terça-feira

Trail de Santa Luzia - puro e duro


Sábado ouvi alertas em tudo o que era comunicação social, para as descidas abruptas de temperatura a partir de domingo. Que equipamento levo amanhã para Viana? A dúvida estava entre calças ou calções, e as camadas de camisolas por baixo do casaco…vou levar todas as opções comigo e decido na hora.

A noite foi mal dormida…por um lado a Isabel lembrou-se de ter uma noite irrequieta, mas a principal razão tinha a ver com alguma ansiedade da minha parte…já não me lembrava de estar assim por causa de uma corrida, mas o facto de não estar minimamente preparado para uma Ultra aliada ao facto de até 5ª feira desta semana ainda estar com alguns problemas relacionados com a ciática eram motivos mais que suficientes para estar assim. O despertador não chegou a tocar às 5h…não foi preciso porque eu estava acordado.

Pouco passava das 6h encontrei-me com o Badolas, meu amigo para mais esta aventura. Estava frio, mas nada de extraordinário…cá fora nem sinal de geada, que tinha sido uma constante durante toda a semana…estes gajos da meteorologia são uns brincalhões J Lá tomamos o nosso cafezinho da praxe, um croissant com creme (já que estava a seguir o método do Badolas, tinha que dar os 100% J) e toca a zarpar até Viana do Castelo, onde ainda não eram 7.30h e já estávamos a chegar. Fomos dos primeiros.. .levantar o dorsal e tal, começa a chegar o pessoal, confraternizar um pouco e estava na hora de equipar e tomar decisões….como o sol já estava a espreitar, decidi-me a levar apenas uma camisola de primeira camada de manga comprida, uma T-Shirt por cima e um casaco…decidi-me a levar as calças por cima dos calções (a ideia seria tirá-las se tivesse calor…buff na cabeça e luvas (claro)…mochila…Gopro…check… Tou pronto!!!

A zona de partida estava instalada na pista do estádio Municipal Manuela Machado…animação através de um aquecimento à base de Zumba (eu dispenso, eu e dança não nos damos muito bem…a descoordenação é total…é que eu sou uma espécie de Mr.Bean da dança J) …controlo e ali estava eu na zona de partida com o meu amigo Badolas no fim do pelotão… tempinho frio mas com um sol gostoso e pronto para tentarmos chegar o mais longe possível – se chegasse ao fim iria fazer quase tantos km nesta prova como em todo o mês de Janeiro….iria encarar a coisa como um treino, o mais longo possível, ir de abastecimento em abastecimento e depois logo se via se dava para continuar ou não (existiam 4 – 10, 22, 32, 40km). O mais importante para mim era não me ressentir da inflamação da ciática que me apoquentou desde o início do ano e ainda a meio desta semana se tinha feito sentir.

10,9,8, 7……3,2,1 ….sigaaaaaa….e lá arrancou o pelotão colorido todo ao mesmo tempo (Ultra, 15km e caminhada)… grande alarido, a boa disposição habitual, muito característica da tribo dos trails.
onde está o Wally???
A nossa táctica era a única possível…muita calminha, não arriscar quase nada… começamos logo a rolar sempre mais no fim do pelotão…depois de umas centenas de metros por entre uns prédios lá apareceu a primeira subida e mal começou a inclinar mais a sério começamos a caminhar…
... não tardou entramos no mato, primeiro em trilhos mais largos com alguma pouca pedra e depois em sigle-tracks a serpentear pela floresta acima…terreno seco e fofo…maravilha para os pés e bem diferente das duas primeiras edições em que a chuva e o vento eram por demais e tornavam os trilhos muito perigosos…como era a subir e em single-track logo apareceram os afunilamentos ….raramente parava, mas o ritmo era muito lento … porreiro pá J  Não tardou muito chegamos ao Santuário de Santa Luzia, um ex-libris de Viana do Castelo… a boa disposição reinava nesta altura, com o pelotão ainda compacto, muitos fotógrafos nesta zona a aproveitar o enquadramento dos atletas com o Santuário…
...pouco depois voltamos a entrar pelo mato para chegar a um dos pontos altos deste trail….correr durante uns poucos km em cima de um Aquaduto não é para qualquer um J …espectacular…estive presente na primeira edição do Trail de Santa Luzia, e tinha feito o Aquaduto a descer na parte final, só que chovia e eu escorregava pra caraças…demorei uma eternidade na altura...desta vez não...tempo seco, frio mas sol a bater no corpo… e dava para correr pois a aderência era total…muito bom J
…seguiram-se umas passagens por uns campos, igualmente uma zona bem bonita e chegamos ao primeiro abastecimento ca. dos 10km (desculpem-me, mas não sei os nomes dos locais por onde passamos, com raras excepções)… este primeiro troço foi muito bonito e seria relativamente fácil, se eu estivesse em boas condições físicas….infelizmente logo aos 3km comecei a sentir as pernas pesadas o que não augurava nada de bom para o resto da prova. Senti calor, principalmente nas pernas e tinha decidido tirar as calças e seguir em calções, mas à última decidi manter tudo como estava. O abastecimento estava bastante concorrido (lembro que aqui ainda juntava a malta dos 15 e da Ultra) e era bastante bom como primeiro…banana, laranja, broa com mel, batatas fritas, isotónico, água e vinho do Porto…eu e o Badolas ainda hesitamos, mas decidimos deixar o vinho do Porto lá mais para a frente J …ficamos ali bastante tempo a encher o bandulho J

