quinta-feira

O preço do km




Já algumas vezes tenho escrito por aqui a minha opinião sobre um dos assuntos que de quando em quando provoca discussões acessas no mundo das redes sociais. Nestes últimos dias vi o assunto a ser discutido por 2 vezes pelo que venho aqui dedicar um texto em exclusivo à coisa.

Refiro-me ao custo das provas de corrida, seja de estrada ou em trilhos. A questão surge sempre porque alguém se lembra de criticar os preços de uma determinada prova – o que se segue ao lançamento do assunto é normalmente um enorme debitar de “choradilhos” contra quem organiza, que vão desde comentários mais fofinhos como o “estão a enriquecer à custa da corrida” até alguns bem mais brutos onde o “chulos” é dos mais simpáticos. O que me custa mais é ver que a grande maioria das pessoas que debitam estas opiniões nunca estiveram do lado de uma organização, falam por falar, é o maldizer gratuito que infelizmente é típico do tuga … é o nem faz nem deixa fazer e tem inveja de quem faz.

Mas qual é o vosso problema? Alguém obriga alguém a inscrever-se numa prova? Felizmente ainda vivemos num país livre, pelo menos no que a inscrições em provas diz respeito. Mas afinal quem é que manda num evento, quem organiza ou o povo corredor? Querem mandar na casa dos outros? Por amor da Santa. Se uma organização decide vender algo a 10 é porque acha que o consegue fazer – não vai vender a 5 porque não quer perder dinheiro nem o vai vender a 15 porque acha que não vai conseguir, caso contrário iria fazê-lo, não tenho qualquer dúvida. Ou algum de vocês se puder vender algo a 10 vai fazê-lo a 5? O atleta vê o preço e decide se vale a pena ou não. Tão simples como isso. O que não faltam são provas ao fim de semana, de todo o tipo e feitio e para todos os bolsos – é só escolher. E se não quiser pagar nada, calça as sapatilhas e vai correr sozinho ou com amigos porque felizmente também ainda não se paga por isso – por enquanto.

Existem eventos organizados por equipas/associações que normalmente são mais em conta, menos “profissionais” o que não quer dizer que sejam menos bem organizadas. A grande maioria são menos mediáticas e não tão centralizadas nos grandes centros, seja cidades ou nas zonas naturais mais conhecidas. Estas organizações procuram ganhar algum dinheiro para ajudar nas despesas da equipa, por exemplo equipamentos, arranjos das carrinhas, ajudas nas deslocações, algum jantar, etc, etc… coisas desse tipo.

Depois temos as organizações profissionais, empresas que foram criadas com o intuito de organizar provas de forma a gerar lucros como outra empresa qualquer. Tudo é mais que legitimo como em qualquer outra área de negócio. Neste caso o produto é a corrida. E qual é o problema?

Tanto uns como outros só terão sucesso se fizerem o seu trabalho bem, se organizarem bem e derem a quem paga algo em troca, o suficiente para a pessoa que pagou achar que valeu a pena participar e voltar ano após ano ... caso contrário a lei do mercado encarregar-se-á de os colocar no sitio, ou seja, arrumar para canto. Certo? É assim não é? Se foram a um restaurante e forem mal servidos não voltam pois não?

Vocês acham mesmo que a maioria das organizações fica “rica” com as provas que organiza? Ou nós (Pernetas) andamos a fazer tudo errado ou aí está uma grande mentira – poderá haver 3 ou 4 empresas em Portugal que consigam organizar eventos a retirar excelentes margens de lucro e se o conseguem é porque algo estão a fazer bem ou muito bem, certo? Em vez de os criticarmos, para não dizer invejarmos, acho que deveríamos era de lhes bater palmas e admirar o trabalho que fazem e o sucesso que tem, pois colocam muitos milhares de pessoas nas estradas e trilhos, pagando por isso, é certo, mas dando a essas pessoas um sentimento que valeu a pena – se voltam ano após ano é porque foi assim, certo?.

