quarta-feira

Meia Maratona de Duesseldorf


Tenho andado mais caladito aqui pelo meu tasco. Quando não se corre, pouco ou nada há para contar. Afinal este tasco é sobre a minha “vida” de corredor de fim de semana.
Acontece que fui “atacado” por uma espécie de inflamação do nervo ciático – digo “espécie” porque embora tenha andado à rasca, nada comparativo a outras crises que tive num passado mais longínquo. 
é este cabrãozito


Esta “espécie” fez-me reduzir os treinos na última semana de Janeiro, impedindo-me mesmo de correr do dia 29 até 2ª feira passada onde disse “basta” e fui fazer os primeiros 10km do mês de Fevereiro.

Isto ao dia 5 … eu, que estou a precisar de colocar muitos e muitos km nestas pernas paras os desafios que aí vem na primeira metade de 2018. E o primeiro grande desafio é já daqui a mês e meio, em final de Março, em Lousada … uns meros 100km J
Preciso de fazer muitos treinos longos onde os ritmos rápidos serão o menos importante. Importante será andar em cima das pernas durante muito tempo, habituar-me a ritmos mais lentos, intercalar com caminhada, alimentar-me de forma a ir dando energia ao corpo, gerir isto tudo de forma a atrasar ao máximo o cansaço mais extremo. 
E ontem foi uma espécie de tiro de partida para este tipo de treino. Estava na Alemanha, perto do aeroporto de Düsseldorf e cheguei relativamente cedo ao Hotel, de forma a que me permitiu sair a correr ainda com uma hora de luz do dia. Saí sem grandes planos porque acima de tudo queria saber se a “espécie” estava mesmo adormecida ou se me ia lembrar que ainda mora por cá. Zero graus, mas sem vento e tempo seco – nada que um equipamento adequado não resolva.
Comecei por dar uma voltinha ao longo de um pequeno rio, num parque, que entre caminhos e trilhos enlameados me levou directamente ao aeroporto (ainda era cedo para estar ali, o meu voo partiria no dia seguinte, às 7h da manhã J). Voltei até à zona do Hotel e com 3km nas pernas, sem sinal da “espécie” e com algum tempo decidi que era dia de fazer mais alguns km … 



Ó amigo ... que tens aí??? 

olhó aeroporto ... nah nah, é só amanhã ... 

meto-me em cada sitio ... 


… ao parar num sinal vermelho perguntei a um homem para que lado ficava o centro de Düsseldorf. Segui as indicações dele e não tardaram a aparecer placas a indicar para o “Zentrum”. Acontece que para chegar ao “Zentrum” ainda foram uns bons 7km.

eu sei, eu sei ... outra vez um buraco na sapatilha direita ... preciso de um corta unhas...


Senti-me bem, algumas paragens em sinais vermelhos que respeitei religiosamente mesmo não vendo nenhum carro por perto. Os ritmos sempre controlados, muitas vezes apenas a trote, aproveitando para apreciar a paisagem que não era particularmente bonita, pois andei muito por zonas periféricas. 



tinha uma notita no bolso, just in case ;) 

o ritmo dava para reparar em pormenores como este apartamento bem catita no alto de um prédio antigo 
Até que cheguei ao centro … com exactamente 10km. Corri por um grande jardim, pelas principais ruas comercias, cheias de gente, luzes e lojas sumptuosas (Düsseldorf tem na Köngsallee – Avenida dos Reis – uma das ruas mais “in” para o chamado shopping dos ricos na Alemanha o que não é o meu caso – mas é giro ver os carrões que por lá andam a girar ).


andam mais mansinhos estes "gatinhos" 



andei a lançar charme a estas meninas mas não me ligaram nenhuma .. 


Não foi o caso desta vez, o que eu queria mesmo era ir até à parte velha da cidade, talvez correr um pouco nas margens do rio Düssel que dá o nome à cidade ou quem sabe mesmo no Rhein (Reno). Não consegui por vários motivos.
Primeiro ainda eram mais uns 2km até lá e tinha que voltar depois (acho que já estava a exagerar), depois porque numa primeira fase me enganei e andei a correr em sentido contrário e por fim porque me deu uma enorme vontade de mudar as águas às azeitonas que me fez andar uns bons 2km às voltas num pequeno parque à espera da oportunidade de me esconder atrás de um arbusto para me aliviar, isto quando já estava praticamente com a bexiga a arrebentar. Isto no centrinho de Düsseldorf, à hora de ponta … já estou habituado a estes stresses – se fossem “sólidos” teria sido bem pior J 
sempre importante assinalar este momento ..

ora super moderno ... o prédio, não o personagem

ora mais antigo, a apenas 300m .. 


ainda pensei voltar de metro ... nah, não pensei nada ... 


vi-me aflitinho para arranjar um spot onde pudesse mudar a água às zeitonas descansado... 