Siga para a 2ª etapa…aqui separava a malta dos 15 e dos 43km…
...nós seguimos à esquerda por um estradão em asfalto largo a descer até talvez à cota mais baixa de todo o percurso, enfiando-nos de seguida por uns trilhos em terra e pedra em plano, tudo feito a correr a trote…lembro-me de dizer ao Badolas “com este tipo de traçado, se estivesse em boa forma acabava isto em 5h30 no máximo”….Perneta gabarolas de merda, não aprendes…és tão inocente, morcão!!! J
…deve ter sido castigo, pois embora o percurso continuasse plano ou a descer, o tipo de piso tornava-se muito irregular e muito mais difícil para progredir, desgastando mais, o que não abonava a meu favor, pois as pernas estavam bem pesadas…nesta fase ia sozinho com o Badolas e numa distracção em vez de seguir à direita fomos à esquerda…foi a única vez que nos perdemos o que nos custou ca. de 500m…culpa totalmente nossa pois a sinalização estava (e esteve sempre) impecável….começamos a seguir um trilho junto a um ribeiro em sentido descendente…ca. do km 15 tenho a primeira ameaça de cãibras na coxa anterior esquerda…um pequeno espasmo tipo aviso…está difícil e digo ao Badolas que é hoje que vou desistir pela primeira vez numa prova…ele diz que tb não lhe parece que vá até ao fim…vamos ambos em treino e mentalizados que teremos que desistir hoje…mas vou muito bem disposto, o mais importante é que da minha ciática nem sinal J
...aqui ainda cheio de confiança...Perneta!!!
…um pouco mais à frente o riacho alarga e o terreno inclina…a água agora corre mais rápido e aparece uma placa “ZONA DE PERIGO” …enquanto eu fico a fazer uns filmes e a tirar umas fotos o Badolas segue sozinho…
...guardo a maquina no bolso porque agora vou precisar das mãos para me segurar…chegamos à zona do Poço Negro… o percurso obriga-nos a entrar no rio para passar primeiro da direita para a esquerda e depois de novo à direita….o problema é que é a descer sobre grandes calhaus arredondados que escorregam como o caraças…ouço o Badolas cá em baixo a berrar por mim, a avisar-me para ter cuidado que ele já tinha caído duas vezes, batido com as costas no chão e se magoado no cotovelo…mais abaixo vejo pessoal dos Gobs e cordas para nos ajudar na travessia…não tenho aderência quase nenhuma e desço muito devagar com mil cuidados, em algumas zonas até sentado, escorregando pelas pedras, um tipo de sku J …vale tudo…quando chego às cordas e penso que a pior parte já passou, escorrego e bato com o costado no chão…valeu-me a mochila que amorteceu a queda e me protegeu a coluna e a cabeça…sofreu o meu cotovelo direito que bateu com estrondo na rocha….doeu bastante e molhei-me completamente… aproveito para agradecer a preocupação e a ajuda do pessoal dos GOBS que estava a fazer segurança nesta zona J
...todo molhadinho...bela banhoca J
...está ultrapassada esta fase difícil mas espectacular, que tinha tanto de bonito como de perigoso…siga…o Badolas vai irritado com as quedas que sofreu…vou brincando com a situação e lá vamos avançando….querem saber uma engraçada? Com estas quedas tanto eu como ele nos lesionamos no cotovelo, eu no esquerdo ele no direito….”a partir daqui foi só dor de coto” J …continuamos a descer junto ao rio, mas agora num trilho ao lado sempre com o mar de frente até uma localidade (lá está, não sei o nome) onde passamos uma ponte para o lado contrário e começar a subir….
...primeiro em alcatrão, seguido por estradão em terra e depois em single tracks florestais, estes com uma inclinação brutal sempre a subir….à medida que vamos subindo a zona vai ficando mais agreste, cada vez menos vegetação...
...chegamos ao topo... do lado esquerda o oceano, de frente e à direita serra a perder de vista com umas eólicas paradas no topo.. espectacular…agora é seguir um percurso em single-track por entre as eólicas e que é feito a passo lento de corrida …
...o solzinho continua a fazer-nos companhia …perfeito não fossem as pernas continuar muito pesadas com a esquerda a continuar a dar sinal de cãibras…aguenta moço J ...tirando isso está tudo surpreendentemente bem….tomo um gel por precaução….não tenho desleixado a hidratação nem a alimentação. Agora voltamos a descer, por terrenos variados, terra, pedra, mato, passamos ribeiros, riachos e poças de água (sempre com cuidados redobrados para não voltar a cair)...
... até que chegamos a Afife, onde somos brindados com uma zona que me fez lembrar a zona do rio Bestança no UTDP (numa escala menor mas igualmente belo)…pedras cheias de musgo, água a correr pela serra abaixo…lindo…
...e chegamos ao abastecimento dos 22km….mais um percurso lindíssimo e variado… o problema são as minhas pernas, as minhas coxas eram nesta fase dois calhaus de tão duras que estavam …”o que fazemos?” pergunto eu…o Badolas diz que por ele acaba aos 30km…”ok…vamos aos 30 e já é muito bom” J No abastecimento o básico … banana, laranja, marmelada, batatas fritas e água… já andávamos ali à 4 horas e pico…vamos embora que se faz tarde J