Todas as outras organizações tem que trabalhar muito para a coisa sobrar no fim – acreditem que sei bem do que falo. Nos Pernetas do ano passado metemos mais de 1000 pessoas que pagaram (tirando algumas poucas ofertas) – temos ainda a “sorte” (que dá muito trabalho, essa sorte) de ter algumas pequenas empresas que nos ajudam e de termos uma Junta e uma Camara que também nos apoia muito. No fim sobrou mas nunca daria para um ou dois ficarem “ricos” quanto mais os 50 elementos do CAL que estiveram ao serviço nesse dia e em todos os outros dias dos meses que antecederam o evento. Se fossemos a fazer as contas às horas, à gasolina, aos equipamentos gastos a preparar tudo dava era um valente de um prejuízo – e isso para mais de 1000 pessoas. Quantas provas metem 1000 ou mais pessoas? Isto resume a grande maioria das organizações … a malta esfola-se para que no fim sobre algum.

Quando me fazem a pergunta “então porque o fazem se dá tanto trabalho?” … se fazem esta pergunta não vão entender a resposta.

Pensem assim … se não fossem pessoas como nós, outros como nós que fazem por gosto ou as empresas que fazem disto vida, nenhum de vocês/nós tinha provas para correr ao fim de semana. A verdade é essa…

E para os que depois disto ainda pensam que as provas são caras e é tudo uma cambada de chulos que estão a ficar ricos lanço um desafio … arregacem as mangas, mexam-se e organizem provas boas e a preços baixos … eu agradeço e não vos vou invejar, vou vos admirar J

Por hoje é só …sim, estou mal disposto … estou no aeroporto de Munique, o meu voo para Geneve vai atrasar e o mais provável é falhar a ligação para o Porto!!

Boas corridas e nºao te esqueças, és tu que decides!!!

segunda-feira

Histórias, peripécias. merdices e Pilates



o caminho vai ser longo mas divertido … siga a camionetaaa

A recuperação do Last Man Standing foi assim assim – não estava à espera de milagres, o empeno foi grande. Na 2ª não fiz nada … os músculos das pernas estavam em estado razoável, agora as articulações nem por isso. O pior era o joelho direito, o meu “Mantorras” … nada de novo, estava como sempre fica quando é obrigado a esforços maiores … amortecedor partido … a caminhar não é grande problema, já subir escadas é complicado, não faz aquele efeito mola, bloqueia aquele pequeno impulso que temos de dar para o degrau seguinte. Mas é normal, não me aflige muito porque sei que um ou dois dias depois as coisas vão ao sitio. Não sou o Perneta-Mor só porque sim, tenho que preencher os requisitos J

A semana de treinos acabou por ser bastante boa, e com as corridas regulares lá vem as peripécias e histórias de alguém que parece que nasceu para atrair cenas caricatas e de se meter em aventuras. Vamos a isso …

3ª feira – Treino 10,5km com a malta do Running Espinho

o nosso grupinho dos 10km a 6min/km


Chegaram finalmente as camisolas de promoção dos Trilhos dos Pernetas – e são lindas!!! É com estas camisolas que nos próximos meses vão ver a Pernetada por aí, em treinos e até em provas. E combinamos ir em grupo participar nas famosas 3ªs feiras à noite da malta do Running Espinho.

são lindas não são???

Eu estava ainda com as pernas muito pesadas e as roldanas empenadas. Com o frio que fazia a vontade era pouca – mas obriguei-me a ir. Fomos no grupo menos rápido, a 6min/km … todos. Acabou por ser um treino divertido, sempre em amena cavaqueira … custou-me a arrancar e andei a mancar os primeiros 2km … depois aqueci os motores e até acabei bem melhor do que quando comecei. Recuperação activa J

4ª feira – Caminhada de 5km 

Tinha previsto fazer mais uma corridinha leve de recuperação, mas ao fim do dia as coisas atrasaram e já não deu. Tinha um cafezito combinado com o meu primo e aproveitamos para dar uma voltinha a pé e por a conversa em dia que também é importante.

5ª feira – Episódio de merda – 10,5km

aqui ainda longe de imaginar que ia haver merda ...


Tinha combinado ir correr com o meu primo por volta das 20h30. A Pikinita ligou a dizer que afinal ia conseguir chegar a tempo e também vinha connosco – boa J. E fomos procurar subidas por Santa Maria da Feira, incluindo a do Castelo. Sempre tranquilos e na conversa até que por volta dos 8km me começa a “picar” a sério … uma manada de javalis dentro do meu corpo a procurar um caminho para sair … ó diabo … e eu, que normalmente não saio de casa sem um pacotinho de lenços de papel desta vez não os tinha trazido. 

