava a andar … a sério??? Só nos aparecem doidos.

100km em Sanguedo não é para qualquer um ...

mais uns anjos que nos apareceram ... obrigado Flavio e Teresa
 

Siga para o Parque de Lazer de Argoncilhe – que não vimos porque decidimos seguir um caminho diferente e deu merda 😊 … de noite todos os gatos são pardos 😉. Mas vimos o pavilhão desportivo, a Igreja e o Campo de futebol … foi durante este percurso que o João levou com a marretada do sono … que riso … o moço praticamente a dormir de pé parecia que tinha bebido uma dúzia de gins … com piadas, cantorias e a levar o rapaz pelo braço lá se foi avançando … o sono é tramado e às vezes basta dormir 10 ou 15min para resolver o assunto – mas era para seguir … isso passa 😊 … seguimos para a Vergada, atravessamos a nacional N1 novamente para chegar a Mozelos via Nogueira da Regedoura.



O track levava-nos agora em zigue-zagues por Mozelos, SP Oleiros até à Quinta do Engenho Novo em Paços de Brandão. Decidimos descer a estrada que vem do Picoto a direito … foram praticamente 5km seguidos a correr a bom ritmo desde a Igreja de Mozelos, passando o Continente de Lamas, Galp, Corticeira Amorim, Linha do Vouga, Fábrica de Papel, Hospital de Oleiros e finalmente a Quinta do Engenho Novo … estes km foram feitos em silêncio, apenas se ouviam os nossos passos e o arfar dos cavalos.


O track levava-nos pelo interior da quinta mas decidimos fazer por fora – era noite cerrada, não havia nada para ver. As minhas pernas já ganiam (penso que a dos companheiros tb) e aquela subida veio mesmo a calhar para nos obrigar a caminhar. Vinha um pouco preocupado com o Luis que se vinha a queixar de uma dor lateral num pé desde os 80km. Cremes e anti-inflamatório não estavam a ajudar, mas como ele mesmo dizia … “não está pior, estabilizou” … alentejano duro do catano!!! 118km percorridos. Já não faltava tudo mas voltou a entrar-se numa fase complicada, mais um poço 😉

A noite, os cansaço e o conta quilómetros que parece não querer andar … quem já passou por isto sabe do que falo. Ficamos rabujentos, como costumo dizer tipo “Gru-maldisposto” … passamos pelo centro de Paços de Brandão e o próximo ponto era o Parque de Lamas … se fosse a direito era um tirinho, mas o percurso leva-nos a fazer uma volta pelo Museu do Papel, ou seja, chegamos a andar para trás. Numa altura destas em que vais literalmente fodido da vida é muito mau, ainda por cima conhecendo a zona e sabendo que encurtavas a coisa em praí um quilometro … agora dá para rir, mas acreditem que um quilómetro naquela altura vale ouro.



É a vez do Luis Lobo levar com a marretada do sono … quem se apercebe do zombie a caminhar e a dormir ao mesmo tempo é o Martins que o agarra pelo braço … estão a ver o Pai da noiva a levar a menina ao altar? … é mais ou menos isso 😊 … estes episódios ajudam, fazem rir e lá se vai andando. Houve outro episódio que ajudou .. um telefonema do Albuquerque … eram 4 da manhã e estava a perguntar onde estávamos e que precisamos. Caféeeeeeeeee…. o meu reinado por um café!!!

Foi já à saída de Lamas, na variante para Lourosa que o Anjo Albuquerque apareceu … cafezinho quentinho maravilha, regueifa doce aquecida com manteiga ou manteiga de amendoim, bolachas … um luxo… eram 4h30 da manhã, tínhamos ca.125km feitos. Albuquerque, és um anjo!!!


