sábado

UTSM 2015 - by Zé Alexandre



Ora aqui está mais um amigo Perneta que respondeu afirmativamente ao desafio de fazer um relato sobre o que viveu no sábado passado por terras de Portalegre. O Zé Alexandre é de todos os Pernetas o que me compreende melhor a nível de "problemas dos joelhos" pois os dele são iguais aos meus, ou seja, do grupo é o mais Perneta a seguir a mim :)

Bem.... aqui vai mais uma estreia mundial neste meu cantinho - estou cheio de sorte - tal como com o do Badolas, também ainda não li pelo que siga, sem qualquer censura....

UTSM 100 klm
José Moreira

Aceitando o repto lançado pelo Perneta Mor o Carlos Cardoso, por forma a contarmos a nossa aventura por terras alentejanas, abaixo deixo o meu testemunho sobre a minha participação no Ultra Trail São Mamede, na variante de 100 klm, em Portalegre.
Esta minha aventura começa em finais de de Dezembro de 2015. Em conversa com os amigos destas aventuras e fazendo a "planificação" para 2015, esta prova aparecia em pelo menos 2 parceiros, o Mor Carlos Cardoso e no Gil Correia. O bichinho pelos 3 dígitos despertou de imediato e daí a convencer o Bruno Pinho e o Badolas foi num instante.
Os 5, 6 meses após a inscrição, seria de muito treino, provas (longas de preferência)  e uma alimentação orientada, SERIA, mas se fosse não era a mesma coisa, sendo eu cada vez mais adepto do método Badolas (não por acreditar nele, mas por necessidade) e assim sendo, pouca há a contar sobre a preparação, ou melhor, a falta dela.
Falando da prova em si:
Dia 15 de Maio de 2015, 6º feira, por volta das 10 horas, recebo uma mensagem do Bruno Pinho "Bom dia, como estás" e eu "Bom dia, bem e tu?", responde-me "Nervoso, ansioso". Até aqui ainda não tinha pensado muito na prova, embora já tivesse tudo preparado e durante a semana tivemos uma reunião para combinar tudo. O nervoso "miudinho" só começou a aparecer assim que deixo o trabalho por volta das 18 horas.
As 19 horas em ponto, o Badolas, o Nuno Lima e o Bruno Pinho estão em minha casa para seguirmos para a Feira apanhar o Fontes. A viagem é rápida, dentro do possível. O pessoal vai todo na galhofa, a cantar (tudo para esconder a ansiedade e o nervosismo, digo eu), a chagar a cabeça uns aos outros, o Badolas tenta, digo bem TENTA colocar ordem, segundo ele "O carro é meu, sou eu que dito as leis", é só piadas este Badolas.........
Chegados a Portalegre, está na hora de andar a procura do estádio de Assentos, é por aqui, é por ali, anda pouca gente na rua para perguntar onde é. Nisto, aparece um nativo que nos diz "A esquerda na rotunda, a direita e tal e quando virem uns FARÓIS, é lá"......... e lá fomos a procura dos faróis.
Encontrado o estádio, só tivemos tempo para levantar os dorsais, galhofa, comer, galhofa, café e mais galhofa e chega a hora de irmos para o controlo zero, tudo OK, só o Fontes se esqueceu do cortavento. Tempo para algumas fotos, mensagem a marida, bjs a Bebeu e pronto, tudo a postos.
Meia noite em ponto e começa a "loucura". A minha expressão é de felicidade, agora já que aqui estava, tinha de acabar esta "empreitada".
Nos 1ºs 2, 3 klmtrs, fico para trás vou "sozinho" no meio da multidão. Ainda falo com alguns "loucos" e mais acima encontro o Bruno Pinho, daí até a meta fomos sempre juntos, era inevitável. Chego ao PAC 1 e encontro o Badolas, fotos, provo um doce típico de Portalegre e bebo café e siga que se faz tarde. Os próximos klmtrs são feitos a 3 até ao PAC 2. Chegados a este PAC, em Alegrete, depara-mo-nos com uma vila muito bonita e organizada, aconselho a visita. Aqui temos animação e faço referencia ao Bruno que alguém tem cerveja. Perguntas ao gato se quer leite, até os olhos brilharam e lá foi ele meter conversa e teve logo direito a um fininho. Daqui até ao PAC 3, Antenas, tivemos as subidas com maior metragem, mas, ou por ser de noite, ou por ainda estarmos bem, até nem custou muito a chegar as ditas Antenas. Durante este percurso, deu tempo para cantarmos os 3, o reportório incluía o Hino do FC Porto, musica brasileira. Chegados lá cima estava um frio de rachar. Só deu tempo para ingerir alguns sólidos e siga. A partir daqui são cerca de 7, 8 klmtrs a descer, é feito em corrida ou passo acelerado. Durante este trajecto o dia começa a querer "nascer", ao longe entre as montanhas vê-se a luz a definir os contornos de cada monte, LINDO. Após o PAC 4, começamos a subir, aqui o percurso não me é muito interessante, devido a alguma vegetação ao nível da minha cabeça, algo que me faz alguma confusão, embora a paisagem atrás de nós seja deslumbrante. Chegados ao ponto mais alto desta subida e com cerca de 43 klmtrs, tenho uma das visões mais imponentes desta prova, em frente a planície alentejana em todo o seu esplendor e ao longe já se podia avistar o Marvão... que SENSAÇÂO!!!!!!