“Ó mulher … direitinhos a casa que isto não está fácil” … passados quase 2km despedimo-nos do meu primo e a subir as escadas já avisava a Pikinita … “sai-me da frente que nem sei se chego à sanita” … é que os javalis estavam brutos às cabeçadas a querer sair a toda a força ... já só penso naquela sanita maravilhosa que está ali à minha espera do outro lado da porta … meto a chave mas não roda … mas … outra tentativa … nem se mexe … rapidamente nos apercebemos que a chave da Pikinita estava na fechadura do lado de dentro da porta … o horror!!! Só me lembro de dizer … “esquece … eu agora tenho um problema muito mais complicado para resolver”

estes fofinhos querem sair ...


 … pedir a um vizinho para usar a casa de banho estava fora de hipóteses … desci e saí à rua … o café onde costumo ir já tinha fechado … o restaurante onde nunca vou nem gosto estava aberto, mas era capaz de ser chato … o mato mais próximo distava 500m … impossível chegar lá a tempo … estava desesperado … vi o ecoponto do outro lado da rua … nem hesitei … não tive alternativa … enquanto atravessava a rua a passo acelerado lembrava-me que não tinha papel … que se lixe, uma coisa de cada vez … só vos digo que quase não chegava a tempo … foi ali, com o ecoponto a separar dos prédios e a nacional com os carros a passar a 20 metros … teve que ser, a manada de javalis saiu furiosa … foi rápido … papel? Nem vê-lo … nada que água não lave e lixivia não desinfecte … mas para isso era preciso conseguir entrar em casa J

Chegado à porta peguei no telemóvel e só tinha 1% de bateria, mal tentei ligar morreu ali … fonix, a sério? … estava eu ali, desconfortável (se é que me entendem) … sem conseguir entrar em casa … sem telefone … sem saber bem o que fazer. Mas lá nos desenrascamos … pedimos ferramentas a um vizinho, tentamos abrir a fechadura sem sucesso, fomos a casa do meu primo a correr, carreguei o tlm e ligamos a um serviço chaves 24 horas … o homem lá apareceu rapidamente e em 10 minutos abriu-nos a porta. 30 euritos ... ficou-nos caro o treino.

Só vos digo uma coisa … aquele banhinho quente soube pela vida … e não foi só por estar com frio J … dica do perneta: levem sempre um pacotinho (ou dois) de lenços de papel, nem que o treino seja perto de casa e nunca deixem a chave por dentro na porta J
NOTA: ainda não sei se os boxers sobrevivem a este acidente … continuam ligados às maquinas … esperemos que sim J

6ª feira – Perneta foi ao Pilates

muito vento dentro da sala

Já disse que ando no ginásio há umas semanitas. Não vou com regularidade, tanto vou 3 ou 4 vezes como não vou nenhuma. A Pikinita também, mas enquanto eu ando ali entretido com as maquinetas ela é mais de ir às aulas. E já andava a “chatear-me” para experimentar Pilates … e eu na 6ª lá fui pela primeira vez na vida participar nessas modernices J

Posso dizer que gostei (de tal forma que esta semana vou repetir) … pena que estava bastante vento dentro da sala, pelo menos eu levava com cada rajada … já os outros nunca se desequilibravam … e confirma-se eu sou mesmo um


Não sei se foi o Pilates .. mas deu-me a fominha … tb foi a única noite desta semana em que tivemos um bocadinho mais de tempo para jantar nas calmas. As vidas nestes últimos tempos andam complicadas…. 

não sei fazer muita coisa, mas as pastas são a minha especialidade

tauuuu … é preciso encher as baterias que no dia seguinte havia longão

muito muito bom

Sábado – à descoberta pelo quintal dos pernetas


Fomos para o nosso quintal durante toda a manhã. Se por um lado eu o Lima temos que fazer treinos longos, por outro os Trilhos dos Pernetas são já daqui a menos de 4 meses. Os percursos estão mais ou menos definidos, mas se conseguíssemos colocar algumas novidades pelo meio seria giro. Por isso juntamos o útil ao agradável e fomos explorar uma zona onde já não íamos fazia uns anos.

que inkipinha ...

Foram 21km em 4 horas, onde acumulamos mais de 2000m entre sobe e desce. Destaque para o Gil que faz parte dos primórdios dos Pernetas e anda um bocadinho pró desaparecido nos últimos tempos e para a coragem da Samanta e da Marlene em nos acompanhar … saíram da zona de conforto e estiveram 5 estrelas a aturar-nos J

estava um calor estranho

o gajo ainda mexe … ver se o bichinho lhe pega novamente

à procura de novidades

estava um dia frio mas muito bonito


Camouco escalado ….

o nosso amigo Caricas sempre sorridente

mesinha cá fora … solzinho … comer&beber … amigos … perfeito ...

as originais e únicas são as da D.Alice ...

estas duas meninas estiveram em grande ...


maravilha!!!


