sábado

Ultra Trail Amigos da Montanha 2013 - as fotos

Se quiserem dar uma vista de olhos nas fotos da nossa aventura, aqui os álbuns....a grande parte tiradas pelos próprios e por isso 100% de dentro da aventura....

Boa viagem....

By Carlos Cardoso

By José Alexandre

By Badolas......????....Nada? Ahhh pois é....este cola-se, gosta de aparecer nas fotos mas os outros que carreguem com as maquinas e telemóveis. Com amigos assim.... :)



quarta-feira

O nosso Ultra Trail Amigos da Montanha 2013

Apertem os cintos, aviso desde já que vai ser longo, duro e vai doer..desejo-vos uma boa viagem....

Sábado à noite, são 23.30h…finalmente conseguimos adormecer a Isabel, que andava a lutar contra o sono à horas. Desenfio-me rapidamente para a cama e adormeço logo…”espero que me deixes dormir até às 3.30h”….passam uns minutos das 2 da manhã e lá está ela cheia de fominha outra vez….escusado dizer que já não deu para dormir mais…olhando que foram apenas 2h30 de soninho, até estava bastante bem.

Prestes a sair de casa, toca o telefone….”O que queres Badolas?”….”Ó pá, esperem por mim que eu estou um bocadinho atrasado…daqui a 10 minutos estou aí” diz ele com uma voz estranha…”Ó amigo, é só às 4.30h!!!”…..”Fod……, confundi as horas….estive num jantar, era para me deitar cedo, mas depois fui ficando, fomos a uns bares, blá, blá, blá….e não fui à cama…vou de directa”…..HEIN ????????...

Às 4.30h cheguei ao ponto de encontro habitual…o Beto, já estava na Pastelaria a começar a colocar os pastéis no forno e fez-nos o obséquio de abrir a porta para podermos tomar um cafezinho. Dos 7 inscritos para a Ultra eramos 6 – Filipe, Luis, Gil, Badolas, Zé Alexandre e eu. O Hugo iria lá ter.




Ainda não eram 6 da matina, estávamos a chegar ao centro de Barcelos. O Gil, grande conhecedor daquela zona, lembrou-se de nos fazer uma visita guiada ao centro histórico e andou ali mais de um quarto de hora às voltas….só numa daquelas rotundas passamos umas 15 vezes…eu cá para mim, acho que ele nos queria por todos maldispostos…devia estar com receio de a gente lhe dar uma abada durante a prova J
 

 
Concluída a visita turística, fomos levantar os dorsais, que funcionou muitíssimo bem…tudo muito rápido e sem qualquer problema. Problema sim, era o frio de rachar que se fazia sentir…penso que àquela hora andava nos 2ºC, que com uma brisasinha que corria pareciam uns cinco graus negativos. Mas Ultra que é Ultra não se deixa abater com estes pormenores não é?


 
Pois…com frio não nos deixamos abater, mas com a falta de cafés abertos e respectivas casas de banho para “infestar” é que não conseguimos viver J Acreditam que não havia um cafezinho ali naquela praça, que se tenha lembrado de abrir uma horita mais cedo? Acho que teriam feito um belo negócio…safou-se um gajo de uma roulotte que estava aberto bem pertinho da zona de partida. Ainda andamos ali às voltas pelo centro a ver se haveria algum café aberto, mas nada….e a necessidade de ir à casa de banho largar uns sólidos (desculpem lá estes pormenores, mas quem quer saber dos pormenores bonitos, tb tem que levar com estes mais porcalhões…é a realidade J)….faltavam 15 minutos para a partida, e já devidamente equipados ouvimos um boato que havia casas de banho públicas do outro lado da praça….haviam de ver o sprint que a malta deu….destaco o Badolas, que parecia o Usain Bolt … sim, pela cor da pele é tb o mais parecido, talvez tb por ir equipado de amarelo, mas igualmente pela velocidade que atingiu…aliviadinhos lá voltamos à zona de partida, e aproveitamos para tirar a foto de grupo da praxe….
 