Esta descida até ao PAC 5, foi feita em bom ritmo, quase sempre a correr, tento puxar o Bruno que vem uns mts atrás. Estes klmtrs são feitos na companhia do Augusto Pinto Oliveira, um SR e um exemplo de vida. No PAC 5, tivemos direito a bifanas, que bem que souberam!!!!!! Com 55 klmtrs e cerca de 9 horas e meia de prova, o Bruno recebe uma chamada do Carlos, soube muito bem este telefonema. Começava a preparar-me para o que vinha a ser a subida que me fez pensar em desistir no PAC 6. Até aqui vinha cheio de confiança. O calor já se fazia sentir e ameava fazer estragos. Chegados ao Marvão, cansado, cheio de fome, sede, vejo o Nuno, o Fontes, este com vontade de desistir, tá maluco este menino, PERNETA que é PERNETA, vai até ao fim, o Badolas cheio de vida e o Bruno a chegar logo atrás de mim a distribuir galhardetes por quem passava por ele. Tempo de ligar para casa e recarregar a motivação que andava bem em baixo, mas é nestas alturas que não há treino que supere as palavras vindas das pessoas que mais gostamos. O Nuno Lima, o Fontes e o Badolas juntam-se ao Rui Pinho e avançam. Eu e o Bruno ficamos cerca de 50 minutos neste PAC, mudamos de roupa, trocamos de "pneus", passamos a usar sapatilhas de estrada, estratégia esta acertadissima, tentei ingerir alguma coisa, mas não me estava a sentir muito bem, fiquei-me por um pouco de pão com mel e alguma laranja e muito Isotonico. Tomado um café, que maravilha, arranco para o que resta da prova.
A partir daqui, eu e o Bruno, fomos fazendo contas e vendo a melhor forma de chegar a Portalegre. Se fossemos a passo, chegaríamos por volta das 20 horas, assumindo isto, foi o que fizemos. A descida foi feita também com algum custo, estes percursos Romanos, deixam marcas nos pés. Daqui até ao PAC 7, pouco há a dizer, vamos-nos afastando do Marvão até chegarmos a Castelo de Vide ao PAC 8. Decido enviar um sms para casa a dizer que estou no limite, na qual, recebo como resposta "Anda, agora quem manda somos nós", era isto que me faltava, esta injecção de confiança. O Bruno vinha a dar alguns sinais de desconforto, tento mante-lo "vivo". Chego ao klmtr 89 muito cansado e sem vontade de beber o que tinha no reservatório, estava tudo quente, até que encontramos um tanque com agua corrente, eu sento-me ao pé da bica, com as pernas dentro de agua, o Bruno faz o mesmo e ficamos ali cerca de 3, 4 minutos, muito bom, era o que estava a precisar. Entretanto recebemos do PERNETA MOR uma chamada a dizer que o Badolas está a passar mal no PAC 9. Foi o klmtr mais angustiante . Chegados ao PAC 9, vemos um atleta no chão em dificuldade com os bombeiros e o enfermeiro a volta dele, "É o Badolas" pensamos nós, para nosso alivio, não era, onde está a PEÇA, na ambulância? Um bombeiro vendo as nossas caras de preocupados, pergunta se procuramos alguém, perguntamos se está algum José Coelho (sim, este é o verdadeiro nome do Badolas) na ambulância, a resposta é negativa. Decido ligar e atende-me o Badolas, está tudo bem, recuperou e arrancou. 
Se não sabem, ficam a saber, PERNETA é isto, nada nos ABATE.
A estratégia era de ficarmos mais um pouco neste PAC, mas a vontade, para alem de acabar, era chegar ao pé do Badolas e assim fizemos, arrancamos.
A partir daqui o passo aumentou de ritmo e chegar aos 95 klmtrs onde estava o PAC 10, foi num instante. Aqui, o Bruno ainda teve tempo de comer frango de churrasco e eu a pressiona-lo para acabarmos com esta aventura. Aqui, depara-mo-nos com o que diziam ser uma das partes mais difícil da prova, teríamos de descer cerca de 365 degraus, algo altos e largos. Eu e o Bruno olhamos no topo dos degraus e dissemos "Vai de gás colado?", "Siga" e descemos como se não houvesse amanha. Faltam agora 5 klmtrs para chegarmos, deu tempo ainda para ultrapassar uns colegas, ser felicitado por populares e aí estávamos dentro do estádio a ouvir ao longe o Fontes a gritar por nós. 
Mas deu-me um friozinho na barriga, é, também me dá estas coisas, quando o speaker nos identificou em alto e bom som soltou nos altifalantes do estádio um " Força PERNETAS, ta quase".
Ainda houve tempo para um cumprimento ao Rui Pinho antes da reta da meta e ali estava, a tão almejada META. Com o Nuno Lima, o Badolas e o Fontes a nossa espera, MAS QUE SENSAÇÃO, de conquista, de dever cumprido, indescritível...  
Depois desta aventura, pensei eu que "Pronto, já fiz uma prova de 3 dígitos, ta feito", mas não, a 1ª coisa que faço após cortar a meta é perguntar a organização quando abrem as inscrições para a UTSM 2016, perdi o juízo de vez.
Prova muito bem organizada, muito bem sinalizada, abastecimentos do melhor, mas algo que ficou, foi a simpatia, a disponibilidade dos voluntários, dos bombeiros, todo o pessoal afecto a organização, neste ponto acho difícil haver prova que supere esta. Obrigado a todos.
Até 2016......
Um abraço especial ao Perneta Mor Carlos Carlos pelo apoio antes, durante e depois da prova e ao Gil Correia pelo apoio que foi dando através dos meus amigos.
 