A 3ª etapa começou com uma subida de vários km até ao ponto mais alto de todo o percurso…segundo o mapa de altimetria da organização até ca.535m…tomei um Magnesona para tentar precaver cãibras e seguimos o nosso caminho, sempre a subir….o terreno vai variando entre terra batida, misto de terra com pedra e pedregulhos irregulares que nos obrigam a um esforço maior… faz-se a caminhar numa passada vigorosa para não perder muito ritmo…a vegetação vai-nos protegendo do sol…curiosamente deixei de ter calor….mas tb não tenho frio…perfeito J
…curiosamente começo a sentir-me melhor das pernas…bendita magnesona, placebo ou não, o que me importa é que estou melhor….a subida é interrompida por um estradão largo em terra batida…ufa, finalmente!!!…...mas são apenas uns 100m antes de voltarmos a entrar num trilho a subir a pique, entre pedras e vegetação rasteira…vai-se fazendo lentamente… quando me sinto cansado paro, viro-me para trás e contemplo o oceano, inspiro fundo e sigo o meu caminho… não existe gel no mundo capaz de nos dar este tipo de injecção de energia…
...chegados ao topo da serra as paisagens são imponentes…de um lado a costa portuguesa (parece-me ver Vila Praia de Ancora lá ao fundo…não tenho a certeza se é mesmo),  do outro lado serras até perder de vista… é por causa disto que a malta gosta de conquistar estas subidas duras…
...o percurso agora leva-nos a percorrer o topo da serra, ora em plano, ora a descer para depois voltar a subir….vegetação rasteira, muita pedra e bosta…montes e montes de bosta seca J
…é nesta fase que o percurso nos leva a um dos momentos de que eu mais gostei….subir a pique um enorme maciço rochoso…inclinação quase vertical mas com aderência total J …lá em cima mais umas eólicas e já vemos ao fundo o abastecimento dos 31km…
...para lá chegar ainda percorremos um estradão em terra batida…pergunta o Badolas “como é? Ficamos por aqui” …respondo que ”por mim continuamos…até ao próxima abastecimento são só mais 8km”….a verdade é que me sentia melhor, nesta fase não piorei e até me sentia com as pernas mais soltas…no abastecimento mais do mesmo, aqui apetecia-me algo mais substancial como umas sandes ou bolo…não me sentia fraco, mas acho que teria caído bem… sem problema, eu estava prevenido com umas barritas J …enchi o meu camelback e siga a rusga….