Daqui até à partida (pouco passava das 7h), nem deu tempo para ficar nervoso….controle, entrada no “curral” e um minuto depois estávamos a partir…bonita, sem dúvida, com música a condizer com o momento…o facto de ainda estar de noite tornou o momento mais épico…consegui filmar uma parte com o telelé, a qualidade não é grande coisa, mas dá para ter uma ideia….
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Ali estávamos nós (esta aventura é a 3, por isso o nós), a arrancar para uma jornada que se adivinhava longa, sem saber muito bem o que nos esperava, mas com muita determinação para dar o nosso melhor e usufruir ao máximo desta aventura.

Os “nós” eram:

- Zé Alexandre, que corre há pouco mais de um ano, que à 3 semanas se tinha estreado na Maratona no Porto, e que desde aí tinha feito apenas 2 treinos. Assolado por muitas dúvidas, pensou em não embarcar na aventura, mas um telefonema ao Badolas na 6ª feira passada, com uns conselhos e incentivos à maneira, encheu-se de coragem e aqui ia ele a dar o peito às balas.

- Badolas – sem treinos, sem horas de sono e sem apito (obrigatório). Mas com grande força de vontade e boa disposição como sempre…ahh…e tb com uns copitos a mais no bucho da noite anterior J

- A minha humilde insignificância J - embora não tivesse treinado especificamente para este tipo de provas, sem grande experiência nas mesmas, estava confiante nas minhas capacidades.

Pois…. ”os nós” tinham combinado previamente fazer a prova juntos…sempre ao ritmo do mais lento, descontraídos dentro do possível, sem stress….pensamos que juntos seríamos mais fortes… Objectivo comum era “apenas” chegar ao fim.

Os primeiros km foram feitos ainda na penumbra da madrugada…estava escuro….”fonix…esqueci-me de ligar o relógio”….depois de um breve serpentear pelo centro histórico de Barcelos, rapidamente saímos da cidade e enfiamo-nos por trilhos…tudo muito plano….confusão habitual pelo facto de o pelotão estar ainda muito junto…euforia habitual para descarregar a adrenalina….nesta fase o Gil ia connosco… neste primeiros km ficou-me na retina, o piso fofo – como não levava frontal não consegui ver o que estávamos a calcar (talvez folhas, ou musgo), mas era mesmo muito agradável.
 
A luz do dia apareceu rapidamente, e os primeiros km iam sendo feitos, alternando estradões com alguns poucos single-tracks….nada muito técnico (até parece que percebo alguma coisa disto)…inclinações também não eram nada de especial (ou seria por as baterias estarem carregadas no máximo?)….algumas subidas e descidas que eram facilmente vencidas. Nesta fase o pelotão vai-se esticando, mas mesmo assim ainda se vão formando grupos. Achei esta a fase menos boa, quer dizer, nada de especial…pelos vídeos, fotos e relatos das edições anteriores a bitola estava colocada bem lá no alto e as zonas onde estávamos a passar eram, vá lá, normais…ia valendo a boa companhia de alguns atletas/bloggers conhecidos como o Rui Pinho e o Meixedo (a dupla infernal dos trails), sempre bem dispostos línguas afiadas e a partilhar experiências. Com isto chegamos ao primeiro abastecimento ca. km 8 – apenas líquidos o que nesta fase era mais do que suficiente. Vinha já cheio de calor, pelo que decidi tirar o meu casaco…o Gil achou que os “nós” estavam a demorar muito tempo e disse-me que ia andando – “Dá-lhe com força…Boa sorte” – só o voltaríamos a ver no fim.


 
Daqui até ao segundo abastecimento (ca.15km) a coisa aqueceu….vieram as inclinações mais acentuadas (tanto a subir como a descer), com um primeiro pico….o tempo estava magnifico, o sol apareceu para nos aquecer…acho que neste aspecto melhor era impossível…ao tirar o casaco tinha acidentalmente parado o meu relógio, facto que apenas descobri mais do que um km mais à frente, sem problema nenhum (que diferença J … em estrada estou sempre com os olhos postos no meu amigo Suunto)…foi nesta fase que a organização nos começou a brindar com uns “miminhos” que fizeram as nossas delicias….uma subida por umas rochas arrendodadas “enormes”, em algumas fases escalando com ajuda de cordas….espectáculo….o prémio pelo esforço vinha depois de vencido este obstáculo….olhem para estas vistas….deslumbrante….