Se conseguiram ler tudo até ao fim, estão no bom caminho para também serem Finalistas de uma Ultra de 3 digitos.
 
José Moreira
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Obrigado Amigo.. 

quarta-feira

Ultra Trail São Mamede 100km - by Badolas


Desafiei os 5 Pernetas que fizeram o UTSM a relatar a aventura de sábado passado. O primeiro a responder positivamente ao desafio foi o Badolas, que dispensa apresentações para quem passa aqui por este cantinho de vez em quando. Aos mais distraídos relembro que este meu amigo é "pai" de uma filosofia de treino de corrida muito à frentex ... "que se foda o treino, gajo que é gajo só vai a provas e a poucas" é o lema dele, e com a conclusão dos 100km de S.Mamede elevou a fasquia a um nível superior ... é a prova provada que esta coisa das Ultras está muito na "cabeça" (e nas minis :)) ...
...e agora, uma estreia mundial ... o Papa Kilómetros tem a honra de apresentar (sem qualquer censura, juro que ainda não li, se tiver asneiras a responsabilidade é dele :)) ...

UTSM 2015 - by Badolas
 
15 de Maio, 19.30h, 5 pseudo-atletas fianenses bem dispostos mas algo assustados, saem de Santa Maria da Feira rumo a Portalegre. Objectivo: 100km a correr nos montes alentejanos.
 
