segunda-feira

A minha Corrida Urbana 2026

 


No passado dia 13 de junho voltei a correr em casa, na Corrida Urbana … não sei quantas vezes já participei, talvez umas 5 … o que sei é que foi a 3ª consecutiva e que o objectivo era bater o tempo do ano passado. E isso não era fácil …

Em 2024 tinha feito uma excelente prova … em 2025 consegui melhorar um pouco e até fiquei à porta do pódio no meu escalão, no lugar do morto …

Mas este ano estava em grande forma … pelo menos era o que eu achava … faltava saber se a brincadeira do #centralfitchallenge tinha feito alguma mossa … é que quase 500km num mês não era brincadeira nenhuma. A falta de treinos rápidos (series e afins) tb me deixaram um pouco na dúvida se não teria emperrado 😉

Dúvidas desfeitas na 4ª feira antes … lembrei-me de ir experimentar o percurso, meter um ritmo forte para ver até onde dava. Queria medir o pulso às subidas, sentir a inclinação e a distância, relembrar alguns pormenores para no dia poder gerir o melhor possível a prova. E correu bastante bem … fiz praticamente o mesmo tempo de 2025, em treino, ritmo vivo mas não no máximo. É lógico que faltou passar por dentro dos monumentos como o convento, o castelo ou as piscinas, respectivas escadarias e outras dificuldades que a prova tem e o treino não teve. Mas, o essencial estava lá.

No sábado saí de casa menos de meia hora antes do inicio da prova … aproveitei para fazer o aquecimento até lá e fui logo enfiar-me no Bloco de partida A. A partida era às 21h ainda com luz do dia, mas rapidamente ira escurecer … por isso, levava já o frontal colocado. Estava muito calor … abafado … um adversário extra …

antes da partida com a minha colega de trabalho Daniela, que está mais que viciada em corrida 

Mal se deu a partida disparei pela avenida de biblioteca abaixo … tinha estudado o ritmo por km do ano passado e sabia os 3 primeiros de cor e salteado … a ideia era ganhar logo algum tempo de início … mesmo em alta velocidade era mais ultrapassado do que passava gente … rotunda à esquerda, agora pelas ruelas estreitas por trás do Pavilhão da Lavandeira … piso muito irregular, cheio de buracos e pedras …. não ia nada confortável, bem pelo contrário, dificuldade em controlar a respiração e falta de força … aqui pensei que hoje não era dia, mas continuei a forçar … o primeiro km ainda contempla a primeira parte da subida para a estação do vouginha … 3,58m (4,08 em 2025) … este já está.

Esta subida é tramada … são umas poucas centenas de metros muito inclinadas e vens com os ritmos diabólicos do primeiro km … mas tem que ser. Tento meter um ritmo alto mas sem exagerar e, como todos os anos, começo a passar muita gente … à medida que vamos avançando as pernas começam a arder cada vez mais e a respiração a descontrolar ainda mais … a vantagem de conhecer o percurso é saber o que falta e que a seguir vamos voltar a descer … mal acaba a subida contrario aquele tendência que temos em abrandar para recuperar um pouco o fôlego e mando-me pela descida abaixo a grande velocidade … recupero até lá baixo … km2 em 4,03m (4,12 no ano passado … excelente) … vamos ao quilometro mais difícil, o km 3 …

.... começa com uma passagem pelo centro histórico da feira com passagem pela câmara municipal a descer até ao sopé do Convento dos Loios para iniciar a “tortura” de escadas e escadinhas … primeiro as do convento … faço dois degraus de cada vez, tentando manter uma cadência certinha … chego cá acima com as pernas a arder novamente … passamos por dentro do convento, saímos pelas traseiras para mais um escadório …ufa … as coxas parece que querem pegar fogo mas não há descanso … uns poucos metro de plano para iniciar a subida ao Castelo … e não, não é pela estrada em paralelos, é pela quinta do castelo, primeiro vencendo as escadas para entrar, depois enfrentando as inclinaçºoes brutas dos caminhos do jardim (onde se faz o Perlim), incluindo as escadas por dentro das grutas ….