Quando me aliviei já tinha mais de 13km nas pernas e ainda tinha que voltar. A parte velha da cidade ficou para uma outra oportunidade.
Cheguei ao Hotel com ca.20km … já vinha com as pernas um pouco desgastadas … isto de correr a ritmos mais lentos cansa para caraças … e porque não completar uma meia Maratona? Era giro como titulo para uma posta no blogue J
Estão a ver como o facto de ter este tasquinho muitas vezes serve de motivação para ir um bocadinho mais além J
E pronto … deu isto …

2h17min para fazer uma meia maratona … foi muito bom … desta vez não custou tanto andar devagar … o facto de andar por sítios novos para mim, a apreciar as paisagens, atento por onde andava, ajudaram muito. Fazer este treino nas zonas onde habitualmente corro será bem complicado porque é preciso algo que nas grandes distâncias é indispensável … paciência, muita paciência. 

e esta selfie, hein? Cheia de estilo, ar de inteligente ... "sou mesmo bom nestas merdas"
Importante mesmo foi a “espécie” não ter dado sinal … é só isso que quero. Vamos lá ver se no fim de semana consigo ir até ao Quintal dos Pernetas fazer o próximo “longo”, colocar algum desnível nestas pernocas pq isso ontem ficou um bocadinho aquém … 25m D+ em 21km ... loucura J

a recuperação começou logo de seguida ....

segunda-feira

Pernetas vs Lenhador Maluco



Sábado de manhã, pouco passa das 8.30h e chego  com o Zé Moreira a Serralva de carro com a intenção de irmos explorar uma zonas novas para os Trilhos dos Pernetas. Estacionamos junto ao tanque onde tantas vezes paramos para nos refrescarmos quando o calor aperta. Hoje está um frio do caraças.
Colocamos mochilas e arrancamos por um estradão em terra em direcção ao Rio Inha. De ambos os lados pinhal. Vamos em amena cavaqueira a trote … está frio e as pernas estão perras nestes primeiros metros.

Ao longe ouvimos uma moto-serra a trabalhar … esta zona é dominada por 3 tipos de malta … os que correm (ou pedalam), os caçadores e os lenhadores. Não sei se já referi … mas está um frio do rachar.
De repente ouvimos um som de madeira a estilhaçar, aquele som característicos das árvores abatidas a cair …. Paramos e qual não é o nosso espanto quando vemos um eucalipto de boas proporções a tombar com estrondo sobre o estradão uns bons 50 metros à nossa frente. 
Retomamos o caminho com cuidados redobrados. A moto serra volta ao serviço … quando estamos a passar a zona do estradão onde a árvore jaz morta ouvimos novo som característico …  é a irmã abatida a cair em nosso direcção … temos tempo para dar dois passo ao lado antes de a ponta da árvora embater com violência a 2m do sitio onde estamos. Porra …

“Eiiiiiiiiiii…… “ … é preciso berrar várias vezes para os dois homens, uns 20m acima, pararem a moto-serra e ficarem estarrecidos a olhar para nós.
“deviam ter alguém aqui na estrada a controlar se vem alguém … esta árvore caiu mesmo ao nosso lado” berrei-lhe eu … “é preciso ter cuidado que ainda alguém se magoa a sério” …
Eu juro que nem eu nem o Zé fomos mal educados ou ofendemos quem quer que fosse … a reacção do homem da moto-serra foi dizer … “se vocês quiserem podem ficar aí a vigiar, até vos pago” ….
“você está a brincar mas passa aqui muita gente a pé e pode matar alguém” …
A coisa descambou em poucos segundos por causa dele (o outro que estava com ele não dizia nada, só fazia gestos com a mão tipo “vão-se embora, deixem o homem falar sozinho”) … começou a gritar, “andar, ponham-se a andar que esta estrada foi o meu pai que a fez … é metade minha e metade do outro terreno mais abaixo”
“andar se a gente quiser… podemos ficar aqui …. mas se quiser chamamos a policia e já resolvemos a questão”
O homem cada vez se espumava mais “olhem que não sabem com quem se estão a meter … eu sou maluco, olhem que eu sou maluco … malandros do caralho … andar, ponham-se a andar”
O Zé começou a passar-se tb “alguém lhe faltou ao respeito? Conhece-me de algum lado para falar assim? Venha cá abaixo …”
E eu comecei a tentar convencer o Zé a irmos embora porque aquilo tinha tudo para acabar mal… ainda demorei uns bons segundos e lá consegui com que o Zé tb lhe virasse costas e o deixássemos a falar sozinho para grande alivio do desgraçado que estava com o “maluco”, moço a quem nem a voz lhe ouvimos. 
Uns 50 metros mais à frente estava a carrinha do homem … ouvimos uns barulhos atrás de nós e lá vinha ele de passo acelerado em nossa direcção com a moto serra na mão a trabalhar, a espumar-se todo  … fonix …. 
A visão do demo 