A viagem até Portalegre é feita rapidamente, apenas com uma paragem para um dos participantes mudar a água às azeitonas e parar de chatear os restantes elementos, eu como condutor de serviço fiz questão de demorar ao máximo para parar, só para não habituar mal o pessoal e porque já estavamos atrasados.
Chegados finalmente ao Estádio dos Assentos em Portalegre, fomos logo levantar os dorsais e comer: massa, rissóis e quiche.
 
Depois de equipados, já no controlo zero, o Filipe tem de vir ao carro buscar o corta-vento (obrigatório), ele vai a resmungar e eu vou com ele para certificar-me que fecha bem o carro, mais tarde nessa noite, ele vai dar graças ter ido buscar este equipamento.
 
Meia noite em ponto, ao som de uma banda a tocar um tema do Xutos, dá início a prova, uma empreitada que nos parecia a todos utópia, mas que iriamos tentar correr contra as probabilidades e elevar alto o nome CAL e Pernetas.
 
Os primeiros kms são feitos em fila indiana em single-track, uma enorme nuvem de poeira levanta-se com as luzes dos frontais a deixar um rasto serpenteante pela montanha. Estes primeiros 9km até ao PAC1 são feitos relativamente rapido, mas com uma paragem a meio para atravessar um pequeno riacho. Os 5 pernetas separam-se ligeiramente, mas a curta distância uns dos outros. Chegados ao PAC1, o Filipe e o Nuno rapidamente seguem viagem, enquanto me deixo ficar com o Zé Alexandre e o Bruno a comer e a tirar fotos.
 
A viagem até ao PAC2 é por uma florenta não muito densa, estradão poeirento e quase sem luz natural, apenas os frontais vão mostrando o caminho a seguir. O PAC2 foi talvez o que mais gostei, no sopé de um monte, no Castelo de Alegrete, com umas ruas antigas, bem iluminadas e estreitas e casas brancas. Algumas pessoas à janela a saudar os participantes, que se dirigem à praça central, cheia de gente e música alta. Aqui, rapidamente o Bruno faz um amigo que lhe oferece uma cerveja, que este agradece e bebe deliciado enquanto tira umas fotos. Dou um gole na cerveja que me sabe como um nectar dos deuses. O Nuno e o Filipe apenas os vemos por breves instantes no abastecimento, já que estão cheios de vontade de continuar, sem perder tempo desnecessário. Nós os 3 demoramo-nos mais 5min a confraternizar com os simpáticos residentes e voluntários, algo que gostamos muito de fazer em todas as provas que participamos.
 
Saindo de Alegrete, sentimos que agora começa verdadeiramente a prova, já que ao subir a montanha as pernas dão sinais de algum desgaste. O Bruno, que levou os bastões para esta prova, parece estar a dar-se bem com eles ajudando-o a subir, eu experimento-os por breves instantes mas não me adapto. A caminho das Antenas (PAC3) e depois de uma subida muito ingreme, onde cantámos em plenos pulmões o Hino do FCP (só para chatear quem andasse pela montanha), de repente aparece-nos atrás de nós, os restantes 2 pernetas. O Filipe e o Nuno tinham-se perdido e andado alguns metros em contra-mão, com isso acabamos por nos agrupar e juntos chegamos ao PAC das Antenas. Aqui o Filipe deu graças ter trazido o corta-vento, já que estava muito frio e especialmente muito vento, no sopé da montanha. A tenda dava algum conforto para que nos demorássemos um pouco mais a comer e a beber, por exemplo um cházinho quente...
 