Pouco depois estávamos a passar a zona da Pedreira em Lourosa – consegui um objectivo que era passar Lourosa de noite para ninguém me ver (um dia destes levo uma carga de porrada daquela malta que nem é bom … é brincadeirinha pessoal, não levem a mal 😉) … descemos a S.J Vêr onde junto ao estádio estava um carro com a porta aberta … era o Alcides Barbosa que apareceu para fazer companhia nos últimos km.


Seguimos para Rio Meão altura em que o dia começou a nascer … tenho por experiência que o nascer do sol costuma ser um pau de dois bicos. O alivio de a noite já ter passado e um inexplicável perder de energia (já me aconteceu por duas ou três vezes) … desta vez foi um pouco diferente, pelo menos para mim … naturalmente cansado das quase 24 horas a correr e caminhar até que estava animado … ainda bem.



João, Martins e Barbosa a guarda-costas ... um luxo

Passamos pelo meio do Europarque a bater as 24h e com sensivelmente 135km feitos. Seguiram-se Espargo, depois Travanca … o percurso leva-nos pelas Igrejas destas freguesias. De vez em quando alterávamos o percurso do track, indo por estrada em vez de trilhos para poupar os pés demasiado massacrados. Isto levou a alguns problemas, termos que voltar para trás … nuns sítios mais distância e noutros menos. Isto não seria problema absolutamente nenhum se fosse num treininho normal, agora nesta fase em que a tua cabeça já só faz contas para chegar é complicado e faz sair o tal “Gru Maldisposto” que há em ti.




O Martins que conhece bem a zona diz que provavelmente não vamos passar no Souto … o João dizia que devíamos lá ir … eu queria que o Souto se fodesse na altura … o Luis não queria saber de nada … para o Alcides estava tudo bem … para ir ao Souto a volta seria maior … vamos seguir o track!!!

E seguimos para Mosteirô … reconheci o caminho do percurso  “Travessas e Vielas” e a fazer contas de cabeça achava que assim só íamos fazer 150km ou até menos. O João só dizia que tinha que fazer 100 milhas nem que andasse às voltas ao Castelo e apetecia-lhe apertar o pescoço a mim e ao Luis  … o Luis continuava a dizer que por ele tudo bem mas lixado do pé e a cara dele a dizer que só quer chegar o mais rapidamente possível … eu apetecia-me apertar o pescoço ao João por querer fazer 100 milhas … o Martins e o Barbosa a assistir de 1ª fila a este espectáculo sem pagar bilhete … maravilha.

A verdade é que ainda demos uma volta ao quarteirão em Mosteirô por umas vielas lindíssimos que já conhecia e que valem mesmo a pena quando não tens mais de 140km nas pernas. O sol já batia mais forte novamente. 






Chegados à Igreja de Mosteirô decidimos de manter a táctica de evitar trilhos e fazer o percurso por estrada … corremos enquanto foi a descer e plano até ao Ecoponto e nas subidas caminhamos … foi na subida para Fornos que nos apareceu esta placa …

safamo-nos ... ufa ...

… salvos … afinal sempre se coloca o pé em Souto e com isso o objectivo de ir a todas as 31 freguesias do Concelho ficava completo.

Mas não pensem que o ambiente melhorou … o João estava lixado porque queria fazer 100 milhas … agora dá para rir das nossas figurinhas porque a nossa cabeça é do caraças … e começou a fazer piscinas para acrescentar uns metros à distância dele …

Último cruzamento já em Fornos e já cheira a Castelo … pouco mais de 1km para a meta. Eu estava de rastos física e psicologicamente. Estava feito mas não conseguia estar radiante o que é estranho.

Já se vê o Castelo … lá vem o João em mais uma piscina para se juntar a nós e acabarmos juntos esta aventura. Pouco passava das 10h.