… tinha dito para mim mesmo que custasse o que custasse, não iria caminhar durante a prova … não consegui cumprir … nesta fase da prova vinha na cauda de um grupo de 4 ou 5 atletas e como à minha frente começaram a caminhar, tb o tive que fazer … as pernas a arder, o coração aos saltos e os pulmões a querer sair pela boca … foi assim que saí da gruta … e meti um trote para vencer a subida até ao Inatel que vinha logo de seguida … mesmo lento consegui ultrapassar quase todo o grupo com quem vinha … cheguei ao Castelo apenas na companhia de um outro atleta … entramos pelas traseiras do Castelo para mais umas escadas e saímos pela porta principal finalmente a descer … km 3 vencido em 5,47 (em 2025 necessitei de 6,06) … fantástico, em 3 km tinha já uma vantagem de 36 segundos e melhor, sentia-me relativamente bem …

sobe, sobe ....

… aproveitei a descida para ganhar velocidade novamente, mas sem exagerar pois queria recuperar folego e pernas o mais possível … embora uma das partes mais difíceis estivesse vencida, ainda faltavam 2/3 da prova …

Na escadaria a descer para o Rossio sou ultrapassado por 3 atletas, que me fogem uns valentes metros … lá está, eu a descer sou uma lástima … mas mal entra no planinho consigo recuperar … vem agora a parta da piscina da HMC que trás consigo não só mais umas escadarias, mas também a passagem pelo interior e o respectivo calor … aquele ar quente e húmido deixa-me sempre em dificuldades para respirar … e o piso escorregava … cuidadinho  … uma última grande escadaria para sair das piscina e entrar no parque da cidade onde se realiza o feira medieval, ou muito mais importante, as 24h de P 😊

Colo-me a dois atletas durante algumas centenas de metro … km 4 a 4,31 … (4,58 em 2025) …. notei o ritmo a baixar um pouco e decidi passar para a frente do grupo … era a minha vez de puxar … e chegamos à escola Fernando Pessoa onde passamos pelo espaço exterior … e saímos por mais umas escadas … são apenas uma dúzia de degraus, mas já não há pernas que aguentem sem ter que abrandar um pouco … mas sigaaa … abastecimento … pego numa garrafa de água para um golinho … normalmente não preciso em provas curtas, mas estava bastante abafado … km 5 a 4,41 (em 2025 precisei de 4,47m) … em sentido contrário vem o Fabinho já a liderar a prova com o Vitor a talvez uns 20m de distancia e passados uns 50m o Paulinho com mais dois atletas na luta pelo pódio.

Agora é ir e voltar ao Pingo Doce … tem uma pequena rampa na ida que custa sempre … sou ultrapassado por um atleta do Escariz que por norma é gente habituada a subir … tento recuperar quando o percurso fica plano mas só vou conseguir encostar depois do retorno. Vou espreitando para o lado de lá da rua onde vejo a malta que vai à minha frente. Pelotão já bastante partido …

Depois do retorno consigo voltar a passar o atleta do Escariz e até ganhar alguma vantagem. Km 6 a 4,13 (contra 4,28 no ano passado) … já “só” faltavam pouco mais de 3km para a meta … mas sabia que a coisa ia voltar a ficar mais difícil …

Forcei até à verdadeira última subida depois da escola Fernando Pessoa km 7 a 4,13 (em 2025 precisei de 4,17)… são 300m mas a inclinação é mesmo bruta … concentro-me a meter um ritmo baixo mas certinho por ali acima … consigo apanhar e passar um moço que corre de mochila … acho que já no ano passado participou, na altura chegou um ou dois lugares á minha frente … desta vez vai ficar atrás de mim … as coxas parece que querem explodir, mesmo no final da subida passa por mim o atleta do Escariz … lá está, subir é com aquela marta que vive no sopé da serra da freita … km 8 a 4,36 (contra os  

O percurso volta a ficar mais plano no regresso ao coração da cidade e o meu ritmo aumenta … volto a passar o atleta do Escariz e ele a ficar para trás … km 8 a 4,36 (contra os 4,48 no ano passado) … esta luta ajudou não só a não baixar o esforço e com isso nos fez aproximar de malta que ia bem à nossa frente e agora estavam alcançáveis …. quer dizer, se houvesse pernas e pulmões para os último 1,5km que são duríssimos ….

