domingo

Matar saudades do nosso Quintal


NOTA PRÉVIA: Ando com atraso!!! Não, não estou grávido, embora pela barriga até possa parecer. Estou atrasado aqui pelo meu cantinho, mas espero recuperar durante os próximos dias. Esta posta relata episódios de há uma semana atrás. 
Tantas saudades que tinha do Quintal dos Pernetas, dos treininhos de fim de semana pelos nossos trilhos, do alto do Camouco, da Dª Alice, do Bininho, da boa disposição da nossa malta. A última vez que estive por aquelas bandas foi exactamente no dia 1 de Maio, no dia dos Trilhos dos Pernetas, e foi em “trabalho”. Tanto tempo sem lá colocar os pezinhos.
Por outro lado estava muito curioso para ver se os fogos de verão e de outubro passado tinham feito muitos estragos. Sabia que o alto do Camouco tinha ardido, mas não sabia como estava o resto. 
E lá se organizou uma Pernetada no passado domingo, que incluía um treininho com almoço de seguida na Dª Alice.
Para o treininho apareceram apenas 5 Pernetas – como diz o ditado … “poucos mas muito bons” ou “só faz falta quem cá está” J - um ou outra ainda teve desculpa porque a noite anterior não foi fácil …
 

E à hora marcada lá arrancamos da Dª Alice – 5 Pernetas bem dispostos sem percurso definido, apenas sabíamos que era para ir ao Camouco e voltar … por onde não sabíamos, não interessava, apenas queríamos estar de volta ca. do meio dia, hora combinada com a restanta malta para o cumbibio de almoço.
E foi assim …

... só faz falta quem cá está :)

e quem apareceu quem foi? O mestre Bininho claro ... 


andamos à descoberta de novos trilhos e encontramos "ouro"



3 paredes consecutivas ... pétaculo 

olha o Marco dos 4 Concelhos 

virado a oeste está tudo mais ou menos bem ... 



já para Este (Castelo de Paiva) ou a sul (Freita) está tudo queimado ... 

ao fim de uns anos o Serafim finalmente conheceu o alto do Camouco ... 



já chega ... vamos embora ... 



nham ... cá está ela :) 


e há novos animais por casa da D. Alice ... 2 tourinhos  
 

uma catrefada de coelhos ...

mas alguns ainda se mantêm como esta mãe e filho 

para os comes&bebes já aparecem quase todos ... 
Muito bom … um dia bem passado que deu para matar algumas saudades e deixou vontade de voltar com regularidade. E vamos voltar com toda a certeza. A vontade é descobrir mais trilhos novos e aumentar o nosso leque de percursos.

Trilhos dos Pernetas 2? Não sabemos ainda … pelo sim pelo não reservem o dia 1 de Maio 2018 J 

segunda-feira

Oh diabo ... fiz merda em Achaffenburg


O despertador tocou eram 6.45h ... não me apetecia mesmo nada ir correr. Além de que ainda não há luz do dia sei que lá fora está um briol do caraças … e está-se tão bem no quentinho do quarto do Hotel, enfiado debaixo do édredon e ainda com soninho para gastar . Estou em Aschaffenbrug, uma pequena cidade pitoresca nas margens do rio Main a meia centena de km de Frankfurt. Cheguei há 3 dias e  tenho ido correr todos os dias pela madrugada – nos dias anteriores fui sempre às 6h da manhã e pouca luz do dia apanhei. Hoje como o dia de trabalho começa mais tarde quero aproveitar para fazer um treino mais longo e sem ter que ligar o frontal. Mas não apetece mesmo … só há uma forma .. fora da cama de rompante, direito à casa de banho, água fria pela cabeça abaixo, equipar à pressa, sair pela porta fora, por um pé na rua e ao “pipipip” do meu gps a confirmar que apanhou sinal carregar no botão do start imediatamente e colocar um pé à frente do outro um pouquinho mais rápido e cadenciado do que quando vamos a caminhar. Pronto … tás a ver Perneta de merda, não custa assim tanto … está frio? tu aqueces já … demora 2 ou 3 minutos a entrar em modo “cá fixe, ainda bem que vim” … sigaaaaa…
A primeira parte do treininho de hoje é para visitar a parte velha da cidade – já cá estive umas 3 ou 4 vezes, mas não me lembro de ter visitado esta parte durante o dia. Quero fazer os primeiros km pelo zona histórica e depois vou até lá baixo às margens do rio. A intenção é fazer 15km. 