Á nossa espera a Pikinita, a Barbara, a Ana, o Igor, o Sérgio, o Badolas, a Andreia, o Martim, umas minis e umas coca colas frescas. Foda-se, está feita!!!! Objectivo cumprido e bem cumprido … 27h e uns minutos, ca.155km no meu relógio, 156km no do João e o do Luis tinha desligado com 21h (por isso não conta, vai ter que repetir 😊). Um ritmo médio abaixo dos 10,30m/km o que para esta distância é muito bom, pelo menos para o meu nível. Fantástico!

ganda Sérgio ...

Badolas, Martim e Andreia

Mas acham que já acabou? Só mais um bocadinho porque o João continuava a barafustar e que ia fazer as 100 milhas …vais, mas não vais sozinho… ele arrancou, juntou-se o Martins … eu tirei a mochila e juntei-me … demos 4 voltas ao Castelo e depois formos dar um giro maior que já estava a ficar ourado … 4km a um ritmo “infernal” que chegou a baixar ligeiramente os 5m/km … acreditam? Pois … o que a mente consegue fazer … há uns 10 minutos estava todo lixado a arrastar-me a cada passo, agora ali estava eu a correr a 5min/km com quase 160km nas pernas e sem dormir há 27 horas… coisas que se aprendem, o nosso corpo e a nossa mente são fantásticos 😉



cá vem ele a acabar as suas primeiras 100 milhas ...

Pronto … chega que isto já vai longo.

Resumindo, mais uma aventura das grandes concluída, mais umas belas experiências e histórias para contar … uma vez mais com amigos por perto. Não posso pedir mais.



Obrigado João e Luis por terem embarcado nesta brincadeira comigo e desculpem lá qualquer coisinha 😉

Obrigado a todos vocês que nos ajudaram e foram tantos, no apoio no terreno a acompanhar em parte, com abastecimentos, com mimo, por telefonema, sms ou a mandar uns bitaites nas redes sociais aos vídeos que íamos postando. Tudo isto é mesmo muito importante porque te sentes apoiado, sentes que tem pessoas que estão a acompanhar e a torcer para que a aventura tenha um final feliz, muitas que nem te conhecem pessoalmente. Muito mas mesmo muito obrigado a todos!!!

Venha a próxima … vamos lá ver se o Mestre Moutinho tem uma carta de condolências para mim 😉

ca puta de tripla ...


segunda-feira

Volta a Santa Maria da Feira - vão ser 160km com 5000mD+

 


Já há meses que ando por aqui a dizer que ia embarcar numa grande aventura em Abril … chegou a hora. É já este fim de semana que chega o primeiro grande desafio desportivo de 2021. Sábado pelas 7h da manhã arrancamos para a Voltinha ao Concelho da Feira que terá uns impressionantes 160km e um desnível positivo previsto de 5000m.

Não vou sozinho … aceitaram o desafio o Luis Lobo e o João Sousa, dois cavalos de corrida a quem vou ter que amarrar umas cordas para não me rebentarem logo nos primeiros km 😊 … aliás, os dois tiveram que assinar um documento em comprometer-se que isto será feito com a táctica Perneta-Mor … gerir o esforço desde o inicio, calminha e paciência – tb podem ver isto como ir andando, curtir o passeio e a companhia, visitar alguns tascos pelo caminho e tirar umas belas fotos para quando formos velhinhos e a memória começar a falhar elas nos ajudarem a contar a história aos netos 😊 … já estou com pena deles mas ninguém lhes apontou uma pistola à cabeça, agora aguentem.

Tenho que me referir aqui ao Domingos Gomes, o pai desta criança. A ideia de uma Volta ao Concelho é toda dele assim como o percurso desenhado é dele também. Já me falou neste projecto há uns anos mas facto é que fomos sempre adiando o passar à acção. Com esta história de confinamento a ideia voltou a surgir no final de 2020, foi-se treinando como se pode e marcamos a data há coisa de mês e meio, se as condições o permitissem como é o caso. Infelizmente não lhe será possível participar e tenho mesmo muita pena … se alguém merecia fazer esta primeira edição era ele, o verdadeiro mentor da ideia.