 
 
 
Daqui até ao abastecimento foi um tirinho….nos 15 km serviram-nos um pequeno almoço de luxo…destaque para as bolas de Berlim (não eram do Natário, mas tb eram boas)….nem sei quantas comi. Só sei que estivemos por ali uns valentes minutos, na conversa com as senhoras (darem-nos conversa dá nisto J) e a dar ao dente J

 
 
 
 
Daqui para a frente ficamos mais sozinhos, íamos passando ou eramos passados por um ou outro atleta apenas…até ao abastecimento seguinte (23km) apanhamos dois picos mais acentuados (S.Mamede e depois S.Gonçalo – penso eu, não tenho a certeza dos nomes), que nos punham o coração a mil….a táctica era caminhar nas subidas, correr nos planos e sempre que desse nas descidas…
 




 
...foi nesta fase que tive o meu maior problema…já quase desde inicio que vinha um pouco incomodado com uma ligeira impressão na planta do pé direito, na parte da frente…ca. do km17/18 deu-me uma fisgada forte…conheço esta dor, já me tinha acontecido duas vezes, sempre pelo facto de correr com sapatilhas novas (não era o caso destas, com as quais já corri umas poucas centenas de kms)….não sei se é algum nervo que é trilhado, não faço ideia…só sei que o problema depois de começar só se resolve parando completamente…”fod…, logo agora e ainda tão longe”….a subir a passo ainda ia, agora a correr e plano ou a descer eram umas dores do catano…foi a única vez em que pensei que poderia não acabar (não o disse a ninguém)….parei, tirei a sapatilha para analisar a meia (poderia estar dobrada), mas estava tudo em ordem…voltei a calçar e siga….aguenta que pode ser que passe….mas não passou, e eu lá fui meio a mancar, a correr de dedos dos pés encolhidos a forçar mais a outra perna…resultado….dores nas cruzes por ir a correr descompensado. Sabem o que me valeu? A companhia dos amigos, os trilhos e paisagens fantásticas que tivemos a sorte de poder vivenciar…destaco as partes por entre a floresta a seguir o leito de um rio com as suas cascatas e a subida ao alto de S.Gonçalo para o abastecimento dos 23km, que custou mas valeu a pena.....então? Que tal?



 
Estivemos ali pouco tempo, pois embora estivesse sol tb estava vento e frio, e de quente e suado por ter enfrentado a subida de repente passei a gelado. Siga a rusga…agora a descer. Esta fase fica marcada pelo facto do Zé Alexandre ter ficado em grandes dificuldades devido a fortes dores abdominais e baixo ventre, de tal forma que nos disse que não iria aguentar nestas condições…abrandamos um pouco e a muito custo conseguio chegar ao abastecimento do km 30, para descansar um pouco…com uns estiramentos “à lá Badolas” melhorou, e em vez de desistir, colocou como objectivo chegar ao próximo abastecimento que seria ao km37…

 
Com estes km todas as pernas já começam a pesar um pouco, mas nada que me preocupasse. O meu problema era mesmo o pé direito…não havia maneira de me passar aquela dor horrível…cada vez que apanhava uma pedra (e podem imaginar que eram muitas) era uma fisgada daquelas. Tb comecei a sentir algumas dores nos braços e nos ombros pela mochila, mas nada que não se aguentasse. Afinal já andávamos naquilo à mais de 5 horas – não fosse o pé direito diria que estava impecável. Esta fase caracteriza-se por incursões na floresta, muitos trilhos e menos estradões. Todo o percurso da UTAM é muito bem desenhado em minha opinião…existem muitas subidas e descidas como é normal, mas tb zonas planas pelo meio onde podemos correr e descansar os músculos para enfrentar novas inclinações. A cereja no topo do bolo nesta fase é a parte do Slide, meio utilizado para atravessar um rio…chegado à margem do rio está um elemento da organização a explicar como devemos fazer (para mim foi um estreia)…diz-me ele “e não te preocupes, hoje já caiu um ao rio…e como a média é um por ano…”……”ahhh…tou safo J…não quero estragar a média”…a viagem de slide e curta mas gira, além disso ajuda a descontrair e assim num grupo de amigos é uma risota….

