Uma merda … é assim que vai a preparação
para a Maratona do Porto!!!
A intenção era fazer a melhor
preparação possível para atacar o meu recorde pessoal … se corresse mesmo muito
bem (como para Saragoza) poderia até pensar num voo ainda mais alto!! Mas entre
o plano de intenções e a realidade vai um oceano de distância.
A verdade verdadinha é que nunca
consegui estar a 100% nestes últimos 2 meses … regressei das férias com problemas
no Aquiles e mesmo com paragem e depois redução de treino, nunca consegui ter
uma boa sequência. Quando uma ou outra vez a coisa parecia estar a
engrenar, houve sempre algo que me voltava a puxar para trás … pequenas
mazelas, mas que obrigavam a abrandar novamente.
Mas nunca perdi a esperança …
mesmo quando no sábado, dia 19 de setembro, ali pela marginal de Espinho, pelas
7h da manhã, parti motivado para um longo de 20km (11km a 4.30, 7km a 4.10 e
depois 2km a rolar até ao carro) … seria o culminar de uma excelente semana de
treino. Até aos 7km foi tranquilo, depois do nada um cansaço enorme, uma
batalha até à viragem aos 10km, um km mais lento com um gel e acalmar um pouco
antes de arrancar para os 7km a 4.10 … nem arranquei, estava mesmo de rastos,
sem energia. Paciência … viola no saco e siga rolar até ao carro … aos 18,5km
uma fisgada no posterior da coxa esquerda … fonix.. mais nada hoje??? Parei e
fui a caminhar até ao carro… como não me doeu mais, nunca mais me lembrei da
coisa. Apenas no dia seguinte, já em Bologna, quando fui ver se a minha “pista”
de treino ainda estava no mesmo sítio, é que por volta dos 3km (calminhos), me voltou
a dar um esticão no mesmo sitio … e desde aí, já lá vão mais de 2 semanas que
os treinos foram nenhuns, ou muito escassos, lentos e curtos.
E assim cheguei à Meia Maratona
de Ovar … na semana antes, já em Portugal ainda fiz 3 treininhos curtos e
calmos … só rolar … um de 10km praticamente sem sentir nada, e decidi que iria este
domingo à Meia … sem forçar nada, apenas rolar devagar de inicio até ao fim. E
se voltasse a sentir alguma coisa ia parar … o plano inicial era outro … se
isto tivesse corrido bem, a ideia era dar o máximo para ver o que dava …
paciência.
No domingo lá fui cumprir a
tradição … cedinho até ao café de sempre ter com a malta do CAL para cafezinho e
amena cavaqueira. Este ano muito descontraído porque tinha mais que tempo …
aquecimento? Não é preciso … ir cedo para a zona de partida para evitar as
confusões? Náhhh … hoje é tranquilo!!! Tenho a dizer que não estava muito
confiante que chegasse ao fim, disse-o aos colegas … o mais provável é não
fazer o percurso todo.
E um pouco antes da partida lá
fui com o Fontes, a Barbara, o Americo e o Sr.Dias para a cauda do pelotão na
zona de partida. Fotos e galhofa e lá se ouviu o tiro de partida … na nossa zona
ainda demorou uns bons 2 minutos para haver movimentações e só passamos o
pórtico de partida já o relógio passava muito dos 3minutos. Tranquilo …. Se fosse
no ano passado já estaria a stressar 😊
Fui com o Fontes no meio daquele
mar de gente … o primo Fontes anda malandro, a treinar nada há anos e só ia
fazer os 10km da Corrida do Azulejo. Fomos literalmente todo o tempo na
conversa … por volta dos 3 ou 4km passamos de duo a trio … juntou-se a nós o Zé
Pedro no Núcleo de Montanha de Espinho que conheço de outras aventuras e que
anda a treinar pouco ou nada.
Até ao primeiro retorno ali já a
chegar aos 6km nem “sinal” da minha coxa … no regresso ao centro de Ovar e como
é a descer um gajo estica mais um bocadinho e tive ali uma primeira
impressãozita… hmmm … mas continuei firme e hirto … se der mais forte desisto …
Os ritmos foram sempre muito
constantes, sendo o km mais rápido feito em 5m28s e o km mais lento a 5m52s … isto
durante toda a prova (prontos … já sabem que cheguei ao fim).