900m D+ foram feitos nos primeiros 12km … bem durinho


Domingo – 6km à campeão

Só consegui ir correr eram já 22h … estava frio e tive que me forçar a ir. A ideia era fazer meia horita de recuperação e o primeiro km custou horrores. Depois a maquina aqueceu e começou a dar pica andar ali num típico domingo à noite de inverno … as ruas desertas com a malta toda em casa a preparar mais uma semana de trabalho.

Tive que travar a mota várias vezes para não exagerar … escolhi um percurso que inclui duas rampas no fim, quase seguidas, ambas com uns 300 ou 400m e mais de 10% de inclinação. Estou longe da melhor forma, mas já começo a sentir força e resistência que há duas semanas ainda não tinha. 

a melhorar …

Foi assim esta semana. Venha a próxima que a PT281 está aí à porta…


quarta-feira

Last Man Standing - ainda demorei um bocadinho a cair



Gosto de provas diferentes que envolvam corrida. Há uns anitos adorei a Wings for Life em que eramos perseguidos por um carro meta. Adorei as várias participações que tive nas míticas e para já extintas 24 horas de Portugal ou nos 100km de Lousada, em que tínhamos que andar às voltas de 2km num parque. Gosto de provas de resistência pois envolvem estratégia, gestão de esforço e a experiência tem algum peso. Gosto de provas em que possas competir e confraternizar com os outros participantes durante toda a prova, sejam aqueles que normalmente só vês na partida e que lutam pelos lugares cimeiros seja aqueles menos rápidos.

Por isto tudo quando há uns poucos meses vi anunciar o Last Man Standing fiquei logo em pulgas para participar. Mas havia um problema … estava a recuperar da lesão e não me sentia confortável nem confiante ainda para arriscar uma participação. As vagas eram limitadas a 100 participantes, inscrever-me e depois não ir ou ir sem estar em condições físicas mínimas seria estúpido. Paciência!!! Fica para uma próxima.

Acontece que desde há 2 semanas me comecei a sentir melhor, continuava nas minhas corridas curtas, a fazer reforço e alongamentos, mas o durante e especialmente o pós-treino deixava aquele desconforto na perna esquerda cada vez mais longe … um dia fui espreitar a página deles, vi que ainda havia inscrições e foi por impulso!! Estava inscrito com a Pikinita J

Sabia que era um circuito em trail de ca.4km, sabia que seria disputado numa espécie de séries … davam-nos um determinado tempo e a cada volta tiravam um minuto a esse tempo. Começava em 35min para a primeira volta … o último homem (ou mulher) a ficar em pé ganhava este desafio J



Fui acompanhando as postagens na página e vi que cada volta tinha ca.140m D+. Nas últimas semanas era só gente conhecida a ir experimentar o percurso. Não me preocupei muito com isso – para mim ia ser um treino longo, o primeiro “oficial” rumo à Pt281. A 3 dias do evento ainda desencaminhei o meu companheiro de aventuras, o gajo que diz que distâncias longas não são para ele, o Nuno Lima que aceitou o desafio – temos que começar a habituar-nos um ao outro durante horas e horas – não vai ser fácil para mim – já para ele vai ser uma alegria (ou não) J

E no sábado à noite, sentado na sanita (estes pormenores são importantes J), saquei o telemóvel e estive a calcular os ritmos mínimos que precisava fazer para cumprir cada volta … parei aos 80km … é preciso estar preparado J … assim de repente achei que 44km poderiam ser possíveis para mim, mesmo sabendo que não estava minimamente preparado para algo deste género – mas conheço-me, pode não parecer, mas até tenho um bocadito de garra e alguma experiência adquirida nestes anitos em que ando por aí a corrinhar pelos montes e estradas.



Domingo levantei-me cedo para preparar os meus próprios abastecimentos, quer dizer, os meus e os do Lima … ou se treina para a Pt281 ou não se treina J

sou mais que um pai para ele … 

close up

a pensar em perder esta barriga ...

devidamente acondicionado ...