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Daqui até ao abastecimento o percurso é junto ao rio, zona onde a organização nos brindou com uma zona mais técnica, com saltos de pedra em pedra, escorregadias por estarem mesmo junto a um rio de rápidos…valeram as cordas nas zonas mais complicadas, para nos ajudar a ultrapassar os obstáculos…até nos esquecemos das dores (o Zé Alexandre tinha recuperado e desistir já não fazia parte do dicionário dele).…é curtir o momento pq não é todos os dias…



 
O abastecimento dos 37km é numa zona de moinhos….aqui serviram uma canja que fez as delicias dos atletas (pena eu não gostar, mas havia outras coisas igualmente boas). Neste abastecimento fizeram-nos um controlo ao material obrigatório…a menina que me “atendeu” deve ter achado que eu tinha cara de manfio e obrigou-me a tirar a mochila, e mostrar todo o material obrigatório. Afinal, não tinha sido apenas uma ameaça….o controle surpresa existiu mesmo. Foi tb neste abastecimento que tive o prazer de conhecer pessoalmente o Joaquim Adelino, atleta e blogger reconhecido em todo o país…um prazer – gostava de chegar à idade dele e estar nesta forma…um verdadeiro Senhor!

A saída deste abastecimento é um serpentear, entre o leito do rio, passando duas pontes….magnifica esta zona…impensável, não ficar ali parado a contemplar aquele paraíso e registar com algumas fotos…


 

…a saída desta zona, é uma longa subida de aprox. 2 kms, muito ingreme até às Antenas….ufa...esta custou (foi aqui que tomei o único gel)….estava a suar muito e sentia o sal à flor da pele…aqui as pernas já estavam muito cansadas, mas mesmo assim conseguimos subir a um passo certinho…vencida a subida, entramos numa zona mais plana, de estradões florestais….num cruzamento demos com dois cães….um pastor alemão e um boxer de porcelana….sim, leram bem….no meio do nada, estavam dois cães de porcelana (em bom estado) a vigiar um cruzamento….se fosse na minha terra já estavam a decorar um jardim de uma casa qualquer ou a ser vendidos na feira do velho….os km lá iam passando um pouco mais rapidamente pq dava para correr… entramos numa pequena povoação, passamos por uns campos agrícolas até um parque natural onde estavam à nossa espera com mais comidinha e bebida…olho para o relógio…são ca.15h (já andamos nisto à 8 horas) e fizemos 44km….um pouco antes tínhamos assinalado com pompa e circunstância o recorde de distância do Zé Alexandre (43km) – em grande campeão!!!

 
Pergunto a um senhor da organização neste abastecimento – “até ao Rio são quantos kms?”….dia ele “6…3 a subir e 3 a descer….uma horita deve chegar”….”ahh…bom…assim chegamos a tempo de passar”…. lembro que a única barreira de tempo era a passagem do Rio Cávado de Canoa….segundo a organização, seria por volta do km 51/52. Foi desde o inicio a minha única preocupação, chegar a tempo de passar o rio….e embora estivéssemos sempre com vantagem, fomos perdendo tempo com o passar dos km. Mas assim não haveria problema…1h30 para fazer 6km…sem problema, pensávamos nós.
 
A tal subida tinha efectivamente 3km, mas existem subidas e subidas…e esta, já com as pernas massacradas, estava a ser muito difícil. A moral das tropas tb tinha caído um pouco….o sol tinha desaparecido, estava mais sombrio e frio…o Badolas sempre a refilar, o Zé Alexandre de 100 em 100m a perguntar quanto é que faltava (o bateria do Garmin dele já tinha ido à vida) e o meu pé pior do que nunca….além disso estávamos a demorar muito mais do que pensava e a margem para chegar ao rio estava a ficar mais curta….quando finalmente chegamos lá acima nem sabíamos se havíamos de rir ou chorar…