Outro que estava previsto embarcar na aventura e que respondeu logo como “presente” era o Nuno Lima, o meu velhinho companheiro das maiores aventuras de corrida até à data. Acontece que o homem anda já há uns meses com um problema no joelho que o impossibilita de treinar corrida mais a sério … ainda tentou, mas há duas semanas tomou a decisão sensata de não alinhar. Paciência... outras aventuras faremos.

Que mais posso dizer … estou em pulgas por esta aventura. Vamos percorrer o nosso Concelho, o percurso irá levar-nos a todas as freguesias e fazer passar por muitos dos pontos de interesse que cada uma oferece …. será um misto entre alcatrão e trilhos … vamos passar em muitos trilhos que já conhecemos, entre outros parte dos nossos Trilhos dos Pernetas.

A companhia é do melhor que podia pedir … foi este blogue que me deu o Luis há alguns anos e a empatia entre os dois foi imediata. Desportivamente já partilhamos muitas aventuras juntos (os meusprimeiros 3 dígitos por exemplo, ou umas Maratonas no estrangeiro, entre outros). Mas é muito mais que isso … conhecemos as famílias um do outro, visitamo-nos sempre que vamos ao sul ou ele vem ao norte … ainda em Julho passado pegou nos filhos e mandou-se para a Beira Baixa acompanhar a minha PT281 … é o meu irmão alentejano e está tudo dito.

uma das fotos de corrida mais brutais que conheço ...Maratona de Estocolmo (ou terá sido Helsinquia?) .., o Lobo a ser perseguido por uma multidão de atletas ... foi o melhor português, sabiam? Ah pois é bebé ...

O João dispensa grandes apresentações, pelo menos na nossa zona – toda a gente o conhece, seja das bicicletas, da corrida ou outra coisa qualquer, logo que seja para se desafiar. É aquele rapaz com aquela dose de “loucura” boa, que vive estas coisas de forma intensa … tem aproveitado esta fase sem provas para cometer loucuras umas atrás das outras, sempre com aquele sorriso de “puto reguila” de orelha a orelha … coração enorme e por isso tb muito boa onda. Nunca na vida me vou esquecer deste chavalo a inscrever-se num Ironman sem saber nadar … isto a poucos meses de se realizar … maluco? Sim … impossível? Não … ele provou que não como tem feito a maior parte das vezes em que se mete em loucuras (e olhem que não são poucas). Ahhh ... será a estreia nos 3 digitos a pedantes.

... aqui está ele numa daquelas loucuras tão tipicas do moço ... fez o Everesting na escadaria dos Guindais no Porto ... ou seja, basicamente andou a subir e a descer as escadas durante um dia inteiro para atingir a altimetria do Evereste (quatrilhões de metros de D+) ... olhem os tracinhos no poste ;) ... é maluco ou não é? Foi ou não foi bem escolhido para embarcar na equipa da Voltinha ao Concelho?

Tenho pena deles … vão ter que me aturar, mas é o preço a pagar 😊

Sábado, 7 da matina começa a aventura que espero tenha um final feliz … vou dando notícias sobre o evoluir da coisa pelo meu Facebook. Tic tac tic tac 😊

Voltinha ao Concelho da Feira ... 1ª Ultra de 2021

 

Ontem foi dia ultralongo! No plano estava um treino de 6h que decidi que seriam feitas basicamente por estrada. A previsão de tempo apontava para sol e calor e assim haveria sempre possibilidade de abastecer com água … o quintal dos Pernetas tem esse problema, pela serra não existem pontos de água, existe o rio Inha e existe uma ou outra localidade onde eventualmente se poderia passar e pedir água nas casas. Não havia necessidade para andar com essa preocupação.