Somos 5 atletas com ritmos distintos, o Filipe e o Nuno com vontade e sobretudo aptidão para altos voos, ou seja, correrem bem e rápido. Eu até me sentia bem com eles, mas estava com mais vontade de ir com o Zé e o Bruno que são mais de caminhar, tirar fotos e interagir com todos aqueles que se atravessem em seu caminho. No entanto, até ao PAC6 (60km) que era o nosso primeiro grande objectivo, fui com o Nuno e Filipe, estava a sentir-me muito bem e nas subidas só não corria porque parecia mal J, a chegada ao PAC6 é feito sempre a subir por uma calçada romana que aquece os pés, no entanto estou cheio de coragem e energia nas pernas, deixo ligeiramente para trás os meus amigos pernetas, mas quando checo à porta do Castelo (Marvão) tenho a indicação que devemos descer a rua e circundar o castelo e tornar a subir em direcção a outra porta (aqui já sem água, só tinha de aguentar, o que fiz com alguma facilidade, ultrapassando alguns atletas pelo caminho. Cheguei sozinho a este abastecimento, com um sorriso nos lábios por me estar a sentir tão bem. Melhor só mesmo a água fresquinha que me esperava, juntamente com a sopa (fantástica) que me revitalizou totalmente o corpo (e a mente), o chamado red-bull tuga J.
Aqui trocamos de roupa, lavamo-nos, alguns trocaram de sapatilhas, preparamo-nos para o que se seguia (calor, insectos e 40km estenuantes).
O Zé e o Bruno chegaram algum tempo depois, este ultimo com algumas mazelas nos pés, tratou-as na assistência no local.
Foi neste PAC que se juntou a nós o Guru das corridas Rui Pinho, sábio e experimentado nestas lides, sempre a dar-nos dicas de (sobrevivência e preserverânça) na corrida. O Filipe ainda pensou em ficar nos 60km, não se estava a sentir bem, tinha o corpo a tremer, decidi dar-lhe moral e disse-lhe para tentar mais 10km e depois via (nem eu sabia se lá chegava, mas fui muito convincente), tanto que ele acedeu em continuar quase em pestanejar.
 
Saímos os 4, eu Filipe, Nuno e o Rui Pinho decidindo desde logo apenas caminharmos, já que o calor era abrasador e as pernas estavam moídas dos kms já feitos, à chegada no abastecimento dos 70km em Carreiras, já não tinhamos água outra vez e os joelhos e os gémeos ficavam pesados a cada passo, decidimos ficar mais tempo a refrescarmo-nos aqui. A verdade é que nem 200 metros depois deste abastecimento, tivemos um outro sem contarmos. Estava uma malta a assar chouriços e a beber cerveja na berma da estrada e logo metemos conversa para assim beneficiarmos deste nectar fresquinho que soube que nem ginjas aos pernetas, pareceu que ficamos com pernas novas (recauchutadas).
 
Como me estava a sentir um campeão, sempre a caminhar à frente e com uma passada forte e constante, entrei no abastecimento dos 77km em Castelo de Vide como um campeão, optando por não comer quase nada e beber apenas um pouco de coca cola, ou seja, segui viagem rumo ao PAC9 pouco alimentado. Isto fez com que passasse mal nestre troço e ao entrar no PAC9, o meu corpo desligou quase por completo, nem forças para me sentar numa cadeira tinha, aparentemente tinha chegado ao fim a minha aventura, tão perto do final. Quase a desmaiar de cansaço vejo o Filipe a mergular de cabeça na piscina, o Nuno dizia-me que também não estava nada bem, mas a recuperar rapidamente. Enfim o Rui Pinho seguiu viagem, logo depois o Nuno e Filipe e o Nuno fizeram o mesmo. Estava sozinho e sem ter forças nem para comer, enjoado, com tonturas, quando recebo um telefonema do Perneta Mor (Carlos) que desde logo se apercebe do meu estado. Dá-me força anímica e diz-me algo sensato: “descansa o tempo que precisares que tenho 5h para o tempo limite de prova, recupera e vê se continuas, estás tão perto...”
Uma ultima chamada da minha Andreiinha e levanto-me convicto que não estava morto, como um pouco de tomate com sal e molho a cabeça. Aproveito a saída de um pequeno grupo de 5 pessoas e tento acompanhá-los, a cada passo me sinto a ressuscitar e rapidamente ultrapasso este grupo. Depois de andar quase 1km o Zé Alexandre liga-me a saber onde estou, o Carlos tinha-lhe ligado e pedido para me ajudar. Inicialmente digo que espero por eles, mas como me estava a sentir melhor sigo o meu caminho a ver se não quebro. Estes ultimos kms faço-os a passo acelerado e depois até a correr, chego ao estádio dos Assentos era já noite onde estavam já o Nuno e o Filipe. Eles não esperavam ver-me a terminar a prova e dá-me um ânimo fantástico ver a alegria deles ao vislumbrar-me a correr, renascido e a terminar a prova em 20h39.
50min depois entram no estádio o Bruno e o Zé Alexandre fazendo com que estes 5 pernetas se tornem heróis acidentais, talvez os menos qualificados à partida para terminar uma prova desta envergadura.
 