A visita à parte histórica faz-se em pouco tempo, está tudo muito junto e chego à margem do rio Main com pouco menos de 3km. Foi bem descontraída esta primeira parte do treininho e bem agradável. Vamos à 2ª parte, junto ao rio … estou com o motor aquecido, está na hora de acelerar a mota …






Ri-te enquanto podes ó Perneta ... 


O problema é que o motor soluçou repentinamente … deu-me uma cólica tão grande como já há muito tempo não me dava … uiiiiii …. estava a ver que me borrava todo já ali e nem tempo para dizer “ai” tinha …. fiquei ali parado, melhor, paralisado, melhor ainda, petrificado à espera que a coisa passa-se … nem um mini passo arrisquei com medo que a desgraça se desse e a minha única solução seria a de me atirar às águas castanhas e lamacentas de um rio Main que deveria estar gelado como  caraças. Tal como veio a coisa tb passou … foram uns segundos de terror que pareceram uma eternidade … ensaiei uns passos tímidos de caminhada, depois a trote para depois então começar a correr mas sem acelerar muito e ir avaliando o estado da coisa. A cólica tinha ido à vidinha mas deixou-me um presente … um tijolo ao fundo das costas, a picar a porta de saída… mau … tenho que ir soltar este javali o mais rapidamente possível. 
Pergunta para um milhão?
Vou largar o tijolo na casa de banho do Hotel ou corro junto ao rio para fora da cidade para largar o javali atrás do primeiro arbusto que me aparecer??? Decidi-me pela 2ª opção – regressar ao Hotel era pelo meio da cidade e era a subir … uns 2km no mínimo. Junto ao rio sabia que daqui a 1km sairia da zona mais civilizada e havia sempre o rio para ir fazer companhia aos patinhos se não houvesse outra possibilidade. 
Lá segui pela margem direita do rio com um olho no horizonte a analisar o terreno à procura de um spot que me permitisse fazer um agachamento descansado e reservado do mundo que me rodeava. O outro olho estava atento aos sinais que o terceiro olho me ia dando – e a coisa não estava fácil, estava a picar a sério … o javali estava agressivo e queria sair. Oh diabo …

Não tardei a sair da periferia da cidade … de um lado o rio, do outro lado uns terrenos agrícolas, descampados com casas das aldeias que encostam à cidade a uns bons 200m. Entre o meu caminho e o terreno uma faixa com árvores, arvoredos e alguns arbustos … e dizem vocês … “que sorte, problema resolvido”!!!
Não caralho … nada de problema resolvido. Primeiro estes merdas destes alemães tem a puta da mania de ter tudo limpo, asseado, árvores e arbustos podados, ervas e matos desbravados de tal forma que era impossível esconder-se lá pelo meio … além disso de x em x metros havia alguém a caminhar, a passear o cãozinho e uma velha a andar de bicicleta a 5km/h para trás e para a frente. Ta que pariu lá esta merda … caralho os foda a todos ….
A situação estava a ficar mesmo perigosa … o javali estava encrespado, a esfregar aqueles pikinhos que tem no dorso na minha porta dos fundos … aquilo picava mesmo a sério … e eu lá continuava a correr em frente o melhor que podia à espera de uma oportunidade de o deixar sair.
Já não me lembro bem de tudo, acho que o aperto me limpou a memória durante aquele tempo e é evidente que não tirei fotos durante o sofrimento … estava em modo sobrevivência à procura de me aliviar do tijolo que trazia comigo e só isso contava. Mas lembro-me de passar por uma senhora com um cão (acho que era um Pastor alemão) que estava a largar um calhau na beira de um campo … que inveja senti daquele cão, conseguia sentir aquele calhau a passar as bordas do respectivo e o alivio que deveria estar a sentir … estes cães é que tem sorte L … e lembro-me de mais uma vez a velha da bicicleta passar por mim, agora de frente … 
A uns 500m vejo uma mini floresta do lado direito do caminho que vou a percorrer ... parece mais densa … ninguém por perto … será a minha salvação??? Tem que ser porque a minha porta dos fundos não aguenta muito mais tempo … o javali enervou-se e anda agora às marradas à porta que vai ceder a qualquer momento. Sinto que aquela mini floresta é a minha última salvação … são apenas 400m …

