quinta-feira

Meia Maratona de Cascais 2026

 


Depois do “falhanço” na Maratona do Porto a primeira prioridade passou a ser nova tentativa na distância rainha …. Será a 12 de Abril em Saragoça.

Pelo meio meti na cabeça que queria atacar o meu recorde pessoal na meia-maratona. A ideia inicial era correr em Viana, mas a data coincidiu com o aniversário da Sara. Alternativa era a MM de Cascais que se realizou no domingo passado …

Passei a semana anterior na Alemanha em trabalho. Fugi do mau tempo em Portugal, apanhei montes de neve, frio e alguma chuva … mas pelo que se viveu em Portugal acabei por ter sorte.

Cheguei 6ª feira ao Porto, e à noite segui para sul com a família. No sábado fui levantar o dorsal. Atenção ao vento que se prevê de norte … o percurso da meia de Cascais é em grande parte junto à Costa, para norte, dá-se a volta no Guincho e regressa-se a Cascais.

O tempo a bater é 1h27m42s … defini 4,07m/km a média necessária … a primeira metade contra o vento teria que ser mais controlada (4,10) para depois do retorno aproveitar o vento de costas e recuperar o tempo necessário. Estou em muito boa forma mas já não participo numa prova há mais de um mês.

Domingo vou cedo … encontro-me com o Telmo e o André, dois dos 35628 "irmões" Oliveiras que tb vieram até Cascais. Pediram-me para lhe levantar os dorsais … “tudo bem, mas não espero por ninguém durante a prova” … para quem não os conhece, ambos os dois dão-me uma enorme abada a correr … nem perto chego 😉

máquinas ...

Voltei ao carro, ligeiro aquecimento e estava na hora de me enfiar na boxe dos sub 1h40 … tinha pedido à organização para me deixar partir na box sub 1h25 mas o pedido foi recusado por não ter nenhum tempo abaixo da 1h25 para provar a minha categoria e poder partir mais à frente. Tudo bem, regras são regras … há que aceitar.

Ali estava eu, prontinho e algo ansioso … muita gente … ao contrário das provas a norte, ali não conhecia absolutamente ninguém. O tempo estava porreiro … choveu a noite toda, uma “morrinha” leve, a chamada chuva molha tolos. Bastante nevoeiro. A temperatura nos 14 graus …. Estava curioso e receoso em relação ao vento … a primeira metade da prova vai ser fulcral. O plano era não abusar, resguardar o mais possível sem perder demasiado tempo.

E não tardou a dar-se a partida … os primeiros km são dentro de Cascais, uma voltinha de 4km antes de entrar na marginal junto ao mar em direcção a norte. Fiquei surpreendido com a quantidade de gente que partiu da minha box (e nas mais à frente) que claramente não tinham tempos para justificar estarem ali. Afinal tão exigentes comigo, mas com muitos outros nem por isso … paciência.

A voltinha dentro de Cascais tinha algum sobe e desce … tive que forçar um bocadinho em algumas partes para entrar no ritmo … 4,16, 4,10, 4,10 e 4m/km nos primeiros 4km … e cheguei à marginal … vento? Zero, nada de nada … impecável 😊


muito nevoeiro ... 

Os km até à viragem no Guincho aos quase 12km foram tranquilos, entre 4,06 e 4,09m/km … primeiro gel com ca.30min como mandava o plano … passei a meio da distância com 4,09m/km de média … abaixo dos 44min, pernas e bpm sobre controle. Decidi manter assim mais um pouco até à viragem … depois ia “apertar” mais um pouco até aos 16 e se houvesse força “apertava” mais um pouco nos últimos segundos … era esse o plano.