Pouco depois, por volta das 8h lá estava eu no Parque de Lazer de Lourosa (sim, fui a Lourosa e fui bem recebido – espero que a malta de Fiães e Lamas não leia isto) com o velhadas do Lima a bater o dente de frio (estavam 4 ºC) … a Pikinita tinha ficado na cama por precaução … tem um problemazito que não é grave mas que aconselhava a não entrar nestas brincadeiras mais durinhas neste fim de semana. Levantamos dorsal e começou o habitual neste tipo de provas … muita gente conhecida, brincadeira, provocações, etc, etc… eu avisei logo a malta da lap2go que iria ficar ali até pelo menos às 23h, que tinha trazido frontal e tudo, que avisassem em casa que não iam jantar J




ufaaa … foi por pouco


Não tardou e lá estavam quase uma centena de atletas a arrancar para a primeira volta com 35 minutos para o fazer – é muito tempo para 4 km não é? Dá para fazer a quase 9min/km … uma caminhada vigorosa, certo? 

Errado … mesmo na brincadeira e ficando completamente para trás a caminhar (o pelotão arrancou todo a correr, talvez por “vergonha” de caminhar logo de inicio) estive muito atento ao percurso … onde sobe, onde desce, aos tipos de piso, onde consigo correr, onde posso ganhar algum tempo, onde afunila, etc, etc … tudo informações importantes para gerir a prova mais lá para a frente.


Na 2ª metade da primeira volta vi logo que para eu fazer uma Maratona (ca.11 voltas J) iria ser muito complicado. Os 150m D+ por volta estavam praticamente em duas subidas, ambas na segunda metade que incluía também uma descida acentuada que sabia iria massacrar os posteriores das coxas – a malta normalmente só vê as subidas. Previ umas 4 ou 5 voltas tranquilas e depois é que iam ser elas – não me enganei.

Os dois velhinhos terminaram a primeira volta em 32,36min, tranquilos … ainda deu para beber um copito de água e já estava na hora de voltar a arrancar. Para quem não esteve presente … a volta seguinte começava imediatamente quando acabava o tempo limite da volta anterior, com menos 1 minuto. Ou seja, entre a chegada e a partida havia a zona de descanso e abastecimento, onde a malta usava o tempo que sobrava da volta anterior para fazer o que bem quisesse … quando nos chamavam para a próxima volta tínhamos que partir de imediato, todos juntos novamente.



Tal como previ as primeiras voltas foram tranquilas, caminhamos nas subidas, corremos a trote nos planos e nas descidas, brincamos, provocamos … aproveitamos enquanto deu para andar assim, sem grandes stresses. Fomos sempre os últimos ou dos últimos a chegar, o que dava pouco tempo para descanso ou abastecer – não queríamos estar ali muito tempo parados, estava muito frio.



 

2ª volta – 32,20min

3ª volta – 30,19min

A partir da 4ª volta (32min de limite) já largamos os impermeáveis que nos tinham mantido quentes e começamos a correr um pouco mais para ter um bocadinho de mais tempo para abastecer – os km começavam a acumular e era preciso não descurar o beber e comer.




4ª volta – 28,43min

5ª volta – 28,23min

A brincar a brincar já estávamos perto das 2 dezenas de km – já começava a sentir as pernas a pesar um bocadinho o que é perfeitamente normal – não há milagres quando não se treina. Mas estava super satisfeito por não sentir nada de nada da lesão. Também já se notava o pelotão a reduzir – já havia pessoas a ficar pelo caminho, a não conseguir cumprir as voltas no tempo limite e a partir daqui de volta para volta era vê-los a cair – a prova estava a começar mais a sério. Na minha cabeça tinha reestabelecido o objectivo … agora eram 36km (9 voltas) e já seria muito bom.


Na 6ª volta, a meio deixei o Nuno Lima para trás … estava na hora de comer algo mais consistente, apetecia uma das minhas sandochas e beber uma cervejita … tinha entregue a lancheira ao Flávio que tinha aparecido por ali para apoiar a malta e pedido que tirasse uma sandes e uma mini para cada um para a próxima paragem … cada 10 segundos que se pudesse ganhar eram valiosos … e fui à frente para ajudar a preparar a coisa. O Nuno chegou pouco mais de um minuto depois de mim e já tinha a sandes e a preta prontinhas para ser devoradas … tínhamos menos de 3 min e não conseguimos … ainda a sandes ia a meio e já nos estavam a chamar para a volta nr.7. A verdade é que a meia sandes e a mini me deixaram de estômago bem mais aconchegado J

6ª volta – 26,52min


“Não sei como conseguem beber cerveja nas corridas?” … “muito treino meu amigo, muito treino” J A verdade é que fiquei melhor … foi a dose certa, um cafezinho e tinha sido perfeito.