A 4ª etapa continua a percorrer o topo da serra, agora com mais uma subida até a um marco geodésico, provavelmente o ponto mais alto deste trail…pelo mapa de altimetria agora serão uns 3 ou 4 km sempre a descer…pois…o problema é o tipo de piso com o qual nos deparamos…piso irregular e pedra, muitas vezes molhada e escorregadia…perigoso o que nos obriga a cuidados redobrados …habitualmente já desço mal, e com a queda feia à uns km atrás ainda no pensamento, a descida é feita com mil cuidados, devagar, devagarinho quase parado J
…vou bem e muito orgulhoso com a minha prestação…nesta fase já não me passa pela cabeça não chegar ao fim…mas esta descida desgasta-me as pernas de uma forma brutal…e não é só os músculos, são as articulações e os joelhos…não dá para correr…nesta fase é quando vemos finalmente os responsáveis pelas montanhas de bosta que vamos encontrando pelo caminho J…bois e vacas que andam pela serra livremente, mesmo ali a poucos metros de nós…também cavalos (selvagens?) de pelo castanho…lindos…
...o percurso agora ora sobe (tem duas subidas que nem vos digo), ora desce, mas quase sempre com piso muito técnico o que para um Perneta como eu não é fácil…tomo mais uma dose de magnesona...finalmente zonas onde se pode correr, mas com o impacto da passada doe-me as costas…fico um pouco assustado…não me digas que..? …mas não me prende o movimento da perna e a dor irradia pela costas toda…não são os sintomas da ciática…aviso o Badolas para ir mais devagar...
…agora apanhamos uns trilhos junto a um riacho a descer e dá para aumentar a passada….a dor nas costas desapareceu como apareceu, de repente….já se vê o abastecimento dos 40km…
...os voluntários oferecem-nos um pouco de frango assado que trouxeram para eles próprios… eu recuso, o Badolas come um pescoço J….aqui já nenhum dos dois pergunta como é que é, se é para continuar ou não….agora é para acabar!!! …afinal faltam menos de 3km, não é? …”não…ainda faltam 3,5km” diz-nos um senhor no abastecimento….”o quê?…mas assim dá 45km? Assim não chegamos dentro das 8 horas!!!” …”não se preocupem…vão com calma que os próximos 800m vão ser duros, sempre a subir, mas depois é sempre a descer até à meta” diz o gajo….”ahhh bom, se é assim” J … não sei porque caio sempre na conversa do pessoal no último abastecimento…santa inocência J

A última etapa entra logo a matar por um trilho de “calhaus” a subir…lindíssimo com uma mais uma inclinação brutal…gosto disto…sinto as canelas a ganir mas estou com uma pujança incrível, agora ninguém segura o Perneta J… vou com uma passada forte, cadência certinha e as pernas em estado bem razoável….o Badolas vem com alguma dificuldade e eu não espero por ele para não perder o lanço…
...a meio da subida tem uma parte plana que dá para recuperar o fôlego…espero pelo Badolas e seguimos o nosso caminho juntos…volta a subir brutalmente…”800m dizia ele..pffff” …uma eternidade para chegar lá acima….chego “morto”…afinal não sou nenhum super-homem J …tá feito, “agora é sempre a descer até à meta” ….pois, pois…e eu sou a Madre Teresa de Calcutá…realmente eram mais descidas do que subidas, mas tanto a descer como a subir os trilhos eram difíceis…talvez até nem fossem, mas da cintura para baixo estava completamente desfeito…músculos, tendões, joelhos, pés…uma miséria….sem falar numa assadura entre as coxas…e o raio do estádio Municipal nunca mais aparecia…
....aos 44km finalmente o estádio, do lado esquerdo bem lá em baixo….mas o percurso segue para o lado contrário…foda-se!!! Já chega!!!
...um último riacho e o estádio ali ao fundo…o Badolas vai à frente e segue pelo riacho e eu faço um desvio pelo mato para evitar molhar os pés novamente….tenho os pés frios e já não os sinto….de repente o Badolas escorrega e dá novamente um bate cú….fica deitado e não se levanta….bateu novamente com o cotovelo no chão….agora já me consigo rir da situação…haviam de ver a cara de chateado dele…aquilo é que foi derramar asneirada J …chegamos finalmente ao estádio, cá fora ainda estão algumas pessoas, recebemos aplausos, ouvimos e retribuímos umas piadas e lá entramos na pista para fazer os últimos metros e cortar aquela meta que me soube que nem ginjas, e receber a medalha de finisher J