Quero apenas realçar a força que o Carlos Cardoso e o Gil Correia nos deram antes, durante e depois da prova, eles que foram os primeiros a sugerir a participação, mas que não puderam correr, esta é também uma conquista deles, os 3 digitos são igualmente deles.
 
Parabéns à organização. Não faltou nada. A prova é dura, mas com abastecimentos de qualidade e voluntários extraordináriamente prestáveis e atenciosos.
A paisagem não é como as que temos no norte do país, o que a torna mais monótona em algumas partes, mas no fundo é característica da zona onde se realiza, que eu não conhecia.
Sinceramente, não me importava de voltar... quem sabe!
 
Badolas
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e agora vou ler a coisa....obrigado campeão!!!

terça-feira

Semana "fraquinha" ou talvez não


A semana passada foi “fraquinha”. Maria doente, Isabel a dormir mal novamente… por duas vezes tive o equipamento preparado para ir correr às 6 da manhã, mas o cansaço não deixou. Fiz 2 treinos, 4ª e 6ª, sempre depois das 22 horas … mas estes dois foram dos bons J

4ª – 15km – pelo meio  14 series de 400m a 3,45min/km de média, com intervalos de 200m … já não andava assim “rápido” à algum tempo. Custou, mas bem menos do que esperaria.

6ª – 11km bem ritmados com 4,36min/km de média, tendo feito os últimos 5km a 4,15min/km. Acabei muito bem, sem esforço de maior.

No fim-de-semana não houve tempo para correrias. Sábado teria sido dia de S.Mamede para mim – não foi – às vezes seria giro a gente se poder dividir em dois para estar em dois locais ao mesmo tempo J … a decisão de não ir a S.Mamede não foi fácil como podem imaginar, mas no fim de sábado tive a certeza absoluta que foi a decisão certa e acreditem que não me arrependi nem um segundo J  

Por falar em S.Mamede, deixo-vos com 3 fotos dos 5 magníficos Pernetas dos três dígitos – retractam o espirito de equipa que nos caracteriza… GRANDES!!!

Fotos escandalosamente roubadas ao Zé Alexandre J


 
Esta semana será à “bruta”… e preparem-se, a próxima “posta” vai meter nojo à fartazana…tenho dito J J J

sábado

Ultra Trail S.Mamede - 5 em 5

Melhor era impossível. Dos 5 Pernetas (Bruno, Badolas, Zé Alexandre, Nuno Lima e Filipe) que se apresentaram na linha de partida do UTSM deste ano, todos concluíram com sucesso e sem mazelas os 100km. Todos em estreia nos três dígitos.
 
Meus amigos, vocês estão tanto, mas tanto de parabéns. Fiquei muito feliz por vocês. São uns verdadeiros heróis e um motivo de orgulho enorme para mim. Acompanhei da forma possível a vossa aventura durante o dia de hoje, a euforia, os muitos altos, o passar dos km, mas também de alguns baixos e da luta enorme que foi para conseguirem finalizar com sucesso mais esta aventura em que se meteram. Fizeram tudo bem! Mas havia dúvidas???
 
Sabem, todos nós neste desporto, temos atletas que admiramos, que nos inspiram...a maior parte das vezes são atletas de topo.. Eu também tenho alguns, mas pessoalmente inspiram-me muito mais atletas normais que fazem coisas extraordinárias como vocês fizeram hoje. É um orgulho enorme poder partilhar aventuras com vocês!!!



quinta-feira

FORÇA COMPANHEIROS DE TANTAS LUTAS!!!

Sabem que estou com vocês, não sabem?
 
Força nessas canetas grandes e corajosos Pernetas, lutem, sofram mas acima de tudo divirtam-se como só nós o sabemos fazer ... e além da conquista dos três dígitos, tragam de Portalegre muitas histórias para contar.
 
Vai ser uma aventura e tanto .... vou chatear-vos durante o dia de sábado (não vale desligar o telelé, muito menos ignorar aqui o velhinho) ... ahh, e espero que sintam um bocadinho de saudades minhas !!!







segunda-feira

Pós S.Mamede e outras histórias


E depois de S.Mamede?
Nunca me preocupei verdadeiramente com esta questão, sempre disse que depois veria, e iria decidir conforme me corresse a experiência dos 3 dígitos, e mais importante, dependia muito de como iria recuperar do esforço. Só sabia que queria abrandar, recuperar bem.
 