Primeiro com umas reguengas por entre estradas em paralelo, pequenas subidas, traseiras de prédios, cortes à esquerda e à direita e por fim uma escadaria que não parece ter fim em direcção ao Estádio Marcolino de Castro … não me consigo aproximar da malta que vai à minha frente … mais umas escadas para entrar no estádio …. nem sei como não caminhei, mas faltou muito pouco o meu cérebro vencer … o moço de Escariz volta a passar no cimo das escadas … dentro do estádio tento não perder a corda mas já não está fácil a coisa … ali não dá para ultrapassar, e de 20 em 20 metros temos um lanço de escadas para subir e descer … um olhar para trás diz-me que dificilmente serei apanhado por mais alguém …

… o olhar para a frente coloca uns 3 ou 4 atletas no meu campo de visão, que na teoria poderão ser alcançáveis … só que já não há grandes reservar … mesmo assim tento sair o mais rápido que consigo do estádio … são ca. 200m até um escadório longo a descer … e se recuperei alguma coisa até ao escadório, a descer volto a perder alguma distancia … tá feito, é este o meu lugar … km 9 a 4,56 (5,28 em 2025)…

Faltam as escadas da Igreja da Misericórdia, subir de um lado e descer pelo outro … e é aqui que vejo um atleta a uns 20 metros que claramente perdeu gás … sei que faltam agora uns 300 ou 400m e saio disparado das escadas a tentar ainda chegar-lhe … entro na recta da meta, eu acho que ele me topou e deu um último sprint … não tenho hipótese … iria ficar 1 segundo à minha frente …

tá quase...

Passei a meta completamente derreado e só não me mandei para o chão porque estava ali muito gente. Concentrei-me a tentar meter ar nos pulmões, enquanto tentava que os mesmos pulmões não me saltassem pela boca … dei tudo o que tinha!!! E fiz uma prova do caralho … 43,05m (média de 4,34m/km), contra os 45,09m (4,43m/km) do ano passado. Tirar 2 minutos é uma barbaridade e atesta a excelente prova que fiz e a forma em que estou.


Fiquei mesmo muito muito satisfeito … mas precisei de me afastar um pouco da confusão para recuperar ... “não falem para mim” ….e fui sentar-me num murinho para respirar um pouco. Estava completamente encharcado, o tempo abafado aliado à forma como corri colocaram-me naquele estado ….precisei de uns bons 5 minutinhos para voltar a ficar bem disposto e fiquei a saber que estava em 3º lugar no escalão. Vamos aguardar um pouco, pois como esta prova tem partidas por vagas, poderá haver outro velhote mais rápido de outra box que não a minha. No ano passado foi assim … quando cheguei à meta tb era 3º e depois fiquei em 4º.

o "primo" Fontes só veio ver ... fazes falta é lá dentro

Mas pouco depois viria a confirmação do 3º lugar, um prémio justo para a prova que fiz 😊 …

a moço que não consegui passar na recta da meta era do meu escalão e ficou em 2º ... já o 1º ficou a mais de 1 minuto, inalcançável para mim 

desta vez deu para acrilico e, modéstia à parte, foi bem merecido

Quanto à prova voltou a confirmar porque tenho voltado sempre que posso. Excelente nível de organização, boa disposição, um percurso que é uma viagem pelo que de melhor Santa Maria da Feira tem para mostrar … só que é um autêntico carrossel, um parte pernas que inclui na ementa não apenas umas inclinações brutas, mas essencialmente escadas e mais escadas de diferentes tipologias, tal com os pisos, que variam entre alcatrão, paralelo, trilhos … quem vem numa se fazer um prova tranquila bem que apanha uma bela “surpresa”. Mas eu gosto assim, por ser diferente e por ser “em casa”. Só tem um defeito que aponto todos os anos … falta a cervejinha fresquinha no fim 😉 …lol … Lopes & Companhia, muitos parabéns por mais uma Corrida Urbana excelente.

Para o ano, se tiver disponibilidade volto … melhorar o tempo que fiz será um bom desafio, mas muito muito difícil de conseguir. 

Este ano fui mais rápido em todos os km ...


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