 
....é que a descida que estava à nossa frente era de matar….é pá…foram umas poucas centenas de metros, em que pusemos cá para fora todo o tipo de vernáculo do mais ordinário que se conhece….eu acho que a malta da organização deve ter ficado com as orelhas a arder….e eu a ver o tempo a passar….não disse nada aos colegas para não os stressar…quando passamos uns caçadores perguntamos se ainda falta muito até ao rio….dizem eles “ainda falta um bom bocado”….hein??? …então não era aos 51Km?...pouco depois, passamos uma estrada nacional, pergunto a outro fulano da organização quanto falta até ao rio…quando ele me diz “ca.2km”, olho para o relógio e vejo que faltam 12 minutos, passei-me…disse ao pessoal…”estamos lixados…temos de dar gás…depois disto tudo não vamos morrer na praia”….não sei onde fomos buscar as forças….até me esqueci das dores nos pés (agora era nos dois)…só sei que fizemos o que parecia impossível….2km a 5min/km…depois de 51km e com as pernas feitas num oito….incrivel….eu a puxar, o Badolas quase colado e o Zé Alexandre (coitado) a alguns metros…só disse ao Badolas “o que chegar primeiro, atira-se para o chão, amarra-se às canoas, faz o que for preciso para que nos deixem passar”…..nestes dois km passamos uns 4 ou 5 gajos e chegamos dois minutos antes da 16.30h….ufa….que grande alivio…era escusado este stress…mas tb foi aqui que senti pela primeira vez que íamos acabar esta aventura….ainda antes de embarcar na canoa, aproveitamos para beber e comer qualquer coisa….e que divertido foi este momento de descontracção a atravessar o rio Cávado de canoa…mais um pormenor delicioso desta aventura….


 
A canoa com o Zé Alexandre e o Badolas foi a penúltima….ficou lá apenas mais uma que daria para duas pessoas. Não sei se depois disso ainda mais alguém iria passar….pensei nos atletas que não iriam chegar a tempo…deve ser frustrante…
 
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7km? 10? 7??? …cara do Zé Alexandre diz tudo…o que parece pouco normalmente, nestas condições é uma diferença abismal. Acho que qualquer um de nós nesta altura queria que fossem 7 os kms a faltar. O meu relógio marcava sensivelmente 53km.

Daqui até à entrada da cidade de Barcelos, o percurso é plano, sempre junto ao rio, percorrendo a lateral de campos agrícolas. Começamos por correr….eu na frente, seguido do Badolas e um pouco mais atrás o Zé Alexandre….ritmo na ordem dos 6min/km….paramos aos 54km para registar o meu recorde e do Badolas em distância percorrida…no total corremos uns 3km, e neste curto espaço passamos 12 atletas, todos a caminhar….já estava a escurecer.

Já estava a ficar completamente desesperado com os meus pés, mas só queria continuar…só me via a chegar à meta e tirar o raio das sapatilhas…o Badolas dizia “calma, o Zé tá a ficar para trás”….e eu respondia “anda daí, que ele vem no ritmo dele atrás de nós….lá mais à frente reagrupamos”….mas o Zé teve mesmo que parar e ir a passo….e assim fomos nuns longos e infindáveis km finais, onde a “rabugice” atingiu os limites máximos….agora já tudo mete nojo, todos são uns sádicos FdP, questionamo-nos o que andamos ali a fazer, e os fantásticos momentos que tínhamos passado juntos valiam zero… os dois companheiros perguntavam-me de minuto a minuto quanto é que faltava, quase de 100 em 100m…e queriam-me matar por pensarem que eu os estava a enganar J …. Além disso ficou escuro….lá recorremos aos frontais (a organização tem razão quando obriga a determinado material)….acabou-se o plano, agora era descer por zonas muito técnicas, por entre vegetação densa….somos passados por alguns atletas que tínhamos passado mais atrás….depois, passagem por baixo de uma ponte….sabíamos que estávamos perto….mas 1,5km é muito… uma subida ingreme acabava com o resto da boa disposição…foi aqui a única vez em todo o percurso, ao subir um degrau em terra mais alto, que senti cãibras nos gémeos…mas foi só um aviso….finalmente chegamos ao tabuleiro superior da ponte … do outro lado o centro histórico de Barcelos….a passo largo (na medida do possível) atravessamos a ponte e começamos a subir ligeiramente em direcção ao centro…