Nesta volta voltei a fugir ao Nuno Lima … estava com vontade de mudar as águas às azeitonas e queria ganhar algum tempo para o fazer mais perto da chegada e não correr riscos – como podem ver nesta altura já se geria tudo. O xixizinho aconteceu a uns 600m da meta … demasiado escuro este xixi … má hidratação … despachei-me até à meta para pegar em 2 garrafas de água 0,33 e 2 saquinhos de Doralyte … consegui fazer a minha mistura, já não o consegui fazer para o Lima … entreguei-lhe assim, garrafa e pózinho … ele que misture por caminho J … tb levei a minha garrafita na mão para ir bebendo e nunca mais a larguei.


7ª volta – 26,52min

Notei o Nuno mais cansado … ele tem uma resistência do caraças mas não consegue imprimir ritmos mais altos quando é preciso … e a partir daqui já precisavas de impor algum ritmo para conseguir cumprir os tempos. Fui à minha vida, cada um tinha que gerir o melhor possível … e eu fiz a minha 2ª volta mais rápida de toda a prova o que me permitiu o luxo supremo de quase 3 minutos de paragem para a próxima volta …

8ª volta – 25,17min

Já estava bastante cansado das pernas, sentia que a qualquer momento poderia levar a marretada … afinal já estava com mais de 30km nas pernas … a Sandra do SCE que estava a gerir um tasquinho perguntou-me se queria alguma coisa … “um café, prepara-me um cafezinho para quando eu chegar na próxima volta” … olhava para a zona da chegada e não havia forma de deslumbrar o Lima no horizonte … quando nos chamaram para a próxima volta tive a certeza … para ele acabou ali … bem bom.


Parti para mais uma volta, convicto que conseguiria completar no tempo limite e assim chegar aos 36km – tinha 27 minutos para o fazer. O pelotão já estava reduzido a menos de 1/3 do que começou … normal … nesta volta juntei-me com o André Oliveira, um gajo que conheci juntamente com os outros 500 irmãos dele no Trail Rosa do Adro … um gajo que vai buscar as suas forças à religião e o exprime em forma de cantorias (“Paiiiii Nosssooooo…” … foda-se, aquela merda fica-nos a tilintar no cérebro durante dias J) … mas foi uma bela ajuda nesta volta porque na cavaqueira a distância foi-se fazendo … tentei falar muito com ele e assim evitar que cantasse … consegui J … mais para o fim tive que acelerar o passo para não ficar de fora … cheguei com pouco mais de 1 min de folga que só deu mesmo para voltar a encher a garrafita de água e meter um bocado de banana no bucho antes de ser chamado para nova volta …

9ª volta – 25,37min

Era giro fazer 40km … para as voltas contar era preciso chegar a tempo. Voltas acabadas fora do tempo limite não contavam para a classificação. Tinha as pernas mesmo muito massacradas, a marreta estava a baloiçar sobre a cabeça … era uma questão de tempo mas ia dar tudo o que tinha, eu sabia que era a última volta que poderia completar … tinha 26 minutos. 

E consegui … foi uma volta feita em modo sozinho … grande parte do pelotão fugiu … um, ou dois, ou três ficaram para trás. Corri a subir, em plano e a descer tentava acelerar o passo … primeira metade é mais fácil … mas o “segredo” estava na 2ª parte … tentei e consegui correr um bocadinho na primeira das duas grandes subidas … nem sei se foi bom porque fiquei sem força nas pernas … quando ficou mais plano comecei a correr … nem imaginam o esforço mas a coisa foi … a descida mais acentuada foi um massacre porque como sempre, eu travo a descer … mais uns planos e umas descidas onde deixo o corpo ir … o meu cuidado era onde pisar, porque com o cansaço o discernimento vai à vida e uma queda ou entorse era a última coisa que eu queria agora … última subida, esta feita a caminhar com o vigor possível, a meio sei que faltam 1000m … tenho pouco mais de 6min 