Um pouco antes da separação dos
percursos aos 9km ainda tentei convencer o Fontes a vir connosco … mas ele
tinha razão …”vou bem, não vale a pena estar a matar-me …” … “tenho que voltar
a treinar e depois já dá para fazer todas as brincadeiras e mais algumas”
E segui com o Zé Pedro, agora a
descer de Ovar para o Furadouro … foi ali na descida que comecei a sentir a
coxa a contrair, mas logo depois a normalizar outra vez … vamos indo vamos
vendo … faz-se bem esta parte … é a descer e dá para ir vendo a malta já no
regresso …. primeiro os maquinões nas lutas pelos primeiros lugares, depois aquela
malta bué de rápida na luta pelos escalões, e depois aquele grande pelotão de
gente esforçada (onde me incluo) a lutar pelo melhor resultado possível, quem
sabe um novo rp ou a melhor marca do ano ou naquela prova … além da conversa
com o meu companheiro de viagem, vou me distraindo com a malta que conheço do
outro lado da rua, e incentivo onde posso 😉
Na marginal do Furadouro está muita
gente como sempre … meto um gel mesmo sem sentir nenhuma quebra … a coxa está
estável, sinto uma pequena pressão mas não passa disso. Temos ca. 14/15km …
agora acabo, nem que seja a caminhar … vou satisfeito com o decorrer da prova …
tranquilo e a coxa a portar-se bem.
Num abastecimento à saída do Furadouro vou ter um banho de realidade … ao apanhar uma garrafa de água fico
ligeiramente para trás e ao voltar a tentar colar ao Zé Pedro é que noto que
não dá para acelerar … o músculo estica e incomoda … ó diabo!!! Afinal estás cá
…
Entre 5,40 e 6m/km não tem
problema … mais rápido já passa a ser. Calmex … fiz um acordo com a minha coxa …
“aguentas firme até ao fim e depois dou-te descanso durante a próxima semana…
vale?”
E assim foi … recta do Furadouro, ida ao último retorno e regresso e agora só faltava aquela subidinha de quase 2km até à rotunda dos bombeiros … é o segredo desta prova … chegar aqui com energia e pernas para quebrar o mínimo possível … no ano passado perdi aqui o meu recorde pessoal … este ano é tranquilíssimo …
Um pouco antes da rotunda ligo
para a Dora para saber se sempre chegou a vir até Ovar … confirma que está na
recta da meta com a Sara … bela oportunidade cortar a meta com ela … com isto
de telefonar o Zé fugiu um pouco … evito tentar acelerar … tenho um acordo com
a minha coxa e é para cumprir …
Uns 100m antes da meta vejo a Dora com a Sara ao colo … “queres correr com o papá?” … um abanar de cabeça em sinal de aprovação, beijoca na mulher e sigaaaa … a miúda correu o que faltava até à meta … é páh … que alegria para mim … ouvi de alguém no meio da multidão “a miúda corre mais que o pai” … ainda fui a tempo de um “tb não é difícil” 😊 … espectacular …
.... gostava mesmo que um dia a Sara fizesse umas provas com os
papás … ainda vai demorar uns anitos, mas a gente está aqui para as curvas … ou
não 😊
Demorei mais de 2h … não me
apeteceu ir ver, mas das quase 40 meias Maratonas que fiz, esta não sendo o
pior, deve estar no Top 3 dos piores tempos. Mas não interessa nada … foi o
possivel, diverti-me e tive uma chegada fantástica … e é mais uma para a
colecção. Está feita … e mais um prato ...
A prova em si esteve mais uma vez em grande nível ... mais de 5000 inscritos entre a MM, os 10km da Corrida do Azulejo e a Caminhada. A organização é impecável e pelo que me apercebi não falhou em nada. Um dia de bastante calor, pareceu-me que reforçaram a água para a malta... de atletas para atletas. Não é por acaso que é talvez a minha meia maratona preferida. Só o speaker é que não é grande coisa 😉 😉 😉... dá gosto ver tanta gente a praticar desporto ...
Agora vou cumprir a minha parte
da promessa … esta semana darei descanso à coxa, vou tratar dela e daqui as uns
dias logo se vê. Correr a Maratona do Porto para um tempo especifico ficou fora
de questão … quero recuperar bem e quero muito participar e acabar mais uma …
mas de forma a que na semana a seguir consiga correr e finalizar a Maratona
Nocturna do Grifo... já que estou em primeiro quero ganhar o circuito.
Mas uma coisa de cada vez …













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