… mas são 400m complicados, porque não consigo acelerar, pelo contrário … tenho que ir a apertar as nádegas para que a desgraça não se dê antes do tempo. O meu cérebro já só pensa em mandar abrir os portões e deixar sair a horda de javalis enfurecidos. Sim, javalis no plural … só podem ser muitos, impossível ser apenas um … entro na zona da floresta, vejo um spot ideal … salvo??? …. Numa mão já levo o pacotinho de lenços – não se pode perder tempo e a outra vai a abrir os cordões das calças … isto tudo enquanto corro num estilo pouco ortodoxo de quem vai a ter espasmos de 2 em 2 segundos … ninguém à minha frente, um último olhar para trás para ver se vem alguém e ….
… puta que pariu … o caralho da velha da bicicleta vem aí outra vez, é pra aí a 356º vez … fodasse, não acredito nisto … passo o spot que tinha como ideal … o mundo desabou ali, felizmente apenas psicologicamente, a minha porta dos fundos continuava a aguentar mas sabia que era impossível muito mais tempo …. avancei uns 100m e dei a volta … voltei a passar a velha de frente sempre fixado no tal spot ideal … parecia um felino, cheio de genica a enfiar-me pelo arvoredo a dentro, no salto para trás daquele maravilhosa árvore o tempo parou … com uma mão a tirar as calças, com a outra a sacudir o lencinho de papel ao vento para o abrir, abrindo as portas e soltando ainda no ar a manada de javalis furiosos que trazia dentro de mim aterrando em agachamento perfeito ao mesmo tempo que ouvia os sinos de natal acompanhados das cantorias natalícias de um coro de anjos vestidos de rena Rodolfo.

Cá bom … ca maravilha … ca alivio … vai buscar velha da bicicleta!!! Consegui ou não consegui caralho!!! Não há hipótese, nestas merdas sou o maior, nunca perdi um duelo até hoje!!! J
Foi por um triz ...

Ó pra ele .. agora sim, dá para rir 

Quando voltei ao caminho o meu relógio marcava 6,8km … foram quase 4km de luta heróica e sofrimento atroz mas que acabou com um final feliz. Eu aliviado, os javalis livres e contentes e uma mini floresta de Achaffenburg mais adubada. É o chamado “Win-Win Situation”
O resto do treino? Maravilha, mais leve fiz uns 5km a dar-lhe bem e depois regressei ao Hotel nas calminhas. E fiz os 15km que estavam previstos J


Perneta ... desta vez safemo-nos, mas foi por pouco ..


quinta-feira

Venha o circuito anual dos 10km do Perneta


Agora que a Maratona do Porto já era vou continuar a dedicar-me ao alcatrão. Mesmo que as saudades dos trilhos sejam muitas (especialmente do nosso quintal e das Pernetadas) vem aí o já habitual Circuito Anual dos 10km do Perneta, e do qual eu gosto muito.