…devem faltar uns 500m….”bora lá….vamos acabar a correr”….reagrupamos e lá seguimos pelas ruas, já com a emoção à flor da pele….a má disposição e “rabugice” tinham desaparecido e dado lugar à alegria e boa disposição….os domingueiros nas ruas olhavam para nós de uma forma estranha, penso que a maior parte não consegue entender o que nos faz cometer estas loucuras….já avistamos a Igreja do Senhor da Cruz…curva à esquerda...entramos por um corredor que nos obriga a ir dar uma volta mais acima na avenida antes de entrar na recta da meta….ainda existem pessoas à assistir, a bater palmas e a incentivar….e “nós” entramos na recta da meta, e finalizamos uma aventura de mãos dadas…ca.63km, 5000 m de desnível e 11 horas depois….conseguimos….hoje fomos mais uma vez uma verdadeira equipa…minto...fomos mais uma vez verdadeiros amigos.…juntos fomos mais fortes…EM GRANDE!!!

...o que se sente depois duma epopeia destas? Não sei descrever por palavras…só fazendo…

Na meta tivemos direito ao nosso premio de finisher…um belo colete tipo polar, que foi logo orgulhosamente vestido….ainda tivemos direito a um abastecimento final onde não faltava nada….neste abastecimento ainda tive o prazer de conhecer pessoalmente o Mauro Gonçalves, outra figura do Trail nacional e um grande exemplo na forma de encarar as corridas.


 
O Gil veio logo ter connosco…coitado esteve 3 horas à nossa espera na meta….deixou-nos aos 8km e fez uma prova espectacular, um pouco acima das 8 horas. Tivesses ido logo de inicio à tua vidinha, nem sei o que terias conseguido fazer. Eu bem digo que este “moço” tem um potencial enorme.

Todos os restantes elementos do CAL concluíram as provas, o Filipe em pouco mais de 7 horas o que é fantástico, seguido do Hugo (este gajo é um enganador J … está sempre mal, diz que não treina e depois faz marcas destas) e depois o Luis (que pelos vistos esteve para desistir aos 30km e depois restabeleceu-se e ainda foi acabar mais uma Ultra).

É o que eu digo – o CAL é um clube de guerreiros!!!

Decidimos não tomar banho em Barcelos….era já tarde e queríamos era voltar a casa o mais rapidamente possível. Mudamos apenas as camisolas e pusemo-nos a caminho. Durante o regresso, o Badolas e o Zé dormiram exaustos, eu e o Gil estivemos o tempo todo à conversa, lembrando as nossas provas e falando no futuro….já à alguns meses que andamos a planear o próximo ano juntos, planos esses que incluem mais provas deste tipo e tem como objectivo máximo um Trail de 100km. Depois desta aventura tenho que pensar muito bem o que fazer…eu acho que qualquer um consegue se se preparar devidamente…e para preparar bem é preciso tempo, e tempo é o que não tenho neste momento… vamos indo vamos vendo.

Voltando à UTAM, a organização é fenomenal em todos os aspectos. Tudo funcionou, o preço de inscrição (24 €) é mais do que justo olhando ao que envolve, aos prémios (1 camisola técnica, 1 peúgas, 1 colete de finisher), abastecimentos diversos e fartos. Gente simpática, sempre pronta a dar umas palavras de incentivo que tão importantes são. Deixo para o fim o percurso….absolutamente fenomenal – pensado ao pormenor, muito diversificado em todos os aspectos, tipo de trilhos, paisagens, os pormenores do slide, das cordas e das canoas…o traçado sempre equilibrado, com subidas e descidas duras, mas tb  intercalando com zonas planas corriveis, sempre importantes para descansar os músculos e a mente. Vê-se que é feito por gente que sabe o que está a fazer – muitos parabéns por isso. Sou um “maçarico” nestas coisas do Trail, mas acho difícil fazer muito melhor a nível de organização a este preço. Muitos parabéns à Organização. Se puder, para o ano voltarei!!!

Uma palavra de apreço para os muitos fotógrafos, que ao longo do percurso iam fotografando os atletas, e que o fazem apaixonadamente oferecendo-nos recordações fantásticas através das suas fotografias….não vou mencionar nomes para não me esquecer de ninguém….tb não sei se algum irá ler esta crónica….obrigado a todos vocês!!! Nos próximos dias vou publicar um albúm de fotos desta aventura....quero juntar todas que conseguir...tenho tantas que é muito difícil fazer uma selecção.