Desafiei a Pikinita a acompanhar-me em parte do treino … a ideia era ela fazer ca.4h, depois deixá-la em casa e seguir sozinho para mais duas horas. Delineei um percurso base e não se pensou mais nisso. A ideia inicial era fazer 50km, gerir o esforço entre correr e caminhar para chegar ao fim com aquela sensação de que dava para continuar. 6h de gestão … era esse o objectivo.

Combinamos sair às 8h … levantei-me por volta das 7h para preparar os abastecimentos, líquidos e sólidos. Levei 4 flasks de 500ml comigo, uma sandes de presunto e queijo com ovo cozido, barrei dois wraps com nutella e meti 4 geis no bolso. Uma saquinha com Dyoralites, Guronsan Energy e claro, os imprescindíveis vaselina, manta térmica e o pacotinho de lenços de papel. Também meti uma factura da luz e o CC num dos bolsos, just in case … Não iriamos sair do concelho, mas nunca se sabe se nestas alturas nos aparecem os senhores guardas e a gente precise de provar onde residimos não é? 😉

Escusado dizer que saímos atrasados, meia horita … sem stress.

novidade para levar em treino ... funcionou bem

a Pikinita estava cheio de vontade ... só que não 

Os primeiros 6km foram sempre a subir, da Feira à Big Cansil … 300m D+ logo a abrir as hostilidade, feitos sempre a correr devagar devagarinho … as pernas estavam perras mas fez-se. Deu logo para ver que ninguém ia ficar em casa … carros na estrada eram mais que muitos, ciclistas em grandes grupos aos magotes … enfim.

Chegamos à Big Cansil (quando me lembro que vinha gente de todo o País para esta Discoteca … não frequentava muito, não era apreciador da música que lá passavam, mas vi lá alguns bons concertos e tive uma ou outra noite com umas belas histórias para contar (no topo a despedida de solteiro do meu amigo Bruno, não o dos Pernetas, o cunhado dele … ca put@ 😊… na noite em que soube que o Kurt Cobain morreu estive lá, esperei religiosamente pelas 3h da manhã, altura em que passavam sempre meia hora de rock mais pesado, era a minha meia hora … tudo a sair da pista e o Carlitos e mais meia dúzia de gajos (só gajos) a tomarem conta do tasco … nessa noite abriu com “smell like teen spirits” … ) … bons tempos, agora está tudo ao abandono, já nem as matinés de bailarico para o engate da malta divorciada acima dos 60 fazem … está à venda … se alguém estiver interessado, força nisso 😉

já saí por aquele portão sem me lembrar como ...

Depois descemos às Caldas … como tudo o que sobe desce, agora foram quase 5km sempre a descer. Paragem nas termas para abastecer de água na fonte e siga em direcção a Canedo, passando por Lobão e Gião … não sei se chegamos a entrar em Guisande .... um pouco antes de chegar à antiga Discoteca Hollywood deu-me o “piquinho”, e como digo sempre, não vale a pena andar a carrega-lo muito tempo, é procurar soltar o javali logo que possível … fizemos uma incursão à direita por estradas secundárias (se não entramos em Guisande pouco faltou) para encontrar um mato onde encontrei uma trincheira à maneira para fazer a largada. Senti-me um soldado entrincheirado da 2ª guerra mundial 😊 … olhem que fazer agachamento com 15km nas pernas já não é assim tão fácil 😉

as Termas das Caldas ... curiosamente nunca lá entrei

Sigaaaa … paramos em frente à Hollywood para uma foto … se frequentei pouco a Big Cansil, muito menos frequentei a Hollywood. Mas foi durante muitos anos uma discoteca de sucesso na zona, sempre a abarrotar de gente … lembro-me que tinha um bom Grill e de uma passagem de ano em que estive a noite toda sentado num canto a rir-me que nem um perdido das figurinhas que vi … não me perguntem como lá fui parar.