Quando chego cá acima, a coisa fica plana e encontro o estradão em terra largo-me em modo supersónico (nesta fase baixar os 5min/km é supersónico) … “2,30min para começar a próxima volta” ecoa dos altifalantes da zona de chegada que já se ouvem … vou conseguir … já me dói tudo, aquela espécie de saibro que temos que percorrer antes de entrar no parque é lixado … o pé foge para trás … entro no parque e completo a 10ª volta a correr já bem dentro do último minuto … vou directo ao bidão da água e encho novamente a minha garrafinha. Não tenho tempo para mais … sei que não tenho qualquer hipótese de acabar a próxima volta mas vou na mesma … sigaaa …

10ª volta – 25,05min (foi a mais rápida de todas)

Ainda corro dentro do Parque … sou o último … conto o pelotão que vai à minha frente .. 17 ou 18 … mal saímos do parque a coisa sobe e eu começo a caminhar … as pernas estão desfeitas, não posso com uma gata pelo rabo … mas vou acabar esta nem que demore uma hora … não conta para a classificação mas conta para mim … vou fazer uma Ultra, vou fazer 11 voltas, vou obrigar o meu corpo a sofrer mais um bocadinho porque em Julho também vou ter que sofrer … vim treinar para a Pt281 ou não caralho? J

Não faço a mínima ideia quanto tempo demorei nesta 11ª volta, talvez uns 40min … sei que ainda corri uns bocadinhos, obriguei-me a isso … falei com a Pikinita que não tinha noticias minhas desde que saí de casa, espreitei as redes sociais e curti o passeio na medida do possível … estava de coração cheio a aproveitar o meu momento. Tinha-me superado, até surpreendido de alguma forma … o melhor de tudo, aquele empeno “bom” nas pernas que nada tem a ver com a merda da lesão que não me deixou correr no último meio ano – dessa nem sinal. Acho que esta foi a prova dos nove … 43km em 5h43, quase 3200 D acumulado devem chegar para atestar isso, pelo menos espero que sim.


Olhem a alimetria da coisa ...

o electrocardiograma dos ritmos

Oficialmente fiz 10 voltas dentro dos limites de tempo impostos e deu para um 22º lugar na geral entre 89 que participaram.

Ainda fiquei a assistir a mais umas voltas e foi emocionante ver a luta daqueles 7 ou 8 campeões que ficaram para o fim. Infelizmente tive que me vir embora porque estava a ficar com muito frio - só não assisti à última volta, mas vi a chegada em vídeo - que maquinas os 4 que conseguiram fazer 15 voltas completas … até o final deste primeiro Last Man Standing foi épico.

Adorei o evento … comprovou-se que este evento é à minha medida. A organização esteve impecável, não falhou em nada o que não me surpreende pois trata-se de gente com muita experiência, não só em organizar eventos desportivos mas essencialmente porque também correm e sabem o que a malta gosta – parabéns Ivan & Co. – a ideia é excelente e o colocar em prática tb foi excelente.

Obrigado aos meus companheiros de luta, isto só tem a piada que tem, muito pelo ambiente que se cria dentro do pelotão. Eu pela malta que ia participar já sabia que ia ser divertido … mesmo sendo competitivo houve muito espirito de entre ajuda. Pétaculo!!!

Obrigado aos meus amigos que apareceram para nos ver e dar aquele bocadinho de apoio que parece que não, mas faz toda a diferença. Flávio, Teresa, Zé, Ana, Isabel, Bruno, Samanta, Rei Renato entre outros – estão cá dentro J

Obrigado Sandra pelos cafezinhos e desculpa pelos outros cafezinhos tirados e que o Albuquerque teve que beber para não deitar fora. Eu bem queria, mas os gajos da organização não me deixaram parar nas últimas voltas J

Obrigado velhinho Nuno Lima, este foi o tiro de partida oficial para uns meses de preparação que se esperam durinhos mas também divertidos, para que em finais de Julho embarquemos naquela aventura enorme minimamente preparados. A maior aventura de todas para dois marretas como nós J


NOTAS:
Desde a Serra Amarela a 15 de junho de 2019 até domingo passado fiz menos de 800km a correr – os maiores treinos foram:

- 21/8 (18km em trilhos); 26/8 (20km estrada); 1/9 (18km trilhos); 13/10 (18km trilhos); 23/12 (18km trilhos)

Tenho ou não razão em estar orgulhoso da minha prestação J

Ainda demorei um bocadinho a cair … SIGAAAA A CAMIONETA!!!