No ano passado cheguei a Dezembro numa forma estúpida ... tudo o que viesse morria, estava sequinho, sentia-me bem, treinava pra caraças e comia como um desalmado sem que isso me afectasse o rendimento. Vinha de um ano com muitos km e muito desnível nas pernas, fruto da preparação para o CCC, seguido das 24h e das Maratonas do Porto e do Gerês. Os ritmos e velocidade treinava à 3ª feira com o grupo da frente no Running Espinho. Era o suficiente para me sentir bem a ritmos altos.

Com essa base cheguei à época das corridas de 10km ... 3 no total. Primeiro foi Ovar onde cheguei um pouco moído das pernas mas onde fiz a melhor prova de sempre em 10km. E não é o meu RP actual, já o bati por 1 segundo. Digo que foi a melhor prova de sempre porque nos primeiros 500m quase não consegui correr (e numa prova curta sabem como é) e por ter feito uma corrida espectacular pujante de trás para a frente acabando num tempo completamente inimaginável para mim, entrando no minuto 37 (quando ainda 1 ano e pouco atrás só queria baixar os 40min e andei anos para o conseguir).


este menino voou ... mesmo de bigode ... 

hmmm ... acham que eu não ia voltar??  

No dia seguinte fui fazer a do Porto pela 7ª vez consecutiva e foi espectacular por ter feito a prova a puxar o meu primo Pedro.


.. e ao 8º ano vou falhar esta ... mas é por uma boa razão ...

A última prova do circuito anual dos 10km do Perneta foi a S.S. de Espinho, já em Janeiro deste ano. Bati o RP de Ovar por 1 segundo mas ainda hoje não sei como. Já com muitos problemas físicos foi uma luta titânica, um exagero de sofrimento com um resultado excelente mas que não faz sentido por ter agravado em muito os problemas físicos de que padecia na altura.
... foi de "faca nos dentes" de inicio ao fim ...

E pronto ... este ano só fiz mesmo a SS Espinho como prova de 10km no inicio de Janeiro. Aliás, desde que corro fiz apenas 19 corridas de 10km (média de 2,71 por ano). Só para terem uma noção fiz 15 Ultras e só comecei em 2013 neste tipo de provas longas (média de 3,75 por ano) e 11 Maratonas de estrada tb desde 2013 (2,75 por ano). Isto para dizer que faço poucas provas, sou selectivo pela falta de tempo e por isso muitas vezes não vou a mais provas de 10km, tal como Meias Maratonas de estrada - só fiz 18 desde 2010 (média 2,57 por ano), ano em que comecei a fazer provas.

Apesar dos nrs indicarem uma preferência por provas mais longas, a verdade é que não é bem assim (embora a prova preferida seja a Maratona)... eu gosto é de correr seja qual for a distância ... depende da altura do ano ... e como disse acima, agora a seguir à Maratona vem a época das corridas de 10km ... serão provas a fazer no red-line e que vão servir para o meu próximo objectivo que é bater o meu RP da Meia-Maratona, se possível chegar à 1h25min ... Viana??? ... Vamos a ver ... facto é que esta paragem de 2 semanas depois da Maratona do Porto me atrasou novamente mas estou cheio de motivação ... há um longo caminho pela frente, são ca.2 meses que eu vou adorar. Espero que a "bruxa" se ponha a milhas definitivamente e me deixe "sonhar".

Cá está o meu calendário de São Silvestres ...

objectivo = baixar os 40min ... tenho 3 semanas para voltar à forma AM (antes da Maratona) 

objectivo - participar de uma enorme festa organizada pelo nosso Luis Lobo, com a família calense por terras alentejanas, correr&comer&beber 

última paragem antes da Meia de Viana, aferir a forma ... depende de como for a preparação, mas se der para fazer uma gracinha não vou facilitar ... 

E hoje regresso às series ... 10x400m mas sem exagerar muito para ver como estão as coisas ....