Mas mal fiz a viragem levei com vento nas trombas … vento de sul??? .. foda-se, não contava com isto. Explicava de alguma forma a “facilidade” com que tinha chegado à viragem, com vento de costas…

Tive que fazer um esforço extra para não baixar o ritmo nestes 3 km …4,08, 4,07, 4,10m/km … não estava a contar com isto …

Deixei de sentir tanto o vento mas tinha-me desgastado bastante … dificilmente iria conseguir entrar no 1h26, mas o recorde pessoal estava ao alcance … hoje era dia …

Segundo gel no bucho e vamos lá atacar os últimos km … vai ter que ser nos últimos 3km. Fui “apertando o cú” e aproveitando “boleias” … 4,08 e 4,10m/km … num abastecimento ouço um gajo a dizer … “força nessa subida” …. Mas qual subida??? Tinha visto num vídeo que a chegada a Cascais era a descer …. subida o caralhes ...

Não tardou muito vi o que me esperava … uma subida longa, não muito inclinada … estão a ver a subida para os bombeiros no fim da mm de Ovar … algo do género …shit …. ataquei a subida com força mas não durou muito, tive mesmo que baixar o ritmo … fodaice … se isto demorar muito já fui … foi bem longa … 4,23m/km ao km 18 e 4,10m/km no km 19 … umas rápidas contas de cabeça … se fizer 2km a 3,45-3,50 se calhar ainda dá …

…e comecei a dar tudo o que ainda tinha … começou a descer e tinha a companhia de uma moça … entramos em Cascais … 3,53m para fazer o km 20 … vai ser épico… vai ser ao segundo … e nada de baixar a guarda … lembro-me de espreitar o relógio e ir a 3,40 … só mais uns 500/600m …. Aguenta …

Aparece uma ponte em calçada portuguesa, escorregadia, onde reduzo um pouco com receio de cair… são apenas 50m, logo a seguir alcatrão do bom …. Quando meto uma abaixo para voltar a acelerar acontece algo que nunca me tinha acontecido até hoje …. as pernas pura e simplesmente não andavam … por mais que a cabeça quisesse as pernas não respondiam … parecia que me estavam a puxar para trás … espreitei o relógio e o ritmo ia acima dos 6m/km …já fostes Perneta …

Este fenômeno durou talvez uns 200m … estão a ver nas corridas de 400 ou 800m, aqueles atletas que arrancam a toda a velocidade e depois na recta da meta já não tem gasolina e são ultrapassados por todos? Foi algo assim … devo ter gasto a bateria toda, talvez tenha arrancado cedo demais, mas não podia ter sido de outra forma ... tinha que ser o tudo ou nada … ao entrar na Bahia de Cascais onde a meta estava instalada voltei a conseguir acelerar e as pernas responderam novamente … 


... mas já não fui a tempo … 1h28h16 de tempo oficial … pouco mais de 30s do meu recorde pessoal …

oficialmente fiz mais 4 segundos 

Não fiquei triste, fiquei até satisfeito da forma como correu a prova … um tempo muito idêntico a Ovar há 3 meses atrás mas muito menos sofrida. Ritmos altos, controlados, faltou pernas a subir e depois aquele fenômeno no fim, uma novidade mas que faz parte … ataquei quando ainda podia dar, não tive “bateria” para tudo … foi pena, porque a chegada e a luta contra mim mesmo no fim poderia ter sido épica. Se dava? Talvez, não sei …

afinal encontrei gente conhecida ... dois maquinões ... Paulo Ferreira e Luiz Mota

e o Bandalho ... mais uma MM no CV

O que sei, é que depois de alguns minutos de descanso e de conversa no fim, estava pronto para voltar a correr. Uma prova que estou com uma excelente base de forma para iniciar a preparação para a maratona de Saragoça.

Os dias seguintes comprovaram isso … estou novamente na Alemanha … depois de dois dias com corridas mais calmas, voltei às series e sinto-me muito bem.

Faltam 10 semanas para Saragoça … pelo meio há uma meia maratona para correr como teste … uma nova tentativa para baixar finalmente os 1h27.

Quanto à organização desta prova só posso dizer bem … tudo impecável. Apenas o pormenor da box e dos tempos … mas não foi por aí que eu não consegui.

Sigaaaaaa….