Discoteca Hollywood ... os cachorros eram bons, mas acho que era tudo

Seguimos viagem até à entrada de Canedo que seria o ponto mais longe de casa … teríamos uns 18km nas pernas. Descemos por Vila Maior até Sanguedo … para depois conquistar o S.Bartolomeu (fomos ver o baloiço). 


querem comprar???



o outro Castelo do nosso concelho é em Sanguedo


a Rosa do Adro

De Sanguedo seguimos para a minha terra, a terra que me viu crescer. Paragem obrigatória em casa dos meus pais onde fizemos uma pausa para comer a Sandocha e o Wrap de Nutella. 26km em 3 horas … o calor já apertava e a mini fresquinha oferecida pelo meu pai caiu que nem ginjas.

fui tão feliz aqui , 6 anos a jogar à bola e foi aqui que parti o meu rico joelhinho direito ... não fosse isso hoje não havia Perneta para ninguém

intervalo ...


só bebi uma ... juro

Uns 15 minutos depois arrancamos revigorados, mas com as pernas perras … quando se pára assim já sabemos que acontece. Nada que uma caminhada vigorosa durante uns 5 minutos não resolva … siga por Lourosa para Santa Maria de Lamas. Fizemos o percurso da estrada antiga, que eu nos meus tempos áureos do Colégio de Lamas fazia duas vezes por dia de camioneta (não era autocarro, era camioneta 😉).

Nota à parte: tenho que falar numa coisa que me revolta ... aqui foi na Igreja de Lamas, mas na noite anterior tinha visto igual ou pior na dos Passionistas na Feira e na semana passada na de SJ Vêr durante o meu treininho ... as missas realizam-se quase normalente ... são centenas de pessoas, umas em cima das outras, quase tudo com máscara mas caralho páh ... Nada contra a Igreja, não é isso ... mas havia necessidade? Não se pode transmitir online por exemplo? Eu não me posso juntar com meia dúzia de amigos para correr no monte, não posso estar sentado num parque com as minhas filhas a fazer um pic-nic, não posso ir a casa dos meus pais (ainda desta vez foi sentados cá fora a comer o lanche que levamos feitos morções) e aqui já se podem juntar às dezenas ou centenas que não há problema nenhum, o virus não pega ... fico fodido com estas merdas...

vá ... siga mas é ...

“Como te sentes?” … “não vou mal” dizia ela enquanto descíamos bem abaixo dos 6min/km. “Fazes a Maratona?” …. “pode ser …” …. Fixe para mim também, assim vou ter companhia durante mais tempo. Em vez de vir directamente por S.J.Ver para casa, fomos até à fronteira de Rio Meão, para depois sim voltar à Feira mas fazendo como dizem os Supertramp numa música … “take the long way home” … ainda tivemos que dar uma voltinha dentro do nosso bairro para a Pikinita completar a Maratona … 4h50 mais coisa menos coisa … com a paragem em casa dos meus pais pelo meio, com um percurso com um desnível interessante e o calor que se fez sentir foi muito bom. Uma maquina a minha Pikinita …quando me lembro que fizemos a Maratona de Berlimbem mais lentos 😉



PUMBASSS...

E agora? Tenho uma hora e dez minutos … estamos no pico do calor e já venho há quase uma hora a beber bem mais e a boca muitas vezes seca. Já só tenho 1 flask e meio de liquidos… os 50km estão garantidos, mas 52 é que era 😉

Podia escolher um percurso mais simples, aqui às voltas, com menos desnível não era? Não, não era … então andei por mais de metade das terras do Concelho e não ia ao nosso Castelo? Vamos embora … imprimi um ritmo certinho que me permitisse chegar aos tais 52km … tinha que andar ligeiramente abaixo dos 6m/km … com uma Maratona nas pernas e com o calor que estava pensava não ser fácil, mas foi … parei na fonte em frente à Columbófila para encher dois Flasks, bebi outros dois de rajada. Deve chegar até ao fim. Siga …

soube tão bem ...