Um homem de moto serra na mão a vociferar impropérios que já nem percebia, o Zé a passar-se e a dizer “se for homem pouse a moto-serra e venha …” … e agora? Consegui pegar o Zé por um braço, viramos costas ao “maluco” e seguimos o nosso caminho …
Escusado dizer que já não tínhamos frio … estava bem quente, por fora e por dentro. A vontade em dar uma lição aquele “maluco” irresponsável era enorme, mas valia a pena arranjar confusão? Achamos que não ...
Uma situação caricata como até há data nunca me tinha acontecido. Uma situação perigosa facilmente resolvida com bom senso, bastava o “maluco” pedir desculpa e dizer que tínhamos razão (e tínhamos) e que iria ter os cuidados necessários para não acontecer nenhum acidente. 
Fica a esperança que o homem, mais calmo, ao fim do dia tenha reflectido sobre a situação e de futuro tenha mais cuidado no seu trabalho. Vamos esperar que sim. Eu não vou deixar de lá passar … se voltar a acontecer não sei como vai ser a reacção – acho que vou filmar a cena, dá um belo filme para colocar no FB … ele apanhar-me acho que não consegue J … agora fora de brincadeiras. Numa próxima chamo a policia!!!
O resto do treininho correu muito bem ... 15km e mais de 700m D+ na tentativa de descobrir novos trilhos. Essa parte correu menos bem ... mas importante é que ninguém se magoou.





 


a saga continua ....

quinta-feira

Trilhos dos Pernetas 2.5 - percurso dos 12km




A organização dos Trilhos dos Pernetas 2.5 lá vai avançando e este ano temos uma novidade. Na edição do ano passado a distância mais curta (excluindo a caminhada) tinha 18km e quase 700m D+ … é efectivamente um percurso muito bonito, de tal forma que é o único percurso que vamos deixar inalterado este ano. O problema é que 18km ainda é uma distância jeitosa para quem começou a correr há pouco tempo e tivemos muita gente que foi à caminhada ou nem veio participar por não haver uma distância mais curta.
Não foi nada que não tivéssemos pensado antes mas o facto é que para se chegar verdadeiramente ao “nosso quintal”  é preciso percorrer uns 4 ou 5 km por entre campos, traseiras das casas, vielas e levadas. É muito complicado fazer um trail* de 10km com saída e chegada na Capela da Sra.da Piedade, que seja interessante.
*trail – colocar pouco ou nada o pézinho no alcatrão
Para o fazer seria necessário organizar transporte do pessoal para a zona do Rio Inha e isso além dos custos, necessita de mais logística, mais gente, mais tempo. E não temos isso tudo. Somos um grupinho de malta que gosta de correr, com vidas bastante ocupadas, que faz isto de forma muito caseirinha, pouco profissional. É este o nosso estilo e só assim faz sentido. Além disso queremos manter o custo das inscrições a níveis razoáveis.
Mas a ideia ficou, de tal forma que este ano na decidimos incluir a tal distância mais curta. Decidimos recorrer aos serviços do Raúl (o Raúl é o “moço” que nos mostrou o “nosso quintal” pela primeira vez – que já era dele há muitos anos – tem a grande habilidade para se perder, característica que também nos passou com distinção – quando algum de nós vai na frente e se engana nos trilhos a frase que surge sempre é “Sai desse corpo Raúl” J
E pronto … “habemos percurso” … serão ca.12km com 470mD+ distribuídos de forma equilibrada. Não é um Trail* a 100%, é mais uma Corrida Rural que irá percorrer zonas de Canedo mais recônditas, ligando lugares através de trilhos diversos, estradões florestais, campos, vielas mas igualmente algum alcatrão por estradas secundárias. Sinceramente é um percurso muito agradável e o ideal para quem começou a correr há pouco tempo e quer experimentar esta coisa de correr fora da estrada. O contacto com a população local, os diferentes tipos de piso, casas antigas com brasão, as capelas tornam este percurso bem interessante. Para quem quiser levar isto verdadeiramente a competir, tem aqui um percurso muito rápido.


Aqui algumas fotos do treino de reconhecimento de sábado passado – será mais ou menos isto … 












Ponto mais alto do percurso (não chega aos 300m) ... mas vê-se Douro, Inha, São Domingos entre outro ... esperamos que no dia esteja um dia bonito de vista desimpedida 

aqui leva-se a missão a sério ... não há tempo para brincadeiras.. 

tb terá partes mais "técnicas" ... uma descidinha bem acentuada durante uns 300m para ver se os travões estão bem afinados 





como todas as outras provas, tb esta vai acabar a subir a rampa da Capela  



A caminhada este ano tb será neste percurso, naturalmente mais curta (6 ou 7km no máximo).Coloquem dia 1 de Maio 2018 na vossa agenda. Além da caminhada e dos 12km, teremos um percurso de 18km e um que andará ligeiramente acima dos 30km.
As inscrições irão abrir brevemente – ainda não temos data concreta definida mas será com certeza inicio de Fevereiro.
Ahhh … e façam lá um “gosto” na nossa página do Facebook … a organização é caseirinha e parva … vamos actualizando as informações e promovendo o evento com vídeos como estes … 


Oupas .. contamos com vocês no dia 1 de Maio.