Estava concluída mais uma Ultra. 8h31min, 45,5km e 2.155m D+ depois de ter partido (fui quase o último a chegar, mas isso para mim não era importante)…só de pensar que ainda na 5ª feira passada estava de rastos com uma corridita de 5km…até dá para rir J … entrei nesta prova com a secreta esperança de a acabar, mas igualmente mentalizado que o mais provável era não o conseguir….felizmente correu bem, e o melhor de tudo foi não me ter ressentido da maldita da ciática que me obrigou a parar mais de um mês…o Papa Kilómetros está de volta J

Quanto à prova, e depois de ter dormido duas noites sobre o assunto, só tenho a dizer que foi excelente…foi uma prova fantástica, trilhos lindos muito diversificados mas equilibrados, com passagens muito originais, subidas e descidas brutais, muito duro para um Perneta mal preparado como eu. A organização esteve bem e não falhou em nada importante, inclusivamente uma bela camisola, medalha de finisher e muito importante, um banhinho quente (mesmo sendo dos últimos a chegar)… Leandro Freitas…estás de parabéns!!! …mas ficas a dever-me uma Bola de Berlim do Natário….é que quando eu cheguei ao fim já não havia bola para mim…até pensei que não tivesse havido para ninguém, mas depois de ver algumas fotos no FB vi que houve….não queres que eu fique ougado pois não? …pois… J
Além da bela da medalha, tenho mais alguns "prémios" finisher - o tradicional belo do empeno, uma dor de cotovelo do caraças, umas meias de compressão para o galheiro (mais umas), uma bolha no dedo mindinho do pé esquerdo maior que o próprio dedo, uma assadura potente nas coxas e 6,5Kg de pó preto à volta das unhas dos pés. Este pó ao fim de 5 lavagens continua teimosamente a manter-se entranhado nas minhas unhas...não é uma imagem muito agradável à vista, mas já começo a ver a coisa a desaparecer...por este andar lá para o verão de 2019 já deve ter desparecido...os chinelinhos de dedo este ano estão out...eu vou usar sandália com meia branca (aquelas com as raquetes) J
Ó Badolas…obrigado páh…podias ter acabado aquilo um bom bocado mais cedo mas esperaste pelo Perneta e ainda bem, porque assim foi mais fácil para mim J Quanto à tua filosofia “que se foda o treino, gajo que é gajo só vai a provas e a poucas” comprovei que tb funciona comigo, mas sinceramente prefiro preparar-me para as próximas aventuras ...  tua filosofia é muito hardcore para mim J

Uma última palavrinha para os muitos fotógrafos que se distribuíram ao longo do percurso para nos tirar fotos, que são pequenas obras de arte e grandes recordações…tudo por amor à camisola….não menciono nomes para não me esquecer de nenhum…muito obrigado a todos!!!

Quem chegou com a leitura até este ponto é um herói J …agora preparem-se, que os Estúdios Perneta estão a editar os muitos vídeos desta aventura…já não bastava andar a tirar montes de fotos nas minhas provas, agora também faço filmes…nos próximos dias haverá novidades J

sexta-feira

Janeiro - do 80 ao 8


A coisa em Janeiro andou muito difícil para as minhas bandas. E até começou de uma forma perfeita, um verdadeiro início de sonho com um fantástico recorde pessoal aos 10km na S.Silvestre de Espinho…isto foi logo no dia 3. Sentia-me em grande forma, ideal para atacar os objectivos de 2015.

Depois desci ao inferno, e não foi aos poucos, aos solavancos…foi uma queda directa no precipício sem qualquer posto intermédio. O meu nervo ciático decidiu fazer-se sentir ao fim de alguns anos adormecido, e foi o cabo dos trabalhos. Deixei de poder correr…não pude ir à Meia de Viana no dia 18 pois não estava nas condições mínimas de fazer a prova…sempre que me sentia bem regressava às corridinhas, que até nem corriam mal, mas no dia seguinte lá estava todo empenado…ou era o gémeo, a coxa, ou as costas, ou o joelho que me obrigava a parar mais uns dias…a PDI não perdoa J …foi-me valendo o meu espirito positivo, mas confesso que a situação já me está a começar a stressar. É que o meu objectivo principal são os 100km de S.Mamede em Maio, e para o conseguir tenho que treinar e muito. Se eu já sofro do “síndrome do tempo escasso”, assim vai ser ainda mais complicado. Faltam agora pouco mais de 3 meses, não me posso dar ao luxo de me atrasar ainda mais. Mas eu vou conseguir, vão ver!!!

Voltando a Janeiro, tinha previsto fazer uns 300km e ganhar uma boa base para a preparação para os três dígitos. Fiz apenas uns míseros 54km L O mês mais fraco de sempre, que me lembre.