E agora que não vou? Decidi manter a ideia de abrandar… vou voltar ao alcatrão, menos treinos, menos horas…. vão voltar as series, as rampas em velocidade, os Fartleks, os treinos ritmados, o olhar para o relógio… já estava com saudades disto … não sei se já disse isto (talvez apenas umas 350 vezes J), mas eu não me consigo decidir entre trilhos e alcatrão … gosto dos dois, e quando ando muito tempo nos trilhos “bate” uma saudade do alcatrão e vice-versa. Estes primeiros meses de 2015 foram dedicados aos trilhos, ritmos baixos, muitas horas em movimento… venham os bpm a 175-185 durante meia hora seguida J …mas já sei, logo que começar a ler as aventuras dos outros por essas serras fora vou sentir saudades… terei sempre o meu quintal para as matar J
 
Próxima prova?
Após um ano de interregno vou voltar à Corrida de S.João no Porto, dia 14 de Junho – quero bater o meu RP nos 15km o que não me parece nada difícil, caso não aconteça nada de anormal – 1h06,09 conseguidos em 2013. Em 5 anos fiz apenas 3 provas de 15km, sempre a Corrida de S.João e nunca nas devidas condições (ou com 30º graus, ou todo empenado de uma despedida de solteiro de véspera ou ainda vindo directamente de uma lesão). É o meu pior registo a nível de RP’s em estrada. Eu acho que tenho capacidade para fazer ali qualquer coisa por volta da 1h01min. Na Corrida de S.João não deve ser possível, pois além de ter poucas semanas para apurar o ritmo, vai ser muita gente e é provável que esteja calor. Neste momento não me vou colocar nenhum objectivo especifico de tempo, apenas qe quero baixar o RP – lá mais para perto da data já saberei mais ou menos em que forma me encontro e poderei definir um objectivo pessoal pelo qual lutar.
Treinos  da semana passada
E por falar nisso, já comecei a por “lume” nas sapatilhas…na semana passada regressei às series e até fui ver o que valho em 10km. Tal como pensava, a coisa anda um bocadinho enferrujada, mas até pensei que estivesse pior:
3ª feira – 15km com 10x800m a 4,10min/km pelo meio – isto feito junto ao mar pelo passadiço de madeira na zona de Espinho, Aguda, Miramar. Fiquei cansado mas até que me correu bastante bem.
 


 
 
 4ª feira – 11km a rolar em estrada – 1 horita com 200m D+
Sábado – Queria ver se ainda conseguia fazer 10km a um bom ritmo para mim. Coloquei como objectivo mínimo os 45min.  A ideia era ir um bocadinho acima, mas tentando controlar sempre o andamento sem ir completamente ao limite – e assim fiz, depois de 1km de aquecimento sempre a subir lá me lancei nos 10km…Fiães-Caldas-Fiães …os primeiros 5km foram relativamente fáceis, talvez por uma parte do percurso ser a descer ou por eu estar fresco… abusei um bocadinho e a média chegou a estar abaixo dos 4,15min/km…. Depois comecei a ficar com as pernas pesadas… estava calor e a fonte do Parque das Caldas estava ocupado… estava com a boca seca, mas decidi não parar para não perder tempo…. Já sentia bastante cansaço e agora no retorno tinha que gerir muito bem o ritmo, pois até á entrada em Fiães iria apanhar duas subidas, que não sendo nada de outro mundo, a estes ritmos massacram… e assim foi…. baixei um pouco o ritmo e a coisa foi-se fazendo…. Cheguei a 4,22min/km e quando tudo voltou a ficar mais ou menos plano decidi atacar… deu-me uma daquelas artimanhas de motivação … “quero baixar os 4,20min/km” … e lá saí disparado para os últimos 2km e cheguei aos 10km com 4,18min/km … 43,09min aos 10km… nada mau para quem não faz nada disto à meses J …. Tenho uma boa base para começar o “trabalho” J Para dar seguimento nas próximas semanas…
 