Os meus agradecimentos tb para os meus companheiros de aventura…obrigado pessoal….poderia ter corrido esta Ultra Maratona sozinho?...talvez…mas não seria a mesma coisa J

Tempos e Classificações? Ainda não saíram mas, who cares???

Ahhh...e para finalizar em grande....já temos o primeiro pontinho UTMB....vai caducar, mas não interessa...um já cá canta!!!

segunda-feira

UTAM 2013 - tá feita....

Que grande aventura que vivenciei ontem...uma autêntica epopeia, que teve tanto de lindo como de duro. Foram 11 horas em companhia dos meus amigos Badolas e Zé Alexandre - juntos curtimos aqueles quase 63km entre serras, montes e vales por terras de Barcelos - obrigado amigos.
 
...ahhh....e descobri, que com o passar dos km vou ficando mais rabujento :)
 
Crónica mais pormenorizada nos próximos dias....se quiserem pode dar um vista de olhos nas fotos que tirei no meu perfil do Livro das Caras UTAM 2013 Fotos


sábado

Bora lá à UTAM




Em Setembro, decidi num acesso de loucura momentâneo participar na UTAM deste ano (link). Assim no papel parece simples, prepara-se uma Maratona para início de Novembro, depois corre-se a mesma, e 3 semanas depois embarca-se numa aventura de 61km pelas serras de Barcelos. Nada demais….para alguns talvez, mas para mim é.

Nas 3 semanas depois da Maratona, estive sempre de viagem a nível profissional. “Gastei” a primeira semana para recuperar da Maratona. Na 2ª semana tive oportunidade de fazer uns belos treinos ao “sabor do vento” que me souberam como ginjas. Na 3ª semana (que é esta) fui mais comedido, para encher as baterias para amanhã – fiz apenas 2 treinos por terras germânicas, sem fotos porque foram feitos de noite e o meu telelé não tira fotos de jeito nessas condições:

3ª feira – 12,5km em Mainz, junto ao rio. Uma corrida bem ritmada em que me senti muito bem.

4ª feira – 11km em Hahn – é uma zona, onde após a segunda guerra mundial , se instalaram durante algumas décadas tropas americanas. Há uns anos atrás, retiraram-se os americanos, ficou tudo ao abandono até que a Ryanair tomou conta do aeroporto e de algumas zonas circundantes. Costumo usar muitas vezes este aeroporto, e quando pernoito por ali e tenho algum tempo vou correr para uma zona abandonada, entre campos onde predominam bunkers, bungalows e armazéns abandonados. Nunca tinha ido de noite, e como não tem iluminação aproveitei para testar um frontal que adquiri à pouco tempo…foi a primeira vez que usei um frontal na minha vida e não senti dificuldade nenhuma…comprei um Petzl Myo rxp aconselhado por vários atletas de trail experientes…confortável de usar, com vários tipos de foco….ilumina muitíssimo bem. Tenho que dizer, que tive algum medo ao inicio, pois a zona não tem iluminação nenhuma, a vegetação tem crescido imenso e a paisagem abandonada dá um ar sinistro aquilo tudo. Ainda estive tentado a voltar, mas depois habituei-me e até fiz mais do que queria inicialmente, sempre num ritmo confortável, a não ser quando me assustava com algo e saia uma mini-serie J

Daqui a duas semanas vou pernoitar mais uma vez por ali, e se tiver tempo vou fazer um treininho madrugador, com luz do dia…tiro umas fotos para vos mostrar de que estou aqui a falar.

…e pronto…hoje é sábado, já estive a fazer uma lista com as coisas e levar para a aventura de amanhã, e mais uma vez devo levar uma mochila cheia. Estou com muita espectativa e ansioso por embarcar na UTAM – não sei o que me espera, não sei se estou bem ou mal preparado, mas sei que quero desfrutar ao máximo dos 61km do percurso, do ambiente….passar um bom tempo entre natureza e amigos...o objectivo é “apenas” chegar ao fim.
 
A todos os que amanhã vão participar na Ultra, no Trail ou na Caminhada dos Amigos da Montanha em Barcelos, desejo que corra tudo bem e que se divirtam. Eu vou tentar fazer o mesmo….bora lá à UTAM!!!

domingo

Longão em Leipzig - tradução para tugês


Porquê hoje em alemão? No meu último post, tive um episódio muito engraçado com o João Lima, por causa de uns comentários em checo feitos com o Google Translater….completamente ao lado… chorei de tanto me rir com a tradução J. Por isso hoje em alemão….então muito boa sorte com o Google Translater ou outro do género….