Subida ao Castelo .. são apenas 600m, mas tem um belo de um desnível. Feitos a correr … porreiro páh … 

cá está ele ... lindo o nosso Castelo

... segui até Fornos e desci a Souto antes de voltar à Feira … um trajecto que às vezes faço quando tenho uns 10km para fazer. O ritmo ia muito vivo, ia soltinho e a fazer contas de cabeça … olha que é capaz de dar para os 53km …um ou outro km abaixo de 5min e chego à minha urbanização … 53km estão garantidos, será que consigo fazer mais 500m … o último esforço e tcharaaaaammmm…

53,55km em 6 horas certinhas … quase 1000mD+ …

Senti-me muito bem praticamente durante o treino todo, apesar do calor a gestão do esforço permitiu chegar ao fim naturalmente cansado mas não esgotado. Dava perfeitamente para continuar, e se não tivesse exagerado na última hora e em vez disso gerisse melhor o esforço, a alimentação e a hidratação ainda teria chegado em melhores condições. Muito bom mesmo.

sou ou não sou o maior carlhes!!! ...e bonito ...

Isto para quem ainda não tinha passado dos 34km este ano.

Banhinho, um bom almoço, bem regado e o resto do dia passado no sofá  … melhor era impossível 😊



Vamos ver como recupero … hoje só faço alongamentos e talvez uma caminhada. Amanhã regresso às corridas mas esta semana já é a retirar carga, softzinha … faltam menos de duas semanas para a primeira grande aventura do ano, sensivelmente 3x este treino em distância mas com muito mais desnível.

Venha ela ...

quinta-feira

484,5km em Março ... nada mau

 


Como podem ver não houve dia nenhum em Março em que não tenha feito algum tipo de exercício. Não corri todos os dias, mas quase … um dia por semana não dou corda às sapatilhas. Isto inclui alguns treinos de core, alongamentos (nem poucos, nem muitos, bastantes) ou mesmo umas caminhadas que utilizo como recuperação activa. Também faço umas voltinhas de bicicleta com a famelga mas essas não entram nestas contabilidades 😊

E como se chega a esta quilometragem? Os meus treinos de corrida raramente são abaixo da 1h e os ritmos tem aumentado um pouco … a média de um treino semanal normal ronda os 14/15km. Depois faço series às 3ªs feiras que tb estão a aumentar em distância e ritmo … a brincar a brincar quando dou por ela fiz mais de 20km nestes treinos (na última 3ª feira foram 25km). E no fim de semana tem havido longos, quase sempre com a Pikinita, sempre na ordem dos 30km por enquanto. Ao domingo temos ido para ao monte, continuamos a aproveitar os percursos do nosso concelho, de preferência a aproveitar o que ainda não conhecemos.

Voltamos ao Quintal dos Pernetas ... duas vezes



Experimentamos os Trilhos das 3 Pontes de Fornos





e tb as Ruas e Vielas de Mosteirô e Souto





Os tracks destes percursos podem ser descarregados aqui ...

Tudo somado, além dos muitos km acumulados a forma continua a subir … tenho alguma curiosidade para testar a máquina mais a sério nuns 10km ou uma Meia-Maratona. Mas como o objectivo é uma brincadeira de 160km daqui a duas semanas, tenho que ter calma 😉

Para Abril o objectivo é concluir uma aventura que no papel tem 160km e quase 6.000D+ … algo de que já falo com um amigo (que teve a ideia) há uns anos mas que nunca passou disso. Com esta coisa da pandemia abriu-se um espaço para pensar nisto a sério e agendar uma data. Esperemos que as regras permitam que 4 malucos possam passar o 17 e 18 de Abril por aí em estrada e trilhos, que os tascos possam estar abertos para nos abastecer e aturar 😊 … sobre esta aventura conto os pormenores um dia destes num post à parte.

Vá ... que Abril seja no minimo tão bom como foi Março ...