Meia Maratona de Cortegaça
Ontem realizou-se mais uma edição (31º) da Meia Maratona de Cortegaça. É a minha Meia Maratona preferida, feita no local onde eu faço muitos dos treinos longos quando estou a preparar uma Maratona. O percurso de ida e volta entre Cortegaça e Maceda, entre Mar e Floresta, é um espectáculo. A juntar a isto uma organização “caseirinha”, mas feita com muito amor e onde não falta nada por um preço baixo. Falhei pela primeira vez desde que corro – desde que a descobri em 2011, tinham sido 4 presenças consecutivas e este anos, por muito que me custasse tinha decidido não participar, pois estaria a descansar para Portalegre. Pelo que ouvi dizer foi mais uma festa, tudo terá corrido bem. Do Cal estiveram 24 atletas presentes, com grande destaque para o Nuno Silva que fez 1h17min, de longe a melhor marca nos últimos anos (ele já tem 1h14 no CV, mas isso foi quando ele era magrinho e cabeludo J). Parabéns campeão, os Trilhos do Perneta a fazer efeito J Espero para o ano regressar a esta grandiosa Meia Maratona.

 
Trilhos do Perneta 2
Só por curiosidade – sabem o que a malta que participou “enfardou” durante e após os Trilhos?





 
100 Bananas, 80 Laranjas, 10 Bolos grandes, 25 Tomates com Sal, 10 Pacotes de Batata Frita grandes, 12 Pratos grandes de Aletria, 50 garrafões de água, 384 garrafas de água 0,33, 180 minis, 1 Balde de Tremoços, 2 sacos de Amendoins salgados, 5 garrafas de Vinho do Porto.
Tirando alguma água, uma ou outra peça de fruta e 80 Minis (não as fui buscar ao frigorifico a minha casa, se não ainda agora lá estávamos J) a malta “varreu” TUDO!!! COMER E BEBER PRÓ CARA…GO J

sábado

100km São Mamede - a vida não é só corrida


Tenho andado um pouco afastado aqui das lides dos blogues. Espero que tenham sentido a minha falta J …nas últimas semanas o tempo tem andado mais escasso ainda do que já é normal, entre trabalho, família, Pernetas 2 e um portátil espatifado, não houve tempo para muito mais. E existem novidades para contar…

… a mais importante e a que venho aqui transmitir é que já não vou a Portalegre correr os 100km de S.Mamede. Esta decisão tomei-a à quase duas semanas atrás … não se preocupem, está tudo bem comigo, não tenho nenhum impedimento físico, lesão ou outra coisa do género que me impedisse, pelo menos, de tentar os três dígitos. A tomada desta decisão tem a ver com algo pessoal, algo que irá acontecer exactamente na mesma data da prova … acreditem que foi uma decisão muito difícil de tomar, mas a razão falou mais alto … corridas existem muitas e existem coisas que não se voltam a repetir na vida …por isso, ainda não será desta que ataco os 3 dígitos.

Esta decisão foi transmitida em primeira mão ao restante Gangue dos Pernetas (que devem ter ficado contentes por não me terem de aturar num fim de semana inteiro J) .. mas entretanto houve mais uma baixa no grupo, esta por motivos que nos deixam verdadeiramente tristes, mas que espero sinceramente tenha um final feliz. Muita força!!!

O meu maior desejo para Portalegre é que os outros 5 valentes do Gangue dos Pernetas se divirtam e consigam atingir os seus objectivos que é “apenas” chegar ao fim. Tragam de lá esse prémio!!! Estarei a torcer por vós.

Quanto a mim, rapidamente esqueci o assunto. Ainda pensei aproveitar a “boa” preparação para outras provas de três dígitos próximas, mas no fim-de-semana do Oh Meu Deus terei cá clientes meus para aturar, e para a Serra da Freita não me parece que esteja devidamente preparado. Por isso fica para uma próxima oportunidade …

…agora, nos próximos tempos, vou acalmar um bocadinho, dedicar-me um pouquinho à estrada e fazer uma ou outra prova mais curta. Resta-me para 2015 um grande objectivo lá mais para Novembro, no Porto J

…como diz um colega nosso …”porque a vida não é só corridaJ