Depois da Aventura em Brno na 3ª feira, na 4ª voltei a correr na mesma floresta – desta vez apenas 11km, mas num ritmo bem mais alto….foram 58 minutos intensos, com subidas e descidas constants….no fim ainda fiz 2km a 4,30min/km…muito bom, penso que já terei recuperado da Maratona do Porto. Depois desta corridinha, fiz uma viagem de carro de Brno até Zwethau na Alemanha (550km), para uma reunião importante às 17h – quando cheguei ao Hotel à noite estava naturalmente estafado. Por isso não corri ontem, tendo planeado uma longão para hoje de manhã.

Ontem dormi perto do Aeroporto Leipzig/Halle. Conheço esta zona bastante bem, pois pernoito por aqui pelo menos 2 vezes por ano, além disso, há uns anos atrás aquando das famosas nuvens de cinza que paralisaram o espaço aéreo europeu, fiquei aqui retido durante um fim de semana – naquela altura já corria e aproveitei o tempo para treinar e assim conheci a zona. A ca.2km do Hotel existe uma floresta muito bonita, para onde eu hoje de manhã fui correr…
…corri simplesmente para dentro da floresta…o meu objectivo era fazer 30km. Os primeiros 15km foram feitos em ritmo de passeio, parei algumas vezes, fiz Fotos, tive que parar duas vezes para mudar a “água às azeitonas” J, conheci um amigo (sobre isto pormenores mais à frente), etc, etc….os segundos 15km (praticamente o mesmo percurso de retorno) foi feito num ritmo mais alto, mas sempre em zona de conforto…..

Aqui as fotos da minha corrida de hoje – quero avisar-vos de antemão, que vão ficar com inveja….”Inveja da boa” espero eu….desejo-vos uma boa viagem ao interior do meu “Longão em Leipzig”….


Hmm…para onde vou? Leipzig a 15km? Porque não?…bora lá..
 Ahhh…muito melhor que em Brno…aqui pelo menos entendo o que está escrito J







….muita lama….as mulheres de limpeza deste Hotel vão gostar tanto disto como as do Hotel de Brno J







Só faltam 10km para chegar a Leipzig….hmmm…acho que vou correr na outra direcção….não estou com vontade nenhuma em encontrar aqueles homens simpáticos, que se vestem todos de preto, com as carecas brilhantes e tatuagens esquisitas no corpo…ouvi dizer que existem muitos deste tipo aqui na zona…e acho que não gostam muito de gajos de cabelos mais escuros que falam melhor alemão do que eles…penso que, consigo correr mais do que esses homens simpáticos se for necessário (aquelas botas Doc Martins parecem pesadas), mas já não tenho tanta certeza se serei mais rápido do os cãezinhos fofinhos deles…e hoje é dia dia de longo e não de séries J





…quero apresentar-vos o meu novo amigo (ou amiga)…no meio das ovelhas estava este espécime….quando parei junto da cerca, as ovelhas fugiram a sete pés e ele/ela veio imediatamente ter comigo…muito simpático/a…queria mimos….acho muita piada à ovelha que esta atrás dele/a na foto, do lado direito, a forma como está a espreitar J


E foi assim que hoje fiz um longão fantástico…percorrendo caminhos por floresta, campos, tudo praticamente plano (deu 48m de D+ no percurso todo)…da Maratona do Porto nem sinal…parece estar tudo a 100%....nos últimos 3 km senti as pernas um pouco pesadas, mas agora, umas horas mais tarde está tudo em ordem.

Se tiver tempo, no domingo vou voltar a correr, no máximo 1 hora. Na próxima semana estarei novamente na Alemanha por 3 dias, mas vou refrear as corridas, pois no domingo seguinte estarei no Ultra Trail Amigos da Montanha…61km dentro isto….

…é sem dúvida o meu maior desafio até à data, no que diz respeito à corrida. Sem stress…também hei-de conseguir ultrapassar esta…estou ansioso por enfrentar esta aventura J