Até S.Mamede tenho previsto a participação em 3 Ultras, sendo a primeira já este fim-de-semana no Trail de Santa Luzia em Viana do Castelo na distância de 45km.

E agora? Vou, não vou? Uns dias acordava e dizia “claro que vou, então não…vou e acabo aquilo”….mas bastava uma dorzinha para desistir da ideia “vou lá fazer o quê?”….tem sido assim estes últimos dias, até ontem à noite.

Ontem voltei a correr….5km na passadeira…depois de um início muito custoso, lá me soltei um pouco e fiz os 5km previstos em 30 minutos. Tomei o meu banho e deitei-me…hoje acordei sem aquelas dores tão características dos últimos tempos – não está tudo a 100% mas muito melhor. O mesmo já não posso dizer da condição física que está uma lástima…pernas pesadas com uma corridinha de 5km? Eu? Enfim….

Tá decidido…domingo apresento-me na linha de partida para percorrer os trilhos de Santa Luzia. Vou com o espirito de fazer um treininho, lento, muito lento…gostava de chegar ao fim, mas não o vou fazer a qualquer preço…se estiver demasiado cansado, ou me ressentir de alguma daquelas dores dos últimos tempos, meto o rabo entre as pernas e fico no abastecimento mais próximo, seja com 5, 10 ou 35km. É que segunda-feira às 6 da manhã tenho de estar dentro de um avião em direcção à Alemanha para uma semana que se prevê durinha.


Estou com saudades de fazer um trail - acreditam que o último foi em Julho do ano passado no UTDP? Já passou meio ano....

Neste terei a companhia do meu amigo Badolas, criador, mentor e seguidor da filosofia de treino “que se foda o treino, gajo que é gajo só vai a provas e a poucas”…vamos fazer a prova juntos…nunca na vida pensei seguir esta metodologia de treino tão à frente…vamos lá ver se funciona comigo…até já estou com pena dos vassouras J

quarta-feira

Fiz outro Cartoon - Papa Kilómetros foi ao dentista

eu sei que tinha prometido não vos chatear com mais nenhum cartoon, mas apeteceu-me...desculpem :)





NOTA: Qualquer semelhança com a minha ida ao dentista ontem, é pura realidade!!!


segunda-feira

..e agora...uma estreia mundial

Lembram-se de o Perneta ter arranjado uma Gopro em fim de Dezembro? E que até à data nunca colocou nada neste cantinho? O que querem???...ele tem corrido por acaso para fazer filmes? ...nada de pressionar o homem se faz favor, que o gajo e a tecnologia não combinam lá muito bem, e aquela porcaria ainda tem 2 botões e tudo :)

No último treino com o Zé Alexandre lá se fez uns filmezitos e aqui o Perneta (com ajuda do Moi-Même) lá se dedicou domingo à tarde a editar a coisa...xiiii...nem queiram saber a fumarada que era lá em casa, e não era das maquinetas, era mesmo as cabecinhas dos dois marmanjos (Perneta e Moi-Même) a arder...fonix...esta porcaria além de complicado (riam-se à vontade...para mim é!!) demora tempo pra caraças...depois de ter juntado excertos, colocado música de fundo e tudo o primeiro video ficou com quase 7 minutos!!...é demasiado...tem que ter máximo 3 ou 4 minutos...corta aqui, corta ali, umas cenas em fast-forward e chegou um bocadinho acima dos 4 minutos...perfeito :) ...agora concluir....pimba....já está!! Ganda Perneta...és o maior pá...obrigadinho pela ajuda Moi-Même!!!

Vou a ver a 8ª maravilha do Mundo (e Canedo tb) e .....Hã? 7 minutos??? ...depois de tanto trabalhinho a reduzir a coisa, com efeitos especiais espectaculares, em ter incluído cenas de nu integral da Fernanda Maciel a subir os nossos montes, ter conseguido acertar o tempo da 1ª música com a duração do vídeo, não gravei as alterações??? Não pode...olha...que se lixe...aliás quem se lixa são vocês (se quiserem)...tenham lá paciência tá bem? Olhem que lá pelo meio tem uma cena que vale a pena ...não, a parte da Fernanda Maciel em nu integral não ficou gravada...um tombo do Perneta...é pequenino, mas é um bate cú...

..e pronto...chegou o grande momento...aqui e agora....em estreia mundial, o primeiro vídeo oficial do Perneta no meio dos montes...TCHANAAAAAMMMM....


Se não for mais nada valeu pelas músicas!!!